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Melissa Saraiva

O futebol ocupa um espaço importante na vida de milhões de pessoas, seja pela paixão por um clube, pela admiração por um jogador ou pela emoção de acompanhar uma competição. Mas a influência do esporte nem sempre termina quando o árbitro apita o fim da partida. Em diferentes momentos da história, jogadores utilizaram a visibilidade conquistada dentro de campo para participar de debates sobre política, desigualdade social, racismo e direitos humanos.

Em uma geração conectada às redes sociais, na qual atletas podem alcançar milhões de seguidores diretamente, suas manifestações também podem despertar o interesse por assuntos que ultrapassam o mundo esportivo. Uma declaração sobre uma eleição, uma campanha contra a desigualdade ou até mesmo a recomendação de um livro pode levar torcedores a pesquisar temas que antes pareciam distantes de sua realidade.

Camping World Stadium lotado para o amistoso entre Estados Unidos e Brasil antes da Copa América de 2024. Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Essa relação, entretanto, levanta uma questão: quando um jovem passa a admirar um jogador pelo que ele faz com a bola, essa admiração também pode despertar nele a vontade de compreender melhor o mundo fora do campo?

A resposta não é necessariamente simples. A admiração por um atleta não significa que o torcedor adotará suas opiniões, mas pode funcionar como um ponto de partida para novas perguntas, pesquisas e conversas. Para compreender como isso acontece, é preciso olhar tanto para a história do futebol quanto para as diferentes formas de influência exercidas pelos jogadores da atualidade.

Sócrates e a política dentro de campo

No Brasil, um dos exemplos mais emblemáticos da relação entre futebol e participação política é Sócrates. No início da década de 1980, o ex-jogador se destacou por sua atuação na Democracia Corinthiana, movimento que defendia a participação coletiva nas decisões do clube em um período marcado pela ditadura militar e pela luta pela redemocratização do país.

Sócrates comemorando gol pela seleção brasileira, em 1985. Foto:  Anibal Philot / Agência O Globo

Além de sua atuação no esporte, Sócrates tornou-se uma figura associada à defesa da democracia e da participação cidadã. Sua trajetória demonstra que o futebol já funcionava como espaço de debate público muito antes do surgimento das redes sociais.

Décadas depois, os meios de comunicação mudaram, mas permanece uma questão semelhante: qual é o papel de um jogador quando sua popularidade permite que ele alcance pessoas que talvez não acompanhem habitualmente o debate político?

Da política francesa à mobilização social: os jogadores de hoje

Em junho de 2024, durante a Eurocopa, os franceses Kylian Mbappé e Marcus Thuram utilizaram sua visibilidade para se manifestar sobre o cenário político do país, às vésperas das eleições legislativas. Ambos demonstraram preocupação com o avanço do Reunião Nacional, partido de direita radical, e incentivaram a participação dos eleitores, principalmente dos jovens.

Marcus Thuram e Kylian Mbappe no treino da seleção Francesa. Foto: AFP

As manifestações evidenciaram como jogadores de futebol podem levar debates políticos a públicos que nem sempre acompanham o noticiário. Mais do que expressar opiniões, atletas com grande alcance nas mídias podem despertar a curiosidade dos torcedores sobre questões que ultrapassam o esporte.

Entretanto, o posicionamento de um ídolo não significa necessariamente uma mudança de opinião entre seus seguidores. O que se evidencia é a busca pelo conhecimento, de ir atrás e pesquisar acerca de assuntos importantes, refletir e construir suas próprias perspectivas e opiniões.

Outra forma de participação aparece na trajetória de Marcus Rashford. Na Inglaterra, o atacante ganhou destaque por sua campanha em defesa de refeições gratuitas para crianças em situação de vulnerabilidade durante as férias escolares. Sua mobilização ajudou a pressionar o governo britânico a rever sua política sobre o tema.

