Flores e áreas verdes são questões de infraestrutura municipal


Por Agência CentralSul de Notícias

 

A estudante Caroline Welter, 20 anos, sempre mantém no seu apartamento um pequeno jardim de temperos e flores, mas esse hábito não tem a ver somente com a beleza das plantas. Caroline é cuidadosa no cultivo, adora se dedicar  e conta que sempre cuida e mexe a terra quando necessário, atentando para diferenças entre as espécies e a quantidade de água que cada uma deve receber. Para Caroline, o contato com a natureza, mesmo que restrito à sacada do apartamento, é fundamental para seu cotidiano.

Já o professor José Renato Ferraz da Silveira, 35 anos, foi desde criança incentivado pelos pais a amar os animais e as plantas. Ele sempre ajudava a mãe a regar e cuidar das mesmas. “Agora que vivo sozinho em Santa Maria, gosto de comprar flores para decorar o apartamento, atrair boas vibrações e afastar más energias. Elas me transmitem muita serenidade”, comenta.

Plantas no ambientes domésticos

Para a arquiteta Adriana Pereira Santana, 39 anos, mesmo em ambientes internos é melhor optar por plantas nativas, que adaptam-se melhor ao clima, para só depois serem desenvolvidos outros conceitos mais estéticos, como volume, texturas, cores. É necessário avaliar nos projetos, também, questões que envolvem os cuidados com a planta, como ventilação, a quantidade de luz que deve receber e etc.

“As plantas podem ser utilizadas, além da ornamentação, como recursos para amenizar insolação ou propagação de luz”, sugere Adriana. Mas isso, no entanto, nem sempre é fácil. Dependendo do tamanho da planta e de suas necessidades, é necessário levar em conta questões técnicas e avaliar se as edificações estão preparadas para o cultivo.

Além disso, é necessária atenção redobrada para os espaços onde serão utilizadas. Adriana explica que não é recomendável o uso de plantas na ornamentação de quartos, justamente por ser um ambiente que fica fechado enquanto as plantas fazem trocas de ar durante a noite. Isso pode prejudicar a qualidade do ar durante o sono. Quem tem crianças ou bichos de estimação em casa também deve estar atento ao acesso a determinados tipos de plantas, que podem ser tóxicas ou conter espinhos, por exemplo.

ALGUMAS FLORES PARA CULTIVAR EM CASA

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As fotos são colaboração de Carlos Donaduzzi

INFRAESTRUTURA URBANA

O paisagismo vai muito além dos espaços de convivência em condomínios e na ornamentação de casas e apartamentos. Para a arquiteta Adriana, ele faz parte do esquema da ambientação urbana, não se delimitando a questão do embelezamento dos espaços da cidade. A vegetação no espaço urbano traz diversos benefícios, como controle térmico e até mesmo barreiras acústicas. “É possível criar microclimas em regiões somente com vegetação”, comenta. Segundo a arquiteta, pensar a vegetação e o paisagismo também deveriam ser considerados uma questão de infraestrutura.

O que se vê, no entanto, são que os índices de aproveitamento máximo do terreno acabam não privilegiando essa dimensão da habitação, aponta a arquiteta. Um terreno que antes abrigava uma casa e atendia a uma família costuma ser substituído por prédios que passam a abrigar diversas famílias.

Ainda que existam praças e parques na cidade de Santa Maria, espaços como o Parque Itaimbé não são suficientes para desempenhar um papel climático na região central da cidade, onde dominam essas edificações.

ÁREAS VERDES EM SANTA MARIA

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Principais espaços verdes de convivência na área central de Santa Maria. Mapeamento desenvolvido com auxílio do Google Maps.

Para o professor José Silveira, o espaço urbano em Santa Maria é carente em sua relação com a natureza. “Construímos cada vez mais espaços cinzentos e frios. Poucas árvores, poucos parques e praças com flores. Acredito que é um momento importante de repensar o espaço urbano tanto no que tange a mobilidade quantos às áreas de lazer e de convivência”, conta.

Por outro lado, a estudante Caroline Welter considera os espaços bem pensados, os quais fazem muito bem para a qualidade da região onde mora. “Moro perto do Parque da Medianeira, e é ótimo ficar lá”, comenta. Caroline conta que antes de morar em Santa Maria, quando morava no Rio de Janeiro, não tinha esse hábito, pois apesar de existirem parques grandes, como o Parque Lage e o Jardim Botânico, eles eram bem distantes dos espaços urbanos e áreas de convivência.

A identificação da comunidade com os projetos urbanos é um dos aspectos salientados pela arquiteta. “Muitas vezes são soluções simples ao invés de obras complexas”, aponta. As necessidades dos moradores têm que ser valorizadas, o que faz com que seja necessário, muitas vezes, zonear as cidades, de acordo com regiões, perfil dos moradores, etc. “Não adianta ter um grande parque na cidade se ele for distante e de difícil acesso, não atenderia toda população”, conclui Adriana.

Por Ana Luiza Vedovato, para a disciplina de Jornalismo Online

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