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Santa Maria, RS, Brazil

Uma atitude vale mais que um gol

Crianças que integram o projeto Nova Esperança (Foto: Gabriela Agertt/Laboratório de Fotografia e Memória)

Domingo, 8h30, e já é perceptível uma movimentação no Campo do Aliado, no bairro Km 3. É ali que mais de 50 crianças, com idades entre 7 e 16 anos, treinam no Nova Esperança Futebol Clube, um projeto coordenado por Jocimar Pereira, 33 anos, auxiliar de produção, e por Carlos Fernando Schlenner Montedo, 35 anos, dono de uma eletrônica.

O projeto começou pela carência em jogar futebol, percebida por Jocimar nos filhos e sobrinhos. “Eu via que o meu filho e os meus sobrinhos estavam carentes por jogarem futebol na rua e não terem estrutura e instrução. E então eu tive a ideia de tentar ensinar eles”, conta Jocimar, conhecido como Maninho. E a partir disso, surgiu a oportunidade de melhorar a vida de crianças da comunidade, que se não fosse pelo projeto, estariam nas ruas.

O sonho de realizar o trabalho se concretizou no dia 12 de junho de 2016, com a ajuda de Aldir Renato Vieira da Vega, 62 anos, policial militar reformado, que mora no bairro há 16 anos e cedeu o campo para que os treinos fossem possíveis. “ Acho que sempre tem que ter alguém que faça a frente para colocar essa gurizada em uma linha do bem. Enquanto os meninos estão aqui em um projeto de lazer, ao mesmo tempo eles estão aprendendo, como se comportar entre eles mesmos. Estão trabalhando para ser alguém na vida”.

E quem sabe, não serão jogadores famosos de futebol? Muitos craques saíram de “campinhos”, mas se dar bem em campo não é o maior ganho de projetos como esse. O quanto uma iniciativa dessas pode mudar a vida de uma comunidade? Crianças e jovens que provavelmente estariam nas ruas sem fazer nada ou até mesmo expostos à criminalidade hoje tem um compromisso nos domingos pela manhã.

Na escolinha é feito cadastro e inscrição, além disso o projeto conta com com a ajuda de diversas pessoas da cidade. Uma assistente social produziu um documento com os termos de responsabilidades que enfatiza a importância da criança ou adolescente  estar estudando, nesse documento também contém os dados pessoais do portador, informações adicionais como endereço e telefones, além da autorização dos pais ou responsáveis.

Jogo em andamento (Foto: Gabriela Agertt/Laboratório de Fotografia e Memória)

Por outro lado, os treinadores desses meninos enfrentam várias dificuldades para manter as atividades. Uma delas é a questão financeira, porém a mais destacada durante a conversa foi a falta de tempo. É evidente a vontade dos treinadores em dedicar mais tempo para transmitir seus ensinamentos para os pequenos, que passam parte da semana sem fazer nada, além de estudar.

Apesar das dificuldades, a comunidade abraça o projeto. Os pais incentivam principalmente porque as crianças são carentes, e há uma percepção de que essa era uma iniciativa necessária no bairro. “O meu filho adora, ele acorda cedo para vir jogar, é o sonho dele ser jogador de futebol. Desde pequeno ele sempre quis ser jogador, e o projeto ajuda bastante”, relata Simone Dias da Silva, 33 anos, funcionária de uma empresa de limpeza e mãe de um dos meninos que jogam no projeto. Já Vilson Graciano da Silva, 55 anos, servente, e pai de um dos jogadores, comenta que, “O meu filho estuda e é melhor estar jogando bola do que estar nas ruas”. Existem também quem apoie mesmo de longe, é o caso de um empresário do Rio de Janeiro que fez doações de bolas, cones, entre outros equipamentos, ao projeto.

Os pequenos possuem uma disposição invejável, e chegam ao campo muito antes do início do treino, a maior vontade deles é correr e jogar. “Eu acho que é uma possibilidade, um projeto bem legal para se divertir e sair de casa, brincar com os amigos. E é muito bom para ajudar pessoas que não tem tanto dinheiro para jogar em um time de alto nível” é o relato de um aspirante a jogador de 11 anos. “Eu não fico mais brincando na rua, não fico mais empinando pipa, e me sinto melhor assim”, relata um menino de 10 anos, que faz parte do programa.

Para o futuro, Jocimar e Fernando, pretendem buscar apoio usando os recursos do Governo, pela Lei de Incentivo ao Esporte (lei  11.438/2006), que permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos. O maior desejo deles é conseguir ter uma sede e fazer com que os pais e responsáveis das crianças acreditem ainda mais no projeto e ajudem a fazer acontecer, para que mais meninos se juntem ao time e impactarem mais ainda a vida dessa comunidade.

Talvez o maior ensinamento desse projeto não seja o futebol, mas sim, a chance de poder mostrar um novo caminho para essas crianças, dar um pouco de esperança de um futuro melhor. Fazê-las enxergar que é possível vencer, mesmo sendo da periferia, independentemente de classe social, cor, credo, o que importa mesmo é a determinação e o foco em perseguir os seus sonhos. Os idealizadores do programa, conseguem ver algo importante, a oportunidade de ajudar a formar o caráter desses meninos, que estão numa idade importante e que são tentados a todo o momento a entrar em um ambiente sem perspectiva. A mensagem mais bonita que esse trabalho deixa, é fazer com que essas crianças queiram ser melhores e entendam que podem fazer o mesmo por outras pessoas.

Se esse projeto chamou a sua atenção e você quer ajudar, entre em contato com Jocimar Pereira e Fernando Montedo, pelos telefones 99175-1520 ou 98402-3057.