Marcus Rashford recebendo título do Império Britânico em campanha de alimentação para crianças. Foto: Andrew Matthews/Pool via REUTERS

Diferentemente dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a iniciativa de Rashford concentrou-se na defesa de uma questão social e na cobrança por uma resposta das autoridades. Seu exemplo demonstra que a atuação pública de um jogador também pode envolver campanhas de mobilização e a defesa de políticas públicas.

Já Lamine Yamal, jovem estrela da seleção espanhola e do Barcelona, ajuda a ampliar a discussão para questões de identidade, diversidade e pertencimento. Filho de pai marroquino e mãe de origem guinéu-equatorial, o atacante tornou-se uma figura de grande visibilidade para jovens de diferentes origens.

Lamine Yamal durante partida contra Portugal pelas oitavas de final de Copa do Mundo de 2026. Foto: Stefan Koops/NurPhoto via AFP

Sua trajetória ganhou significado social em um contexto no qual o racismo e a xenofobia continuam presentes no futebol e na sociedade europeia. A própria representatividade de um atleta pode, entretanto, estimular conversas sobre preconceito, inclusão e convivência entre diferentes culturas.

Embora atuem de maneiras distintas, esses jogadores mostram como a presença pública de um atleta pode ultrapassar os resultados esportivos. Seja por meio de manifestações eleitorais, campanhas sociais ou questões relacionadas à identidade, suas trajetórias ajudam a compreender como o futebol pode se conectar a debates que fazem parte da vida dos torcedores.

De volta ao Brasil: quando a influência passa pela leitura

No cenário brasileiro, a influência de um jogador sobre o público pode assumir uma forma diferente do ativismo eleitoral ou da mobilização por políticas sociais. O caso de Gustavo Scarpa ajuda a discutir como o interesse de um atleta por atividades extracampo também pode aproximar os torcedores de assuntos que vão além do esporte.

O jogador chamou atenção ao compartilhar seu interesse por literatura e comentar obras em vídeos nas mídias digitais, aproximando livros e discussões literárias de um público que acompanha seu trabalho principalmente dentro de campo. Após a divulgação do livro A morte Ivan Ilitch de Lev Tolstói, a obra alcançou o topo dos livros mais vendidos da Amazon Brasil.

Gustavo Scarpa segurando um exemplar da obra A morte de Ivan Ilitch de Lev Tolstói. Foto: Reprodução/Youtube

A iniciativa se diferencia dos posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, assim como da mobilização social de Rashford. Sua relevância para esta discussão está no potencial de uma figura pública despertar curiosidade por atividades que nem sempre estão associadas ao universo esportivo.

A leitura pode ampliar o contato com diferentes perspectivas, estimular o pensamento crítico e incentivar o questionamento de ideias estabelecidas. Nesse sentido, o interesse de um atleta por livros pode contribuir para colocar a literatura em evidência entre seus seguidores, inclusive entre aqueles que não têm o hábito de procurar esse tipo de conteúdo.

Se um jogador pode despertar o interesse por uma obra literária, também pode levar seus seguidores a pesquisar sobre um autor, conhecer um contexto histórico ou entrar em contato com ideias diferentes das que já conheciam. A relação entre futebol e formação cidadã, portanto, não precisa se limitar às manifestações políticas explícitas. Ela também pode passar por iniciativas culturais e pela curiosidade intelectual, desde que não se presuma que a visibilidade de um atleta produza automaticamente mudanças duradouras no comportamento do público.

O que fica para quem assiste?

Entre a atuação democrática de Sócrates, os posicionamentos eleitorais de Mbappé e Thuram, a mobilização social de Rashford, a representatividade de Yamal e o interesse pela literatura associado a Scarpa, existem diferentes formas de um atleta ultrapassar os limites do campo.

Essas trajetórias mostram que o futebol pode se relacionar com questões muito mais amplas do que os resultados de uma partida. Entretanto, compreender o impacto dessa relação exige ouvir também quem está do outro lado: os torcedores, especialmente os jovens que acompanham esses jogadores e constroem suas próprias opiniões em meio a uma grande quantidade de informações.

