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Revitalização da Rio Branco: santa-marienses a favor das árvores

revitalizacao3_rb_alice_fabiane.jpgNo final de janeiro, o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, assinou a Ordem de Serviço que deu início a uma das obras mais ambiciosas da história recente do município: a revitalização da avenida Rio Branco. O projeto, integrante do programa Reviva Centro, tem como objetivo proporcionar à população um espaço de lazer e convivência. Há um impasse, porém, no que diz respeito à questão ambiental. É realmente necessária a retirada de várias árvores do local? 
  

Revitalizar, segundo o dicionário Aurélio, significa “tornar a vitalizar; insuflar nova vida ou vigor em; revigorar, reviver, revivificar, revivescer; revitalizar as energias”. Vivemos em uma época em que uma simples árvore – para mais ou para menos – pode fazer a diferença para o equilíbrio da natureza. 

Para o secretário municipal de Proteção Ambiental Luiz Alberto Carvalho Junior, o projeto se adequa às necessidades de Santa Maria e não oferece riscos ao meio ambiente. “Estão sendo removidas somente árvores exóticas, impróprias para o local”, afirma. Segundo o secretário, foram utilizados critérios técnicos para decidir quais árvores seriam retiradas. “Muitas das espécies presentes na Avenida Rio Branco apresentam problemas com suas raízes. Algumas oferecem, inclusive, risco de queda devido à fraca penetração das raízes”.

 

 

 
O que pensa a população?revitalizacao4_rb_alice_fabiane.jpg

revitalizacao_rb_sergiosilva_alice_fabiane.jpgNo entanto, quem convive diariamente com a obra não vê a iniciativa como algo positivo para a cidade. "Acho errado derrubar as árvores. Talvez fosse melhor podá-las", opina o jornaleiro Sérgio Silva, cujo ponto de trabalho localiza-se na esquina da Avenida Rio Branco com a rua Venâncio Aires. Sérgio acredita, ainda, que uma remodelação do local é bem-vinda, mas não da maneira como vem sendo executada. "Estão estragando tudo", lamenta.


  A secretária Gabriela Bonacorso* possui um motivo inusitado para considerar a obra inadequada. "Uma árvore derrubou um tapume e por muito pouco não atingiu meu carro", conta. Além disso, Gabriela revela que, da sacada do prédio onde trabalha, é possível observar a movimentação dos envolvidos diretamente com a revitalização. "Não é difícil ver um ou outro dormindo pelos cantos durante o expediente".


revitalizacao_rb_manoelsevero_alice_fabiane.jpgTaxistas de um dos pontos mais movimentados da avenida, Manoel Severo e Luiz Fernando reclamam do ritmo lento da construção. "Esperamos voltar logo ao nosso ponto, mas há muita revitalizacao_rb__luifernando_alice_fabiane.jpgdemora", afirma Severo. Luiz Fernando, que testemunhou a queda da árvore que quase atingiu um automóvel, teme pelos dias de calor intenso. "Vamos perder nossa sombra", comenta.


Para a gerente administrativa Loêmia Lima*, as prioridades da prefeitura são equivocadas. "Deveriam dar atenção às crianças que estão nas ruas, e não destruir a natureza, pois ela cobra", enfatiza. 

 

Conselho não vê irregularidades no projeto 

revitalizacao1_rb_alice_fabiane.jpgO Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Santa Maria (Condema), após análise do projeto da Prefeitura, considerou o procedimento dentro da legislação ambiental. Conforme a secretária geral do Condema, Anna Christine Ferreira Kist, a Prefeitura assumiu o compromisso de apresentar em plenária na Câmara de Vereadores, na próxima sexta-feira, 1º de abril, um plano de medidas compensatórias a ser adotado em relação à obra.

Além do Condema, o projeto recebeu aval de conselheiros técnicos dos seguintes órgãos e entidades: 2º Batalhão Ambiental de Santa Maria – BM, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, IBAMA – Escritório Regional de Santa Maria, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA/RS, Grupo Bandeirantes da Serra, Associação de Material Reciclável – ASMAR e Fundação MO’Ã.

A Agência Central Sul vai acompanhar a realização da plenária no dia 1º de abril, na Câmara de Vereadores, a partir das 8h30min.

