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Feira do Livro

Estudantes africanos visitam Feira do Livro em Santa Maria

Vindos de diferentes países da África, os participantes do programa Estudante-Convênio, que vieram se graduar na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), visitaram a 52ª Feira do Livro da cidade na última quinta-feira, 04 de setembro.

Integrantes do projeto Ler Mulheres posam para foto ao lado do ator Rafa Sieg. Imagem: Divulgação

A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria

No Theatro Treze de Maio, um grupo de estudantes e professores se fez presente para mais uma apresentação do Livro Livre da Feira do Livro de Santa Maria. Trata-se do projeto Ler Mulheres, um clube de leitura do Instituto Federal Farroupilha de São Vicente do Sul (IFFAR), criado para valorizar autoras e vozes femininas por meio de debates e trocas de experiências. Eles estavam em um dia de excursão pela cultura da cidade de Santa Maria e, além da feira, visitaram o Museu de Artes de Santa Maria (MASM).

Na última parada da viagem, o grupo comtemplou as memórias de Erico Verissimo, narradas num monólogo pelo ator Rafa Sieg, que interpretou os dramas familiares vividos pelo escritor gaúcho. O espetáculo contou com muitos efeitos sonoros e uma luz intimista, fazendo com que quem ali estava embarcasse de forma imersiva na história.

Para quem já conhecia a obra e o autor, vivenciar o espetáculo foi especial, caso da estudante Eduarda Silveira Moreira, que faz parte do clube de leitura e tem uma ligação especial com Erico: “Minha irmã morava em Cruz Alta, então não tem como ir à cidade natal de Erico Verissimo e não conhecer a vida e obra dele. A peça foi muito tocante, a parte sonora foi impecável e a atuação da mesma forma. O Rafa Sieg realmente se tornou o Erico Veríssimo.”

A noite abriu oportunidades também a novos admiradores do escritor gaúcho e do ator que representou a obra, pois as cenas retrataram não só uma realidade distante, mas comum em muitos lares do país. A estudante e participante do Ler Mulheres, Manoela Alves Coimbra, muito emocionada, relatou: “Chorei com a obra, todos os sentimentos expostos, foram feitos de uma maneira muito viva e real, senti como se eu fosse aquela criança, vendo a separação dos pais e tendo a obrigação de escolher um lado.”

Com o final do espetáculo, Rafe Sieg encerrou a apresentação emocionado sob aplausos, numa edição da Feira do Livro que homenageia os 120 anos de nascimento de Erico Verissimo.

Matéria produzida pelo aluno Cristhian Braga na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

Criança acompanhada de familiar observa livros de banca. Imagem: Cristhian Braga
  • A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.

Andar por uma feira do livro é adentrar num mundo de possibilidades de observação da vida transcorrendo. Uma cena muito comum na feira do livro de Santa Maria, que encerrou no último dia 06/09, era de país e filhos juntos, explorando e descobrindo livros em frente às bancas. Outros públicos também podiam ser testemunhados, porém é inegável a massiva presença familiar na feira do livro.

Nem mesmo o vento forte presente em diversos dias do evento deixou de levar as crianças e adolescentes acompanhados de familiares até a praça central da cidade. A cada apontar de dedos das crianças, uma parada para observar um estande. E ali, por vezes, não se via necessariamente a aquisição de um título, mas um encantamento com a leitura florescendo.

Paulo Juner é escritor e estava no espaço dedicado a editora Memoriabilia, que vende livros de autores locais e da região. Ele foi categórico: “Acredito que a leitura impressa não diminuiu, muito por conta da família. Os familiares trazem os filhos, mostram os livros, eles tocam, veem as capas diferentes e se encantam, por isso a leitura continuará viva.”

A continuidade do hábito de ler é importante não só para a economia da cidade, é também a chave para que novas edições da Feira do Livro e vivências literárias ocorram. Na mesma esteira está a formação da identidade de um local e das pessoas que vivem nesse espaço, que também podem ser fortalecidas pela leitura de autores da região, que como defende Juner, é um elemento importante para o fortalecimento da cultura local.

  • Matéria produzida por Cristhian Braga Barros na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.
Foto do livro “Viajes de Gulliver-Jonathan Swift” . Imagem: Bruno Conrado.

