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8ª Interfaces prossegue com minicursos na manhã de hoje

Alunos debateram o tema em uma roda de conversa  (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
Alunos debateram o tema em uma roda de conversa (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

No segundo dia da 8ª Interfaces, o minicurso ministrado pelo professor Carlos Décimo (Unifra) abordou a desesperança como sintoma da depressão e a necessidade do desenvolvimento da esperança e de planos para prevenir os suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 17 milhões de brasileiros sofrem de depressão atualmente, mas Décimo acredita que esse número seja maior devido às pessoas que têm a patologia e não procuram ajuda. “É notável que as mulheres são as mais atingidas pela doença, mas isso se dá pelo fato de que elas vão até um psicólogo ou psiquiatra, enquanto homens não procuram auxílio”. O professor coloca isso como um fato cultural de que ”homens não choram”, não ficam triste, logo, não buscam ajuda para esses sintomas.
Décimo pautou ainda o tema suicídio, seus sinais para prevenção, dados, o pensamento de um possível suicida. O suicida não quer tirar sua vida, e sim tirar o sofrimento, acabar com a dor e vê uma “saída”. Os alunos também comentaram sobre as pessoas não conseguirem falar sobre tristeza ou sobre suas dores, pois há uma subestimação do sentimento. “Hoje tem-se muito uma subestimação do sofrimento, não se pode estar triste, temos sempre de estar alegres, e a vida não é assim, a tristeza as vezes é necessária”, nota o professor. O psicólogo apontou que o transtorno tem potencial epidêmico, e poderá afetar mais pessoas do que o câncer, em alguns anos.

O silêncio da ditadura e a importância do testemunho

A psicóloga considera importante falarmos sobre os traumas da ditadura  (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
A psicóloga considera importante falarmos sobre os traumas da ditadura (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

Em uma análise profunda sobre os resquícios e os efeitos da ditadura militar no país, a psicóloga Gabriela Weber Itaquy (Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul) ministrou o minicurso “Vidas silenciadas pelas violências de Estado: a potência do Testemunho”. A professora abordou  o trauma de torturados políticos e seus descendentes. Ela defende a necessidade de um resgate da memória e da história individual-social das vítimas e dos fatos. “É preciso dar visibilidade a dor das vítimas e as violências praticadas pelo Estado. Os reflexos que temos hoje na polícia militar é um problema institucionalizado, e não culpa dos policiais. Eles recebem o treinamento que o Estado dá”, explica. Gabriela trouxe relatos reais de presos e torturados.
A plateia presente ao curso trouxe a comparação da memória que os alemães têm com o 3º Reich, na Segunda Guerra Mundial e, em como eles preservam a história e lidam com os horrores do holocausto, enquanto aqui a época da Ditadura não é reconhecida e poucos sabem como realmente foi esse período.

 O Aikido e a não-violência

 (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
(foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

O último minicurso da manhã foi ministrado pelo professor da Unifra, Marcos Pippi de Medeiros e  pelo professor Rafael Santini com a oficina da arte marcial japonesa. Rafael é graduado na luta e atua junto com Pippi no Instituto Shimbukan, espaço na Avenida Itaimbé, nº 506,sala 4, onde acontecem as aulas, nas terças e quintas, às 19h.

O curso de não-violência contou com os princípios filosóficos do Aikido e ensinou alguns passos para os alunos de psicologia. “É uma prática de vida, como lidar com os outros, buscar harmonia. Mesmo sendo uma luta, é uma atividade que prega a não-violência, não há golpes”, explica Pippi.

O Aikido é uma arte marcial que preza pela não-violência e não-resistência. É considerada uma boa luta para defesa pessoal, pois não se usa a força ou o tamanho, porque a força usada é a própria do golpe do adversário. Não há competição no Aikido, o praticante aprende a se defender redirecionando o ataque inicial com movimentos circulares e acaba derrubando o agressor. O Aikido é utilizado pela Polícia Metropolitana de Tóquio, Japão, pelo Pelotão de Choque e pela Polícia Feminina da cidade.

Programação da tarde:

14hrs – Palestra: Conversando sobre violência no namoro com jovens. Palestrante: Psic. Jeane Borges
Local: Sala de Conferências, 10º andar, Prédio 17, Conjunto III.

15h45 – Conversações: Por que a guerra? Convidado: Prof. Luís Henrique Pereira
Local: Salão de Atos, Prédio 13, Conjunto III.

17h – Psicocine 4: Apresentação e discussão do documentário: Para além da guerra, de Vanessa Solis Pereira. Convidada: Psicóloga Vanessa Solis Pereira
Local: Salão de Atos, Prédio 13, Conjunto III.

