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Santa Maria, RS, Brazil

veganismo

Estilo de vida a favor de outras vidas

Para além do vegetarianismo, o veganismo é um estilo de vida e um modo de ser e pensar em todas as áreas da sociedade e em si, como indivíduo. Na prática, além de repensarem suas formas

Alimentação vegana e a suplementação de vitamina B12

O ser humano sempre teve um relacionamento muito próximo com a comida. Ela é causa de doença e de saúde. O cuidado alimentar tem sido um dos pontos destacados pelo adeptos da dieta vegana. Segundo a Sociedade

Oficina de culinária ensina a produzir alimentos veganos

A vegana Denise Kanopf de Araujo oferece, em Santa Maria, oficinas de culinária que ajudam a divulgar e a desmitificar o veganismo. O objetivo é proporcionar ao participante conhecimento e habilidade necessárias para produzir a própria

Para Bruna, entre tantos outros motivos para ser vegana, o amor pelos animais é um dos principais. Na foto, em aula prática do curso de Medicina Veterinária Foto: arquivo pessoal
Imagens: Raw Pixel

Para além do vegetarianismo, o veganismo é um estilo de vida e um modo de ser e pensar em todas as áreas da sociedade e em si, como indivíduo. Na prática, além de repensarem suas formas de consumir, subsistir e viver, os adeptos do veganismo lutam pela causa, desde os pequenos atos particulares do dia a dia.

O termo foi cunhado na década de 1940 e tem adeptos ao redor do mundo. No Brasil, tem se popularizado e conquistado muitos membros  nos últimos anos. Marcas de vestuário e cosméticos, restaurantes, dentre outros nichos de mercado, já tem se segmentado para atender a este público que cresce e requer cada vez mais espaço.

A acadêmica de Medicina Veterinária Bruna Carnelosso, 21 anos, é vegetariana há oito anos e vegana há mais de três.

Para Bruna, ser vegano é…

Respeito

Veganismo é, para mim,  sinônimo de respeito. Respeito à natureza, aos animais e, sobretudo, aos direitos destes: de ser livre, se não sentir dor e desconforto, de poder exercer seu comportamento natural, de não ser explorado… de viver!

Luta

Veganismo também é luta. É lutar pelos direitos daqueles que não têm voz. É lutar por um consumo mais consciente e empático. Lutar para ser ouvido no meio dessa sociedade tão dura, que não se importa com minorias, com quem pensa diferente. É cansativo às vezes, mas não é difícil quando você pensa que, aos pouquinhos, você está mudando o mundo.

Consciência

Estamos tão acostumados a viver no automático que, às vezes, não questionamos nada ao nosso redor, mesmo que algumas dessas coisas nos pareçam erradas. Afinal, não é um pouco hipócrita amar os animais e contribuir com uma indústria que mata, maltrata e subjuga esses seres em sua grande maioria? Penso que quando abrimos nossas mentes para pensar nessas questões, estamos fazendo um exercício que pode contribuir a nos tornarmos seres humanos melhores em muitos aspectos.

Alternativa

Optar ou não pelo veganismo é uma escolha de cada um. É uma escolha muitas vezes difícil, pois geralmente somos acostumados desde pequenos a consumir produtos animais, seja na alimentação, vestuário ou outros produtos que nem imaginamos que contém substâncias derivadas de animais. É importante então mostrar para as pessoas que existe essa opção, que existem alternativas para substituir esses usos e popularizar esse estilo de vida cada vez mais, para que assim, futuramente, talvez esta não seja uma decisão tão difícil de tomar.

Amor

Há muitas formas de expressar o amor, e penso que optar pelo veganismo é uma delas. Afinal, há muitas vantagens nesse estilo de vida: para a natureza, para os animais, para nossos próprios corpos. E optar por uma alternativa melhor para todos é um ato de amor também.