A Feira do Livro de Santa Maria se consolida, a cada edição, não apenas como um ponto de encontro para a literatura nacional, mas como uma janela para o mundo. Em meio a milhares de títulos em português, um espaço cada vez mais significativo é ocupado por obras em diversos idiomas, revelando um público ávido por explorar culturas e narrativas além das fronteiras linguísticas.

Nas bancas, é possível encontrar uma variedade de obras em inglês, espanhol, russo francês, italiano e alemão. Esses livros não se limitam a clássicos da literatura, como as obras de William Shakespeare ou Miguel de Cervantes, mas incluem também lançamentos contemporâneos, romances, livros de culinária e até mesmo títulos infantis. Essa diversidade reflete a crescente globalização e o interesse dos leitores em ter acesso a textos em sua forma original, capturando nuances e expressões que muitas vezes se perdem nas traduções.

O público que busca por esses livros é tão plural quanto as obras oferecidas. Estudantes de línguas estrangeiras, que veem nos livros uma ferramenta valiosa para aprimorar o vocabulário e a fluência, convivem com leitores que buscam a experiência autêntica de ler um autor em sua língua nativa. Além disso, a presença de imigrantes e estrangeiros residentes na cidade também impulsiona a demanda por livros que os conectam com suas culturas de origem.

A presença de livros em outros idiomas na Feira do Livro de Santa Maria é um termômetro do dinamismo cultural da cidade. Demonstra um público não apenas receptivo, mas proativo na busca por novas experiências literárias. Para as livrarias e expositores, é um desafio e uma oportunidade de diversificar seus catálogos e atender a essa demanda crescente.

  • Matéria produzida por Alef Henrique Petry Vieira na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

“Não esperem que estas memórias formem um documento histórico”, adverte Erico Verissimo no prefácio do livro “Solo de Clarineta”. “Elas não têm a intenção de fazer nenhum perfil de minha época ou dos meus contemporâneos. É antes um livro sincero, que dedico especialmente àqueles que me têm lido durante todos esses anos.”

Atuação de Rafa Sieg envolve o público. Imagem: Ronald Mendes
  • A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.

O espetáculo “Erico: Solo de Clarineta (Primeiro Movimento)”, ocorreu no dia 2 de setembro no Theatro Treze de Maio, e encantou os espectadores que presenciaram a interpretação emocionante de Rafa Sieg, que deu vida à Erico Verissimo. Durante uma hora, o público ficou absorto na atuação, conhecendo a infância e os acontecimentos marcantes da trajetória do escritor gaúcho a partir de sua própria perspectiva.

O livro traz reflexões do escritor sobre sua jornada, com detalhes sobre a infância até a vida adulta. Entre os momentos estão a crise econômica da família, o rompimento do casamento de seus pais e os pensamentos que nunca era capaz de externar por conta da timidez.

Com produção da Companhia de Teatro Íntimo e direção de Renato Farias, as frases escritas na obra se transformaram em falas e movimentos, e os pensamentos de Erico foram expostos pelo ator de maneira artística e sensível.

Rafa, ao ser questionado sobre a responsabilidade de interpretar Erico Verissimo, explica que é uma necessidade não deixar ele cair no esquecimento: “É necessário que nomes como o Erico sejam lembrados pelas gerações futuras.” Ele também destaca que é importante exaltar nomes que quebrem o pensamento de que a literatura nacional só é feita em São Paulo e Rio de Janeiro: “A literatura do Brasil é muito mais que isso.”

O monólogo foi um dos espetáculos apresentados no Livro Livre, e teve uma grande relação com o tema da Feira do Livro deste ano: os 120 anos do nascimento de Erico Verissimo. Para os espectadores que não eram familiarizados com a história do escritor, a adaptação da sua autobiografia funcionou como uma introdução ao seu percurso de vida e obra.

Rafa Sieg, natural de Panambi, encontrou identificação nas obras do cruz- altense Erico Verissimo, não apenas pela aproximação geográfica, mas também pelos sentimentos explorados nos livros. “Eu tenho 46 anos, e há muito tempo venho buscando algo com que eu possa falar com o coração. Ser atravessado por essa história e por toda a obra do Erico está sendo como um oxigênio na minha vida.”, declara Sieg ao final do monólogo, emocionado.

O monólogo, que teve sua estreia em Santa Maria, está passando por uma fase de captação de recursos. A produção planeja levar o espetáculo à outras cidades, como Panambi, Cruz Alta, e futuramente, até ao Nordeste.

