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Santa Maria, RS, Brazil

Mais Batman, menos Super-Homem

Observatório da mídia CS-02

Bruna Guehn

O artigo analisado com o título “Mais Batman, menos Super-homem: uma metáfora dos quadrinhos para o estudo do jornalista multitarefa” foi produzido pelo doutorando Alexandre Lenzi, do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. O trabalho foi apresentado durante o XVI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul, realizado na cidade de Joinville, no ano de 2015. O artigo traz à tona um assunto muito pertinente aos estudos de comunicação social e que, cada vez mais, tem ganhado visibilidade nas empresas jornalísticas.

Encontramos muito no texto os termos “jornalismo multimídia” ou “jornalista multitarefa”. Podemos dizer, que o trabalho evidencia por meio do case UOL TAB – a nova seção multimídia do portal UOL – como as empresas/jornalistas estão se virando nessa era digital, onde tudo ocorre instantaneamente e com constantes mudanças e novidades. A grande questão a esclarecer é que com o advento das tecnologias e a “boom” considerado diário (a todo momento) da internet, o fazer jornalismo modificou-se – ou vem se modificando. Consequência disso, os jornalistas também estão precisando se inovar ou se especializar em outras áreas. No entanto, o profissional ideal para contemplar as exigências – cada vez mais frequente – das empresas é o “faz tudo” ou, como prefere o autor do texto,  “pau para toda obra”.

Levando em consideração a metáfora que o trabalho traz, que é de tratar o jornalista como um Super-homem, o ideal é profissional que possa realizar de tudo dentro da redação e do serviço imposto pela empresa. Contudo, não é possível fazer todos os ofícios dedicando-se com a mesma qualidade de produto. Para isso, existe diferentes graduações, especializações, entre outros. Combinar todas as plataformas, modos de agendamento, conteúdos diferenciados em um só profissional não é uma alternativa positiva.

Em meio à crise econômica que enfrentamos no país atualmente, despedir profissionais é um método de enxugar a equipe e economizar. Porém, os proprietários das empresas jornalísticas querem um “superprofissional”, mas pagando pelo serviço de um. Então além de sobrecarregar o jornalista o salário continua o mesmo, se o mesmo estivesse cumprindo somente a sua função.

Então, hoje, um jornalista deve pautar, apurar, procurar fontes, gravar a matéria – caso for para a TV, e se não for, é necessário filmar (nem que seja pela câmera do celular, em formato de “selfie”, a notícia para reter conteúdo para o jornal online), fotografar, escolher as imagens, escrever o texto tanto para o impresso quanto para o online, corrigir o próprio texto (editar) e ainda, publicá-lo. Sem falar, nas exigências de pensar a pauta antes mesmo de sair para produzi-lá. Fotos, infográficos, vídeos, como vou projetá-la em cada plataforma.

O artigo traz muito bem essas questões e vai além, justifica o porquê isso não é a alternativa mais correta ou indicada para reproduzir nas rotinas de produção. O jornalista é conhecido por ser formador de opinião. Por construir o que as pessoas vão consumir de notícia, dizer a elas o que é de fato um acontecimento. Além é claro, da perspectiva de que o jornalismo é um recorte (filtrado) da realidade. Com essa demanda e compromisso, o profissional deve desempenhar muito bem a sua função de perito. Ou seja, checar e averiguar se todas as informações que serão repassadas a população são de fato, verídicas e fundamentas pelas fontes/testemunhas/entrevistados.

Sendo assim, sobrecarregar os serviços desse profissional pode colocar em risco a credibilidade da empresa. Já que, com a necessidade de contemplar e produzir conteúdo para todas essas plataformas a apuração das pautas pode ficar em segunda mão, pois, com a correria e a pressão, faz com que a checagem e “rechecagem” passem por despercebidas. As redações convergentes ou integradas, podem funcionar muito bem, porém com um diferencial. A equipe e trabalho coletivo. As empresas jornalísticas devem ter profissionais de diferentes áreas sem ser somente o jornalista. Designers, programadores, publicitários, todos podem trabalhar e funcionar muito bem. Toda via, cada um com a sua função.

