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O futebol não é só para eles

Ser homem no futebol é fácil. Eles são maioria nas arquibancadas, nos bastidores, na imprensa e, principalmente, nas posições de poder. Mas o esporte não é exclusivo para eles.

Futebol, o retrato da sociedade

O futebol, que deveria ser um espaço de paixão e união, tem se tornado palco de episódios
lamentáveis que refletem o pior da nossa sociedade.

O Jogo Sujo da CBF

O torcedor não é tolo, ele percebe o cheiro de mofo vindo das salas da CBF. Talvez seja hora de trocar os ternos por uniformes amarelos da seleção.

Foto: Leo Piva

O Grêmio vive uma crise há anos e parece que ninguém consegue encontrar uma solução. Depois dos anos de glória, com a conquista da Copa do Brasil em 2016 e da Libertadores em 2017, o clube nunca mais foi o mesmo.

Em 2021, começou o declínio de uma geração tão vitoriosa. Com um elenco problemático e uma série de erros dentro e fora de campo, o Grêmio foi rebaixado pela terceira vez em sua história e, em 2022, precisou disputar a Série B do Campeonato Brasileiro.

No ano seguinte, em 2023 veio o ano da ilusão. O Tricolor terminou o Brasileirão como vice-campeão, impulsionado pelo desempenho de Luís Suárez, um dos melhores centroavantes do futebol mundial. Mas depois disso o que parecia ser o início de uma retomada acabou se transformando em mais uma sequência de frustrações.

Ano após ano o Grêmio parece repetir os mesmos erros. Muda o treinador, chegam novos jogadores, surgem novas promessas, mas os problemas continuam. São dois anos sem disputar a Libertadores, a principal competição de clubes da América do Sul, e uma dificuldade cada vez maior de voltar a ser protagonista no futebol brasileiro. O torcedor acompanha as mudanças, cria expectativas e no fim nada se concretiza.

A temporada de 2026 começou com uma nova direção e a contratação de um técnico estrangeiro. A expectativa era de mudança, de um novo planejamento e de um Grêmio capaz de recuperar a competitividade. Mas não demorou muito para perceber que o caminho seria difícil. A montagem do elenco gerou questionamentos, as dificuldades de comunicação entre os jogadores estrangeiros chamaram a atenção e dentro de campo, o time não conseguia apresentar um futebol convincente. Foram derrotas frustrantes, empates inexplicáveis e poucas vitórias.

A torcida apoiou, teve paciência, mas também cobrou respostas que nunca chegaram. Nove meses depois, faltando apenas 11 jogos para o fim da temporada, a direção decidiu demitir o treinador e apostar em Renato Portaluppi, um dos maiores ídolos da história do clube, na tentativa de encontrar uma solução para uma crise que já vinha de muito antes. Porém, trocar o treinador não significa resolver todos os problemas. Até agora o Grêmio continua apresentando um futebol difícil de assistir.

O que resta ao Grêmio em 2026 é tentar sobreviver a uma temporada que se tornou muito mais difícil do que deveria. Com poucas partidas pela frente, evitar o rebaixamento é a prioridade. Mas a crise envolve planejamento, escolhas e a falta de um futebol que represente a grandeza do clube. Para uma torcida que já viveu tantas glórias é difícil aceitar que neste momento, a principal preocupação seja simplesmente conseguir terminar o ano na primeira divisão.

Cristhian e Pedro na rádio Universitária durante a gravação do programa. Foto: Reprodução Previsão do Jogo

Na última terça-feira, 15 de setembro, chegou ao fim a primeira etapa do programa Previsão do Jogo. O programa é produzido e apresentado pelos acadêmicos do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana, Cristhian Braga e Pedro Ossanes, com supervisão do professor Carlos Alberto Badke. O programa é realizado na rádio da universidade todas as terças-feiras desde o 1º semestre de 2026, às 17h20min, transmitido pelo canal da Rádio UFN no YouTube e conta com uma dinâmica que envolve os ouvintes.

Os acadêmicos debatem sobre futebol não apenas dentro das quatro linhas. O programa também aborda debates polêmicos, une cultura e esporte, traz opiniões sobre os assuntos discutidos, entre outras dinâmicas. Um dos diferenciais do programa é a tabela de palpites, que busca aproximar e entreter o público. Por meio das redes sociais, Cristhian e Pedro divulgam os jogos da rodada do Grêmio e do Inter, além de outras partidas relevantes que estão para acontecer. Os ouvintes enviam seus palpites e no programa seguinte, os apresentadores anunciam os resultados.

