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O abandono e a realidade dos animais que vivem na rua

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Segundo OMS, há mais de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Foto: Juliano Dutra/Laboratório de Fotografia e Memória

Teorias apontam que a relação do homem com os animais de estimação acontece há cerca de 10 mil anos. Antes o animal auxiliava na caça; hoje, costumam encantar adultos e crianças e encher os lares de alegria. Porém, ter um bicho de estimação em casa não é algo simples. Muitas vezes, eles crescem mais do que o previsto, necessitam sempre de cuidados e geram gastos. Em algumas situações, o temperamento não é exatamente como o esperado pelo dono. E esses e outros motivos levam ao abandono. Cães e gatos são soltos nas ruas porque não corresponderam às expectativas, porque viraram um problema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam mais de 30 milhões de animais abandonados no Brasil, entre 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Nas cidades de grande porte, para cada cinco habitantes, há um cachorro. E destes, 10% vivem nas ruas.

Uma pesquisa online realizada pelos autores desta reportagem entrevistou 150 pessoas na faixa etária de 16 a 50 anos. Os dados obtidos apontaram que 5,3% dos entrevistados já abandonaram algum animal e 48,7% dos que responderam às perguntas conhecem alguém que abandonou.

Motivos que contribuem para o abandono

gráfico 1“Na minha opinião, a falta de responsabilidade das pessoas está diretamente ligada ao abandono. Se tu não tens conhecimento dos prós e contras de ter um animal em casa, tu és uma pessoa que pode abandonar. Porque, às vezes, o animal cresce demais, fica doente ou as pessoas saem para viajar e não tem com quem deixar. Tudo isso pode levar ao abandono”, relata a estudante Valquíria Rodrigues Cortez, de 20 anos, do Curso de Veterinária da UFSM e bolsista da clínica de pequenos animais do Hospital Veterinário Universitário (HVU).

Além da posse responsável, citada por Valquíria, outra atitude que pode levar ao abandono é o comércio de animais. Em feiras e pet shops, os filhotes viram mercadoria e são expostos em vitrines, exercendo fascínio sobre adultos e crianças. Quem não se encanta com um filhote? Mas se deixar levar pela beleza ou pela “fofura” do bichinho pode levar a uma compra por impulso. E, assim, cachorros e gatos são comprados e, mais tarde, descartados como objetos que não servem mais.

Outro problema grave é que filhotes destinados ao comércio normalmente são provenientes de uma reprodução em série – um alarmante número de ninhadas de uma mesma fêmea, que mal tem tempo de se recuperar fisicamente das crias anteriores – o que pode desencadear problemas comportamentais e de socialização. É o que afirmam as pessoas que são contra o comércio de animais. Como explica Valquíria: “normalmente os animais destinados à venda são gerados a partir de cruzamentos consanguíneos, podendo originar filhotes fora do padrão, ou seja, agressivos, medrosos e antissociais”.

Uma das pessoas que responderam à pesquisa online relatou de forma anônima o caso de uma fêmea que foi abandonada depois de ser usada para procriação, “no ano passado, adotamos uma cachorrinha que no seu antigo lar era vítima de maus tratos e forçada a sempre dar cria para que pudessem vender seus filhotes, depois que ficou velha a largaram na rua. Ficamos sabendo da história por uma vizinha. Infelizmente, a cachorrinha já estava doente e pudemos tê-la conosco por apenas um ano, mas vale para conscientizar as pessoas do quanto os animais sofrem nessa indústria de filhotes”.

A importância da castração

gráfico 2Além de evitar o abandono, a castração traz outros benefícios. Diminui drasticamente o risco de doenças nas vias uterinas, câncer de mama, útero, próstata e testículos; elimina a gravidez psicológica, comum em algumas fêmeas; ameniza o risco das fugas e brigas; entre outros. É possível fazer a castração de três maneiras: ovariohisterectomia (retirar o útero e ovários), orquiectomia (retirar os dois testículos) e vasectomia (interrupção da passagem dos espermatozóides, o animal acasala, mas não é fértil).

Segundo a estudante de medicina veterinária Valquíria Cortez, a reprodução indiscriminada contribui para o aumento do número de abandono. Como mostra a pesquisa realizada, muitas pessoas acham importante a castração, mas na prática elas ainda tem resistência ao procedimento, por desconhecerem seus benefícios, pelo custo ou ainda por acreditarem que o animal castrado sofre.