Ninguém é apenas o nome, idade, formação, profissão ou naturalidade. Somos um conjunto de infinidades. Entre tudo o que te identifica, qual é a sua parte favorita? Você também pode fazer parte deste projeto ou indicar alguém que é excelente numa área bem diferente da formação ou profissão, um especialista (ou quase) pela vivência.

A acadêmica de Jornalismo Gabriele Bordin desenvolveu o Projeto Experimental em Jornalismo, no curso de Jornalismo da UFN, durante o primeiro semestre de 2020. O projeto foi orientado pela professora Glaíse Palma e teve uma história por semana publicada neste espaço.

Leia as matérias do projeto Lado B:

Alimentação vegana é considerada uma dieta saudável, mas traz controvérsias. Foto: Natalie Aires

O ser humano sempre teve um relacionamento muito próximo com a comida. Ela é causa de doença e de saúde. O cuidado alimentar tem sido um dos pontos destacados pelo adeptos da dieta vegana. Segundo a Sociedade Vegana, veganos tem como ideia excluir de sua vida toda e qualquer forma de exploração animal, e não apenas da alimentação, mas também do vestiário, produtos de beleza e cotidiano. Diferentemente dos vegetarianos, os veganos excluem o consumo de carne e seus derivados.
Diante disto, alguns questionamentos são feitos e especialistas ressaltam a importância de, antes de fazer modificações radicais na alimentação como é o caso da dieta vegana, serem feitas consultas médicas. Um dos fatores que demonstram a relevância de se procurar aconselhamento médico é a diminuição drástica de algumas vitaminas no organismo, ocasionadas pela falta de nutrientes que são de origem animal, como é o caso da vitamina B12 , apontada pela nutricionista Franciele Almeida como sendo uma realidade para os veganos. E além da vitamina B12, algumas outras alterações impactam o organismo pela deficiência do consumo de carne, que é o caso da vitamina D.

O endocrinologista Matheus Severo alerta para a necessidade de repor vitamina D e B12 para os adeptos do veganismo. Foto: arquivo pessoal

O médico endocrinologista, Mateus Dornelles Severo, mestre em endocrinologia, titulado pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) orienta ser importante se expor ao sol, ou ingerir cogumelos shitake para ter o aporte de vitamina D que o organismo necessita. Ele ressalta que alguns cuidados devem ser levados em conta para manter um padrão vegano com garantia de saúde. Entre eles, incluir diferentes fontes de proteína de origem vegetal, já que diferentemente da carne, leite ou ovos, os produtos vegetais isolados não costumam ter todos os aminoácidos essenciais; se expor ao sol ou ingerir cogumelos shitake para ter aporte apropriado se vitamina D; a principal fonte de cálcio com boa biodisponibilidade é o leite e seus derivados. Amêndoas, folhas escuras e gergelim tem cálcio mas a biodisponibilidade é menor. Se a ingestão desses alimentos forem pouco frequente pode ser necessário suplementação. Algumas bebidas de soja são adicionadas se cálcio. Por se tratar de produtos processados, devem ser consumidas com moderação. Deve-se  manter a ingestão de fontes vegetais de gorduras boas (castanhas e nozes, abacate, linhaça, chia) para garantir o aporte apropriado de ácidos graxos essenciais.E ainda, como a vitamina B12 vem exclusivamente de fontes animais, ,  deve ser suplementada sempre.

Para o médico nutrólogo Eric Slywitch a deficiência de B12 não é exclusiva de vegetarianos e veganos, pois atinge cerca de 40% da população brasileira e cerca de 50% dos vegetarianos e veganos. Porém, nos veganos e vegetarianos essa é uma realidade, pois afinal a vitamina B12 é encontrada com maior concentração em alimentos de origem animal como, por exemplo, em vísceras, carne, peixe, queijo, gemas de ovo e leite. Ela existe em frutas e vegetais, porém não pode ser aproveitada, pois ao fazer a higienização para o consumo, perde-se o possibilidade de aproveitamento.