A ideia do programa surgiu dentro da própria rotina acadêmica. A dupla já havia vivenciado experiências em outros programas esportivos dentro da faculdade, mas tinha a vontade de criar um programa que tivesse mais a ver com eles.

Cristhian aprofundou os detalhes do planejamento do programa. “Para deixar o programa com um conteúdo um pouco diferente, eu e o Pedro pensamos em criar o Fora das Quatro Linhas, que acontece antes do debate de palpites. Enquanto o debate é focado nos palpites dos jogos, esse quadro aborda assuntos mais extracampo, como arbitragem, sociedade e questões polêmicas relacionadas ao futebol”, destaca.

Durante a conversa, o acadêmico também ressaltou que a interação do público com a tabela de palpites tem sido muito divertida e dinâmica. Cristhian destacou ainda que o sucesso da tabela foi tão grande que, durante a Copa do Mundo, mesmo no período de férias, o público continuou enviando seus palpites.

Além do entretenimento, o programa também traz benefícios para os acadêmicos, auxiliando no desenvolvimento da comunicação, da desenvoltura e da interação com os colegas. Em conversa, Pedro afirmou ter melhorado bastante na prática radiofônica.“Acho que essa experiência foi muito importante para desenvolver minha comunicação e o trabalho em equipe. Foi uma oportunidade de aprender a lidar com diferentes situações e, ao mesmo tempo, construir um portfólio e adquirir experiência prática para o meu currículo e para a entrada no mercado de trabalho. Com certeza, saio dessa experiência mais confiante para, futuramente, trabalhar em um veículo de comunicação”, destaca.

Ao final das 20 rodadas, estipuladas no início do programa, o vencedor da tabela de palpites foi Nicholas Pacheco, com 12 acertos. Como parte da premiação, ele participou do debate no último programa, comentando sobre a dupla Grenal e os principais acontecimentos da última semana. Além disso, ganhou uma camiseta do Previsão do Jogo como prêmio.

Nicolas, vencedor da primeira tabela de palpites do Previsão (Foto: Maria Eduarda Castro)

A primeira etapa do Previsão do Jogo encerra um ciclo de debates, informação e entretenimento, mas também representa uma experiência prática importante para os acadêmicos. A interação com os ouvintes e as diferentes propostas do programa aproximaram o público do futebol e proporcionaram aos estudantes a oportunidade de vivenciar, na prática, a rotina de um programa esportivo no rádio.

(Foto: Lucas Uebel / Grêmio)

A temporada de 2026 do Grêmio vem sendo marcada por muitas decepções dentro e fora do campo. A equipe conta com dificuldades na construção de um bom futebol sob o comando do técnico Luís Castro. Após 9 meses de trabalho, o técnico português deixa o comando do time gaúcho, para a chegada do maior ídolo do clube, Renato Portaluppi. A escolha representa uma tentativa do Tricolor de reagir no Campeonato Brasileiro e mudar o cenário vivido pelo time. Conhecido pela forte identificação com o clube, Renato terá pela frente a missão de reorganizar a equipe e recuperar os resultados. O desafio já inicia na quarta feira, 16 de setembro, quando o Botafogo recebe o Grêmio no estádio Nilton Santos, Rio de Janeiro.

Esta será a quinta passagem de Renato como treinador do Grêmio. A primeira ocorreu em 2010, quando o clube também atravessava uma situação complicada. Naquele momento, o Tricolor ocupava a 18ª colocação do Campeonato Brasileiro, dentro da zona de rebaixamento. A estreia foi no dia 12 de agosto, com um empate em 0 a 0 contra o Goiás, no Estádio Olímpico.

Em 2013, o Grêmio ocupava a quinta posição do Brasileirão quando Portaluppi voltou ao comando da equipe. Na reestreia, empatou em 1 a 1 com o Atlético-PR, em Curitiba.

