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Santa Maria, RS, Brazil

Não é só de gols que vive o futebol

Nem sempre, os anos trazem experiência e sabedoria e, às vezes, os erros do passado não se transformam em acertos no presente. A cidade de Santa Maria possui duas equipes chamadas de profissionais no cenário do futebol, mas que ano após ano apresentam dificuldades financeiras para participar de campeonatos.

O Esporte Clube Internacional tem 85 anos e desde sua fundação, no ano de 1928, já obteve posições de destaque no futebol, como o 3º lugar no Campeonato Brasileiro Série B em 1984, o 3º lugar no Torneio Brasil Sul em 1986 e o 3º lugar Campeonato Gaúcho Série A em 2008.

O Riograndense Futebol Clube, fundado no dia 7 de maio de 1912, ultrapassa a casa dos três dígitos de vida e, atualmente, está com 101 anos. O periquito tem, entre suas conquistas de destaque, o vice-campeonato Gaúcho em 1921, perdendo o titulo para o Grêmio, a primeira partida internacional em Santa Maria, em 1931, e o título de Campeão da Divisão Especial do Campeonato Gaúcho, em 1978.

Apesar dos anos de história no futebol, as duas equipes, neste ano de 2013, passaram por dificuldades financeiras. Motivo que até levou os presidentes dos dois clubes a se reunirem, surgindo assim a possibilidade de criação de um novo clube em Santa Maria. A ideia não prosperou, mas ao menos serviu para remobilizar os dirigentes da dupla Rio-Nal para 2014.

Uma alternativa que poderia ser um gol de placa dos times e para os investidores do futebol é olhar para as equipes e categorias de base da cidade. Apesar de o Inter SM manter uma escolinha de futebol que aceita crianças e adolescentes dos 9 aos 16 anos, e o Riograndense manter uma equipe sub-19, que participa da Copa Federação Gaúcha de Futebol da categoria, ainda existe possibilidade de se explorar mais o talento da gurizada de Santa Maria e região. Exemplo é o projeto das educadoras físicas e professoras Rosane Gelsdorf e Mariane Brandão na Escola Érico Verissimo. Juntas, as professoras treinam os alunos da escola nas categorias mirim, infantil e juvenil. A equipe formada pelos alunos participa de torneios escolares, como JERGS e JESMA, e realiza seu treino no Complexo Poliesportivo do Guarany Atlântico e no campo da 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea.

O projeto, que funciona desde 2006, conta com a ajuda das professoras no transporte dos alunos até os gastos para manter o time, dos pais dos alunos, que quando podem contribuem, e de raro patrocínio. Mas apesar disso, a equipe já obteve resultados de destaque, como explica a professora Rosane. “Em 2011, a nossa equipe juvenil no campo chegou até o estadual, passamos pela fase municipal, de Coordenadoria e a regional em Teutônia. Depois, em Alegrete, chegamos até a semifinal”, destaca a treinadora, orgulhosa.

Apesar das dificuldades, o amor e a dedicação das professoras é que mantêm a esperança viva de cada menino, de um dia virar um jogador de futebol profissional. Sonho que o jogador Moisés Vargas dos Santos, da categoria sub-17, espera realizar. “O gasto com passagens é algo que atrapalha, nem sempre meu pai e minha mãe têm dinheiro para comprar uma chuteira nova ou pagar para eu poder ir a outras cidades fazer testes”, desabafa o aspirante a jogador.  Mateus da Silva Fialho, meio-campo da equipe juvenil, relata que teve que desistir de jogar profissionalmente para poder ajudar a família com o trabalho. Assim, os minutos que passa em campo com o time da escola são mais para lazer, já que a pouca valorização do atleta em formação na cidade  dificulta viver do futebol.