A nutricionista Franciele Almeida ressalta a importância de se informar e receber orientações de profissionais para ter uma dieta de qualidade “Recomendo pesquisar e ler muito sobre o assunto, assim como procurar um profissional, a fim de ajustar sua dieta, e de forma gradual ir ao menor consumo de alimentos de fonte animal, vale lembrar que também é importantíssimo o acompanhamento dos exames de sangue.”

Os fatores que influenciam a opção pela alimentação vegana, que varia desde questões sociais ou até mesmo de ordem particular, mas podemos destacar que  uma delas é qualidade nutritiva que a dieta proporciona, pois os aminoácidos, vitaminas e minerais são mais facilmente encontrados em fontes vegetais, assim como as proteínas, afinal os veganos em sua dieta ingerem alimentos vegetais, que oferecem mais cálcio, folato e fibras que auxiliam muito na proteção e desenvolvimento do nosso organismo e microbiota intestinal,  mas apesar dos nutrientes, existem deficiências sentidas pelo organismo como é o caso do ferro, mas para isso se tem a opção de consumo de folhas verdes escuras que agregando a vitamina C se transforma em ferro de absorção rápida, outro fator que causa dúvida é a suplementação de cálcio no organismo e indagada sobre isso Franciele alerta “ A deficiência de cálcio  é um mito, pois vegetais e folhas possuem uma quantidade muito significativa deste mineral, gergelim, por exemplo, é uma ótima fonte.”

Prato vegano com bife de lentilha. Foto: arquivo pé-de-couve culinária

Em meio a tantas controvérsias, os especialistas são categóricos ao falar sobre a suplementação de vitamina B12, pessoas com deficiência de vitamina B12, segundo estudos disponibilizados no Site Dr. Jörg Schweikart especializado em artigos de nutrição, saúde e ciência, afirmam que os sintomas para deficiência da vitamina não são específicos. Os sintomas que são mais comuns estão divididos em categorias, tais como problemas do sistema nervoso: dor, formigamento, problemas de coordenação, perda de memória; anemia: perda de força, fraqueza imunológica, fadiga crônica, dificuldade de concentração; problemas síntese de neurotransmissores e hormônios: distúrbios psicológicos, depressão, psicose; problemas digestivos: obstipação, diarreia, inflamação da boca e ou gastrointestinais.

  Dieta vegana é considerada alimentação saudável

O Ministério da Saúde publicou a última versão do Guia Alimentar para a População Brasileira em 2014, onde reconheceu a alimentação vegana como saudável destacando alguns pontos para que se alcance uma dieta segura.

[dropshadowbox align=”none” effect=”horizontal-curve-bottom” width=”auto” height=”” background_color=”#ffffff” border_width=”1″ border_color=”#dddddd” ]“Por diversas razões, algumas pessoas optam por não consumir alimentos de origem animal, sendo assim denominadas vegetarianas. A restrição pode ser apenas com relação a carnes ou pode envolver também ovos e leite ou mesmo todos os alimentos de origem animal. Embora o consumo de carnes ou de outros alimentos de origem animal, como o de qualquer outro grupo de alimentos, não seja absolutamente imprescindível para uma alimentação saudável, a restrição de qualquer alimento obriga que se tenha maior atenção na escolha da combinação dos demais alimentos que farão parte da alimentação. Quanto mais restrições, maior a necessidade de atenção e, eventualmente, do acompanhamento por um nutricionista.” – página 84.[/dropshadowbox]

Denise Kanopf explora a culinária que não inclui alimentos de origem vegetal. Foto: arquivo pessoal

Para a culinarista e estudante de introdução à gastronomia, Denise Kanopf, que trabalha com alimentação vegana desde 2015, é perfeitamente possível ter saúde se alimentando exclusivamente de vegetais, inclusive proteínas. Denise monta cardápios unicamente veganos, para a produção ter o aporte necessário de cada alimento, Denise tem como principal fonte o médico nutrólogo, especialista em alimentação vegetariana Dr. Eric Slywitch, graduado pela faculdade de Medicina de Jundiaí, mestre em Ciências pela Unifesp, e atualmente diretor do Departamento de Medicina e Nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira, é responsável por estudos que norteiam Denise na elaboração das receitas que muitas vezes passam por adaptação. Kanopf destaca a importância de sempre estar estudando e aprendendo novas técnicas, para que os pratos desenvolvidos tenham o valor nutricional indicado para uma alimentação segura.

