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mudanças climáticas

Meio ambiente em colapso: entre as boas e as más notícias

Amanhã, 07 de junho, será lançado em Brasília,  o projeto MapBiomas Alerta, um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução,  que disponibilizará os dados via

De onde vêm tantas mudanças no clima?

Antigamente bastava olhar para o céu para prever o clima do dia seguinte. Mas, e hoje? Será que ainda dá para confiar nos sinais do tempo antes de pegar um casaco? Neste caso, nem os mais

Imagem: Pixabay

Você já ouviu falar em ecoansiedade? O termo surgiu nos estudos científicos no começo dos anos 2010 e, segundo a Associação Americana de Psicologia (APA), se refere ao medo crônico da destruição ambiental. Com o aumento dos desastres climáticos extremos no estado do Rio Grande do Sul, novas discussões estão ocorrendo sobre o impacto na saúde mental. 

A preocupação com crises climáticas não está isolada, a exemplo disto a ONU (Organização das Nações Unidas) destaca em seu Plano de Desenvolvimento Sustentável: Agenda 2030 um conjunto de 17 objetivos com 169 metas. Essas metas são parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) a serem atingidos até o ano de 2030 de forma global. Entre estes objetivos está o ODS número 3, que visa assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. 

Pesquisas recentes demonstram que em casos de desastres climáticos de longo porte, como enchentes e incêndios florestais, há impactos na saúde mental. Em entrevista ao G1, a psicóloga Jaqueline Assis destaca que se o clima e o território não forem considerados nas discussões sobre território não há como garantir uma qualidade de vida aos moradores. 

Carina Boeck, professora de bioquímica da Universidade Franciscana (UFN), destaca que a ecoansiedade está relacionada a crises climáticas e ecológicas. Segundo a professora, a ecoansiedade é caracterizada por sintomas negativos em razão do clima, do meio ambiente e de pensamentos repetitivos associados ao medo do futuro de forma direta. Conforme as pesquisas indicam, estes fenômenos se tornam mais comuns entre os jovens adultos, caracterizados pelo início da carreira profissional, por exemplo. “As preocupações com as mudanças climáticas devem ser motivo de atenção caso gerem pânico. Os medos são importantes para nós e nos colocam para nos preparar para algo. Mas, há descontroles quando existe o excesso.”, destaca a professora. 

Partes do Infográfico postado pelo G1 em 2025 quando as enchentes no Rio Grande do Sul completaram um ano. Fonte: G1 RS

Em maio de 2024, o Rio Grande do Sul viveu uma das maiores catástrofes naturais da sua história. As enchentes foram causadas por diversos fatores, como chuva abundante, falta de tratamento dos esgotos e falta de área permeável para absorver a água. Para Carina, em casos como este observa-se alguns impactos psicológicos. “Nós conseguimos enxergar que durante o período destas catástrofes as pessoas mais atingidas pelas chuvas foram, naturalmente, as que tiveram mais problemas de saúde mental. Em casos de agricultores que perderam suas plantações e famílias que perderam suas casas, pode haver o transtorno pós-traumático, que vai além da ecoansiedade.” Segundo a professora é necessário entender a individualidade de cada um, seus sentimentos e as experiências de vida. 

De todo modo, cabe a todos ter o autocuidado assim como cuidar do meio ambiente. Atividades práticas podem ser aplicadas no dia a dia, como fazer a separação correta dos resíduos domésticos e consumo de produtos sustentáveis, ajudando a não poluir mais o meio ambiente, e também atenção consigo próprio com atitudes como manter-se hidratado, ter  uma boa alimentação, duração e qualidade adequadas de sono e atividades físicas de formas regulares. 

Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Especializado no 1º semestre de 2026 do curso de Jornalismo, sob supervisão da professora Glaíse Bohrer Palma.

Amanhã, 07 de junho, será lançado em Brasília,  o projeto MapBiomas Alerta, um sistema de validação e refinamento de alertas de desmatamento, degradação e regeneração de vegetação nativa com imagens de alta resolução,  que disponibilizará os dados via internet de forma pública e gratuita para subsidiar o monitoramento ambiental e as ações de prevenção e combate ao desmatamento ilegal.

Mensalmente são coletados todos os alertas de desmatamento gerados no Brasil para os quatro principais sistemas implementados: DETER/INPE (Amazônia e Cerrado), SAD/IMAZON (Amazônia), SIPAMSAR (Censipam) e GLAD/Universidade de Maryland (demais biomas). Tais alertas são avaliados para excluir falsos positivos e encaminhados para a classificação supervisionada de imagens de satélites Planet¹ de 3 m de resolução e frequência diária. O processo é feito com uso de algoritmos de aprendizagem de máquina (machine learning) por meio da plataforma Google Earth Engine, que oferece grande capacidade de processamento na nuvem.

Equipes de programadores, especialistas de sensoriamento remoto e especialistas em conservação e uso da terra são organizados em equipes para cada bioma e suporte de tecnologia e sistemas são responsáveis pela checagem e validação dos dados.