Três anos depois, em 2016, ele retornou ao clube em meio a um período de instabilidade. O clube vinha de uma sequência de sete partidas sem vencer no Campeonato Brasileiro. A estreia foi pela Copa do Brasil, contra o Atlético-PR e, apesar da derrota por 1 a 0, o Tricolor conseguiu avançar após vencer a disputa nos pênaltis por 4 a 3.

Em 2022, Renato voltou ao Grêmio pela quarta vez. O clube disputava a Série B e estava na terceira colocação, na briga pelo acesso. A estreia foi uma vitória por 2 a 1 sobre o Vasco, na Arena.

Agora, em 2026, Renato reencontra o Grêmio em mais um momento de pressão. Se nas passagens anteriores o treinador chegou para outros desafios, desta vez a missão é ajudar o clube a reagir e afastar a equipe da zona de rebaixamento no Campeonato Brasileiro.

A história entre Renato e Grêmio ganha mais um capítulo. Desta vez, com o treinador retornando não apenas como ídolo, mas como uma das principais apostas do clube para tentar mudar o rumo da temporada.

(Fotos: Cesar Greco/Palmeiras, Matheus Lima/Vasco, Pedro Souza/Atlético-MG e Lucas Uebel/Grêmio)

Quatro clubes em que torcidas fazem parte dessas alianças estão entre os semifinalistas da Copa do Brasil 2026: Grêmio, Atlético-MG, Palmeiras e Vasco. Mas, afinal, o que é a União Sinistra e qual é a sua importância para as torcidas organizadas?

A história do futebol ncional é marcada por uma série de rivalidades, clássicos históricos, provocações e disputas dentro e fora de campo. Tudo isso intensifica ainda mais a paixão dos brasileiros pelo futebol. A fim de deixar um pouco de lado essas rivalidades, torcidas organizadas começaram a criar laços com outros grupos, com o objetivo de conectar torcedores de diferentes estados, criar amizades dentro das arquibancadas e compartilhar símbolos, gestos característicos e histórias que marcam gerações.

Apesar de os clubes, em si, não terem relação direta com essas alianças, as torcidas iniciaram esse movimento a partir da década de 1970, em razão do aumento do número de jogos disputados por todo o território brasileiro. À medida que passaram a viajar mais para acompanhar seus times, começaram também a criar vínculos de amizade com grupos de outras cidades. Dessa forma, quando viajavam para assistir a um jogo fora de casa, podiam contar com o apoio da torcida local.

Esse apoio ia muito além das arquibancadas. Quem chegava a outra cidade podia ser recebido pelos grupos locais, acompanhar a partida ao lado deles e ainda receber ajuda com questões relacionadas à viagem. Aos poucos, essas relações deixaram de envolver apenas duas torcidas e passaram a reunir diferentes grupos, formando alianças que se espalharam pelo país.

De acordo com pesquisadores do tema, essas aproximações nem sempre aconteciam apenas por afinidade entre as torcidas. Em muitos casos, elas também eram motivadas pela existência de adversários em comum. É daí que surge a ideia popular de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Ao longo dos anos, essas relações entre torcidas passaram a se estruturar em grandes blocos de alianças, reunindo grupos de diferentes clubes e estados brasileiros. Entre as principais estão a União Punho Cruzado, União Dedo Pro Alto, União Punho Colado, Lado A e Lado B.

Juntas, essas alianças envolvem diversas torcidas organizadas de diferentes regiões do país e ajudam a formar uma ampla rede de relações entre grupos das arquibancadas brasileiras.

Além das torcidas que fazem parte de cada bloco, as alianças também possuem símbolos próprios de identificação. Em muitos casos, os gestos feitos com as mãos são utilizados pelos integrantes para demonstrar a qual grupo ou aliança pertencem.

Outro bloco importante dentro desse sistema de alianças é a União Dedo Pro Alto, que reúne algumas das torcidas mais conhecidas do futebol brasileiro. Entre os grupos associados à aliança estão Mancha Verde (Palmeiras), Força Jovem do Vasco, Galoucura (Atlético-MG), Geral do Grêmio e Torcida Jovem do Botafogo, entre outras.

Dentro desse contexto, também ganhou destaque a chamada “União Sinistra”, nome utilizado por torcedores para identificar a relação histórica entre Mancha Verde, Força Jovem do Vasco, Geral do Grêmio e Galoucura. A aproximação entre os grupos começou ainda na década de 1980 e mantém uma relação de amizade até os dias atuais.