  • Matéria produzida na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.
Nave de Histórias teve formação de filas para escutar áudios de autores locais. Imagem: Neli Mombelli
  • A Agência Central Sul está publicando um especial sobre a Feira do Livro, que ocorreu de 22 de agosto a 6 de setembro de 2025 em Santa Maria.

Ao passar pela frente de uma espécie de foguete estacionando no palco da Praça Saldanha Marinho, uma menina de cerca de 5 anos disse a seu pai: “eu não trouxe meu capacete de astronauta”. Ela se referia à Nave de Histórias, um projeto de extensão da Universidade Franciscana, dos cursos de Jornalismo, Design, Letras e Pedagogia. Desde 2024, a Nave apresenta uma série de podcasts criada a partir de livros infanto-juvenis de autores locais. Este ano, os produtos sonoros foram inspirados em histórias das autoras santa-marienses Onilse Noal Pozzobon, Vera Campos, Maria Rita e Maria das Graças Py.

Durante os 16 dias da 52ª Feira do Livro de Santa Maria, a Nave de Histórias recebeu diferentes tipos de tripulantes que viajaram por diferentes áudios no formato de contação de histórias. As crianças, com suas percepções e ideais distintas, escutavam atentamente e até respondiam às perguntas feitas pelas histórias, numa grande interação entre a infância e uma nave espacial.

O ambiente proporcionava uma atmosfera ideal para uma viagem leve e descontraída. O banco laranja oferecia o conforto necessário para ouvir as histórias, que chegavam pelo fone de ouvido e por um tablet, onde era possível escolher o conto desejado. Algumas crianças, ao escutar, eram mais eufóricas, como se de alguma forma, estivessem se sentindo em casa. Gabriel Silva, por exemplo, aos 4 anos de idade, foi o primeiro a pilotar a nave de maneira aventurada, quando disse:“Vou voar pra longe, tchau papai”. Já outras, mais contidas, como se fossem acostumadas com essa aventura, respondiam de maneira equilibrada e sincera, apenas com “Sim”. A similaridade desses dessas reações? O mesmo brilho nos olhos e incentivo à imaginação.

O projeto atendia os astronautas de segunda a sexta-feira, das 14h às 18h30, e aos sábados e domingos, das 10h às 18h30. Para o acadêmico de Jornalismo, Nicolas Morales, “é muito especial ver a reação das crianças. Trazer elas para o mundo narrativo do podcast, áudio e imaginação se torna muito impactante”.

Ao todo, a Nave de Histórias tem 12 episódios disponibilizados no Spotify que são: O fantasma Pluminha; A bola no campo rola; A bruxa Bruxilica; O tatu amigo; O menino e o livro; Brincadeira de criança; Minha rua; Cabrito Agabito; Cada bicho com cada uma; Likinha; A tartaruga e Celular, seu lular.

Matéria produzida na disciplina de Produção da Notícia do curso de Jornalismo, sob orientação da professora Neli Mombelli.

Foram 16 dias de cultura e memórias em Santa Maria. Imagem: Vinicius Gomes/ Labfem

Entre os dias 22 de agosto a 06 de setembro ocorreu a 52ª Feira do Livro de Santa Maria. O evento, promovido na Praça Saldanho Marinho e com os espetáculos no Theatro Treze de Maio, teve o objetivo de celebrar os 120 anos de nascimento do escritor brasileiro Érico Veríssimo. Esta edição contou com uma programação variada, incluindo atrações nacionais, apresentações musicais, peças de teatro e conversas com autores.

Os espetáculos do Livro Livre eram realizados no Theatro Treze de Maio durante todos os dias da Feira. Os convites eram retirados no dia de cada apresentação, na bilheteria, e a exibição começava a partir das 19h. Entre várias performances que passaram pelo palco do teatro, estiveram Letícia Wierschowski, escritora e roteirista brasileira, conhecida como autora do romance “A Casa das Sete Mulheres”; Nelson Motta, escritor, compositor e jornalista brasileiro, que realizou um bate-papo sobre os 80 anos de Elis Regina; o Espetáculo Érico – Um Solo de Clarineta interpretado pelo ator Rafa Sieg, onde conta um pouco das memórias de Erico Verissimo, autor de “O Tempo e o Vento” homenageado na Feira do Livro; e Thiago Lacerda, ator que interpretou o filme da obra de Verissimo.  