Assim como as professoras do Érico Verissimo e seus jogadores se esforçam para poder treinar e jogar, outro projeto que busca ajudar jovens a se tornarem jogadores profissionais é o do Atlético Esporte Clube, que conta com toda uma comissão técnica especializada na área da Educação Física, preparação de goleiros, nutrição e psicológica para dar suporte aos alunos. O projeto está no 3º ano, foca no ensino e aprimoramento do futsal, desde a categoria sub-11 até a sub-20, com a participação no Estadual de Futsal nas categorias, sub-15, sub-17 e sub-20. O treinador da equipe, Lucas Bello Oliveira, possuí experiência no futebol de 10 anos. Entre as equipes de destaque, ele já treinou a Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF). A equipe do Atlético se mantém da mensalidade dos jogadores e treina três vezes por semana no Centro Desportivo Municipal (CDM) e na própria sede do clube. Entre as conquistas do time, se destacam o Citadino de Futsal Sub-17, a Taça dos Jogos da Juventude Sub-13 e Sub-17 e o título dos Jogos da Juventude Estadual e Regional Sub-17. Além de marcar presença no cenário do futsal, o Atlético dá oportunidade para jogadores mostrarem seu futebol. É o caso de Lucas Perez, 20 anos, que já jogou futebol de campo no Grêmio, no Porto Alegre, time de Assis e Ronaldinho Gaúcho, e que voltou para a cidade para jogar futsal. Outro jogador que já demonstra uma grande personalidade é Leonardo Ludek, 15 anos, que participa da categoria sub-15 e se espelha nele mesmo para jogar futebol.

Casos como da escola Érico Verissimo, das professoras Rosane e Mariane, do Atlético e do treinador Lucas são exemplos de que a cidade de Santa Maria é, como o restante do Brasil, uma fonte inesgotável de talentos, mas que às vezes são pouco aproveitados. Afinal, times como Riograndense e Inter-SM, com história no futebol profissional estadual e nacional, não precisariam atravessar o país inteiro em busca de novos atletas e, sim, olhar um pouco mais para os campinhos de terra, as quadras das escolas e os clubes que tentam formar jogadores na cidade. O resultado seria um custo menor para a contratação e manutenção dos atletas e, consequentemente, a cidade abraçaria seus filhos ilustres no futebol.

Por Renato Peixe, Eduardo Clave e Fabrício Vargas , acadêmicos do curso de Jornalismo.

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Nem sempre, os anos trazem experiência e sabedoria e, às vezes, os erros do passado não se transformam em acertos no presente. A cidade de Santa Maria possui duas equipes chamadas de profissionais no cenário do futebol, mas que ano após ano apresentam dificuldades financeiras para participar de campeonatos.

O Esporte Clube Internacional tem 85 anos e desde sua fundação, no ano de 1928, já obteve posições de destaque no futebol, como o 3º lugar no Campeonato Brasileiro Série B em 1984, o 3º lugar no Torneio Brasil Sul em 1986 e o 3º lugar Campeonato Gaúcho Série A em 2008.

O Riograndense Futebol Clube, fundado no dia 7 de maio de 1912, ultrapassa a casa dos três dígitos de vida e, atualmente, está com 101 anos. O periquito tem, entre suas conquistas de destaque, o vice-campeonato Gaúcho em 1921, perdendo o titulo para o Grêmio, a primeira partida internacional em Santa Maria, em 1931, e o título de Campeão da Divisão Especial do Campeonato Gaúcho, em 1978.

Apesar dos anos de história no futebol, as duas equipes, neste ano de 2013, passaram por dificuldades financeiras. Motivo que até levou os presidentes dos dois clubes a se reunirem, surgindo assim a possibilidade de criação de um novo clube em Santa Maria. A ideia não prosperou, mas ao menos serviu para remobilizar os dirigentes da dupla Rio-Nal para 2014.

Uma alternativa que poderia ser um gol de placa dos times e para os investidores do futebol é olhar para as equipes e categorias de base da cidade. Apesar de o Inter SM manter uma escolinha de futebol que aceita crianças e adolescentes dos 9 aos 16 anos, e o Riograndense manter uma equipe sub-19, que participa da Copa Federação Gaúcha de Futebol da categoria, ainda existe possibilidade de se explorar mais o talento da gurizada de Santa Maria e região. Exemplo é o projeto das educadoras físicas e professoras Rosane Gelsdorf e Mariane Brandão na Escola Érico Verissimo. Juntas, as professoras treinam os alunos da escola nas categorias mirim, infantil e juvenil. A equipe formada pelos alunos participa de torneios escolares, como JERGS e JESMA, e realiza seu treino no Complexo Poliesportivo do Guarany Atlântico e no campo da 6ª Bateria de Artilharia Antiaérea.