 A recomendação, de forma geral, segundo Denise é que o prato ou refeição seja composto por 50% de hortaliças (legumes e verduras, preferencialmente cruas ou cozidas, dar uma atenção especial às verde-escuras que contém cálcio), 25% de cereais/tubérculos (arroz, milho, mandioca, cenoura trigo – dar prioridade aos integrais e não aos refinados), e 25% de leguminosas, que são os feijões (e lentilha, ervilha, grão de bico e soja). Porém, Denise também destaca que o uso de vitamina B12 é necessário, pois mantendo o cardápio exclusivo que retira o consumo total carnes e seus derivados esse procedimento se faz fundamental.

Por Natalie Aires
Reportagem produzida para a disciplina de Jornalismo Científico

Doces veganos são simples de fazer
Doces veganos são simples de fazer. Foto: Mariana Olhaberriet/Laboratório de Fotografia e Memória

A vegana Denise Kanopf de Araujo oferece, em Santa Maria, oficinas de culinária que ajudam a divulgar e a desmitificar o veganismo. O objetivo é proporcionar ao participante conhecimento e habilidade necessárias para produzir a própria comida.

Denise, que cuida da fanpage Pé de Couve e estuda Serviço Social, ensina receitas veganas acessíveis. “Muitas pessoas ainda não conhecem ou acham que os alimentos são caros ou difíceis de fazer”, comenta.

Sobre a dinâmica da oficina, a estudante esclarece: “no início, fazemos um bate-papo para compartilhar experiências, dúvidas e dicas”. Depois são apresentadas receitas, como de hambúrguer de grão-de-bico, maionese vegana, pão de queijo e cookies. O momento seguinte é a produção do prato.

O público é variado, contemplando desde curiosos até vegetarianos e veganos sem prática na cozinha ou que querem aprofundar o conhecimento e a técnica.

O que diz a nutricionista

A nutricionista Deise Moura lembra que a culinária vegana é livre de alimentos de origem animal. “As proteínas, nutrientes essenciais para nossa estrutura e constituição corporal, de maior valor biológico estão presentes apenas em alimentos de origem animal. Não sou a favor de dietas restritivas de algum nutriente, pois uma alimentação saudável está baseada no equilíbrio entre todos os nutrientes”, pondera. Em relação às compensações, a nutricionista orienta que os veganos busquem alternativas e recomendações adequadas para não desenvolver déficit nutricional.

Ana Luiza Deike

para a disciplina de Jornalismo Digital 1

 

Fotos: Mariana Olhaberriet/Laboratório de Fotografia e Memória
Hamburguer feito com grão-de-bico leva maionese vegana.

Receita de maionese vegana

Ingredientes

5 colheres de sopa de ‏semente de girassol

250 ml de ‏água

250 ml de ó‏leo de girassol gelado

1 colher de sopa de suco de limão ou vinagre

‏Sal à gosto

1 dente ‏alho pequeno picado (opcional)

Temperos à gosto: salsinha, alecrim, orégano e açafrão

Modo de preparo

Deixe as sementes de girassol de molho em água por, pelo menos, uma hora, com água suficiente para cobri-las, com 1 colher de sopa de vinagre ou suco de limão. Quanto mais tempo puder deixar de molho, melhor (12 ou até 24hs). Descartar a água do molho.

Coloque no liquidificador a água, as sementes, o limão/vinagre, o sal e os temperos. Bata por 5 minutos. Desligue e prove. Ligue e coloque o óleo.

Guarde em geladeira meia hora antes de servir.