Será que um jovem que acompanha futebol diariamente passa a prestar mais atenção à política quando seu ídolo se manifesta? Uma declaração pode levá-lo a pesquisar sobre uma eleição, compreender melhor uma questão social ou procurar um livro que nunca havia considerado ler? E até que ponto essa influência estimula a autonomia de pensamento, em vez de simplesmente transferir a opinião de uma celebridade para seu público?

Mais do que defender que jogadores devem ou não se posicionar, essas perguntas convidam a refletir sobre a dimensão social do esporte e sobre a responsabilidade que acompanha a visibilidade pública.

O futebol não precisa se transformar em um palanque partidário para contribuir com a formação cidadã. Quando estimula perguntas, aproxima pessoas de diferentes realidades e desperta o interesse por assuntos que ultrapassam as quatro linhas, ele também pode abrir caminhos para o conhecimento e a participação social.

Afinal, talvez a influência mais importante de um ídolo não esteja em convencer um torcedor a pensar como ele, mas em despertar nesse torcedor a vontade de adquirir um pensamento crítico por conta própria.

Alunos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana estão produzindo o curta-metragem Frequência Anômala, na disciplina Produção em Cinema, sob a supervisão da professora Neli Mombelli. A obra conta a história do universitário Lucas exausto pelo trabalho que está editando um podcast. Durante a edição ele começa a escutar sons estranhos e se questiona se são apenas ruídos da gravação ou se ele está alucinando. O curta conta com três diárias e terá duração de aproximadamente 6 minutos e está sendo gravado nas dependências da UFN. A produção envolve todo o semestre, se intensificando no mês de setembro, após o roteiro ser escolhido.

Produção do curta junto com o cinegrafista Alexsandro Pedrollo. Foto: Thine Feistauer/ Labfem

O curta conta com duas pessoas no elenco. Tarso Pimentel, bacharel em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Santa Maria, como Lucas e Karina Fontes, estudante de Jornalismo na Universidade Franciscana, como Clara. O diretor e roteirista é o estudante de Jornalismo Gabriel Deõn. A produção conta com os alunos de Jornalismo da UFN: Enzo Martins como assistente de direção, Andressa Rodrigues na direção de arte, Felipe Perosa como assistente de direção de arte, João Henrique Machado na produção, Tales Trindade e Thomás Ortiz como assistente de produção, Thiago Bochi como foto still, Ygor Vasquez como continuista. Na direção de fotografia o cinegrafista Alexsandro Pedrollo.

Elenco e produção do curta no set de gravação. Foto: Thine Feistauer/ Labfem

O diretor Gabriel Deõn contou como surgiu a ideia do curta. “Tudo surgiu de uma matéria que eu escrevi para a agência, onde fiz algumas entrevistas com alunos da instituição e percebemos como os alunos se sentem sobrecarregados, com atividades da faculdade, trabalho, vida pessoal e afins. Com essa ideia me despertou a vontade de escrever meu curta baseado nisso, como os estudantes se sentem sobrecarregados nesse período da vida”. Ele também destacou que o maior desafio foi conseguir unir essa “problemática” com a arte. “Eu nunca tinha escrito algo para o audiovisual, senti muita dificuldade em levar essa ideia para o papel, mas com ajuda dos colegas, conseguimos desenvolver a história e colocamos em prática agora nesses dias de gravação”.

Para interpretar Lucas, Tarso Pimentel buscou inspiração em situações que observa na sociedade. Segundo o ator, o personagem representa a busca pela alta performance, frequentemente associada ao sucesso, mas que pode levar ao esgotamento. “Vi no Lucas um exemplo do que tenho visto na sociedade ultimamente, essa busca pela alta performance vendida como sucesso que leva as pessoas ao esgotamento. Tentei incorporar sentimentos que me remetessem a esse esgotamento e cansaço”, relata.