As crianças também foram agraciadas com espetáculos infantis. Durante a semana, os ingressos eram destinados a alunos da Rede Municipal de Ensino de Santa Maria e, aos finais de semana, a retirada era livre ao restante do público. Entre as atrações, estavam Contos de Ananse, encenação onde quatro personagens percorrem o mundo contando histórias ancestrais da África e Em Busca da Amazônia, onde também quatro atores interpretam animais que cansados da vida cidade, decidem buscar um novo começo na selva.

Além disso, tiveram atrações da Feira Fora da Feira, conjunto de atividades descentralizadas da Feira do Livro, que leva a leitura para espaços públicos da cidade. Entre as atrações, houve troca de livros, oficina de quadrinhos e escrita, debates e exposições, em diferentes áreas da cidade. 

Durante muitos anos, os espetáculos do Livro Livre eram realizados em um palco na Praça Saldanho Marinho. Neste ano, houveram reclamações das filas de espera para retirar ingressos e várias pessoas não puderam assistir por ser no teatro. Questionada sobre o assunto a secretária de Cultura da cidade, Rose Carneiro, explicou o porquê de as atrações do Livro Livre não serem mais realizadas na praça desde 2020. “Existem razões importantes para essa escolha, visto que o espaço oferece condições técnicas e de infraestrutura superiores às da Praça Saldanha Marinho, onde o evento era realizado anteriormente. Isso inclui a proteção contra instabilidades climáticas, garantindo que os eventos não sejam cancelados e que o público possa desfrutar da programação com conforto.” Ela ressalta que “A Secretaria entende a preocupação sobre a fila e a capacidade limitada do Theatro. A democratização do acesso se dá pela participação das escolas. Neste ano, praticamente todas as noites tiveram a presença de turmas de escolas públicas de EJA e Ensino Médio, algumas vezes de mais de uma escola.” 

Durante a feira, a Universidade Franciscana esteve presente com a Nave de Histórias, um projeto de extensão que é promovido pelos cursos de Jornalismo, Design, Letras e Pedagogia. O projeto apresenta uma série de podcasts criados a partir de livros infanto-juvenis das autoras santa-marienses Onilse Noal Pozzobon, Vera Campos, Maria Rita e Maria das Graças Py. As histórias infantis foram contadas por meio de áudio, dentro de uma nave espacial, criada pelos alunos. As história estão disponíveis também no Spotify.

Nave de Histórias participa pelo segundo ano na Feira do Livro em Santa Maria. Imagem: Nelson Bofill/Labfem

Bate-papo com Nelson Motta. Imagem Enzo Martins/ LABFEM

Exibição e debate sobre o documentário Verônica. Imagem: Enzo Martins/ Labfem
A cultura se fez presente em todos os dias de feira. Imagem: Nelson Bofill/Labfem
Espetáculos infantis na 52ª Feira do Livro de Santa Maria. Imagem: Nelson Bofill/Labfem
Foram duas semanas de muita troca de cultura e aprendizados. Imagem: Nelson Bofill/Labfem
Estudantes iniciarão aulas na UFSM em 2026. Foto: Nelson Bofill/Labfem

Vindos de diferentes países da África, os participantes do programa Estudante-Convênio, que vieram se graduar na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), visitaram a 52ª Feira do Livro da cidade na última quinta-feira, 04 de setembro. Este é o segundo ano em que o festival é visitado pelos alunos do projeto, sendo o primeiro em 2024, quando a UFSM passou a receber estudantes do programa.

Segundo a professora e coordenadora do programa em Santa Maria, Tânia Maria Moreira, o objetivo ao visitar a feira “é de que os alunos interajam com a comunidade brasileira. Estes estudantes têm o objetivo de fazer o exame Celpe-Bras, que testa a proficiência e o conhecimento em termos de uso da língua portuguesa envolvendo as quatro habilidades para que, uma vez aprovados e alcançado um nível intermediário, eles possam continuar estudando na universidade em 2026, nos diferentes cursos de graduação”.

O exame é realizado duas vezes ao ano e as expectativas para os 24 estudantes que visam o ingresso na UFSM são positivas. Donfira Rodolphe Koamnona, de 22 anos, é natural do Togo e veio estudar Engenharia Elétrica. Ele comenta que há diferenças no sistema educacional, como, por exemplo, a tecnologia que é mais avançada no Brasil. Entretanto, também ressalta que “tem bastante diferença cultural, mas eu me adaptei através da comida, da maneira de viver e todas estas coisas simples”.

