Três faces do jornalismo no Colóquio Narrativas Audiovisuais e Informação


Por Bibiana Campos

 

Laura Capriglione, Eliza Capai, Marcelo Canellas e Neli Mombelli. (Foto: Juliano Dutra / LABFEM – Laboratório de Fotografia e Memória)

Três faces do jornalismo estiveram no palco do Theatro Treze de Maio para o Colóquio “Narrativas Audiovisuais e Informação”, na última quinta-feira (11). Em bate-papo mediado pela professora Neli Mombelli, os jornalistas Laura Capriglione (Jornalistas Livres), Eliza Capai (jornalista e cineasta) e Marcelo Canellas (TV Globo) debateram, durante uma hora, sobre seus trabalhos para a plateia lotada de futuros comunicadores que pretendem, de forma ou outra, mudar o mundo assim como eles fazem todos os dias.

Canellas, repórter especial do Fantástico, iniciou sua fala apresentando uma reportagem que foi ao ar em março deste ano, sobre um caso de adoção ilegal em Londrina, PR. A Justiça do Paraná proibiu a Rede Globo de revelar a identidade da criança bem como da família, ou mostrar a sentença. Por conta da reportagem, a 4ª Promotoria de Justiça de Londrina iniciou investigação por conta da conduta do juiz no processo de adoção do menino pela família acolhedora. Como estavam impedidos de mostrar a sentença por estar em segredo de justiça, Canellas a reescreveu e apresentou o resultado para a juíza Isabele Noronha, avisando que seu bloqueio por liminar feria a liberdade de expressão.

Eliza Capai, jornalista e cineasta, falou sobre a situação de imigração feminina da América Central para os Estados Unidos, explicando que a ideia original, “mulheres em momento de crise que saem andando” como se refere a diretora sobre o instante em que decidiu pegar a estrada, surgiu de um momento de coração partido e tornou-se uma série para a revista Fórum sobre imigração de mulheres na América Central. Foram nove meses viajando entre Nova York e Panamá e contando história de mulheres que conhecia pelo caminho. Em todas suas narrativas, a mulher tem uma força grandiosa, e Eliza mantém-se humana nos relatos. “O que quero é trazer o máximo de elementos e empatia à história”, diz a documentarista.

Laura Capriglione atualmente é integrante do Jornalistas Livres e estava na Folha de São Paulo em maio de 2006, durante os ataques do PCC (Primeiro Comando da Capital). Foram mais de 500 assassinatos em 10 dias na capital paulista. No meio de tanto caos, seu editor na época, decidiu dar uma página para “cada lado da história” e, numa tentativa de “amenizar o que estava acontecendo, começamos a publicar números”. Também participou da cobertura das ocupações na região central de São Paulo para o GGN, em junho de 2015. Laura comentou, também, que “o tratamento geral da imprensa tem tendência a desumanizar”, contente de que seu trabalho traz voz a muitas pessoas que não eram ouvidas. A jornalista também desacredita que o jornalismo esteja em crise. “Pelo contrário, existe crise, sim – nos veículos de comunicação”.

O trio respondeu dois blocos de perguntas do público após uma hora dedicada a apresentação de suas narrativas, e atendeu os futuros colegas de profissão que os tem como inspiração para um jornalismo melhor a cada dia.

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