Elas sim, ele não: a revolução das mulheres nas ruas


Por Arcéli Ramos

 

Concentração tomou conta da Avenida Rio Branco em Santa Maria.

No último sábado, 29 de setembro, o movimento de “Mulheres Unidas Contra Bolsonaro” tomou as ruas para mostrar a potência da organização feminina. Depois sofrer ataques cibernéticos, agressão e tentativa de silenciamento por parte da oposição, os protestos mostraram que não há como calar a voz das quase 3 milhões de mulheres, organizadas em um grupo no Facebook. Elas (nós) foram para a rua e não estavam sozinhas. Mulheres e homens, cis gêneros e transgêneros. Idosos, adultos, jovens, crianças e bebês, alguns ainda dentro da barriga. Pessoas das mais diferentes etnias, orientação sexual, crenças, partidos políticos e classe social. Uma pluralidade de vidas, histórias e seres que ultrapassa qualquer estereótipo criado na tentativa de deslegitimar a luta.

Foram centenas de milhares de pessoas reunidas em atos por todo o Brasil e no exterior.  Das grandes as pequenas cidades. De Erechim a Paraty, Frankfurt à Balneário Camboriú, Ilhéus a São Paulo. Segundo a Mídia Ninja, que organizou uma rede de cobertura colaborativa, as manifestações foram realizadas em mais de 250 cidades, 27 estados e dezenas de países.

O calor forte do sábado não dispersou a multidão. Fotos: Daniel Z. Guterres ( cedidas)

Em Santa Maria não poderia ter sido diferente. A organização estima que 7 mil pessoas participaram do ato que teve concentração de três horas na Praça Saldanha Marinho, região central da cidade, e seguiu em marcha por algumas das principais ruas do entorno. Ao som do Bloco TPM, sigla de Te Permite Mulher, os manifestantes seguiram por mais de uma hora pedindo #EleNão, hashtag que ganhou e deu força ao movimento.

Em meio à multidão, muitos comparavam a força do ato às Jornadas de Junho de 2013. O dia 29 de setembro tornou-se um dia histórico que representa a força das mulheres, considerando que o movimento se organizou a partir da mobilização feminina nas redes sociais. Mas os protestos estão longe de representar um desfecho. Não há desenlace para movimentos sociais, há somente a renovação das lutas e resistência pela permanência de direitos. Enquanto todas as pessoas não tiverem suas vidas respeitas e garantidas, a luta continua. E para nós, mulheres, a vigilância é cotidiana e persistirá, como tem sido ao longo da história.

Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilantes durante toda a sua vida”, Simone de Beauvoir.

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