Podemos colocar, que o mercado de trabalho, por vezes, deseja formar pessoas. Formar no sentido de graduar, de dizer a elas que podem desempenhar tal função. Isso se deu muito, ao meu ver, pela revogação do diploma para jornalista. Mas, por isso, não quer dizer que todos podem realizar o serviço de forma correta e ética como tal profissional voltado a cada área. Então qual seria a solução mais certa nestes casos: contar com uma equipe capacitada e que posso interagir entre si para complementar e melhorar o conteúdo do jornal. Os cortes de custos e profissionais não é a melhor saída se você (empreendedor) preza pelo compromisso e credibilidade de sua empresa. Ou, se caso essa for a alternativa, de idealizar um “super jornalista” que se pague de acordo com trabalho exercido.

Este é o exemplo utilizado no artigo, da nova alternativa digital do portal UOL, o TAB. Segundo Lenzi (2015), por meio de entrevistas as informações obtidas é que “os três repórteres da empresa afirmam que jornalistas, designers, câmeras/editores de vídeo e webmaster participam de toda a concepção de cada reportagem. ” (LENZI, 2015, p.12). Esta é a vantagem de se ter uma seção voltada apenas para o multimídia com profissionais capacitados para cobrir cada área. Sem aglomeração de funções, mas com integração e troca de informações.

Assim, o ideal trazido pelo autor é que o mercado deixe de procurar por super-heróis. E se, ainda é possível usar a analogia, podemos pedir por mais Batman e menos Super-homem, como retrata o título do texto. Ou seja, menos exigências profissionais carregados de funções e mais jornalistas reais que trabalhem em equipe com outras áreas e contemple tudo o que um jornal precisa. Seja ele impresso, digital, televisivo ou radiofônico.

bruna
.

Bruna Guehn, 20 anos, é acadêmica de jornalismo e descobriu o amor pela televisão e a paixão pelo rádio. Na literatura se permite viajar nas aventuras de Agatha Christie e, como boa futura jornalista, acredita que sua função pode contribuir para um mundo melhor.

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Observatório da mídia CS-02

Bruna Guehn

O artigo analisado com o título “Mais Batman, menos Super-homem: uma metáfora dos quadrinhos para o estudo do jornalista multitarefa” foi produzido pelo doutorando Alexandre Lenzi, do Programa de Pós-graduação em Jornalismo da Universidade Federal de Santa Catarina. O trabalho foi apresentado durante o XVI Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul, realizado na cidade de Joinville, no ano de 2015. O artigo traz à tona um assunto muito pertinente aos estudos de comunicação social e que, cada vez mais, tem ganhado visibilidade nas empresas jornalísticas.

Encontramos muito no texto os termos “jornalismo multimídia” ou “jornalista multitarefa”. Podemos dizer, que o trabalho evidencia por meio do case UOL TAB – a nova seção multimídia do portal UOL – como as empresas/jornalistas estão se virando nessa era digital, onde tudo ocorre instantaneamente e com constantes mudanças e novidades. A grande questão a esclarecer é que com o advento das tecnologias e a “boom” considerado diário (a todo momento) da internet, o fazer jornalismo modificou-se – ou vem se modificando. Consequência disso, os jornalistas também estão precisando se inovar ou se especializar em outras áreas. No entanto, o profissional ideal para contemplar as exigências – cada vez mais frequente – das empresas é o “faz tudo” ou, como prefere o autor do texto,  “pau para toda obra”.

Levando em consideração a metáfora que o trabalho traz, que é de tratar o jornalista como um Super-homem, o ideal é profissional que possa realizar de tudo dentro da redação e do serviço imposto pela empresa. Contudo, não é possível fazer todos os ofícios dedicando-se com a mesma qualidade de produto. Para isso, existe diferentes graduações, especializações, entre outros. Combinar todas as plataformas, modos de agendamento, conteúdos diferenciados em um só profissional não é uma alternativa positiva.

