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A Vida e o Legado de Francisco

Foi um Papa que caminhou com os sofredores e falou com o coração. Seu legado permanece como um forte convite à escuta, à justiça, ao diálogo e à compaixão.

O movimento dos taxistas, que já foi frequente nas ruas de Santa Maria, tem diminuído cada vez mais com o crescimento dos motoristas de aplicativos. Para Ivan Chaves Flores, 70, com 35 anos de profissão, a realidade atual é de luta constante e concorrência desleal na cidade.

Ivan tem 35 anos de profissão e segue no trabalho como taxista. Imagem: Rian Lacerda

Em entrevista a reportagem, Ivan explicou os desafios que enfrenta diariamente no trabalho. “O movimento está muito fraco. Tem dias que mal conseguimos fazer uma corrida”, relata, destacando que a chegada dos aplicativos, foi o fator decisivo para a queda no número de passageiros. “Muita gente teve que entregar o táxi, alguns até por necessidade, porque não dava mais para sustentar a família com a profissão”, lamenta.

Hoje, segundo ele, o preço do quilômetro rodado é de R$ 4,00, mas Ivan enfatiza que a tarifa de R$ 6,64 que ele cobra por corrida não é suficiente para cobrir os custos de operação. “O aplicativo cobra metade do preço que nós cobramos. Como eles conseguem operar dessa forma? Não pagam os mesmos impostos que nós, e ainda oferecem tarifas muito mais baixas”, critica. O impacto, segundo ele, é claro: “Não tem como competir. É uma concorrência muito desleal.”

Um curso de renovação para taxistas é exigido para que eles possam continuar atuando legalmente e este é um exemplo de custos adicionais que não são obrigatórios para os motoristas de aplicativos. “A cada ano, temos que renovar o curso, que custa R$ 180,00, e não podemos esquecer dos impostos que pagamos.”, afirma.

Ivan também destaca que a última vez que a tarifa de táxi aumentou foi há dois anos, o que agrava ainda mais a situação. “Eu acredito que, se os aplicativos pagassem os mesmos impostos que nós, não teriam como manter essas tarifas tão baixas”, afirma.

Aplicativos de carro começaram a se popularizar em Santa Maria a partir de 2018. O taxista Paulo Conceição Lopes, com 47 anos de experiência na profissão, compartilhou sua visão sobre as mudanças que o setor de táxis tem enfrentado nos últimos anos, principalmente devido à essa crescente concorrência dos motoristas de aplicativo. A situação, segundo ele, tem piorado nos últimos dois a três anos, após o crescimento das plataformas de transporte. “Muita gente entregou o táxi. Pai de família que dependia disso teve que abandonar a profissão”, relatou Paulo. A falta de passageiros, o número reduzido de táxis e a falência de muitos motoristas têm sido consequências diretas dessa mudança no mercado.

Frota diminuiu pela metade

Além do impacto financeiro, a redução no número de veículos é uma realidade clara para os taxistas de Santa Maria. “Aqui, por exemplo, tínhamos uma frota de oito carros. Hoje, temos apenas quatro. O número de táxis na cidade caiu drasticamente. 

Hoje o número de táxis em Santa Maria é cerca de um terço menor do que havia antes da popularização dos aplicativos. Imagem: Rian Lacerda

Paulo Conceição, lembrou os tempos áureos, quando o número de táxis era bem maior. “Antes da popularização dos aplicativos, a quantidade de táxis na cidade era de aproximadamente 300 veículos. Hoje, esse número caiu para pouco mais de 100”, explicou. Ele também destacou a grande diferença nos volumes de trabalho, lembrando que, em seus melhores dias, conseguia realizar até 70 ou 80 corridas. “Hoje, o movimento está bem mais fraco, o cenário é muito diferente”, lamentou.

Táxi e aplicativo: facilidade de uso e preço são alguns determinantes

Cada vez mais pessoas estão optando por aplicativos de transporte em vez dos táxis tradicionais, principalmente devido à praticidade e ao custo mais acessível. Alexia Da Silva, de 50 anos, pontua sua preferência:  “Prefiro usar aplicativo do que táxi pelo custo mesmo. Moro em Camobi e trabalho no centro, a corrida de aplicativo às vezes consigo até por 10 reais, quanto de táxi passaria dos 30 reais. São valores muito diferentes, o aplicativo é uma alternativa muito mais fácil e barato.” 

A expectativa do taxista Ivan para o futuro é de uma possível mudança nas regras dos aplicativos, com o objetivo de estabelecer uma concorrência mais justa. “Se os aplicativos começassem a cobrar o mesmo que nós, o pessoal iria preferir pegar táxi”, sugere. Mas, enquanto isso não acontece, os taxistas continuam resistindo. Ivan, aposentado e com uma carreira consolidada, ainda segue no volante, mas sabe que muitos de seus colegas não têm a mesma sorte. “Eu aguento porque tenho a aposentadoria, mas para quem depende só do táxi, a situação está difícil.”

A mudança no perfil dos passageiros é perceptível. Se antes o público predominante era o de pessoas mais velhas, hoje os jovens também têm usado o táxi, especialmente quando os pais insistem para que não utilizem os aplicativos. O taxista Paulo também acrescentou que, em sua opinião, o público do táxi é variado. “Tem os mais velhos, que têm medo dos aplicativos, e até jovens que preferem o táxi por questão de confiança”, disse ele, ressaltando que, apesar dos aplicativos, o serviço de táxi ainda tem sua relevância.

Com a luta pela sobrevivência, os taxistas como Ivan Chaves Flores e Paulo Conceição Lopes seguem na esperança de que as regras do jogo possam mudar, trazendo uma concorrência mais justa e garantindo a sustentabilidade de uma profissão que, para eles, ainda tem muito a oferecer.

Produção: acadêmicos de Jornalismo Karina Fontes, Luiza Fantinel, Rian Lacerda

Matéria produzida na disciplina de Narrativa Jornalística do curso de Jornalismo, no 1º semestre de 2025, sob orientação da professora Glaíse Bohrer Palma.

A morte do Papa Francisco representa a despedida de uma das figuras mais humanas e transformadoras que a Igreja Católica já teve. Jorge Mario Bergoglio, argentino e jesuíta, escolheu o nome Francisco, inspirado em São Francisco de Assis. Desde o início mostrou que seu papado seria diferente. Simples, acessível e firme nas suas opiniões, ele aproximou a Igreja do povo de forma grandiosa.

Francisco não vivia no palácio, mas sim na Casa Santa Marta. Defendia os pobres, os marginalizados e denunciava injustiças sociais com muita bravura. Tinha um olhar sensível e atento à realidade do mundo, sempre buscando acolher os pedidos de seus fiéis. Trouxe para o centro das discussões valores humanos e sociais, como a ecologia, a imigração, o cuidado com o planeta e a economia solidária.

Papa Francisco acenando para seus fiéis. Imagem: Pixabay

||Sua liderança foi marcada por empatia, fé e muita coragem. Foi um Papa que caminhou com os sofredores e falou com o coração. Seu legado permanece como um forte convite à escuta, à justiça, ao diálogo e à compaixão. Francisco será lembrado não apenas pelo que disse, mas principalmente pelo que fez.

Da Igreja, ele construiu uma casa mais aberta, humana e presente no mundo atual. Como estudante, reflito sobre sua trajetória e percebo que, além de líder religioso, também foi um grande comunicador, por expressar sua opinião e por dar voz a aqueles que nunca foram respeitados. Francisco defendeu seus ideais com verdade, tornando-se o Papa do povo e para o povo.

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.