A força dessas alianças também aparece em um momento marcante do futebol brasileiro em 2026. Grêmio, Palmeiras, Vasco e Atlético-MG estão entre os quatro semifinalistas da Copa do Brasil. Os confrontos definidos são Palmeiras x Vasco e Atlético-MG x Grêmio, colocando clubes ligados a torcidas que fazem parte dessas alianças na reta decisiva da competição.

Imagem: Ducker Grêmio

Se pararmos para refletir sobre o futebol atual do Grêmio, é impossível não perceber a falta de consistência, de identidade e até mesmo de raça dentro de campo. O clube que há poucos anos conquistava a América hoje vive uma realididade completamente diferente. Mas afinal, quando tudo começou?

Depois de 15 anos sem conquistar um título de expressão, o Grêmio voltou a elite em 2016, quando venceu a Copa do Brasil pela 5ª vez. Sob o comando do técnico Renato Portaluppi a conquista marcou o início de uma das fases mais vitoriosas da história do tricolor. Em 2017, o ápice do time gaúcho foi a conquista do tricampeonato da Libertadores da América, com um futebol que chamava atenção pela organização, intensidade e identidade. Era uma equipe que jogava junto, sabia o que fazia dentro de campo e passava confiança ao torcedor.

No ano seguinte, tudo indicava que o clube brigaria novamente por títulos expressivos. O Grêmio chegou à semifinal da Libertadores e venceu o River Plate por 1 a 0 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires. A classificação épica parecia encaminhada. Mas a partida de volta na Arena mudou completamente a história. O tricolor começou ganhando, mas sofreu a virada nos minutos finais. O pênalti cometido por Bressan, após a revisão do VAR, eliminou o Grêmio e colocou o adversário na final da competição. Até hoje, muitos torcedores lembram daquela partida como um dos jogos mais dolorosos da história do clube e, por isso, talvez ali tenha começado a mudança.

Nos anos seguintes, o Grêmio ainda chegou longe em algumas competições mas já não apresentava o mesmo futebol envolvente dos anos anteriores. A equipe perdeu jogadores, perdeu força e a identidade construída entre 2016 e 2017 começou, aos poucos, a desaparecer.

Depois de uma sequência de más decisões, trocas de treinadores e um desempenho muito abaixo do esperado, o Grêmio foi rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro pela terceira vez. Para um clube que poucos anos antes era campeão da América, era difícil imaginar uma queda em um período de tempo tão curto.

Após conquistar o acesso em 2022, o Grêmio presenteou sua torcida na temporada seguinte com a chegada de Luis Suárez. O uruguaio foi o grande destaque de 2023 e recolocou o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro. Apesar da boa campanha, o clube não conquistou nenhum título.

Nas últimas temporadas a instabilidade voltou a fazer parte da rotina da equipe. Talvez seja impossível apontar um único jogo ou uma única temporada como o início da queda. O que se percebe é que, ao longo dos últimos anos, o Grêmio foi perdendo a identidade. Hoje o clube vive um momento de instabilidade, marcado por mudanças constantes, resultados abaixo das expectativas e um cenário de incertezas. A eliminação na Copa Sul-Americana apenas reforçou a crise da equipe.

Mas agora, mais do que conquistar novos títulos, o maior desafio do Grêmio parece ser reencontar sua identidade e reconstruir um projeto capaz de recolocar o clube entre os protagonistas do futebol brasileiro.

Ser homem no futebol é fácil. Eles são maioria nas arquibancadas, nos bastidores, na imprensa e, principalmente, nas posições de poder. Mas o esporte não é exclusivo para eles.

A declaração machista de Ramón Díaz em coletiva gera um debate sobre preconceito e desvalorização do futebol feminino no Brasil. Imagem: Reprodução/Globo Esporte

Recentemente, uma fala machista vinda de uma figura de liderança dentro do Sport Club Internacional escancarou uma realidade que muitos insistem em ignorar: o futebol brasileiro ainda é um ambiente profundamente desigual e resistente à presença feminina. E o mais doloroso é ver esse tipo de postura partindo de um clube que trabalha com um time feminino potente.

