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As cirurgias espirituais na busca pela cura

Crédulos ou incrédulos tanto faz. A verdade é que as cirurgias mediúnicas, mais conhecidas como cirurgias espirituais vêm ganhando cada vez mais adeptos e desafiando as fronteiras da ciência. Desde os primórdios da história da humanidade se tem registros de possíveis cirurgias espirituais, sobretudo no Egito e na Grécia, onde era comum existir médicos-feiticeiros que através de rituais próprios deram origem ao que hoje chamamos de curas espirituais.
 Ao contrário do que muitos pensam, a busca pela cura não vem apenas dos que creem no espiritualismo, e sim, de todas as religiões existentes, até mesmo daquelas que negam veemente a existência de uma vida após a morte.
 A doutrina espírita pode até não atrair um público tão grande, mas a prática dos passes e cirurgias deixa as salas dos mais de doze mil centros distribuídos pelo país superlotadas em busca de conforto e solução para problemas físicos e mentais. A quantidade de casas espíritas que realizam esses procedimentos no Brasil é grande. Há lugares que disponibilizam até mesmo cirurgias à distância como é o caso do Templo Espírita Tupyara no Rio de Janeiro.
 Os Kardecistas explicam que as cirurgias espirituais são feitas por espíritos de médicos desencarnados que atuam no corpo perispiritual, utilizando técnicas ligadas à ciência médica. Allan Kardec, conhecido como codificador do espiritismo, deixa claro em seus manuscritos que são pessoas que possuem um fluido humano especial, que potencializado pelos fluidos do mundo dos espíritos, podem modificar a estrutura da matéria, promovendo as curas.
Bruno Freitas operou os olhos em uma cirurgia astral realizada na cidade de Passo Fundo.

Para Bruno Freitas, 24, técnico de informática, a procura pela cura espiritual começou há pouco mais de um ano quando ele foi diagnosticado com Ceratocone, uma doença não inflamatória progressiva do olho que provoca mudanças estruturais na córnea. Após refazer vários exames e ver o progresso da doença, a única solução era uma cirurgia a laser, a qual Bruno não queria se submeter. Foi neste momento que ele pediu ajuda espiritual. “Como sou estudante da doutrina resolvi procurar o Centro Espírita Allan Kardec, aqui em Passo Fundo. Recebi as orientações e fiz todo o procedimento necessário, pois eu não poderia comer carne vermelha no dia da cirurgia e também deveria tomar banho 12 horas antes, evitar sexo e drogas” declara.

O fato que mais surpreendeu Bruno não foi apenas a melhora de cerca de 30% na recuperação da visão, mas sim toda a experiência vivida naqueles momentos em que parecia estar em uma outra atmosfera. “Quando entrei na sala o silêncio era absoluto, senti um relaxamento físico inigualável e aromas magníficos que nunca havia sentido antes. Junto comigo estava uma equipe de quatro enfermeiros e um médico espiritual. Senti um calor intenso que não identifiquei de onde vinha e como um mestre das artes, o médico orientou a limpeza dos meus olhos” recorda.
Ainda segundo o relato do estudante, a equipe toda usava jalecos, luvas, toucas, bisturis e todos os instrumentos que a medicina tradicional ocupa. Tudo era limpo e higienizado. “Senti uma movimentação de algo que não era aqui do nosso plano. O médico pegou o bisturi e confesso com todas as letras do mundo que senti como se o corte estivesse sendo de verdade. Fui pra casa após o procedimento e, para meu espanto, tive dores infernais, vermelhidão, ardor e queimação local que depois de um ou dois dias foram aliviando” conta Bruno.
 Algumas pessoas procuram a ajuda desses médiuns quando percebem que a medicina tradicional não solucionou os problemas físicos, como é o caso do vereador Paulo Denardin.
O vereador Paulo Denardin afirma ser adepto da doutrina espírita e acredita na eficácia das cirurgias espirituais.

Frequentador da doutrina espírita durante muitos anos, Denardin buscou ajuda primeiramente pelas cirurgias à distância. Depois teve outros problemas físicos e recorreu à cirurgia mediúnica no Núcleo Espírita Nosso Lar, em Florianópolis. “Por ser estudante da doutrina eu sabia que os males não eram apenas físicos, mas sim perispirituais e que há coisas que a medicina tradicional não consegue resolver. Fui a Florianópolis e realizei a cirurgia sem cortes, assim como já fiz outras vezes. Sou adepto”, afirma.

A expansão da doutrina pelo Brasil e pelo mundo afora também ocasiona diversas situações problemáticas. A principal delas são as polêmicas causadas pelo confronto entre ciência e religião. Teltz Cardoso Farias, coronel e trabalhador da doutrina no Abrigo Espírita Oscar Pithan, em Santa Maria, com relação às polêmicas se posiciona positivamente: “Temos tomado as cautelas necessárias no trato com os temas polêmicos, como convém à boa e fiel divulgação da nossa amada doutrina. Quando tratamos deles, em público, é com o intuito de esclarecer o posicionamento doutrinário frente ao assunto e, tanto quanto possível, ajudar para que distorções de qualquer espécie não se verifiquem” diz.
E quanto à pergunta sobre a veracidade das cirurgias mediúnicas: não existem respostas exatas, já que isso vai da crença e da fé de cada um. Há quem desacredite, assim como há quem não viva sem. A batalha de egos que opõe ciência e religião já dura séculos, e ainda perdurará por muitos anos.
Por Nathalia Ruviaro, acadêmica de jornalismo da Unifra.

