Câncer: é possível prevenir


Por Agência CentralSul de Notícias

 

Hábitos influenciam muito mais na incidência de um câncer do que os fatores genéticos, diz especialista. Foto: divulgação

Hábitos e falta de prevenção influenciam muito mais na incidência de um câncer do que os fatores genéticos, diz especialista. Foto: divulgação

A construção do conhecimento que temos, hoje, sobre o câncer é diferente de alguns anos atrás. Se antes a doença era vista como incurável ou até mesmo uma desgraça para o portador, atualmente, ainda que grave, ela é passível de cura. No entanto, a prevenção é a melhor alternativa para aqueles que não querem passar pelas etapas que os tratamentos de tumores exigem.

Diversos estudos apontam que a doença nos próximos anos poderia tornar-se uma epidemia, sobretudo na América Latina. Essa análise é refutada pelo médico e pesquisador oncológico, Dalnei Veiga Pereira, ao afirmar que a incidência do câncer não é catastrófica, mas salienta ser de suma importância que a população esteja ciente da necessidade de se prevenir, visto que tumores identificados em fase inicial apresentam uma alta chance de cura.

De acordo com Pereira, o câncer é a segunda enfermidade que mais registra óbitos no Brasil, atrás apenas das doenças decorrentes de problemas cardiovasculares. Essa circunstância está atrelada ao modo de vida da população. Desde os maus hábitos alimentares, o sedentarismo e até mesmo o estresse são considerados fatores que propiciam o aparecimento destas doenças. Sobre a alimentação, por exemplo, ele ilustra que o aparecimento de neoplasias no estômago pode estar associado à baixa ingestão de fibras, bem como ao consumo de embutidos. Estes são apenas alguns  hábitos nutricionais que corroboram para o desenvolvimento de células cancerígenas.

Existem inúmeras outras conjunturas que também são vilãs, como o tabagismo e a obesidade, duas questões que há um bom tempo são condenadas pela medicina e noticiadas pela mídia. O oncologista salienta que mesmo cuidando da alimentação e mantendo um estilo de vida saudável, é preciso buscar auxílio clínico regular, e  nada isenta a visita ao médico.

Outra questão pontuada pelo pesquisador é referente aos tumores específicos de cada gênero. Nas mulheres, os carcinogêneses de maiores incidências são os de mama, colo de útero e ovário, este último assinalado como um exemplo de “prevenção extremamente difícil”, alerta Pereira. Segundo ele, isso ocorre porque quando a doença é diagnosticada, geralmente ela já está em uma fase de difícil controle.

Exames preventivos podem detectar tumores em fase inicial, o que possibilita grandes chances de cura. Foto: Divulgação

Exames preventivos podem detectar tumores em fase inicial, o que aumenta as chances de cura. Foto: Divulgação

O médico esclarece o procedimento utilizado para detectar uma neoplasia no ovário: “Nós temos marcadores que nos permite dizer se o paciente tem ou não a doença, e a nossa esperança é que estes marcadores tornem-se cada vez mais específicos e que nós tenhamos a possibilidade de descobrir outros marcadores que possam nos dar precocidade no diagnóstico. Desse modo, haveria a possibilidade de investir em tratamentos mais satisfatórios”, acrescenta o médico.

Diferente do câncer de mama e do colo do útero em que “mortandade nesses casos cai drasticamente, porque em determinadas circunstâncias ele pode ser curável. A prevenção tem uma efetividade muito grande, não permitindo que esta doença tenha uma progressão levando a morte do paciente”, esclarece Pereira.

Já no sexo masculino, o câncer de próstata é o que aparece com mais frequência. Da mesma forma, a vigília é o método indicado para constatar tanto o surgimento de um tumor como alterações inflamatórias do local.

O médico descreve como era feito o procedimento preventivo, e como ele evoluiu e tornou-se eficiente: “antigamente o câncer de próstata poderia ser detectado a partir de níveis elevados de fosfatase alcalina e fosfatese ácida, mas, quando constatado a doença já se encontrava avançada e não permitia que acrescentássemos grandes vantagens de sobrevivência ou cura da doença. Posteriormente, foi descrito o antígeno prostático específico, este está presente na célula tumoral e pode precocemente ter níveis suficientes para a suspeita do tumor ainda numa fase inicial”, concluiu Pereira. Após a confirmação do tumor, medidas terapêuticas e cirúrgicas permitem que o paciente obtenha uma cura da doença.

Denomina-se câncer o conjunto de centenas de tipos diferentes da doença que têm em comum o crescimento de forma desordenada de células anormais. Sua origem está ligada a uma multiplicidade de fatores causais – que podem agir em conjunto ou em sequência, para iniciar ou promover o carcinogênese (câncer).

De pai para filho?

Ao contrário das colocações do senso comum que associa a conflagração da enfermidade com a genética, Dalnei Pereira é enfático ao discorrer que esta relação não é elevada. Ele alerta que há determinadas famílias que tem uma alteração genética, nesses casos os descendentes desenvolvem câncer por uma alteração genética intrínseca.

O especialista argumenta esta presunção através de dois casos:

– Câncer de mama: os defeitos genéticos BRCA1, BRCA2, são genes que podem ser transmitidos de mãe para filha. Logo, em determinadas circunstâncias a probabilidade do desenvolvimento de tumor pode alcançar de 80% a 100%. São nestes casos em que a realização da mastectomia bilateral (retirada das duas mamas) é frequente, já que a paciente é portadora do defeito genético.

– Tumores intestinais:uma anormalidade chamada de polipose familiar também tem uma transmissibilidade de pai para filho. Todo o indivíduo diagnosticado com polipose familiar tem uma probabilidade de ter pólipos que sofrerão uma transformação maligna. Portanto, sistematicamente precisam fazer exames do cólon ou até a retirada do próprio cólon, tamanha a incidência do câncer.

Fora os casos específicos, os cientistas têm demonstrado que essa possibilidade gira em torno de15%. Essa porcentagem aparece em uma pesquisa divulgada no periódico americano The New England Journal of Medicine. De acordo com a publicação, a pesquisa avaliou os dados genéticos dos pais biológicos de mais de mil crianças adotadas e constatou que os genes herdados de pai ou mãe natural mortos de câncer antes dos 50 anos não influencia tanto o risco de desenvolver o mal. Em contrapartida, o falecimento de um pai adotivo (que transfere seu estilo de vida, mas não os genes) em razão de um tumor multiplica por cinco a probabilidade de o filho submeter-se ao mesmo problema.

Esta analise é mais uma evidência de que o câncer pode ser evitado a partir das práticas cotidianas. O brasileiro precisa desenraizar a busca pelo médico quando aparecem os sintomas. A cura do câncer é uma probabilidade, já a certeza do não desenvolvimento da doença ainda é a prevenção.

Por Carina Carvalho.
Reportagem produzida para a disciplina de  Jornalismo Especializado II. 

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