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Santa Maria, RS, Brazil

Epilepsia: uma doença nem sempre diagnosticada

Um transtorno neurológico muito comum na sociedade, mas que nem sempre é diagnosticado e tratado de forma correta. A epilepsia é uma síndrome em que um grupo de células que conduzem e impulsionam todos os nossos movimentos, se comportam de forma inadequada, ocasionado convulsões generalizadas ou não, e que se repetem em períodos de tempo variável entre dias ou meses. Ela também é conhecida por crises epiléticas.

Ilustração: Epilepsy.com
Ilustração: Epilepsy.com

As crises podem durar em torno de três minutos, sendo ou não acompanhada de perda de consciência. Juarez Lopes, médico neurologista revela que as causas são muitas. “As convulsões podem acontecer por doenças genéticas, tumores no cérebro, sequelas de derrames, má formação cerebral e trauma de parto”. No entanto, uma pessoa com diagnóstico de epilepsia pode ter crises inesperadas, que duram mais de cinco minutos. Nesse caso, o paciente deve ter atendimento médico rapidamente.

A epilepsia pode se manifestar de várias maneiras e em qualquer idade, desde o nascimento até a velhice. A mais conhecida é a convulsão. Nessa crise a pessoa pode cair no chão, apresentar contrações musculares, morder a língua, salivar, ter respiração ofegante e até mesmo urinar. A segunda é a do desligamento, quando o indivíduo fica com o olhar parado, perde a consciência por alguns segundos. Essa, muitas vezes não é percebida por quem convive ou está por perto da pessoa em crise. A terceira é a que a portador fica em estado de “alerta”, fazendo movimentos involuntários, como falar de modo incompreensível. Após a crise, as pessoas podem ficar meio confusas e sonolentas.[dropshadowbox align=”right” effect=”perspective-left” width=”250px” height=”” background_color=”#ffffff” border_width=”1″ border_color=”#dddddd” ] COMO AGIR DURANTE UMA CRISE: Coloque a pessoa deitada de lado, em lugar confortável* Levante o queixo* Afrouxe as roupas da pessoa* Nunca segurar e jogar água na pessoa em crise* Nunca deixar de tomar a medicação e evitar estresse. [/dropshadowbox]

É muito comum que a primeira reação seja a defesa e isso pode gerar gestos agressivos, até violentos. Portanto, se recomenda não impedir os movimentos do paciente, mas conversar com a pessoa e perguntar o que sente.

Uma em cada cem pessoas sofre de epilepsia. No Brasil, o número chega a cerca de 3 milhões, sendo registrados 300 casos por dia. Também chamada de Esclerose mesial temporal, o diagnóstico para a epilepsia teve avanços há pouco tempo, após a origem de técnicas mais modernas de imagem, como a ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia computadorizada.

A crise é tratada com drogas antiepiléticas, e algumas vezes com cirurgia intracraniana, dependendo da gravidade da doença. Muitos dos casos conseguem ser controlados – 80% eles – com a ajuda da medicação. “A epilepsia não tem cura, tem controle dos sintomas”, afirma Lopes.  O tratamento, ainda não é encontrado regularmente no Sistema único de Saúde (SUS). Em Santa Maria, ele é feito em todas as clínicas neurológicas da cidade.

Foto: arquivo
Foto: arquivo

Hoje, existe no Brasil a Associação Brasileira da Epilepsia (ABE), uma ONG sem fins lucrativos, que se estabeleceu no interesse em divulgar conhecimentos sobre a epilepsia e promover a melhor qualidade de vida de seus portadores e o acesso à medicação regular em postos de saúde. A ABE faz parte do International Bureau for Epilepsy e é composta por pacientes, seus familiares, médicos, neurocientistas e outros profissionais da área de saúde.

Desde o início, a epilepsia é tratada com certo preconceito pela população. Alguns dizem ser uma doença contagiosa, que seus portadores são loucos e nunca terão uma vida normal.  Para Juarez Lopes, a epilepsia interfere diretamente na vida do indivíduo. “Ele pode subitamente perder a consciência, bater o rosto e o crânio no solo e ter em decorrência disto uma grave alteração na vida social e profissional.”

Para entender a Epilepsia

  • Ela é uma doença neurológica comum. 
  • Ela é o produto de descargas irregulares de células nervosas no  cérebro
  • A epilepsia acontece em pessoas de qualquer faixa etária.
  •  Ocorre com maior frequência nos países em desenvolvimento, como o caso do Brasil, um total de (2%), devido à desnutrição, pouco conhecimento, enfermidades infecciosas e à insuficiente atenção médica. Nos países mais desenvolvidos a incidência é de aproximadamente 1%. 
  • A epilepsia é uma condição que tem tratamento e que na maior parte das vezes é benigna. 
  • Na grande maioria dos casos bem conduzidos, a epilepsia não leva a problemas escolares. Com diagnóstico e tratamento adequados, aproximadamente 80/90% de crianças terão suas crises controladas com um mínimo de efeitos indesejados. Isso lhe permitirá acesso a uma vida normal.
  •  Vários esportes são permitidos, como por ex.: jogar vôlei, futebol, fazer ginástica, corrida, tênis. 

A divulgação da doença é muito importante para o esclarecimento sobre ela na sociedade. A discriminação e preconceito enfrentados pelos pacientes e familiares são enormes, dificultando a inserção da pessoa no meio onde vive. Também é comum observar nos pacientes, principalmente as crianças uma baixa autoestima e uma superproteção por parte dos pais. O portador da epilepsia consegue ter uma vida normal. Basta fazer o tratamento adequado, com os remédios e acompanhamento médico.

Por Mariana Pedrozo.
Reportagem produzida para a disciplina de Jornalismo Especializado II.