Tarso Pimentel nos bastidores. Foto: Labfem

Sobre a participação na produção, Tarso destaca o ambiente de trabalho e a relação com a equipe. “Muito legal, a equipe toda é muito divertida e ótima de trabalhar. Apesar das diárias serem longas a gente passa muito tempo dando risada, gosto bastante de trabalhar com as turmas de Jornalismo da UFN”, conta.

Karina Fontes, que interpreta Clara, também destaca como sua formação em Jornalismo contribui para a experiência de atuação. Para ela, as duas áreas, apesar das diferenças, oferecem aprendizados que se complementam. “Por mais que o jornalismo e a atuação sejam completamente opostas eu consigo enxergar benefícios que ajudaram nesses dois lados da minha vida. Sem dúvidas o jornalismo melhorou muito a minha comunicação, que é bastante necessária dentro do set como atriz”, afirma.

Karina Fontes nos bastidores do curta. Foto: Labfem

A estudante também ressalta a experiência de participar da produção ao lado de colegas que conhece há anos e a familiaridade com a disciplina de cinema. “Fazer parte do curta da disciplina de cinema do curso foi uma experiência muito divertida e enriquecedora. Poder estar com colegas que conheço há anos deixou tudo muito mais agradável. E também por eu já ter feito essa disciplina, consigo compreender muito bem como funciona, estando dos dois lados, na frente e atrás das câmeras”, conclui

O curta será lançado na Mostra de Produção Audiovisual que ocorre dia 2 de dezembro, quarta-feira.

Fotos: Thine Feistauer/LABFEM

Os estudantes de Jornalismo participaram de um bate-papo com a equipe de Assessoria de Comunicação (Assecom) da Universidade Franciscana (UFN) na última semana. O encontro, promovido pelo DAJOR, teve como objetivo apresentar o funcionamento da assessoria, suas principais atividades e as diferentes possibilidades de atuação profissional na área da comunicação

A conversa contou com a participação de Carine Bohnert, diretora-geral da Assecom; Renata Teixeira, responsável pelo marketing digital e pelo site da assessoria; Gabriela de Flores, jornalista científica; e Laura Gomes, jornalista da instituição. Durante o encontro, as profissionais compartilharam aspectos da rotina de trabalho e explicaram como a comunicação institucional se desenvolve no ambiente universitário.

A Assessoria de Comunicação é responsável por mediar e produzir informações sobre a Universidade Franciscana, seus cursos e trabalhos acadêmicos, além de manter o atendimento à comunidade. Entre suas atribuições, também estão o cuidado com a imagem institucional, a identidade da mídia e o desenvolvimento de atividades relacionadas ao jornalismo, à publicidade e ao marketing. O trabalho exige integração entre diferentes áreas da comunicação, buscando aproximar a universidade da comunidade e divulgar as atividades desenvolvidas pela instituição.

A jornalista Renata Teixeira destacou a importância de os profissionais que desejam ingressar na área desenvolverem diferentes habilidades e estarem dispostos a buscar novos conhecimentos. Para ela, o trabalho na assessoria vai além da produção de notícias e envolve diferentes formas de linguagens. “Eu acredito que o jornalista que quer ir para a área da assessoria de comunicação tem que ter sempre em mente essa multivariedade e buscar áreas diferentes. Muitas vezes, a gente vai estar escrevendo a notícia, mas também vai estar fazendo marketing digital, trabalhando com fotografia e vídeo”, explicou Renata.

A jornalista também ressaltou que o assessor de comunicação assume um papel de representatividade da instituição ou do cliente para o qual trabalha. Nesse sentido, considera a disposição para estudar e ampliar os conhecimentos uma característica importante para quem está começando na profissão.