 

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Alunos debateram o tema em uma roda de conversa  (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
Alunos debateram o tema em uma roda de conversa (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

No segundo dia da 8ª Interfaces, o minicurso ministrado pelo professor Carlos Décimo (Unifra) abordou a desesperança como sintoma da depressão e a necessidade do desenvolvimento da esperança e de planos para prevenir os suicídio. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, 17 milhões de brasileiros sofrem de depressão atualmente, mas Décimo acredita que esse número seja maior devido às pessoas que têm a patologia e não procuram ajuda. “É notável que as mulheres são as mais atingidas pela doença, mas isso se dá pelo fato de que elas vão até um psicólogo ou psiquiatra, enquanto homens não procuram auxílio”. O professor coloca isso como um fato cultural de que ”homens não choram”, não ficam triste, logo, não buscam ajuda para esses sintomas.
Décimo pautou ainda o tema suicídio, seus sinais para prevenção, dados, o pensamento de um possível suicida. O suicida não quer tirar sua vida, e sim tirar o sofrimento, acabar com a dor e vê uma “saída”. Os alunos também comentaram sobre as pessoas não conseguirem falar sobre tristeza ou sobre suas dores, pois há uma subestimação do sentimento. “Hoje tem-se muito uma subestimação do sofrimento, não se pode estar triste, temos sempre de estar alegres, e a vida não é assim, a tristeza as vezes é necessária”, nota o professor. O psicólogo apontou que o transtorno tem potencial epidêmico, e poderá afetar mais pessoas do que o câncer, em alguns anos.

O silêncio da ditadura e a importância do testemunho

A psicóloga considera importante falarmos sobre os traumas da ditadura  (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
A psicóloga considera importante falarmos sobre os traumas da ditadura (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

Em uma análise profunda sobre os resquícios e os efeitos da ditadura militar no país, a psicóloga Gabriela Weber Itaquy (Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul) ministrou o minicurso “Vidas silenciadas pelas violências de Estado: a potência do Testemunho”. A professora abordou  o trauma de torturados políticos e seus descendentes. Ela defende a necessidade de um resgate da memória e da história individual-social das vítimas e dos fatos. “É preciso dar visibilidade a dor das vítimas e as violências praticadas pelo Estado. Os reflexos que temos hoje na polícia militar é um problema institucionalizado, e não culpa dos policiais. Eles recebem o treinamento que o Estado dá”, explica. Gabriela trouxe relatos reais de presos e torturados.
A plateia presente ao curso trouxe a comparação da memória que os alemães têm com o 3º Reich, na Segunda Guerra Mundial e, em como eles preservam a história e lidam com os horrores do holocausto, enquanto aqui a época da Ditadura não é reconhecida e poucos sabem como realmente foi esse período.

 O Aikido e a não-violência

 (foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)
(foto: Julia Trombini/Laboratório de Fotografia e Memória)

O último minicurso da manhã foi ministrado pelo professor da Unifra, Marcos Pippi de Medeiros e  pelo professor Rafael Santini com a oficina da arte marcial japonesa. Rafael é graduado na luta e atua junto com Pippi no Instituto Shimbukan, espaço na Avenida Itaimbé, nº 506,sala 4, onde acontecem as aulas, nas terças e quintas, às 19h.

O curso de não-violência contou com os princípios filosóficos do Aikido e ensinou alguns passos para os alunos de psicologia. “É uma prática de vida, como lidar com os outros, buscar harmonia. Mesmo sendo uma luta, é uma atividade que prega a não-violência, não há golpes”, explica Pippi.

O Aikido é uma arte marcial que preza pela não-violência e não-resistência. É considerada uma boa luta para defesa pessoal, pois não se usa a força ou o tamanho, porque a força usada é a própria do golpe do adversário. Não há competição no Aikido, o praticante aprende a se defender redirecionando o ataque inicial com movimentos circulares e acaba derrubando o agressor. O Aikido é utilizado pela Polícia Metropolitana de Tóquio, Japão, pelo Pelotão de Choque e pela Polícia Feminina da cidade.

Programação da tarde:

14hrs – Palestra: Conversando sobre violência no namoro com jovens. Palestrante: Psic. Jeane Borges
Local: Sala de Conferências, 10º andar, Prédio 17, Conjunto III.

15h45 – Conversações: Por que a guerra? Convidado: Prof. Luís Henrique Pereira
Local: Salão de Atos, Prédio 13, Conjunto III.

17h – Psicocine 4: Apresentação e discussão do documentário: Para além da guerra, de Vanessa Solis Pereira. Convidada: Psicóloga Vanessa Solis Pereira
Local: Salão de Atos, Prédio 13, Conjunto III.