Redes sociais: vilãs ou mocinhas?


Por Lavignea Witt

 

Quando surgiu, em meados dos anos 90, a internet revolucionou a forma de comunicação entre as pessoas. Com o aprimoramento dessa ferramenta tecnológica de informação e para facilitar ainda mais a conexão entre usuários, em 1995 surgiram as redes sociais. Já nos anos 2000, as redes sociais começaram a ser conhecidas como “sites de relacionamento”, onde visavam a conexão entre pessoas que tinham interesse em se relacionar virtualmente. Hoje, as redes sociais servem para manter uma estrutura relacional seja a partir de pessoas, empresas ou qualquer tipo de serviço. Assim, as redes tem a função de ser uma ligação social e de conexão entre pessoas. 

As redes sociais estão cada vez mais presentes em todo o mundo, e no Brasil isso não é diferente. Cerca de 66% — 140 milhões de pessoas — da população brasileira pertence à esse mundo virtual. Entre as mais utilizadas estão Instagram, Facebook, Youtube e Twitter. O Relatório Digital In 2019, feito pela We Are Social em parceria com a Hootsuite, aponta que a rede social com mais usuários ativos no país é o Facebook, com cerca de 2,271 milhões de pessoas.

As redes sociais mais utilizadas e a porcentagem de internautas que utilizam cada plataforma. Fonte: We Are Social 2019.

Vida real X Vida virtual

As redes sociais já viraram “acessórios” das pessoas, visto que hoje servem para muitas coisas além de conectar uns aos outros. O principal uso é como de fonte de informação, não apenas a partir de meios de comunicação, mas também via perfis de pessoas famosas. Uma rede social é como um amplo espaço que reúne pessoas com ideias, gostos e opiniões diferentes e, com isso, há a ação de ser “influenciado digitalmente”. Vive-se em um momento em que conceitos como “vida real” e “vida virtual” se misturam quase que por completo. 

Segundo a psicóloga Carla Storck, o perigo se encontra em conteúdos que não passam por algum filtro próprio do que é certo ou errado. “O que antes uma pessoa pensava, fazia ou acreditava ser certo, pode ser escanteado sem pensar duas vezes, tomando aquilo que aquela pessoa importante – como um influenciador digital – disse como verdade. Se um conteúdo vai trazer benefícios ou malefícios para alguém, vai depender do que é passado e como é passado por quem produz, e também como a pessoa que recebe esses conteúdos vai lidar com o que leu/ouviu”, ressalta Carla. 

Usuários em redes sociais crescem a cada ano. Foto: Denzel Valiente/LABFEM

Se de um lado o uso das redes sociais é importante para estreitar relações, por outro é responsável pela criação de diversas síndromes. Segundo dados disponibilizados pelo site TechTudo, 41% dos jovens brasileiros sentem sintomas como tristeza, ansiedade ou depressão ao usarem as redes sociais. Os números são do Indicador de Confiança Digital (ICD) (2019), levantamento contínuo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) que avalia as perspectivas dos brasileiros em relação à tecnologia. 

A estudante de Radiologia da UFN, Marianne Menezes, 18 anos, que utiliza as redes sociais desde os 10 anos de idade, conta que é bem seletiva quanto a conteúdos publicados na internet. “Procuro me deixar influenciar por aquilo que acho que irá acrescentar. Acredito que, se não for visto com cautela, o conteúdo pode ser prejudicial àqueles que se deixam influenciar em qualquer âmbito. Por vezes se vê influencers ditando padrões e “apoiando” uma vida não real. Deve ser visto com cuidado aquilo que vale ou não a pena se “deixar influenciar””, relata. 

O contraponto da comunidade virtual

Mas nem tudo são más notícias. Há possibilidade de criar e compartilhar informação, expor opiniões, criar movimentos sociais, de forma que não ofenda as individualidades e subjetividade de cada um. A psicóloga Ana Luiza Toniazzo comenta sobre a internet estar abrindo muitas portas para o acesso a novas fontes de informações, o que pode ter facilitado a muitas pessoas se aproximarem de certos conteúdos de seu interesse. “Nem sempre todos têm recursos financeiros para pagar por certas informações. Nesse sentido tem-se, por exemplo, pessoas que produzem e divulgam tutoriais ou cursos, conteúdos educativos, conteúdos relacionados à saúde e bem-estar, dentre outras informações que circulam nesse meio e que podem ajudar muitas pessoas que não têm acesso a isso de outras formas”, explica a psicóloga. 

Há influenciadores digitais que divulgam conteúdos sobre ideias e gostos que não são como uma verdade única. É a disseminação de opiniões, priorizando a liberdade que o público tem e quebrando padrões já impostos nas redes sociais. É o caso da digital influencer Tayla Francine, 19 anos. Tayla conta que começou no ramo em 2016, quando ainda fazia vídeos para o Youtube. Em 2018 ela migrou para o Instagram, e hoje oferece dicas sobre maquiagens, cabelo, moda, voltadas mais para o público feminino. Segundo ela, a prioridade é trazer dicas com bom custo benefício, para que todos os seus seguidores possam usar ou fazer. Para ela, o maior incentivo é trazer conteúdos que possam ajudar as pessoas que possuem interesse nesses assuntos, colaborando no crescimento do bem estar físico e mental dos seus seguidores. 

Tayla usa o Instagram como Digital Influencer desde 2018 e possui quase 2.700 seguidores.

A responsabilidade para avaliar o quanto se conhece sobre determinado assunto, para repassar a outras pessoas que acompanham o conteúdo, é um ponto importante citado pela Ana Luiza Toniazzo. Segundo ela, muitas pessoas não possuem propriedade suficiente para falar sobre determinados assuntos, divulgando muitas vezes informações errôneas. “O trabalho dos influenciadores digitais é bom até o ponto em que leva informações genuínas e de forma responsável a quem os acompanha”, esclarece a psicóloga. 

Dicas para fazer bom uso das redes sociais

É inegável o crescimento das redes sociais no âmbito digital. Podem ser usadas de forma benéfica, para facilitar a comunicação entre usuários, assim como seu uso excessivo pode desencadear síndromes como ansiedade e depressão. Com isso, a psicóloga Luciana Ruffo, do Núcleo em Pesquisa em Psicologia e Informática da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (NPPI-PUC/SP), criou recomendações para o bom uso das redes sociais:

Monitore seu uso de rede sociais

Observe quando e com que frequência você acessa as redes sociais; entenda quanto elas tomam do seu tempo e como afetam sua vida pessoal.

Preste atenção nos alertas dos amigos

Ouça quando pessoas ao seu redor – sejam amigos ou familiares – te dizem que você dedica mais tempo às interações digitais que às interações reais.

Observe suas mudanças de humor

Note o seu estado emocional antes, durante e depois de usar suas redes sociais; elas geram bem-estar ou são gatilhos para angústia e ansiedade?

Lembre-se: nas redes, a realidade é editada

Entenda que todas as postagens são recortes – geralmente positivos – das vidas das pessoas e que, por isso, não faz sentido fazer comparações.

Evite se expor e se poupe de discussões

Atente sobre o quanto você expõe a sua vida online; se você não quer ouvir opiniões ou comentários, evite postagens que deem margem a isso.

 

Texto produzido na disciplina de Jornalismo III, no 2º semestre de 2019 e supervisionado pela professora Glaíse Palma.

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