Para as estudantes que participaram do encontro, a conversa também possibilitou conhecer a área de atuação. Luísa Miranda, estudante do 1º semestre de Jornalismo, destacou que o bate-papo apresentou novas perspectivas sobre as possibilidades profissionais dentro do jornalismo. “Deu uma nova visão para a gente, porque é uma nova área dentro da comunicação, dentro do jornalismo, que tem novas ideias, uma outra visão do que a área do jornalismo permite”, relatou Luísa. A estudante também destacou a forma como as profissionais conduziam a conversa, avaliando o encontro como uma experiência positiva e de aproximação com a rotina da assessoria.

Isadora Teixeira, também do 1º semestre de Jornalismo, também avaliou positivamente o encontro e destacou a importância de conhecer as possibilidades de atuação profissional durante e após a graduação. “Eu achei o bate-papo maravilhoso. Nos dá uma visão de como podemos colocar as nossas habilidades em prática durante e após a faculdade, como monitores e profissionais”, afirmou. Para a caloura, o encontro também foi esclarecedor para quem ainda não definiu qual área pretende seguir após a formação. Segundo Isadora, a conversa permitiu compreender melhor como funciona o trabalho de um jornalista em uma assessoria de comunicação.

A atividade permitiu aos estudantes conhecer de forma mais próxima o trabalho desenvolvido pela Assecom e compreender como diferentes áreas da comunicação podem estar integradas à atuação do jornalista. Além de apresentar a rotina profissional das integrantes e da equipe, o encontro reforçou a importância da versatilidade e da busca constante por conhecimento na formação de novos profissionais da área.

Fotos: Thine Feistauer/LABFEM

Quando a Gente Menina Cresce chega ao cinema de Santa Maria na próxima quinta-feira, 24 de setembro, após sucesso no 53º Festival de Cinema de Gramado, na categoria Melhor Longa-Metragem Gaúcho. O longa dirigido pela professora do curso de Jornalismo da UFN Neli Mombelli e produzido pela TV OVO, aborda o cotidiano de Alana Matias, Ana Julia Freitas, Emilly Quevedo, Isadora de Freitas, Taiane da Rosa e Thaila Matias, alunas da Escola Municipal de Ensino Fundamental Sergio Lopes. A obra relata a transição da infância para a pré-adolescência, marcada principalmente pela primeira menstruação. Além de vencer na categoria Melhor Longa, a produção levou para casa a categoria Júri Popular e recebeu uma Menção Honrosa para as meninas que protagonizaram o filme.

Elenco de Quando a Gente Menina Cresce no Festival de Gramado. Foto: Arquivo Neli Mombelli

O longa está previsto para estrear dia 24 de setembro, no shopping Praça Nova, com duas semanas confirmadas em cartaz. Em outubro, o filme terá circulação em várias cidades do estado, pelo circuito do Panorama Gaúcho da 9ª Mostra Sesc de Cinema. A narrativa será exibida em: Porto Alegre, Canoas, Frederico Westphalen, Gravataí, Lajeado, Pelotas, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Uruguaiana, Venâncio Aires e Viamão.

A escolha de Santa Maria para iniciar a circulação do filme tem um significado especial para a equipe. Segundo a diretora Neli Mombelli, havia o desejo de trazer a produção para a cidade antes de iniciar a circulação em outros municípios. Para dar oportunidade para os estudantes assistirem o longa, a produção conseguiu 750 ingressos destinados a escolas. A iniciativa faz parte de um edital de distribuição de impacto, que prevê levar estudantes ao cinema para assistir ao filme, em vez de levar a obra diretamente para dentro das escolas.

Produção de Quando a Gente Menina Cresce com o prêmio. Foto: Arquivo Neli Mombelli

Mais do que apresentar a experiência da primeira menstruação, a narrativa busca criar um espaço de conversa sobre um assunto que ainda é cercado por tabus. Para Neli, a expectativa é que a produção desperte identificação e memórias no público, especialmente entre quem já passou pela menarca. “Eu acho que o que eu mais espero é essa troca, de como o filme chega pras pessoas e o que ele faz pensar”, afirma a diretora.