O problema não é pontual. Ele reflete uma cultura que atravessa décadas e se mostra tanto na forma como jogadoras são tratadas, nas oportunidades oferecidas dentro das redações esportivas ou nas falas em que tentam nos colocar “no nosso lugar”. 

A fala recente de Ramón Díaz não é um caso isolado. Durante sua passagem pelo Vasco da Gama, em 2024, o técnico já havia se envolvido em uma polêmica semelhante ao questionar a presença de uma mulher no comando do VAR, afirmando que “me parece complicado que no VAR quem tenha que decidir seja uma mulher”. 

Agora, no Internacional, ele volta a reproduzir o mesmo tipo de discurso machista ao dizer que “o futebol é para homens, não para meninas”. As duas declarações, separadas por pouco mais de um ano, reforçam que o problema não está apenas nas palavras, mas na mentalidade enraizada em grande parte do meio esportivo, um ambiente que ainda insiste em tratar a presença feminina como exceção.

E não, não se trata de “criar crise”. O próprio clube já se encarrega disso, enquanto luta contra o segundo rebaixamento. O que está em debate é algo muito mais essencial: o direito das mulheres de pertencerem a esse espaço, seja como torcedoras, jornalistas, atletas ou dirigentes.

Quando o técnico de um clube do tamanho do Internacional reproduz discursos machistas, ele não fala só por si, ele reafirma estruturas de poder que afastam e silenciam mulheres há gerações. O Inter, que carrega em sua história o lema de “Clube do Povo”, precisa entender que o povo também é feminino.

O futebol é paixão, é cultura, é identidade. Mas enquanto continuar sendo um território hostil para as mulheres, seguirá sendo também um espelho das desigualdades que ainda marcam a nossa sociedade. E o maior erro é fingir que isso é normal.

A luta das mulheres por espaço no futebol não é recente, mas cada novo episódio de machismo expõe o quanto temos que avançar. Mesmo com o crescimento das competições femininas, da presença de jornalistas mulheres nas coberturas e das torcidas organizadas por elas, existe resistência em reconhecer o papel feminino como essencial ao esporte.

Ramón Díaz não mancha apenas a própria imagem, mas também a do clube que representa. Quando um técnico assume um cargo de liderança, ele se torna uma voz institucional, e suas palavras refletem diretamente nos valores e na reputação da equipe. A fala de Díaz retrocede séculos de exclusão, tempo esse que já proibiu mulheres de jogar, de narrar, de apitar e até de torcer livremente. Mas o futebol como espaço de paixão e representatividade, não pode ser palco para retrocessos.

Foto: Freepik

O futebol, que deveria ser um espaço de paixão e união, tem se tornado palco de episódios lamentáveis que refletem o pior da nossa sociedade. Neste ano, casos de racismo e violência em estádios sul-americanos escancararam a urgência de mudanças profundas. Em março, durante uma partida da Libertadores Sub-20 no Paraguai, o jovem Luighi, do Palmeiras, foi alvo de gestos racistas por parte de torcedores do Cerro Porteño. O jogador, visivelmente abalado, desabafou em lágrimas, questionando até quando tais atos seriam ignorados. A reação das autoridades foi considerada insuficiente, com a Conmebol prometendo medidas disciplinares, mas sem ações concretas imediatas.

Pouco tempo depois, em Santiago, no Chile, antes de um jogo entre Colo Colo e Fortaleza, uma tentativa de invasão ao estádio resultou na morte de dois adolescentes. Um deles, de 18 anos, foi atropelado por um veículo da polícia, mesmo possuindo ingresso para o jogo. O incidente gerou revolta e questionamentos sobre a atuação das forças de segurança.

Em Porto Alegre, torcedores do Atlético Nacional da Colômbia foram vítimas de violência durante uma visita para um jogo da Libertadores. Relatos apontam para confrontos com torcedores locais e uma resposta inadequada das autoridades, resultando em feridos e um ambiente de medo.

Esses episódios evidenciam como o futebol tem sido usado como válvula de escape para expressar ódios e preconceitos enraizados. A paixão pelo esporte está sendo distorcida por atitudes que nada têm a ver com o espírito esportivo. Além disso, a atuação das autoridades, tanto esportivas quanto de segurança pública, tem sido marcada por omissão e despreparo. A falta de punições exemplares e a negligência diante de situações de risco contribuem para a perpetuação desse ciclo de violência.

