Comer fora ou fazer a própria refeição?


Por Multijor

 

Gráfico: Lucas Cirolini

Gráfico: Lucas Cirolini

Santa Maria é uma cidade universitária que, a cada ano, recebe centenas de novos moradores. São estudantes que para fazer faculdade deixam a família e os amigos e vem a Santa Maria viver uma nova experiência, longe do conforto de suas casas.

Com a crise econômica, que se agravou nos últimos dois anos, as pessoas têm mudado os hábitos alimentares. Famílias que costumavam comer fora com frequência, agora optam por fazer suas refeições em casa. Mas, para esses jovens que estão sem a família e moram sozinhos, qual a melhor opção? Qual a alternativa mais barata?

Vanessa Basso, estudante de Direito, prefere fazer a sua comida em casa. Ela gasta em torno de R$ 8,75 por dia para uma refeição básica, contando os gastos com temperos e o consumo de gás. No prato, vai arroz, feijão, carne e salada “o tempo gasto cozinhando, para mim, não é um problema, já que não moro muito perto de restaurantes”.

Já o tempo é um dos motivos que levam a estudante de psicologia Tatiane Reis a comer fora. Para ela, fazer as refeições em restaurantes é bem mais prático, pois, além de estudar, ela trabalha e não tem tempo para cozinhar. Sua refeição é basicamente a mesma da estudante de Direito (arroz, feijão, uma carne e saladas) e o valor gasto por dia é de cerca de R$ 9,40. 

Analisando os valores, Vanessa gasta R$0,75 a menos; uma diferença pequena. Mas será que ao fim do mês isso impacta no custo de vida? O professor Alexandre Reis, do curso de Economia do Centro Universitário Franciscano e coordenador da Clínica de Finanças da instituição, afirma que é necessário fazer um tripé de planejamento: econômico, nutricional e de domicílio. O economista diz que fazer um teste prático é uma boa opção na hora de analisar as contas. Para ele, quem vive sozinho, deve experimentar, durante trinta dias, comer em restaurantes e, no outro mês, fazer seu alimento em casa. Só assim, será possível concluir o que foi mais caro. O especialista ainda ressalta: “devido à crise econômica, os produtos industrializados tiveram um aumento significativo de preço. E para os estudantes que vivem sem suas famílias, o ideal seria que os mercados oferecessem porções menores e individualizadas para que o alimento não vença, nem estrague. Por isso, quem opta por cozinhar deve ter um planejamento sobre os gastos muito maior, ainda mais para poupar sem deixar de lado os alimentos saudáveis que são muito importantes, como frutas, legumes e verduras, os quais também são mais caros”.

Imagem: Lucas Cirolini

Imagem: Lucas Cirolini

Do ponto de vista do economista, o indicado para quem mora sozinho acaba sendo comer em buffets a quilo. Apesar de algumas vezes o valor ser um pouco maior, a ideia é que, escolhendo esse caminho, a pessoa economize tempo e possa se dedicar mais aos estudos.  Além disso, essa alternativa evita desperdícios e gastos com energia, gás e água (inclusive para a limpeza da louça). Mas Alexandre ressalta que essa opção é para quem mora sozinho. “No contexto familiar, comer por quilo não é favorável, principalmente quando se inclui crianças, que tendem a comer pouco e a deixar restos no prato. Então é outro tipo de planejamento”, observa.

Em casa ou na rua, o verbo é planejar e isso não é tão simples, segundo o professor. Portanto, é importante que as famílias trabalhem desde cedo, nas crianças e jovens, noções de economia doméstica, ensinando o valor do trabalho e do dinheiro que se recebe. Como finaliza Reis, “quanto mais cedo os jovens entendam isso, menos dificuldades terão para se adaptar depois”. O economista ainda brinca “assim como se organizam bem para as festas, devem se organizar financeiramente de forma correta para não gastar mais do que a renda”.

Por Ana Luiza Deicke e Bruna Bianchin para o Jornal Abra

 

 

Sobre o autor:

Multijor

Multijor é o Laboratório de Jornalismo Multimídia do Curso de Jornalismo da Unifra. O laboratório é responsável pela produção de conteúdos digitais e pela gestão de mídias sociais.

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