O projeto, que funciona desde 2006, conta com a ajuda das professoras no transporte dos alunos até os gastos para manter o time, dos pais dos alunos, que quando podem contribuem, e de raro patrocínio. Mas apesar disso, a equipe já obteve resultados de destaque, como explica a professora Rosane. “Em 2011, a nossa equipe juvenil no campo chegou até o estadual, passamos pela fase municipal, de Coordenadoria e a regional em Teutônia. Depois, em Alegrete, chegamos até a semifinal”, destaca a treinadora, orgulhosa.

Apesar das dificuldades, o amor e a dedicação das professoras é que mantêm a esperança viva de cada menino, de um dia virar um jogador de futebol profissional. Sonho que o jogador Moisés Vargas dos Santos, da categoria sub-17, espera realizar. “O gasto com passagens é algo que atrapalha, nem sempre meu pai e minha mãe têm dinheiro para comprar uma chuteira nova ou pagar para eu poder ir a outras cidades fazer testes”, desabafa o aspirante a jogador.  Mateus da Silva Fialho, meio-campo da equipe juvenil, relata que teve que desistir de jogar profissionalmente para poder ajudar a família com o trabalho. Assim, os minutos que passa em campo com o time da escola são mais para lazer, já que a pouca valorização do atleta em formação na cidade  dificulta viver do futebol.

Assim como as professoras do Érico Verissimo e seus jogadores se esforçam para poder treinar e jogar, outro projeto que busca ajudar jovens a se tornarem jogadores profissionais é o do Atlético Esporte Clube, que conta com toda uma comissão técnica especializada na área da Educação Física, preparação de goleiros, nutrição e psicológica para dar suporte aos alunos. O projeto está no 3º ano, foca no ensino e aprimoramento do futsal, desde a categoria sub-11 até a sub-20, com a participação no Estadual de Futsal nas categorias, sub-15, sub-17 e sub-20. O treinador da equipe, Lucas Bello Oliveira, possuí experiência no futebol de 10 anos. Entre as equipes de destaque, ele já treinou a Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF). A equipe do Atlético se mantém da mensalidade dos jogadores e treina três vezes por semana no Centro Desportivo Municipal (CDM) e na própria sede do clube. Entre as conquistas do time, se destacam o Citadino de Futsal Sub-17, a Taça dos Jogos da Juventude Sub-13 e Sub-17 e o título dos Jogos da Juventude Estadual e Regional Sub-17. Além de marcar presença no cenário do futsal, o Atlético dá oportunidade para jogadores mostrarem seu futebol. É o caso de Lucas Perez, 20 anos, que já jogou futebol de campo no Grêmio, no Porto Alegre, time de Assis e Ronaldinho Gaúcho, e que voltou para a cidade para jogar futsal. Outro jogador que já demonstra uma grande personalidade é Leonardo Ludek, 15 anos, que participa da categoria sub-15 e se espelha nele mesmo para jogar futebol.

Casos como da escola Érico Verissimo, das professoras Rosane e Mariane, do Atlético e do treinador Lucas são exemplos de que a cidade de Santa Maria é, como o restante do Brasil, uma fonte inesgotável de talentos, mas que às vezes são pouco aproveitados. Afinal, times como Riograndense e Inter-SM, com história no futebol profissional estadual e nacional, não precisariam atravessar o país inteiro em busca de novos atletas e, sim, olhar um pouco mais para os campinhos de terra, as quadras das escolas e os clubes que tentam formar jogadores na cidade. O resultado seria um custo menor para a contratação e manutenção dos atletas e, consequentemente, a cidade abraçaria seus filhos ilustres no futebol.

Por Renato Peixe, Eduardo Clave e Fabrício Vargas , acadêmicos do curso de Jornalismo.