Criado oficialmente em 1965, o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) é coordenado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Ministério da Educação (MEC) em parceria com Instituições de Ensino Superior em todo o país. Desde 1981, o Brasil também oferece bolsas de estudo para acadêmicos de países em desenvolvimento com os quais haja um acordo de cooperação cultural e/ou educacional para formação em cursos de pós-graduação por meio do Programa de Estudantes-Convênio de Pós-Graduação (PEC-PG).

A Feira, que começou na última sexta-feira, 1 de novembro, e segue até 20 de novembro na praça da Alfândega em Porto Alegre conta com autores santa-marienses que foram lançar seus livros.

No último domingo, 3 de novembro, Orlando Fonseca e Raul Maxwell autografaram “DOIS”, uma publicação que navega pelo universo poético. Autor de mais de 14 obras, Orlando Fonseca é Doutor em Teoria da Literatura pela PUC-RS, finalista do Prêmio Açorianos e autor de peças de teatro e musicais.  Já Raul Maxwell é compositor e letrista e já participou de festivais de músicas nacionais e regionais e de concursos de poesia, além de coautor em obras coletivas de conto, crônica, poesia e romance.

Dois foi escrito em parceria por dois autores santa-marienses.
Imagem: Rede Sina/divulgação

Já nesta quarta-feira, 6 de novembro, também às 18 horas, a jornalista, poeta e ativista cultural Melina Guterres irá autografar “ENGASGOS”, uma coletânea de poemas de protestos sobre temas da contemporaneidade. Melina é fundadora da Rede Sina e organizou o 1º Prêmio Rede Sina de Poesia em Santa Maria. A parceria com a Editoria Bestiário é fruto de seu trabalho em prol dos escritores e já rendeu seis livros publicados.

Engasgos é uma coletânea de poemas de protestos escrito pela jornalista Melina Guterres. Imagem: Rede Sina/divulgação

70ª Feira do Livro de Porto Alegre

O Centro Histórico de Porto Alegre está sendo ocupada por livros e leitores desde da última sexta-feira, 1º de novembroNos 20 dias de Feira do Livro, os visitantes poderão conhecer as novidades do mercado literário em 72 bancas, 62 localizadas na área geral e 10 na área infantil e juvenil. O evento deste ano tem como tema “O tempo passeia por aqui”. Ao todo, são mais de mil eventos culturais, todos gratuitos, que ocorrem das 10h às 20h. O evento literário recebe um público estimado de 1,5 milhão de visitantes durante todo o período de realização, segundo a organização da Feira do Livro. 

Esta edição do maior evento literário a céu aberto da América Latina, se torna ainda mais especial ao marcar uma data significativa e simboliza a retomada do setor livreiro, que foi afetado pela enchente que atingiu o estado em maio deste ano. Mais de 24 empresas entre livrarias, editoras, bibliotecas e distribuidoras tiveram danos materiais e perda de estoque, e muitos locais precisaram interromper suas operações por longo período ainda segundo a organização da Feira. Organizada pela Câmara Rio-Grandense do Livro, a feira continia até 20 de novembro. A programação oficial, bem como a de expositores e parceiros, pode ser acessada no site www.feiradolivro-poa.com.br. Hiperlink: https://prefeitura.poa.br/smc/noticias/aberta-70a-feira-do-livro-de-porto-alegre

Um compilado de informações importantes para a formação de Porto Alegre com ênfase em seus desafios políticos, morais e culturais através da música, recupera a história e as características da identidade da cidade. Esse é o conteúdo do segundo livro de uma série de obras sobre a música porto-alegrense, chamado Porto Alegre: Uma biografia musical, que recupera a história e as características da identidade da capital. Foramde três décadas de pesquisas do músico, jornalista e escritor Arthur de Faria. Que tem com foco, neste volume, na música popular da época.