Com a estreia em Santa Maria, “Quando a Gente Menina Cresce” inicia uma trajetória que pretende ampliar o diálogo sobre a primeira menstruação e as mudanças vivenciadas durante a passagem da infância para a adolescência. Depois da cidade, o filme segue para outros municípios gaúchos, levando consigo histórias que buscam aproximar o público de um tema ainda cercado por tabus.

A primavera de 2026 começa oficialmente nesta terça-feira, dia 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília, e segue até 21 de dezembro, quando tem início o verão. A estação marca a transição entre o inverno e o verão e é caracterizada, no Rio Grande do Sul, por mudanças graduais nas temperaturas, aumento da luminosidade e maior ocorrência de tempestades.

Neste ano, o comportamento do clima deve exigir atenção dos gaúchos. Previsões de órgãos meteorológicos indicam chuvas acima da média para a Região Sul, enquanto o fenômeno El Niño se intensifica.

Gráfico probabilístico do El Ninõ para a primavera 2026. Fonte: CPC/NOAA – INPE, INMET, Funceme e Censipam.

Segundo o Painel El Niño 2026-2027, divulgado por órgãos meteorológicos e de monitoramento brasileiros, há uma alta probabilidade de ocorrência de um El Niño de forte intensidade durante a primavera. As projeções indicam que o fenômeno deve persistir pelo menos até o início de 2027.

O Cemaden destaca a necessidade de monitoramento diante da possibilidade de eventos como chuvas intensas, inundações e enxurradas em áreas vulneráveis.

No Rio Grande do Sul, o histórico recente de eventos extremos torna o acompanhamento das previsões especialmente importante. A ocorrência de chuva intensa em curto período pode provocar alagamentos, elevação rápida do nível de rios e transtornos em áreas urbanas e rurais.

Temperaturas podem ficar acima da média

A tendência para o segundo semestre de 2026 é de temperaturas acima da média em boa parte do país. Porém, a chegada da primavera, entretanto, não elimina a possibilidade de entradas de massas de ar frio. Esses sistemas ainda podem provocar quedas bruscas de temperatura, principalmente nas primeiras semanas da estação.

Dessa forma, o clima deve continuar apresentando grande variação. Dias quentes podem ser sucedidos por períodos de temperaturas mais baixas.

Alterações na natureza

A chegada da primavera também provoca transformações na natureza. Com o aumento gradual da luminosidade, da temperatura e da umidade, diferentes espécies de plantas entram em período de maior atividade, aumentando a floração.

Flores emolduram o Lago Negro, em Gramado, durante o período de floração na primavera. Foto: Getty Images

As alterações na natureza também interfere no comportamento de animais. Abelhas, borboletas e outros polinizadores apresentam maior atividade durante períodos de floração, contribuindo para a reprodução das plantas.

As transformações também podem ser percebidas na duração dos dias. Após o equinócio de primavera, os dias passam gradualmente a ficar mais longos e as noites mais curtas no Hemisfério Sul, até a chegada do verão.

Mudanças na rotina

A mudança de estação também é percebida diretamente pela população. A elevação gradual das temperaturas e o aumento da luminosidade influenciam atividades ao ar livre, escolha de roupas e hábitos cotidianos.

Para a jovem Maria Eduarda Pires, estudante, a primavera é uma das épocas preferidas do ano justamente por representar a aproximação do verão. “Eu gosto da primavera, gosto desse clima pré-verão. Com toda certeza, a mudança do clima afeta diretamente o humor. Como eu prefiro o calor, me sinto muito melhor nessa época do ano”, relata. Apesar de gostar das temperaturas mais elevadas, Eduarda aponta um aspecto negativo da estação: o aumento da presença de pólen, que pode incomodar pessoas que sofrem com rinite e outras alergias respiratórias.

A percepção não é isolada. A Fiocruz destaca que rinite, crises de asma e conjuntivite alérgica estão entre os problemas mais frequentes durante a primavera, período em que fatores ambientais como o polén podem favorecer o surgimento ou a piora de sintomas em pessoas alérgicas.

