Por que tomar a vacina contra o HPV?


Por Luisa Neves

 

O Brasil decretou guerra contra o HPV (papilomavirus humano), vírus que causa o câncer de colo de útero e que mata 4.800 mulheres por ano no país. O HPV é comum em jovens sexualmente ativos e, embora infecte ambos os sexos, é nas mulheres que ele causa danos mais frequentes.

Além do uso de preservativo durante a relação sexual, uma das maneiras de prevenir a doença é a vacinação. Neste ano, o Ministério da Saúde disponibilizou vacina gratuita para meninas ente 9 e 11 anos, já que nesta faixa etária a resposta imunológica é mais eficaz. Na rede pública de saúde de Santa Maria, a campanha teve início no dia 9 de março nas unidades básicas de saúde e nas escolas.

Segundo o portal da saúde do SUS, em um mês, 3,4 milhões de meninas foram vacinadas.

Para realizar a vacinação, é necessário a autorização dos pais e gerou polêmica na hora dos responsáveis autorizarem as filhas a tomarem a vacina. A principal preocupação dos pais são as possíveis reações da vacina no organismo das meninas.

A ginecologista Marilurdes Giliani enfatiza que a vacina é considerada segura pela OMS (Organização Mundial da Saúde), pelo Ministério da Saúde e em todos os países onde foram aplicadas. “A maioria das reações foi leve, como dor no local da aplicação, dor muscular, febre moderada e desmaio”, explica.

A Austrália foi o primeiro país a vacinar na rede pública, a partir da imunização nas escolas. “Os desmaios são decorrentes devido ao ambiente escolar, já que as meninas são vacinadas ao mesmo tempo e a maioria tem medo de injeção. Uma vai influenciando a outra”, comenta Marilurdes.

O combate ao vírus HPV também foi tema de debate na disciplina Telejornalismo II. Na ocasião, enfermeira, um pai de menina em idade de vacina e a vice-diretora de uma escola municipal conversaram e tiraram dúvidas a respeito.

A vacina contra o HPV foi tema de debate na disciplina Telejornalismo II. Foto: Otávio Brasiliense

A vacina contra o HPV foi tema de debate na disciplina Telejornalismo II. Foto: Otávio Brasiliense

“A vacina deve ser feita em local adequado, onde as meninas estejam sentadas e fiquem 15 minutos em observação depois de receberem a dose”, recomenda Liana Moro, enfermeira chefe do posto de saúde de Faxinal do Soturno. No posto em que Liana trabalha, as pacientes vacinadas contra o papilomavirus são avaliadas por especialistas e em todos os casos foram descartadas lesões permanentes.

Mãe de duas meninas em idade de vacinação, a bacharel em Direito Ana Carolina Goldani autorizou as filhas a receberam a dose na escola depois que consultou um pediatra e um ginecologista. “Como toda mãe tive receio em submeter minhas filhas à vacina. Minha preocupação era com os riscos depois que vi alguns depoimentos negativos na internet”, conta. Ana ressalta que o único aspecto negativo que vivenciou foi o choro das meninas por medo de injeção.

O Ministério da Saúde quer que a imunização contra o HPV seja rotina em todas as salas de vacina até 2016.  O câncer do colo de útero, causado pelo papilomavirus, atinge de 4 a 5 mil mulheres no Brasil por ano. “A vacina é uma ferramenta preventiva primária do câncer, com suas complicações e morte. Não há como ignorá-la”, ressalta a enfermeira Liana, que deu as três doses à filha, hoje adulta, quando nem existia a campanha.

Todas as vacinas podem causar reações

A vacina contra o HPV, como todas as outras imunizações, é passível de causar reações. Neste caso, as reações são moderadas e relacionadas com o medo. “Todo medicamento pode causar efeito colateral. É só ler a bula. Não é diferente com as vacinas”, lembra a ginecologista Marilurdes.

O HPV pode ser prevenido de três formas: uso do preservativo na relação sexual, exame preventivo e vacina, que protege 70% do colo do útero. O principal objetivo da vacina contra o HPV é proteger as meninas antes de elas terem contato com o vírus. Além disso, entre 9 e 13 anos a resposta imunológica da mulher é maior do que dos 20 anos em diante. “Essa vacina é uma oportunidade ímpar para as adolescentes se prevenirem. Ela pode salvar muitas vidas”, insiste Liana.

Vale lembrar que a vacina contra o HPV não substitui exames periódicos e o uso de preservativo nas relações sexuais. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) prevê o surgimento de 15 mil novos casos e cerca de 4,8 mil óbitos, em decorrência da doença, apenas neste ano.

Por Luisa Neves

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