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“Dossiê Jango”. Documentário questiona a morte de João Goulart

Abrindo a Mostra Competitiva de documentário do Festival do Audiovisual do Mercosul –FAM, em Florianópolis, o longa “Dossiê Jango” de Paulo Fontenelle  estreará  5 de julho nos cinemas.

Presidente João Goulart. Fotos: arquivo

O documentário faz uma série questionamentos sobre a morte do ex-presidente João Goulart,  revelando documentos do serviço de inteligência do Uruguai, do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) no Brasil, e traz ainda gravações inéditas em fita cassete do empresário uruguaio amigo de Jango, Enrique Foch Diaz, autor do livro “João Goulart: El Crimen Perfecto”.  Nas gravações Diaz lista 18 mortes correlacionadas à do ex-presidente brasileiro. O próprio autor teria morrido em circunstâncias suspeitas, semanas depois de fazer a gravação.

O filme mostra o encontro de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente com Mario Neira Barreiro, ex-agente do serviço de inteligência do Uruguai, preso no Rio Grande do Sul desde 2003. Barreiro afirmou para TV Senado e Jornal Folha de São Paulo, em 2008, que João Goulart foi assassinado pela polícia brasileira com a colaboração dos uruguaios, em um complô do qual diz ter feito parte. Tratava-se de um plano chamado de “Operação Escorpião” e, no documentário, Barreiro dá detalhes sobre como o grupo colocou comprimidos com uma substância química letal entre os remédios de uso regular do ex-presidente para provocar um infarto fulminante.

João Vicente Goulart, filho de Jango, estava presente na exibição e afirma que o encontro com Barreiro foi muito difícil. “Passei por um autoconhecimento muito grande para enfrentar tudo com serenidade. Minha procura pela verdade me trouxe essa serenidade”, disse. No filme, Barreiro é surpreendido quando João revela sua identidade e confessa que se sentiria mais à vontade se fosse um jornalista.

O documentário estréia 5 de julho nos cinemas. Foto:divulgação.

“Dossiê Jango” nasceu a partir do projeto idealizado por Roberto Farias, um filme de ficção que está em fase de pré-produção. Em paralelo, Farias e Paulo Mendonça decidiram realizar também um documentário e chamaram Fontenelle para dirigir. O filme foi vencedor do prêmio de melhor documentário pelo júri popular nas últimas edições do Festival do Rio e da Mostra Tiradentes e concorre no 11th Brazilian Film Festival of New York.

Fontenelle afirmou que foram três anos de pesquisa e documentação. “Era para ser uma pesquisa para um filme de ficção e virou documentário. É o primeiro Festival Latino-americano que o filme participa e estamos muito felizes”, disse.

João Vicente ao ser convidado para falar ao público no final da exibição, lembrou também que no mesmo ano da “festa do futebol”, referindo-se a Copa do Mundo em 2014, se completará 50 anos de passagem da ditadura. “O resgate de história é muito importante para que ela não se repita. É preciso conhecer o passado para não fragilizar a democracia”, disse.

O trailer do filme está disponível no site: http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/videos/2617512.html

Por Melina Guterres, jornalista. Especial para a ACS.

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Abrindo a Mostra Competitiva de documentário do Festival do Audiovisual do Mercosul –FAM, em Florianópolis, o longa “Dossiê Jango” de Paulo Fontenelle  estreará  5 de julho nos cinemas.

Presidente João Goulart. Fotos: arquivo

O documentário faz uma série questionamentos sobre a morte do ex-presidente João Goulart,  revelando documentos do serviço de inteligência do Uruguai, do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) no Brasil, e traz ainda gravações inéditas em fita cassete do empresário uruguaio amigo de Jango, Enrique Foch Diaz, autor do livro “João Goulart: El Crimen Perfecto”.  Nas gravações Diaz lista 18 mortes correlacionadas à do ex-presidente brasileiro. O próprio autor teria morrido em circunstâncias suspeitas, semanas depois de fazer a gravação.

O filme mostra o encontro de João Vicente Goulart, filho do ex-presidente com Mario Neira Barreiro, ex-agente do serviço de inteligência do Uruguai, preso no Rio Grande do Sul desde 2003. Barreiro afirmou para TV Senado e Jornal Folha de São Paulo, em 2008, que João Goulart foi assassinado pela polícia brasileira com a colaboração dos uruguaios, em um complô do qual diz ter feito parte. Tratava-se de um plano chamado de “Operação Escorpião” e, no documentário, Barreiro dá detalhes sobre como o grupo colocou comprimidos com uma substância química letal entre os remédios de uso regular do ex-presidente para provocar um infarto fulminante.

João Vicente Goulart, filho de Jango, estava presente na exibição e afirma que o encontro com Barreiro foi muito difícil. “Passei por um autoconhecimento muito grande para enfrentar tudo com serenidade. Minha procura pela verdade me trouxe essa serenidade”, disse. No filme, Barreiro é surpreendido quando João revela sua identidade e confessa que se sentiria mais à vontade se fosse um jornalista.

O documentário estréia 5 de julho nos cinemas. Foto:divulgação.

“Dossiê Jango” nasceu a partir do projeto idealizado por Roberto Farias, um filme de ficção que está em fase de pré-produção. Em paralelo, Farias e Paulo Mendonça decidiram realizar também um documentário e chamaram Fontenelle para dirigir. O filme foi vencedor do prêmio de melhor documentário pelo júri popular nas últimas edições do Festival do Rio e da Mostra Tiradentes e concorre no 11th Brazilian Film Festival of New York.

Fontenelle afirmou que foram três anos de pesquisa e documentação. “Era para ser uma pesquisa para um filme de ficção e virou documentário. É o primeiro Festival Latino-americano que o filme participa e estamos muito felizes”, disse.

João Vicente ao ser convidado para falar ao público no final da exibição, lembrou também que no mesmo ano da “festa do futebol”, referindo-se a Copa do Mundo em 2014, se completará 50 anos de passagem da ditadura. “O resgate de história é muito importante para que ela não se repita. É preciso conhecer o passado para não fragilizar a democracia”, disse.

O trailer do filme está disponível no site: http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/videos/2617512.html

Por Melina Guterres, jornalista. Especial para a ACS.