Gérson Werlang, músico, compositor e professor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) mediou a conversa com Arthur de Faria no Livro Livre
Fotografia: Ana Cecília Montedo

Doutor em Literatura Brasileira pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com tese sobre Lupicínio Rodrigues, recentemente no evento Livro Livre, na 51ª Feira do Livro de Santa Maria, Arthur contou sobre suas obras e como foi crescer em Gravataí, na companhia dos pais, que inspiraram essa paixão pela música popular brasileira. Por outro lado, a veia de jornalista o ajudou a buscar todas as informações necessárias para reescrever a história da capital e sintetizá-la em 320 páginas.
Ao ler Porto Alegre: Uma biografia musical, o escritor traz à tona um protagonismo de pessoas pretas na construção da identidade cultural da capital porto-alegrense. Segundo as pesquisas de Arthur, em 1872, por exemplo, 1 um terço da população de Porto Alegre era negra, incluindo um príncipe, Babalorixá Africano, muito respeitado, que chegou no início do século XX, aconselhando nomes como Borges de Medeiros. 

E não foi diferente na cena musical. Até o ano de 1960, o autor afirma que o protagonismo artístico da capital era 80% preto. Em sua fala, ele ainda lembra de Ilhota, uma comunidade de pessoas negras numa área central da cidade, onde viviam muitos artistas de classe média-baixa. Era um lugar frequentado por todos que buscavam entretenimento e que foi apagada após uma movimentação política e econômica. Ela situava-se onde hoje estão as Vilas: Lupicínio, Renascença I e Renascença II, e foi o local que revelou o grande cantor e compositor brasileiro, Lupicínio Rodrigues.

A obra  de Faria retrata e eterniza a identidade de uma cidade através de outros olhos. Com foco em representações artísticas e musicais, mostra como a arte, mais precisamente a música e a dança, influenciaram na construção política e na formação da sociedade que viria a ser a nossa capital gaúcha. Arthur frisa em seu livro sobre uma “fantasia européia” que habita nos gaúchos, trazendo dados que confirmam que Porto Alegre tem uma história muito maior do que estamos acostumados a ouvir, propondo reflexões sobre os motivos desse protagonismo ter diminuído. Em entrevista para a Zero Hora, ele enfatiza que muitos artistas dessa época foram apagados ou esquecidos, abordando até um o impacto da Segunda Guerra Mundial na música do estado. O livro revive, a cada capítulo, nomes que marcaram cada época, como Paulo Coelho, Octávio Dutra e Chiquinho do Acordeon. O autor afirma que os leitores sentirão falta de dois nomes muito importantes, como Lupicínio Rodrigues e Radamés Gnatalli, isso porque Lupicínio: Uma Biografia Musical foi lançado como 3º terceiro livro da série e a obra de Radamés já está programada para ser um dos próximos lançamentos.

Texto produzido por Ana Cecília Montedo na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.

A última Feira do Livro de Santa Maria contou com a venda de discos de vinil usados. As bolachas que eram famosas nos anos setenta e oitenta, estiveram presentes em bancas na Praça Saldanha Marinho. Além dos vinilófilos, jovens também procuram adquirir esse antigo formato de ouvir música que tem encontrado novo fôlego no mercado fonográfico.

Clientes garimpam discos raros na Feira do Livro. Imagem: Enzo Martins

            Lp´s originais dos anos 80, de artistas como Chico Buarque, João Bosco e Sandra de Sá, estavam disponíveis junto com discos de artistas Pop da atualidade, como Marina Sena e Duda Beat. Essa renovação no mercado e no público pode ser vista no relatório da Pró-Música, associação que representa os produtores fonográficos do Brasil, lançado ano passado. Apesar de a receita de vendas de música no formato físico representarem apenas 0,6% da receita total da indústria fonográfica brasileira, ela atingiu o maior patamar desde 2018 puxada pela venda dos discos de vinil, que foi o formato físico mais comercializado.

            Atualmente, as plataformas de streaming como o Deezer e o Spotify dominam a indústria musical, mas para os compradores de discos, a experiência de ouvir uma música pelo celular ou pelo computador não é a mesma coisa que colocar o vinil no toca discos e olhar a arte da capa de um álbum. Márcio Grings, criador do selo Memorabília, e que reuniu discos seus e de amigos para vender na Feira, diz que não só o material gráfico do disco atrai as pessoas, mas a qualidade do som também é melhor.

            Os donos das bancas percebem uma diferença entre os entusiastas de longa data do formato do vinil e os compradores jovens. Normalmente, os jovens que compram os discos dificilmente têm um tocador em casa e colecionam esses objetos como um ícone pop. Mesmo assim, os vendedores comemoram que a nova geração está voltando ao formato do vinil.

Texto produzido por Enzo Martins na disciplina de Produção da Notícia, sob supervisão da professora Neli Mombelli, durante o segundo semestre de 2024.