Doenças crônicas estão associadas à má alimentação


Por Lilian Streb

 

Lanches rápidos são uma alternativa nem sempre saudável. Foto: Lilian Streb

A correria do dia a dia e a falta de tempo tem aumentado o número de pessoas que se alimentam fora de casa. Os alimentos pouco nutritivos, como os fast-foods e outros lanches rápidos, acabam sendo grandes atrativos para quem costuma se alimentar longe da própria cozinha. Com esses novos padrões alimentares e também o sedentarismo que anda junto à falta de tempo de praticar exercícios físicos, muitas pessoas acabam adquirindo sérios problemas de saúde. Mas, será que a alimentação fora de casa (ou má alimentação) pode trazer riscos?  A verdade é que uma alimentação inapropriada pode causar a médio e longo prazo, doenças crônicas, e um grande desequilíbrio no corpo do ser humano, deixando-o mais vulnerável a elas. Algumas das principais doenças decorrentes da má alimentação na atualidade são a obesidade e a hipertensão.

Segundo o Ministério da Saúde, a obesidade no Brasil aumentou em 60% nos últimos dez anos. Profissionais da área da saúde, como clínicos gerais e nutricionistas, associam essa problemática com a escolha errada dos alimentos ingeridos. Os grandes causadores de doenças como obesidade e hipertensão são os alimentos industrializados. Esses vilões podem contribuir até mesmo para o desenvolvimento de um câncer.    Para o clínico geral Fernando Ribas, a relação da má alimentação e o risco de desenvolver um câncer é muito ampla. ‘’A gama dos tipos de câncer é muito grande e a correlação de cada qual com seus diversos fatores de risco muito específica, sendo assim é difícil de generalizar. Mas é claro que uma dieta variada e natural sempre tem seus fatores protetores nas diversas doenças e também na diminuição do risco de desenvolvimento dos diversos tipos de cânceres’’, pondera.   

Feira da Economia Solidária reúne adeptos da alimentação saudável

Para os nutricionistas e os médicos, uma boa alimentação deve ser o mais natural possível. Para isso é preciso ficar longe dos rótulos, embalagens, conservantes e aditivos. Os alimentos industrializados, como doces, refrigerantes e, principalmente, o sal de cozinha, contém grande quantidade de sódio. A ingestão adequada de sal é de 2-3 g de sal por dia, e a recomendação segue sendo o controle da ingestão de sal por paciente hipertensos, dentro dos limites preconizados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. E ao se considerar que a conservação dos alimentos industrializados se dá através do sódio, pode-se perceber os malefícios que ele pode trazer para a saúde, se ingerido de maneira excessiva.

 A nutricionista Cassiana Della Pace, 25, afirma que as pessoas adquirem essas doenças por comerem errado e em exagero. ‘’Foi criada uma sensação de liberdade cultural, onde tudo eu posso. Então, comer menos remete ao fato de se privar, de não ser livre e, por isso, acabam comendo tudo e ainda colocando sentimento na comida. A comida não é inimiga, mas a falta de controle, sim! Não é preciso tratar a comida como refúgio, ela é apenas sobrevivência e nada mais’’, afirma Cassiana.

Obesidade, hipertensão e diabetes

 Um dos fatores que levam ao aumento dos índices de hipertensão e diabetes é o crescimento da obesidade, que também anda ao lado da má alimentação. Uma leva à outra ao não se tomar consciência de que todo alimento ingerido irá refletir no corpo. A recomendação é a de que portadores de diabetes evitem a ingestão de doces, açucares, farinhas brancas e todos os alimentos que não são integrais.

Uma alimentação balanceada é auxiliar no tratamento do câncer em crianças e adultos. Foto: Laboratório de fotografia e memória.

Conforme o sistema de vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico, a VIGITEL que faz parte das ações do Ministério da Saúde para estruturar a vigilância de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no país, em uma década, doenças crônicas tiveram um aumento preocupante, sendo de 61,8% para casos de diabetes e 14,2% para hipertensão. Mais da metade da população está com peso acima do recomendado e a obesidade atinge 18,9% dos brasileiros. A obesidade, que é mais prevalente em homens, cresceu 60% em 10 anos, junto com o número de pessoas hipertensas que também cresceu 25%.

 A hipertensão, que é o aumento dos valores de pressão arterial de forma sustentada, pode ser prevenida através de dieta, consumo moderado de sal, baixo consumo de álcool e exercícios físicos regulares. Conforme o clínico geral Fernando Ribas, a hipertensão arterial e o diabetes são as doenças que mais crescem no mundo em função das mudanças dos hábitos de vida da população, do sedentarismo e da má alimentação.  ‘’A falta de acompanhamento e tratamento da doença pode desencadear problemas vasculares, insuficiência cardíaca e insuficiência renal’’, afirma o médico.

A diabetes é outra doença que cresce desenfreadamente em função das mudanças nos hábitos de vida da população, bem como a má alimentação aliada a falta de exercícios físicos. Obeso é toda e qualquer pessoa que obtiver índice de massa corpórea maior ou igual a 30kg/m2, o que é um fator de risco importante para o desenvolvimento de doenças como a hipertensão arterial, diabetes, insuficiência cardíaca e distúrbios vasculares periféricos.

Conforme o caderno da Atenção Básica do Ministério da Saúde, a prevalência esperada por pessoas hipertensas é de 22% da população acima de 18 anos. Para evitar adquirir problemas sérios de saúde ao longo do tempo, é preciso planejar e obter bons hábitos alimentares, aproveitar as refeições para escolher alimentos saudáveis variados, como verduras, saladas e legumes e é claro – sempre comer com moderação.

Reportagem produzida na disciplina de Jornalismo Científico

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