Impactos no campo

A primavera marca uma etapa importante para a agricultura gaúcha. O período representa a transição entre algumas culturas de inverno e o início do preparo e da implantação das lavouras de verão.

Plantio de trigo em lavoura do Rio Grande do Sul. Foto: José Schafer/Emater/RS-Ascar Santa Rosa

O cenário de chuva acima da média pode dificultar o trabalho no campo. De acordo com o INMET, o excesso de chuva na Região Sul pode provocar encharcamento do solo, dificultar o plantio e os tratos culturais, aumentar a incidência de doenças fúngicas e interferir na qualidade e na colheita.

Por isso, os períodos de menor precipitação devem ser aproveitados pelos produtores para realizar as atividades agrícolas dentro das janelas recomendadas para cada cultura.

Assim, a primavera de 2026 chega ao Rio Grande do Sul marcada por mudanças no clima, na natureza e na rotina da população. Entre períodos de calor, possíveis massas de ar frio e chuvas intensas, o monitoramento das condições meteorológicas será importante para reduzir riscos de alagamentos e transtornos. Enquanto a natureza ganha vida e as alergias podem se intensificar, o campo também exige planejamento diante da possibilidade de excesso de chuva. Até a chegada do verão, a estação deve ser marcada por transformação e atenção dos gaúchos.

Mais do que um jogo, o início de uma temporada da National Football League (NFL) representa o começo de uma nova corrida pelo título. A temporada regular de 2026 teve início no dia 9 de setembro, com o Seattle Seahawks, atual campeão do Super Bowl, derrotando o New England Patriots por 13 a 10 no jogo de abertura. Ao longo da temporada, as 32 equipes entram em campo com o mesmo objetivo: chegar ao maior palco do futebol americano e conquistar o título da liga. A temporada teve início com o mesmo confronto que decidiu o Super Bowl LX.

Jogadores do Seattle Seahawks comemorando o título. Foto: Patrick T. Fallon/AFP via Getty Images

Mas, afinal, vocês sabem o que é a NFL e como ela funciona? A National Football League é a principal liga profissional de futebol americano do mundo, sediada nos Estados Unidos. A liga possui 32 times e é dividida em duas conferências, com 16 equipes em cada: National Football Conference (NFC) e a American Football Conference (AFC). A temporada regular possui 18 semanas de duração, acontecendo entre setembro e janeiro. Cada equipe joga 17 partidas e folga em uma semana, chamada “bye week”.

Além disso, a liga possui os playoffs, que incluem a rodada de “Wild Card” e avançam até o Super Bowl. Ao final da temporada regular, 14 equipes se classificam para os playoffs, sendo sete da AFC e sete da NFC. Em cada conferência, quatro vagas são destinadas às equipes que venceram suas respectivas divisões. As três vagas restantes ficam com as equipes que não conquistaram suas divisões, mas tiveram as melhores campanhas entre os times restantes da conferência. Essas equipes conquistam as vagas de Wild Card.

Após a temporada regular, os playoffs avançam até a partida que define o campeão da NFL: o Super Bowl. Considerado o principal evento do futebol americano, ele reúne os campeões das duas conferências em uma disputa pelo título da temporada. A equipe vencedora é declarada campeã da temporada da NFL. Além da importância esportiva, o Super Bowl também atrai a atenção de milhões de pessoas ao redor do mundo por conta do show do intervalo, conhecido como Halftime Show, que conta com a participação de grandes artistas de renome mundial. Dessa forma, o evento ultrapassa os limites do esporte e se torna também um grande fenômeno cultural e de entretenimento.

Super Bowl LVI, temporada de 2021. Foto: Wikipédia

Nos últimos anos, o futebol americano vem crescendo e se expandindo mundialmente, principalmente no Brasil. Entretanto, esse interesse crescente dos brasileiros não é por acaso. Ele é explicado por uma estratégia de expansão internacional de longo prazo da liga, o aumento da acessibilidade às transmissões e a realização de jogos oficiais da temporada regular em solo nacional.