* Estas pessoas preferiram não ser fotografadas

Fotos: Alice Bollick e Fabiane Millani (Laboratório de Fotografia e Memória)

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revitalizacao3_rb_alice_fabiane.jpgNo final de janeiro, o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, assinou a Ordem de Serviço que deu início a uma das obras mais ambiciosas da história recente do município: a revitalização da avenida Rio Branco. O projeto, integrante do programa Reviva Centro, tem como objetivo proporcionar à população um espaço de lazer e convivência. Há um impasse, porém, no que diz respeito à questão ambiental. É realmente necessária a retirada de várias árvores do local? 
  

Revitalizar, segundo o dicionário Aurélio, significa “tornar a vitalizar; insuflar nova vida ou vigor em; revigorar, reviver, revivificar, revivescer; revitalizar as energias”. Vivemos em uma época em que uma simples árvore – para mais ou para menos – pode fazer a diferença para o equilíbrio da natureza. 

Para o secretário municipal de Proteção Ambiental Luiz Alberto Carvalho Junior, o projeto se adequa às necessidades de Santa Maria e não oferece riscos ao meio ambiente. “Estão sendo removidas somente árvores exóticas, impróprias para o local”, afirma. Segundo o secretário, foram utilizados critérios técnicos para decidir quais árvores seriam retiradas. “Muitas das espécies presentes na Avenida Rio Branco apresentam problemas com suas raízes. Algumas oferecem, inclusive, risco de queda devido à fraca penetração das raízes”.

 

 

 
O que pensa a população?revitalizacao4_rb_alice_fabiane.jpg

revitalizacao_rb_sergiosilva_alice_fabiane.jpgNo entanto, quem convive diariamente com a obra não vê a iniciativa como algo positivo para a cidade. "Acho errado derrubar as árvores. Talvez fosse melhor podá-las", opina o jornaleiro Sérgio Silva, cujo ponto de trabalho localiza-se na esquina da Avenida Rio Branco com a rua Venâncio Aires. Sérgio acredita, ainda, que uma remodelação do local é bem-vinda, mas não da maneira como vem sendo executada. "Estão estragando tudo", lamenta.


  A secretária Gabriela Bonacorso* possui um motivo inusitado para considerar a obra inadequada. "Uma árvore derrubou um tapume e por muito pouco não atingiu meu carro", conta. Além disso, Gabriela revela que, da sacada do prédio onde trabalha, é possível observar a movimentação dos envolvidos diretamente com a revitalização. "Não é difícil ver um ou outro dormindo pelos cantos durante o expediente".


revitalizacao_rb_manoelsevero_alice_fabiane.jpgTaxistas de um dos pontos mais movimentados da avenida, Manoel Severo e Luiz Fernando reclamam do ritmo lento da construção. "Esperamos voltar logo ao nosso ponto, mas há muita revitalizacao_rb__luifernando_alice_fabiane.jpgdemora", afirma Severo. Luiz Fernando, que testemunhou a queda da árvore que quase atingiu um automóvel, teme pelos dias de calor intenso. "Vamos perder nossa sombra", comenta.


Para a gerente administrativa Loêmia Lima*, as prioridades da prefeitura são equivocadas. "Deveriam dar atenção às crianças que estão nas ruas, e não destruir a natureza, pois ela cobra", enfatiza. 

 

Conselho não vê irregularidades no projeto 

revitalizacao1_rb_alice_fabiane.jpgO Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Santa Maria (Condema), após análise do projeto da Prefeitura, considerou o procedimento dentro da legislação ambiental. Conforme a secretária geral do Condema, Anna Christine Ferreira Kist, a Prefeitura assumiu o compromisso de apresentar em plenária na Câmara de Vereadores, na próxima sexta-feira, 1º de abril, um plano de medidas compensatórias a ser adotado em relação à obra.

Além do Condema, o projeto recebeu aval de conselheiros técnicos dos seguintes órgãos e entidades: 2º Batalhão Ambiental de Santa Maria – BM, Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, IBAMA – Escritório Regional de Santa Maria, Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia – CREA/RS, Grupo Bandeirantes da Serra, Associação de Material Reciclável – ASMAR e Fundação MO’Ã.

A Agência Central Sul vai acompanhar a realização da plenária no dia 1º de abril, na Câmara de Vereadores, a partir das 8h30min.

* Estas pessoas preferiram não ser fotografadas

Fotos: Alice Bollick e Fabiane Millani (Laboratório de Fotografia e Memória)