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Um transtorno neurológico muito comum na sociedade, mas que nem sempre é diagnosticado e tratado de forma correta. A epilepsia é uma síndrome em que um grupo de células que conduzem e impulsionam todos os nossos movimentos, se comportam de forma inadequada, ocasionado convulsões generalizadas ou não, e que se repetem em períodos de tempo variável entre dias ou meses. Ela também é conhecida por crises epiléticas.

Ilustração: Epilepsy.com
Ilustração: Epilepsy.com

As crises podem durar em torno de três minutos, sendo ou não acompanhada de perda de consciência. Juarez Lopes, médico neurologista revela que as causas são muitas. “As convulsões podem acontecer por doenças genéticas, tumores no cérebro, sequelas de derrames, má formação cerebral e trauma de parto”. No entanto, uma pessoa com diagnóstico de epilepsia pode ter crises inesperadas, que duram mais de cinco minutos. Nesse caso, o paciente deve ter atendimento médico rapidamente.

A epilepsia pode se manifestar de várias maneiras e em qualquer idade, desde o nascimento até a velhice. A mais conhecida é a convulsão. Nessa crise a pessoa pode cair no chão, apresentar contrações musculares, morder a língua, salivar, ter respiração ofegante e até mesmo urinar. A segunda é a do desligamento, quando o indivíduo fica com o olhar parado, perde a consciência por alguns segundos. Essa, muitas vezes não é percebida por quem convive ou está por perto da pessoa em crise. A terceira é a que a portador fica em estado de “alerta”, fazendo movimentos involuntários, como falar de modo incompreensível. Após a crise, as pessoas podem ficar meio confusas e sonolentas.[dropshadowbox align=”right” effect=”perspective-left” width=”250px” height=”” background_color=”#ffffff” border_width=”1″ border_color=”#dddddd” ] COMO AGIR DURANTE UMA CRISE: Coloque a pessoa deitada de lado, em lugar confortável* Levante o queixo* Afrouxe as roupas da pessoa* Nunca segurar e jogar água na pessoa em crise* Nunca deixar de tomar a medicação e evitar estresse. [/dropshadowbox]

É muito comum que a primeira reação seja a defesa e isso pode gerar gestos agressivos, até violentos. Portanto, se recomenda não impedir os movimentos do paciente, mas conversar com a pessoa e perguntar o que sente.

Uma em cada cem pessoas sofre de epilepsia. No Brasil, o número chega a cerca de 3 milhões, sendo registrados 300 casos por dia. Também chamada de Esclerose mesial temporal, o diagnóstico para a epilepsia teve avanços há pouco tempo, após a origem de técnicas mais modernas de imagem, como a ressonância magnética, eletroencefalograma e tomografia computadorizada.

A crise é tratada com drogas antiepiléticas, e algumas vezes com cirurgia intracraniana, dependendo da gravidade da doença. Muitos dos casos conseguem ser controlados – 80% eles – com a ajuda da medicação. “A epilepsia não tem cura, tem controle dos sintomas”, afirma Lopes.  O tratamento, ainda não é encontrado regularmente no Sistema único de Saúde (SUS). Em Santa Maria, ele é feito em todas as clínicas neurológicas da cidade.

Foto: arquivo
Foto: arquivo

Hoje, existe no Brasil a Associação Brasileira da Epilepsia (ABE), uma ONG sem fins lucrativos, que se estabeleceu no interesse em divulgar conhecimentos sobre a epilepsia e promover a melhor qualidade de vida de seus portadores e o acesso à medicação regular em postos de saúde. A ABE faz parte do International Bureau for Epilepsy e é composta por pacientes, seus familiares, médicos, neurocientistas e outros profissionais da área de saúde.

Desde o início, a epilepsia é tratada com certo preconceito pela população. Alguns dizem ser uma doença contagiosa, que seus portadores são loucos e nunca terão uma vida normal.  Para Juarez Lopes, a epilepsia interfere diretamente na vida do indivíduo. “Ele pode subitamente perder a consciência, bater o rosto e o crânio no solo e ter em decorrência disto uma grave alteração na vida social e profissional.”

Para entender a Epilepsia

  • Ela é uma doença neurológica comum. 
  • Ela é o produto de descargas irregulares de células nervosas no  cérebro
  • A epilepsia acontece em pessoas de qualquer faixa etária.
  •  Ocorre com maior frequência nos países em desenvolvimento, como o caso do Brasil, um total de (2%), devido à desnutrição, pouco conhecimento, enfermidades infecciosas e à insuficiente atenção médica. Nos países mais desenvolvidos a incidência é de aproximadamente 1%. 
  • A epilepsia é uma condição que tem tratamento e que na maior parte das vezes é benigna. 
  • Na grande maioria dos casos bem conduzidos, a epilepsia não leva a problemas escolares. Com diagnóstico e tratamento adequados, aproximadamente 80/90% de crianças terão suas crises controladas com um mínimo de efeitos indesejados. Isso lhe permitirá acesso a uma vida normal.
  •  Vários esportes são permitidos, como por ex.: jogar vôlei, futebol, fazer ginástica, corrida, tênis. 

A divulgação da doença é muito importante para o esclarecimento sobre ela na sociedade. A discriminação e preconceito enfrentados pelos pacientes e familiares são enormes, dificultando a inserção da pessoa no meio onde vive. Também é comum observar nos pacientes, principalmente as crianças uma baixa autoestima e uma superproteção por parte dos pais. O portador da epilepsia consegue ter uma vida normal. Basta fazer o tratamento adequado, com os remédios e acompanhamento médico.

Por Mariana Pedrozo.
Reportagem produzida para a disciplina de Jornalismo Especializado II.