O Brasil se consolidou como o segundo maior mercado da NFL fora dos Estados Unidos, contando com uma estimativa de 41 milhões de fãs. O Brasil vem sediando jogos em território nacional desde 2024, quando ocorreu a partida entre Philadelphia Eagles e Green Bay Packers, na Neo Química Arena, em São Paulo. Em 2025, o Brasil recebeu os Los Angeles Chargers e Kansas City Chiefs, também na Neo Química Arena. E em 2026, o país receberá Baltimore Ravens e Dallas Cowboys. O jogo está previsto para o dia 27 de setembro, um domingo, no estádio Maracanã.

Jogo da NFL no Brasil, em 2024. Foto: Wagner Meier/Getty Images

Para este ano de 2026, a expectativa é de uma temporada de grandes jogos e disputas acirradas, com astros como Patrick Mahomes, Josh Allen, Lamar Jackson e Joe Burrow em campo. O atual campeão do Super Bowl, Seattle Seahawks, busca defender o título, enquanto novos talentos e nomes já consagrados prometem mais um ano de muita emoção na NFL.

A egressa do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN), Vitória Oliveira Lopes, conquistou o primeiro lugar nacional na categoria Podcast da Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação (Expocom) 2026. A premiação ocorreu durante o 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (Intercom), em 1º de setembro, na Universidade Católica de Brasília (UCB). Antes da etapa nacional, o trabalho também havia conquistado o primeiro lugar na etapa regional da competição.

Vitória com o prêmio do Intercom. Foto: Arquivo próprio

Intitulado Re.veste, o podcast foi desenvolvido por Vitória durante a graduação em Jornalismo da UFN. A produção venceu a categoria Podcast da Expocom Sul 2026, realizada em Toledo, no Paraná, e garantiu a classificação para representar a região na etapa nacional.

Na disputa nacional, o Re.veste concorreu com outras cinco produções de universidades federais de diferentes regiões do Brasil. Para Vitória, a qualidade dos trabalhos tornou a conquista ainda mais significativa. “Eu competi com outros cinco trabalhos de faculdades públicas muito boas do Brasil, e acabou que o meu trabalho, entre todos esses, foi reconhecido como o melhor”, relata.

Vitória apresentando o seu trabalho. Foto : Arquivo próprio

O projeto nasceu do interesse da estudante em atuar no laboratório de rádio da UFN, espaço em que ainda não havia desenvolvido atividades. A escolha do tema também partiu de seu interesse por moda sustentável, assunto que já havia abordado em trabalhos acadêmicos. A partir disso, Vitória desenvolveu uma série de podcasts documentais sobre o tema e estabeleceu contatos com professores e integrantes do movimento Fashion Revolution, voltado à promoção de uma moda mais sustentável. A orientação do trabalho foi da professora Neli Mombelli.

A Expocom é um evento acadêmico que reúne produções experimentais desenvolvidas por estudantes de comunicação. Os trabalhos passam por etapas regionais antes de chegar à disputa nacional.

Na etapa final, Vitória foi a única representante de uma instituição particular entre os concorrentes. Para ela, a conquista reforça que a qualidade de um trabalho não depende do tipo de instituição em que ele foi desenvolvido. “O nome da instituição não define a qualidade do trabalho. Com incentivo, dedicação e todo o suporte que a gente recebe, a gente consegue chegar lá também”, afirma.

A experiência também deixou uma mensagem para os estudantes de Jornalismo. Vitória incentiva a participação em congressos e eventos acadêmicos, e reforça a importância de acreditar no próprio trabalho. “Façam mais trabalhos acadêmicos, se inscrevam, participem de congressos, se arrisquem. O ‘não’ tu já tem. Então, por que não tentar?”, aconselha.