Entre os resultado preliminarmente divulgados, o monitoramento realizado mostra, entre outros,  que os manguezais no Brasil estão em ritmo acelerado de desaparecimento em decorrência das mudanças climáticas, e os seus biomas estão sendo alterados abruptamente, ocasionando o  desaparecimento de várias espécies.

O  sistema de alertas poderá contribuir com o trabalho dos órgãos responsáveis pela fiscalização e proteção de áreas ambientais para que aconteça com mais eficácia e rapidez, visando coibir o desmatamento ilegal e diminuir a impunidade por crimes ao meio ambiente. Entre eles, pode-se citar o índice de desmatamento da Amazônia que, segundo dados do INPE divulgados pelo G1, o desmatamento na Floresta Amazônica do Brasil atingiu o recorde para o mês de maio, quando ” foram derrubados 739 km² de floresta, o que equivale a dois campos de futebol por minuto. No mesmo período do ano passado, a devastação foi de 550 km². O aumento é de 34%”.

Segundo dados do Imazon, “em abril de 2019, o SAD detectou 195 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal, uma redução de 10% em relação a abril de 2018, quando o desmatamento somou 217 quilômetros quadrados. Em abril de 2019, o desmatamento ocorreu no Mato Grosso (31%), Amazonas (30%), Pará (16%), Rondônia (12%), Roraima (9%) e Acre (2%). As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 102 quilômetros quadrados em abril de 2019, enquanto que em abril de 2018 a degradação florestal detectada totalizou 8 quilômetros quadrados. Em abril de 2019 a degradação ocorreu em sua grande maioria (86%) no estado de Roraima, seguido de Mato Grosso (7%), Rondônia (4%), Amazonas (2%) e Pará (1%)”.

Clima e emissões

As notícias não são boas e vêm de todas as partes do planeta. Com o aumento das emissões de gás carbônico e outros gases do efeito estufa, o aquecimento global tem alcançado um nível crítico. Segundo o relatório divulgado pelo Centro Nacional de Descoberta do Clima da Austrália, a civilização humana está em ritmo de colapso. Especialistas acreditam que se nada for feito – no ritmo atual de aquecimento global, a temperatura vem subindo e pode aumentar cerca de 3 graus Celsius nas próximas décadas – as mudanças climáticas podem levar à derrocada da civilização humana até o ano de 2050.

A  este alerta  se somam os dados divulgados pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), evidenciando que o nível de gás carbônico na atmosfera da Terra cresceu pelo sétimo ano consecutivo. No último mês de maio, os níveis médios de emissão foram de 414,7 partes por milhão (ppm), a maior marca desde 1958, conforme medições do Observatório de Mauna Loa (MLO), uma estação de linha de base atmosférica localizada no Havaí.

Na Mongólia, a aceleração das mudanças climáticas está provocando o êxodo rural e comprometendo a subsistência de milhares de pessoas. Os nômades moradores das estepes, nos últimos anos, enfrentaram oscilações climáticas rigorosas e sucessivas, marcadas pela perda de seus rebanhos. Mais de 42.500 cabeças de gado foram perdidas no ano de 2017 por conta de um inverno rigoroso com temperaturas de – 50º seguida de um verão muito quente. A catástrofe meteorológica vem se repetindo consecutivamente e colocando em risco mais de 157.000 pessoas, alertou a Cruz Vermelha. A gravidade da situação na Mongólia está registrada em um documentário recente divulgado em abril pela BBC e disponibilizado no Youtube[youtube_sc url=”https://youtu.be/Id8FpLg_aZk”]

 

 

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Antigamente bastava olhar para o céu para prever o clima do dia seguinte. Mas, e hoje? Será que ainda dá para confiar nos sinais do tempo antes de pegar um casaco? Neste caso, nem os mais experientes conseguem explicar tantas mudanças no tempo. O que não dá para negar é que tantas mudanças influenciam muito a vida do homem.

O professor de Geografia do Centro Universitário Franciscano, Valdemar Valente, explica que mudanças climáticas são oscilações das temperaturas. “Tais alterações resultam em dificuldades em termos  de precipitação, enchentes demasiadas, secas e até aumento de tornado em várias áreas do planeta”, adverte. O professor lembra que, em abril,  o estado de Santa Catarina foi atingido por um tornado que causou danos humanos e materiais. Ele alerta para possíveis fenômenos meteorológicos em Santa Maria. “Estamos sujeitos a alterações de distribuição de chuva, com alguns períodos mais intensos de precipitação ou estiagem. Também estamos sujeitos a tornados, já que estamos no eixo, no caminho deles”, explica.

O grande vilão do aquecimento global é a emissão de gases de efeito estufa. Se as pessoas quiserem cuidar um pouco mais do planeta devem controlar as ações que causam esse efeito antes que seja tarde demais. Controlar o consumo de energia, reduzir o consumismo, evitar o desperdício, preservar a natureza e economizar água são algumas ações que definem cidadãos que têm consciência ambiental, porque minimizam a emissão de gases de efeito estufa. “É necessário, também, mudar um pouco o processo de produção do sistema atual, o qual é danoso ao meio ambiente”, conclui o professor Valdemar Valente.

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