Em meio à crise econômica que enfrentamos no país atualmente, despedir profissionais é um método de enxugar a equipe e economizar. Porém, os proprietários das empresas jornalísticas querem um “superprofissional”, mas pagando pelo serviço de um. Então além de sobrecarregar o jornalista o salário continua o mesmo, se o mesmo estivesse cumprindo somente a sua função.

Então, hoje, um jornalista deve pautar, apurar, procurar fontes, gravar a matéria – caso for para a TV, e se não for, é necessário filmar (nem que seja pela câmera do celular, em formato de “selfie”, a notícia para reter conteúdo para o jornal online), fotografar, escolher as imagens, escrever o texto tanto para o impresso quanto para o online, corrigir o próprio texto (editar) e ainda, publicá-lo. Sem falar, nas exigências de pensar a pauta antes mesmo de sair para produzi-lá. Fotos, infográficos, vídeos, como vou projetá-la em cada plataforma.

O artigo traz muito bem essas questões e vai além, justifica o porquê isso não é a alternativa mais correta ou indicada para reproduzir nas rotinas de produção. O jornalista é conhecido por ser formador de opinião. Por construir o que as pessoas vão consumir de notícia, dizer a elas o que é de fato um acontecimento. Além é claro, da perspectiva de que o jornalismo é um recorte (filtrado) da realidade. Com essa demanda e compromisso, o profissional deve desempenhar muito bem a sua função de perito. Ou seja, checar e averiguar se todas as informações que serão repassadas a população são de fato, verídicas e fundamentas pelas fontes/testemunhas/entrevistados.

Sendo assim, sobrecarregar os serviços desse profissional pode colocar em risco a credibilidade da empresa. Já que, com a necessidade de contemplar e produzir conteúdo para todas essas plataformas a apuração das pautas pode ficar em segunda mão, pois, com a correria e a pressão, faz com que a checagem e “rechecagem” passem por despercebidas. As redações convergentes ou integradas, podem funcionar muito bem, porém com um diferencial. A equipe e trabalho coletivo. As empresas jornalísticas devem ter profissionais de diferentes áreas sem ser somente o jornalista. Designers, programadores, publicitários, todos podem trabalhar e funcionar muito bem. Toda via, cada um com a sua função.

Podemos colocar, que o mercado de trabalho, por vezes, deseja formar pessoas. Formar no sentido de graduar, de dizer a elas que podem desempenhar tal função. Isso se deu muito, ao meu ver, pela revogação do diploma para jornalista. Mas, por isso, não quer dizer que todos podem realizar o serviço de forma correta e ética como tal profissional voltado a cada área. Então qual seria a solução mais certa nestes casos: contar com uma equipe capacitada e que posso interagir entre si para complementar e melhorar o conteúdo do jornal. Os cortes de custos e profissionais não é a melhor saída se você (empreendedor) preza pelo compromisso e credibilidade de sua empresa. Ou, se caso essa for a alternativa, de idealizar um “super jornalista” que se pague de acordo com trabalho exercido.

Este é o exemplo utilizado no artigo, da nova alternativa digital do portal UOL, o TAB. Segundo Lenzi (2015), por meio de entrevistas as informações obtidas é que “os três repórteres da empresa afirmam que jornalistas, designers, câmeras/editores de vídeo e webmaster participam de toda a concepção de cada reportagem. ” (LENZI, 2015, p.12). Esta é a vantagem de se ter uma seção voltada apenas para o multimídia com profissionais capacitados para cobrir cada área. Sem aglomeração de funções, mas com integração e troca de informações.

Assim, o ideal trazido pelo autor é que o mercado deixe de procurar por super-heróis. E se, ainda é possível usar a analogia, podemos pedir por mais Batman e menos Super-homem, como retrata o título do texto. Ou seja, menos exigências profissionais carregados de funções e mais jornalistas reais que trabalhem em equipe com outras áreas e contemple tudo o que um jornal precisa. Seja ele impresso, digital, televisivo ou radiofônico.

bruna
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Bruna Guehn, 20 anos, é acadêmica de jornalismo e descobriu o amor pela televisão e a paixão pelo rádio. Na literatura se permite viajar nas aventuras de Agatha Christie e, como boa futura jornalista, acredita que sua função pode contribuir para um mundo melhor.