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Crédulos ou incrédulos tanto faz. A verdade é que as cirurgias mediúnicas, mais conhecidas como cirurgias espirituais vêm ganhando cada vez mais adeptos e desafiando as fronteiras da ciência. Desde os primórdios da história da humanidade se tem registros de possíveis cirurgias espirituais, sobretudo no Egito e na Grécia, onde era comum existir médicos-feiticeiros que através de rituais próprios deram origem ao que hoje chamamos de curas espirituais.
 Ao contrário do que muitos pensam, a busca pela cura não vem apenas dos que creem no espiritualismo, e sim, de todas as religiões existentes, até mesmo daquelas que negam veemente a existência de uma vida após a morte.
 A doutrina espírita pode até não atrair um público tão grande, mas a prática dos passes e cirurgias deixa as salas dos mais de doze mil centros distribuídos pelo país superlotadas em busca de conforto e solução para problemas físicos e mentais. A quantidade de casas espíritas que realizam esses procedimentos no Brasil é grande. Há lugares que disponibilizam até mesmo cirurgias à distância como é o caso do Templo Espírita Tupyara no Rio de Janeiro.
 Os Kardecistas explicam que as cirurgias espirituais são feitas por espíritos de médicos desencarnados que atuam no corpo perispiritual, utilizando técnicas ligadas à ciência médica. Allan Kardec, conhecido como codificador do espiritismo, deixa claro em seus manuscritos que são pessoas que possuem um fluido humano especial, que potencializado pelos fluidos do mundo dos espíritos, podem modificar a estrutura da matéria, promovendo as curas.
Bruno Freitas operou os olhos em uma cirurgia astral realizada na cidade de Passo Fundo.

Para Bruno Freitas, 24, técnico de informática, a procura pela cura espiritual começou há pouco mais de um ano quando ele foi diagnosticado com Ceratocone, uma doença não inflamatória progressiva do olho que provoca mudanças estruturais na córnea. Após refazer vários exames e ver o progresso da doença, a única solução era uma cirurgia a laser, a qual Bruno não queria se submeter. Foi neste momento que ele pediu ajuda espiritual. “Como sou estudante da doutrina resolvi procurar o Centro Espírita Allan Kardec, aqui em Passo Fundo. Recebi as orientações e fiz todo o procedimento necessário, pois eu não poderia comer carne vermelha no dia da cirurgia e também deveria tomar banho 12 horas antes, evitar sexo e drogas” declara.

O fato que mais surpreendeu Bruno não foi apenas a melhora de cerca de 30% na recuperação da visão, mas sim toda a experiência vivida naqueles momentos em que parecia estar em uma outra atmosfera. “Quando entrei na sala o silêncio era absoluto, senti um relaxamento físico inigualável e aromas magníficos que nunca havia sentido antes. Junto comigo estava uma equipe de quatro enfermeiros e um médico espiritual. Senti um calor intenso que não identifiquei de onde vinha e como um mestre das artes, o médico orientou a limpeza dos meus olhos” recorda.
Ainda segundo o relato do estudante, a equipe toda usava jalecos, luvas, toucas, bisturis e todos os instrumentos que a medicina tradicional ocupa. Tudo era limpo e higienizado. “Senti uma movimentação de algo que não era aqui do nosso plano. O médico pegou o bisturi e confesso com todas as letras do mundo que senti como se o corte estivesse sendo de verdade. Fui pra casa após o procedimento e, para meu espanto, tive dores infernais, vermelhidão, ardor e queimação local que depois de um ou dois dias foram aliviando” conta Bruno.
 Algumas pessoas procuram a ajuda desses médiuns quando percebem que a medicina tradicional não solucionou os problemas físicos, como é o caso do vereador Paulo Denardin.
O vereador Paulo Denardin afirma ser adepto da doutrina espírita e acredita na eficácia das cirurgias espirituais.

Frequentador da doutrina espírita durante muitos anos, Denardin buscou ajuda primeiramente pelas cirurgias à distância. Depois teve outros problemas físicos e recorreu à cirurgia mediúnica no Núcleo Espírita Nosso Lar, em Florianópolis. “Por ser estudante da doutrina eu sabia que os males não eram apenas físicos, mas sim perispirituais e que há coisas que a medicina tradicional não consegue resolver. Fui a Florianópolis e realizei a cirurgia sem cortes, assim como já fiz outras vezes. Sou adepto”, afirma.

A expansão da doutrina pelo Brasil e pelo mundo afora também ocasiona diversas situações problemáticas. A principal delas são as polêmicas causadas pelo confronto entre ciência e religião. Teltz Cardoso Farias, coronel e trabalhador da doutrina no Abrigo Espírita Oscar Pithan, em Santa Maria, com relação às polêmicas se posiciona positivamente: “Temos tomado as cautelas necessárias no trato com os temas polêmicos, como convém à boa e fiel divulgação da nossa amada doutrina. Quando tratamos deles, em público, é com o intuito de esclarecer o posicionamento doutrinário frente ao assunto e, tanto quanto possível, ajudar para que distorções de qualquer espécie não se verifiquem” diz.
E quanto à pergunta sobre a veracidade das cirurgias mediúnicas: não existem respostas exatas, já que isso vai da crença e da fé de cada um. Há quem desacredite, assim como há quem não viva sem. A batalha de egos que opõe ciência e religião já dura séculos, e ainda perdurará por muitos anos.
Por Nathalia Ruviaro, acadêmica de jornalismo da Unifra.