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Santa Maria, RS, Brazil

Uma ode ao namoro

– “Você está aí?” – ele perguntou.

– “Claro que sim“. – ela respondeu.

Ele costumava repetir esta pergunta, mesmo com ela a seu lado, ou atirada no sofá. Como que para garantir que não tivesse sumido.

Esse é o lado bom e o ruim de um namoro: o estar-juntos com certeza incerta, com frio-na-barriga. Com angústia agridoce. Porque o namoro é relação com cara de verão, vem aquecida quase sempre de uma paixão desnorteante, para os sortudos. Sobrevive na potência máxima do tesão, o combustível maior. Mas claro, só persiste nas afinidades, na escolha, no amor. O namoro é a fase quando fazemos tudo para aquela dúvida não existir. Quando surpreendemos o outro com mensagens e chats. Quando há tempo para trocar e-mails longos e especiais. Quando passamos dias ou semanas pensando na surpresa que pode deixar o amado feliz. Compramos presentes sem motivos,  transformamos pequenas passagens do tempo em eventos (inesquecíveis). E até escolhemos roupas para nos sentirmos mais bonitos e, claro, “agradar”.  Porque namoro, gente, é sedução cotidiana, é conquista. E se deixar conquistar também.

Aquela tarde ela foi entregar o trabalho de um cliente na Av. Protásio Alves e deixou o carro no estacionamento ao lado. A reunião levou horas, ficou com fome e na saída passou em um Café para lanchar, antes de voltar para casa. Enviou um torpedo a ele: “Tô chegando loguinho. Me espera. bjs

O lado mais mais bonito do namoro é o seu “quê” de romântico espontâneo. Romantismo que brota de todo o n[AMOR]o que carrega dentro e junto dele. E que traz aquela afinidade que parece inata ao casal. Tem coisa melhor do que saber para quem podemos ligar para dividir alguma notícia, boa ou ruim? E o melhor, ter certeza que é para aquela pessoa que realmente queremos contar!?

Mas namoro é diference de romance. Romance parece ideal, né, mas namoro é melhor, porque é um romance praticado, que embora as nuances, tem suas diferenças.

Romance é ter destinatário para as juras de amor. Namoro é saber que elas são correspondidas. Romance é alguém dizer que se preocupa conosco e com nosso bem-estar. Namoro é alguém segurar nossa mão, fazer massagem se ela doer, fazer sopinha quando ficarmos doentes e, de quebra, apoiar financeiramente dependendo do nível de intimidade. E vice-versa. Romance é confiança. Namoro é uma relação-de-confiança e cumplicidade. É segurar as pontas na prática. É dar valor à opinião do outro, é ouvir, tentar se colocar no lugar, ter consideração pelo que cada um é e foi, pelo que viveram.  Romance é teoria. Namoro é prática. Romance é sonho, namoro é exercício diário de pequenas atividades, programinhas e compromissos – bons e nem tanto… Romance está no imaginário, namoro envolve projetos concretos. Romance é fácil. Namoro é díficil. No namoro a gente sonha o melhor dos mundos. Por isso namoro merece todos os elogios. Não porque é fase fácil, mas porque é gostosa demais, apesar da necessidade de aprendizado em lidar com as intempéries.

Ela voltou para o estacionamento e quando chegou lá, estava fechado, com o carro dela dentro. Por 2 minutos entrou em pânico, e então ligou para ele.

– “Está tudo bem. Meu namorado está vindo agora“.

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– “Você está aí?” – ele perguntou.

– “Claro que sim“. – ela respondeu.

Ele costumava repetir esta pergunta, mesmo com ela a seu lado, ou atirada no sofá. Como que para garantir que não tivesse sumido.

Esse é o lado bom e o ruim de um namoro: o estar-juntos com certeza incerta, com frio-na-barriga. Com angústia agridoce. Porque o namoro é relação com cara de verão, vem aquecida quase sempre de uma paixão desnorteante, para os sortudos. Sobrevive na potência máxima do tesão, o combustível maior. Mas claro, só persiste nas afinidades, na escolha, no amor. O namoro é a fase quando fazemos tudo para aquela dúvida não existir. Quando surpreendemos o outro com mensagens e chats. Quando há tempo para trocar e-mails longos e especiais. Quando passamos dias ou semanas pensando na surpresa que pode deixar o amado feliz. Compramos presentes sem motivos,  transformamos pequenas passagens do tempo em eventos (inesquecíveis). E até escolhemos roupas para nos sentirmos mais bonitos e, claro, “agradar”.  Porque namoro, gente, é sedução cotidiana, é conquista. E se deixar conquistar também.

Aquela tarde ela foi entregar o trabalho de um cliente na Av. Protásio Alves e deixou o carro no estacionamento ao lado. A reunião levou horas, ficou com fome e na saída passou em um Café para lanchar, antes de voltar para casa. Enviou um torpedo a ele: “Tô chegando loguinho. Me espera. bjs

O lado mais mais bonito do namoro é o seu “quê” de romântico espontâneo. Romantismo que brota de todo o n[AMOR]o que carrega dentro e junto dele. E que traz aquela afinidade que parece inata ao casal. Tem coisa melhor do que saber para quem podemos ligar para dividir alguma notícia, boa ou ruim? E o melhor, ter certeza que é para aquela pessoa que realmente queremos contar!?

Mas namoro é diference de romance. Romance parece ideal, né, mas namoro é melhor, porque é um romance praticado, que embora as nuances, tem suas diferenças.

Romance é ter destinatário para as juras de amor. Namoro é saber que elas são correspondidas. Romance é alguém dizer que se preocupa conosco e com nosso bem-estar. Namoro é alguém segurar nossa mão, fazer massagem se ela doer, fazer sopinha quando ficarmos doentes e, de quebra, apoiar financeiramente dependendo do nível de intimidade. E vice-versa. Romance é confiança. Namoro é uma relação-de-confiança e cumplicidade. É segurar as pontas na prática. É dar valor à opinião do outro, é ouvir, tentar se colocar no lugar, ter consideração pelo que cada um é e foi, pelo que viveram.  Romance é teoria. Namoro é prática. Romance é sonho, namoro é exercício diário de pequenas atividades, programinhas e compromissos – bons e nem tanto… Romance está no imaginário, namoro envolve projetos concretos. Romance é fácil. Namoro é díficil. No namoro a gente sonha o melhor dos mundos. Por isso namoro merece todos os elogios. Não porque é fase fácil, mas porque é gostosa demais, apesar da necessidade de aprendizado em lidar com as intempéries.

Ela voltou para o estacionamento e quando chegou lá, estava fechado, com o carro dela dentro. Por 2 minutos entrou em pânico, e então ligou para ele.

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