Como mudar a realidade do abandono

A conscientização da população acerca da guarda responsável de animais domésticos é o primeiro passo para diminuir os altos números de animais abandonados.

“Acredito que deveria existir mais conscientização sobre a adoção de animais, mais projetos de castração, mais campanhas e eventos que chamem a atenção da sociedade”. Depoimento anônimo, via pesquisa online.

Também faz parte da solução campanhas que visam à castração como uma medida efetiva para o controle populacional de cães e gatos. Deve-se também orientar quanto aos riscos da compra de filhotes, com estímulo à adoção, educando a sociedade em relação à responsabilidade que é ter um animal em sua casa. Todas essas medidas trariam resultados à curto e longo prazo.

“Meu gato foi resgatado da rua. Encontrei ele em uma noite, estava miando e desesperado de fome. Era raquítico, pura pulga e muito assustado. Levei para casa, o alimentei, tratei as pulgas e hoje ele está cada dia mais lindo”. Depoimento anônimo, via pesquisa online.

Onde adotar?

Pelo menos uma vez por mês acontece na cidade de Santa Maria uma feira de adoção promovida pelo Clube Amigos dos Animais. O Dia da Adoção Solidária acontece no segundo domingo de cada mês.

Para que os interessados em adotar possam levar os animais para casa, o clube faz uma série de exigências, entre elas, a de que o pátio onde o animal irá ficar seja fechado e tenha bastante espaço. No caso dos gatos, é exigido que se a pessoa mora em apartamento, as janelas e sacadas possuam redes protetoras.

“Verificamos as condições de bem-estar para o animal. Todos assinam um documento de adoção responsável. Fazemos, posteriormente, visitas no local para verificar se o animal não está sofrendo maus tratos e se o ambiente atende as exigências”. Afirma a diretora do clube, Marlene Nascimento.

Além do Clube Amigos dos Animais SM, alguns outros projetos visam a adoção de animais na cidade de Santa Maria. São eles:

  • O.S – Animais para adoção / SM
  • Projeto Quatro Patas Santa Maria
  • SOS Bichos de Rua Santa Maria –RS
  • Projeto Somos Pet
  • Projeto Peludinhos de Rua

Gabriel Leão e Juliano Dutra para o Jornal Abra

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Segundo OMS, há mais de 30 milhões de animais abandonados no Brasil. Foto: Juliano Dutra/Laboratório de Fotografia e Memória

Teorias apontam que a relação do homem com os animais de estimação acontece há cerca de 10 mil anos. Antes o animal auxiliava na caça; hoje, costumam encantar adultos e crianças e encher os lares de alegria. Porém, ter um bicho de estimação em casa não é algo simples. Muitas vezes, eles crescem mais do que o previsto, necessitam sempre de cuidados e geram gastos. Em algumas situações, o temperamento não é exatamente como o esperado pelo dono. E esses e outros motivos levam ao abandono. Cães e gatos são soltos nas ruas porque não corresponderam às expectativas, porque viraram um problema.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que existam mais de 30 milhões de animais abandonados no Brasil, entre 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães. Nas cidades de grande porte, para cada cinco habitantes, há um cachorro. E destes, 10% vivem nas ruas.

Uma pesquisa online realizada pelos autores desta reportagem entrevistou 150 pessoas na faixa etária de 16 a 50 anos. Os dados obtidos apontaram que 5,3% dos entrevistados já abandonaram algum animal e 48,7% dos que responderam às perguntas conhecem alguém que abandonou.

Motivos que contribuem para o abandono

gráfico 1“Na minha opinião, a falta de responsabilidade das pessoas está diretamente ligada ao abandono. Se tu não tens conhecimento dos prós e contras de ter um animal em casa, tu és uma pessoa que pode abandonar. Porque, às vezes, o animal cresce demais, fica doente ou as pessoas saem para viajar e não tem com quem deixar. Tudo isso pode levar ao abandono”, relata a estudante Valquíria Rodrigues Cortez, de 20 anos, do Curso de Veterinária da UFSM e bolsista da clínica de pequenos animais do Hospital Veterinário Universitário (HVU).

Além da posse responsável, citada por Valquíria, outra atitude que pode levar ao abandono é o comércio de animais. Em feiras e pet shops, os filhotes viram mercadoria e são expostos em vitrines, exercendo fascínio sobre adultos e crianças. Quem não se encanta com um filhote? Mas se deixar levar pela beleza ou pela “fofura” do bichinho pode levar a uma compra por impulso. E, assim, cachorros e gatos são comprados e, mais tarde, descartados como objetos que não servem mais.