Policial com bomba de feito moral na mão. Imagem: Banco de dados

É urgente repensar o papel do futebol na sociedade e implementar medidas efetivas para combater o racismo e a violência nos estádios. O esporte deve ser um espaço de inclusão, respeito e celebração da diversidade, não um campo de batalha para intolerância e agressão.

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.

Sede da CBF. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

O futebol brasileiro é paixão nacional, orgulho coletivo, parte do que nos define. Mas por trás do espetáculo em campo, existe uma realidade bem menos gloriosa e as últimas reportagens da Revista Piauí escancararam o que já era suspeita antiga: a Confederação Brasileira de Futebol virou um lugar onde os interesses pessoais valem mais que o esporte.

Sob o comando de Ednaldo Rodrigues, a CBF se envolveu em contratos milionários com advogados, acordos judiciais duvidosos e até relações preocupantes com figuras importantes do Judiciário. Parece mais uma novela política do que a gestão de uma instituição que deveria cuidar do futebol brasileiro.

Esses casos mostram um padrão: a CBF funciona como uma bolha de poder, onde a transparência é rara e a ética, quase inexistente. As pessoas mudam, mas o sistema continua o mesmo: viciado, fechado, distante da realidade dos clubes, dos jogadores e, principalmente, da torcida.

Enquanto isso, o futebol sofre. Os clubes menores penam, as categorias de base são deixadas de lado, e o calendário é feito sem o menor cuidado. O torcedor, que deveria ser o protagonista, vira apenas espectador de decisões que nunca o incluem.

Está mais do que na hora de exigir mudanças reais. O futebol brasileiro precisa de limpeza, responsabilidade e gente que ame o esporte mais do que os bastidores. Porque se continuar assim, não vai ser o juiz que vai apitar o fim do jogo, vai ser o torcedor, cansado de ser enganado.

O Brasil merece mais do que gols e títulos. Merece ética e pertencimento. O torcedor não é tolo, ele percebe o cheiro de mofo vindo das salas da CBF. Talvez seja hora de trocar os ternos por uniformes amarelos da seleção. 

Ednaldo Rodrigues é o atual presidente da CBF. Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.

O futebol veterano é uma modalidade voltada à prática esportiva de forma recreativa e competitiva, para aqueles que desejam continuar jogando mesmo após ultrapassarem a fase mais intensa de suas carreiras ou juventude. Essa categoria não apenas valoriza a experiência acumulada ao longo dos anos, mas também incentiva a manutenção da saúde, o fortalecimento de laços de amizade e a preservação da paixão pelo esporte. É um espaço onde a competitividade se mistura à amizade, criando um ambiente saudável e inclusivo.

No esporte veterano, o destaque vai além do desempenho técnico, privilegiando o espírito de equipe e o prazer de jogar. Embora a competitividade ainda esteja presente, ela é equilibrada pela compreensão das limitações físicas naturais da idade. Torneios e campeonatos de futebol veterano são comuns, criando oportunidades para que jogadores continuem revivendo a emoção de estar em campo, ao mesmo tempo em que fortalecem vínculos entre comunidades e promovem um estilo de vida saudável.

Na cidade, a Associação de Futebol de Veteranos de Santa Maria (AFUVESMA) tem o papel de promover o esporte amador para a população. A diretoria é constituída por coordenadores de categorias entre 35 a 70 anos jogando futebol, distribuídos em 78 equipes que disputam o campeonato em 20 arenas, com jogos que ocorrem aos sábados à tarde, em dois horários: às 14h e às 16h, durante todo o ano. O coordenador de projetos da associação, Everaldo Umpierre Vieira, conta que “hoje, a AFUVESMA é parte da sociedade de Santa Maria, justamente por congregar tantas pessoas. E dentro do esporte amador, a gente entende que somos referência, porque estamos desde 1987 numa evolução a ser seguida. Para que a gente consiga fazer com que crianças e mulheres, que hoje gostam do esporte, também pratiquem”.

A história da associação, segundo o coordenador, surgiu em uma época em que o esporte amador era muito forte na categoria livre, e todas as idades se misturavam. Por conta das diferenças físicas, os atletas mais velhos que queriam continuar jogando uma competição sentiram a disparidade e, a partir dessa problemática, foram criados os campeonatos por idades.

