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A Vida e o Legado de Francisco

Foi um Papa que caminhou com os sofredores e falou com o coração. Seu legado permanece como um forte convite à escuta, à justiça, ao diálogo e à compaixão.

A morte do Papa Francisco representa a despedida de uma das figuras mais humanas e transformadoras que a Igreja Católica já teve. Jorge Mario Bergoglio, argentino e jesuíta, escolheu o nome Francisco, inspirado em São Francisco de Assis. Desde o início mostrou que seu papado seria diferente. Simples, acessível e firme nas suas opiniões, ele aproximou a Igreja do povo de forma grandiosa.

Francisco não vivia no palácio, mas sim na Casa Santa Marta. Defendia os pobres, os marginalizados e denunciava injustiças sociais com muita bravura. Tinha um olhar sensível e atento à realidade do mundo, sempre buscando acolher os pedidos de seus fiéis. Trouxe para o centro das discussões valores humanos e sociais, como a ecologia, a imigração, o cuidado com o planeta e a economia solidária.

Papa Francisco acenando para seus fiéis. Imagem: Pixabay

||Sua liderança foi marcada por empatia, fé e muita coragem. Foi um Papa que caminhou com os sofredores e falou com o coração. Seu legado permanece como um forte convite à escuta, à justiça, ao diálogo e à compaixão. Francisco será lembrado não apenas pelo que disse, mas principalmente pelo que fez.

Da Igreja, ele construiu uma casa mais aberta, humana e presente no mundo atual. Como estudante, reflito sobre sua trajetória e percebo que, além de líder religioso, também foi um grande comunicador, por expressar sua opinião e por dar voz a aqueles que nunca foram respeitados. Francisco defendeu seus ideais com verdade, tornando-se o Papa do povo e para o povo.

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.

Conclave. Foto: Joyce Mesquita

Logo após a morte do papa Francisco, o filme Conclave, da Netflix, disparou em
visualizações no Brasil. O fenômeno não surpreende. O brasileiro, atento ao que se passa no
mundo, costuma buscar na arte uma forma de entender os grandes acontecimentos. E poucos
eventos são tão simbólicos quanto a escolha de um novo papa, uma mistura rara de fé,
política e expectativa global.


Em 2025, o conclave que decidiu o próximo líder da Igreja Católica teve uma
característica inédita: foi moldado pelo próprio Francisco. Durante os doze anos em que
ocupou o papado, ele nomeou 108 dos 135 cardeais com direito a voto — muitos vindos de
regiões antes pouco representadas no Vaticano, como Ruanda, Mongólia, Panamá e Brunei.
Um grupo menos concentrado na Europa e, em tese, mais próximo das realidades do povo
comum, como o próprio Francisco defendia.

Esse cenário é bem diferente do conclave de 2013, que o elegeu: naquela época, a maioria
dos cardeais havia sido escolhida por João Paulo II e Bento XVI, dois papas ligados a uma
visão mais tradicional da Igreja. Francisco foi, naquela ocasião, uma escolha inesperada.

Francisco deixa um legado visível na configuração do colégio cardinalício. Seu maior feito
talvez não seja a continuidade de sua visão, mas sim ter demonstrado que o papado pode ser
um motor de mudança e não apenas de preservação do conservadorismo.

Artigo produzido na disciplina de Narrativa Jornalística no 1º semestre de 2025. Supervisão professora Glaíse Bohrer Palma.