Outro problema grave é que filhotes destinados ao comércio normalmente são provenientes de uma reprodução em série – um alarmante número de ninhadas de uma mesma fêmea, que mal tem tempo de se recuperar fisicamente das crias anteriores – o que pode desencadear problemas comportamentais e de socialização. É o que afirmam as pessoas que são contra o comércio de animais. Como explica Valquíria: “normalmente os animais destinados à venda são gerados a partir de cruzamentos consanguíneos, podendo originar filhotes fora do padrão, ou seja, agressivos, medrosos e antissociais”.

Uma das pessoas que responderam à pesquisa online relatou de forma anônima o caso de uma fêmea que foi abandonada depois de ser usada para procriação, “no ano passado, adotamos uma cachorrinha que no seu antigo lar era vítima de maus tratos e forçada a sempre dar cria para que pudessem vender seus filhotes, depois que ficou velha a largaram na rua. Ficamos sabendo da história por uma vizinha. Infelizmente, a cachorrinha já estava doente e pudemos tê-la conosco por apenas um ano, mas vale para conscientizar as pessoas do quanto os animais sofrem nessa indústria de filhotes”.

A importância da castração

gráfico 2Além de evitar o abandono, a castração traz outros benefícios. Diminui drasticamente o risco de doenças nas vias uterinas, câncer de mama, útero, próstata e testículos; elimina a gravidez psicológica, comum em algumas fêmeas; ameniza o risco das fugas e brigas; entre outros. É possível fazer a castração de três maneiras: ovariohisterectomia (retirar o útero e ovários), orquiectomia (retirar os dois testículos) e vasectomia (interrupção da passagem dos espermatozóides, o animal acasala, mas não é fértil).

Segundo a estudante de medicina veterinária Valquíria Cortez, a reprodução indiscriminada contribui para o aumento do número de abandono. Como mostra a pesquisa realizada, muitas pessoas acham importante a castração, mas na prática elas ainda tem resistência ao procedimento, por desconhecerem seus benefícios, pelo custo ou ainda por acreditarem que o animal castrado sofre.

Como mudar a realidade do abandono

A conscientização da população acerca da guarda responsável de animais domésticos é o primeiro passo para diminuir os altos números de animais abandonados.

“Acredito que deveria existir mais conscientização sobre a adoção de animais, mais projetos de castração, mais campanhas e eventos que chamem a atenção da sociedade”. Depoimento anônimo, via pesquisa online.

Também faz parte da solução campanhas que visam à castração como uma medida efetiva para o controle populacional de cães e gatos. Deve-se também orientar quanto aos riscos da compra de filhotes, com estímulo à adoção, educando a sociedade em relação à responsabilidade que é ter um animal em sua casa. Todas essas medidas trariam resultados à curto e longo prazo.

“Meu gato foi resgatado da rua. Encontrei ele em uma noite, estava miando e desesperado de fome. Era raquítico, pura pulga e muito assustado. Levei para casa, o alimentei, tratei as pulgas e hoje ele está cada dia mais lindo”. Depoimento anônimo, via pesquisa online.

Onde adotar?

Pelo menos uma vez por mês acontece na cidade de Santa Maria uma feira de adoção promovida pelo Clube Amigos dos Animais. O Dia da Adoção Solidária acontece no segundo domingo de cada mês.

Para que os interessados em adotar possam levar os animais para casa, o clube faz uma série de exigências, entre elas, a de que o pátio onde o animal irá ficar seja fechado e tenha bastante espaço. No caso dos gatos, é exigido que se a pessoa mora em apartamento, as janelas e sacadas possuam redes protetoras.

“Verificamos as condições de bem-estar para o animal. Todos assinam um documento de adoção responsável. Fazemos, posteriormente, visitas no local para verificar se o animal não está sofrendo maus tratos e se o ambiente atende as exigências”. Afirma a diretora do clube, Marlene Nascimento.

Além do Clube Amigos dos Animais SM, alguns outros projetos visam a adoção de animais na cidade de Santa Maria. São eles:

  • O.S – Animais para adoção / SM
  • Projeto Quatro Patas Santa Maria
  • SOS Bichos de Rua Santa Maria –RS
  • Projeto Somos Pet
  • Projeto Peludinhos de Rua

Gabriel Leão e Juliano Dutra para o Jornal Abra