No período pós-pandemia, os própios atletas pediram a volta do campeonato Foto: Aryane Machado

Para mais informações sobre a AFUVESMA, basta entrar no site e no Instagram.


A assistente de arbitragem Maíra Mastella Moreira, vai ser uma das representantes brasileiras na Copa do Mundo Feminina Sub-17, que ocorre entre os dias 16 de outubro e 3 de novembro, na República Dominicana. A competição é realizada a cada dois anos e reúne 16 seleções. Junto à gaúcha, a mineira Fernanda Antunes, a sul-mato-grossense Daiane Muniz e outras 35 árbitras de todo o mundo estarão presentes.

Maíra conta que está extremamente contente que representará suas cidades, Cruz Alta e Santa Maria, e também a Federação Gaúcha, Confederação Brasileira e Conmebol. “Eu tenho grandes objetivos e sei que essa é uma competição muito importante e necessária para eu conquistar outros ali na frente. Então, eu tô extremamente contente pela oportunidade, afinal, são só três brasileiras indo, e eu sou uma delas. Eu fico muito feliz, sei que eu batalho muito por essas conquistas, mas quando elas chegam, realmente dá uma sensação de que vai valer a pena”, comenta a árbitra.

Para a árbitra assistente, o ano de 2024 foi um divisor de águas tanto na parte profissional, quanto na pessoal. Com muitas conquistas, foi escolhida a melhor assistente do Campeonato Gaúcho, fez as finais da Supercopa Feminina de Futebol, do Gauchão e também do Brasileirão Feminino. “Esse ano eu tive que fazer muitas escolhas de estar ausente da minha família, porque realmente eu não tenho conseguido estar presente. além disso foi um ano que eu tive que me ausentar muito da minha casa, das pessoas que eu amo, e estar numa competição dessa mostra o quanto talvez seja necessário essas escolhas para poder estar planejando as grandes competições e realizando meus sonhos profissionais”, conta Maíra.

A convocação para a competição é enviada por e-mail, e em seu primeiro ano entrando para o quadro da FIFA, a gaúcha conta que já sabia da possibilidade da convocação. “E enquanto mais perto do sonho, mais longe de casa a gente tá”, pontua a profissional.

O futebol ainda é um esporte muito masculinizado, ser mulher no esporte é um ato de resistência. “A gente ainda está inserido em um contexto predominantemente masculino, mas felizmente estamos tendo espaço, a mulher está conseguindo trabalhar em contextos e funções que antigamente se pensava ser só masculina ou predominantemente masculina, a gente está tendo espaço”, destaca Maíra.

Sobre a arbitragem feminina, ela diz que: “para uma mulher atuar em jogos profissionais masculinos ela tem que atingir índices físicos masculinos, senão não atua. É um cenário que eu vivo desde 2017, mas eu entendo porque o futebol hoje está extremamente rápido e muito físico no Brasil, então a gente tem que estar bem para isso, para acompanhar o jogo, senão de certa forma podem ocorrer problemas técnicos”. Maíra representa muitas mulheres no esporte e complementa: “eu considero um desafio, a gente está fazendo esses índices em um ambiente predominantemente masculino, mas ao mesmo tempo, quando uma mulher chega é com muita força […] quanto mais abrem-se essas portas aí, mais meninas vão surgir trabalhando”.


Formada em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Maíra atua como assistente de arbitragem desde 2014 e pontua que as maiores dificuldades para ela no dia a dia são os deslocamentos, por ser do interior e ter que viajar seguidamente: “O tempo que eu gostaria de estar me desenvolvendo para a função, de estar descansando, treinando, ou fazendo aula de inglês, espanhol, coisas que eu tenho que dar um jeito de ter tempo, né? É o tempo que eu estou na estrada”. Ela continua: “o meu maior desafio hoje não é questão de ser mulher, nada disso, eu acho que isso é forte o suficiente para encarar e ter noção do ambiente que a gente vive. O meu maior desafio é a parte terrestre, até o aeroporto que eu tenho que ir, o tempo que eu perco, que eu poderia me desenvolver, eu estou na estrada dirigindo e ficando cansada”.

Maíra é uma das três brasileiras convocadas para compor o time de arbitragem. Imagem: Rodney Costa