O gelo e a janela embaçada


Por Agência CentralSul de Notícias

 

Ontem ao sair pela manhã, os campos e os telhados das casas estavam cobertos com uma fina camada branca de gelo. Dos bueiros das ruas saiam vapor, que pareciam os do chuveiro, quando a água está muito quente.

Ainda não havia nascido o sol, mas no céu estava começando a aparecer os primeiros sinais do amanhecer. Tinha poucas nuvens e a cor laranja misturado com um amarelo ouro dava um tom especial e brilhante ao despertar do dia. Essa mistura de cores com o gelo fino e branco, me remeteu a um tempo, lá pelos anos 80, onde essa mistura de cores me fez pensar nas sensações, sentimentos e lembranças da infância.

 Lembro que as manhãs eram assim: Acordava, e o sol que entrava pela janela que tinha uma cortina de renda, toda trabalhada com detalhes de pequenas rosas, refletia no chão da sala, formando um tapete florido de luz. Ali naquele sofá logo abaixo da janela, ficava olhando desenhos animados, coberta com uma colcha que chamávamos de acolchoado, era pesado e quente.

Nessa época o tempo parecia que passava mais lento! O cheiro de café passado irradiava por toda a casa. Era um cheiro de aconchego, quente e doce. O aroma de pão quentinho saído há pouco do forno, entrava pela fresta da porta da cozinha, que ficava ao lado da padaria, espalhava pela casa inteira. Esse era o cheiro da manhã!

Os vidros ficavam embaçados, era aconchegante lá dentro da casa. Ainda era cedo, os passarinhos cantavam lá fora. Quando já estavam terminando os desenhos animados, o sol entrava em toda a sala, aquecendo. Era hora de brincar com as bonecas no chão. Montava casinhas, quebra-cabeças e tantos outros.

O cheiro dos temperos exalava da cozinha para a sala, era minha mãe preparando o almoço. Mas os vidros da janela ainda estavam embaçados. Que coisa, está muito frio! O inverno chegou! E da janela embaçada do carro, só a lembrança ficou.

 

Texto: Maristela Santos

Crônica produzida durante o primeiro semestre de 2019 para a disciplina de Jornalismo II sob a orientação do professor Carlos Alberto Badke

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