Por Ariel Portes  e Mariama Granez para o Jornal Abra

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Crianças que integram o projeto Nova Esperança (Foto: Gabriela Agertt/Laboratório de Fotografia e Memória)

Domingo, 8h30, e já é perceptível uma movimentação no Campo do Aliado, no bairro Km 3. É ali que mais de 50 crianças, com idades entre 7 e 16 anos, treinam no Nova Esperança Futebol Clube, um projeto coordenado por Jocimar Pereira, 33 anos, auxiliar de produção, e por Carlos Fernando Schlenner Montedo, 35 anos, dono de uma eletrônica.

O projeto começou pela carência em jogar futebol, percebida por Jocimar nos filhos e sobrinhos. “Eu via que o meu filho e os meus sobrinhos estavam carentes por jogarem futebol na rua e não terem estrutura e instrução. E então eu tive a ideia de tentar ensinar eles”, conta Jocimar, conhecido como Maninho. E a partir disso, surgiu a oportunidade de melhorar a vida de crianças da comunidade, que se não fosse pelo projeto, estariam nas ruas.

O sonho de realizar o trabalho se concretizou no dia 12 de junho de 2016, com a ajuda de Aldir Renato Vieira da Vega, 62 anos, policial militar reformado, que mora no bairro há 16 anos e cedeu o campo para que os treinos fossem possíveis. “ Acho que sempre tem que ter alguém que faça a frente para colocar essa gurizada em uma linha do bem. Enquanto os meninos estão aqui em um projeto de lazer, ao mesmo tempo eles estão aprendendo, como se comportar entre eles mesmos. Estão trabalhando para ser alguém na vida”.

E quem sabe, não serão jogadores famosos de futebol? Muitos craques saíram de “campinhos”, mas se dar bem em campo não é o maior ganho de projetos como esse. O quanto uma iniciativa dessas pode mudar a vida de uma comunidade? Crianças e jovens que provavelmente estariam nas ruas sem fazer nada ou até mesmo expostos à criminalidade hoje tem um compromisso nos domingos pela manhã.

Na escolinha é feito cadastro e inscrição, além disso o projeto conta com com a ajuda de diversas pessoas da cidade. Uma assistente social produziu um documento com os termos de responsabilidades que enfatiza a importância da criança ou adolescente  estar estudando, nesse documento também contém os dados pessoais do portador, informações adicionais como endereço e telefones, além da autorização dos pais ou responsáveis.

Jogo em andamento (Foto: Gabriela Agertt/Laboratório de Fotografia e Memória)

Por outro lado, os treinadores desses meninos enfrentam várias dificuldades para manter as atividades. Uma delas é a questão financeira, porém a mais destacada durante a conversa foi a falta de tempo. É evidente a vontade dos treinadores em dedicar mais tempo para transmitir seus ensinamentos para os pequenos, que passam parte da semana sem fazer nada, além de estudar.

Apesar das dificuldades, a comunidade abraça o projeto. Os pais incentivam principalmente porque as crianças são carentes, e há uma percepção de que essa era uma iniciativa necessária no bairro. “O meu filho adora, ele acorda cedo para vir jogar, é o sonho dele ser jogador de futebol. Desde pequeno ele sempre quis ser jogador, e o projeto ajuda bastante”, relata Simone Dias da Silva, 33 anos, funcionária de uma empresa de limpeza e mãe de um dos meninos que jogam no projeto. Já Vilson Graciano da Silva, 55 anos, servente, e pai de um dos jogadores, comenta que, “O meu filho estuda e é melhor estar jogando bola do que estar nas ruas”. Existem também quem apoie mesmo de longe, é o caso de um empresário do Rio de Janeiro que fez doações de bolas, cones, entre outros equipamentos, ao projeto.

Os pequenos possuem uma disposição invejável, e chegam ao campo muito antes do início do treino, a maior vontade deles é correr e jogar. “Eu acho que é uma possibilidade, um projeto bem legal para se divertir e sair de casa, brincar com os amigos. E é muito bom para ajudar pessoas que não tem tanto dinheiro para jogar em um time de alto nível” é o relato de um aspirante a jogador de 11 anos. “Eu não fico mais brincando na rua, não fico mais empinando pipa, e me sinto melhor assim”, relata um menino de 10 anos, que faz parte do programa.

Para o futuro, Jocimar e Fernando, pretendem buscar apoio usando os recursos do Governo, pela Lei de Incentivo ao Esporte (lei  11.438/2006), que permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos. O maior desejo deles é conseguir ter uma sede e fazer com que os pais e responsáveis das crianças acreditem ainda mais no projeto e ajudem a fazer acontecer, para que mais meninos se juntem ao time e impactarem mais ainda a vida dessa comunidade.

Talvez o maior ensinamento desse projeto não seja o futebol, mas sim, a chance de poder mostrar um novo caminho para essas crianças, dar um pouco de esperança de um futuro melhor. Fazê-las enxergar que é possível vencer, mesmo sendo da periferia, independentemente de classe social, cor, credo, o que importa mesmo é a determinação e o foco em perseguir os seus sonhos. Os idealizadores do programa, conseguem ver algo importante, a oportunidade de ajudar a formar o caráter desses meninos, que estão numa idade importante e que são tentados a todo o momento a entrar em um ambiente sem perspectiva. A mensagem mais bonita que esse trabalho deixa, é fazer com que essas crianças queiram ser melhores e entendam que podem fazer o mesmo por outras pessoas.

Se esse projeto chamou a sua atenção e você quer ajudar, entre em contato com Jocimar Pereira e Fernando Montedo, pelos telefones 99175-1520 ou 98402-3057.

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