Séries, a fórmula pop audiovisual dos anos 2000


Por Agência CentralSul de Notícias

 

“Quando se conhece alguém com quem se importa, é difícil ir embora”. Essa frase foi dita na série ChuckEla iniciou na primeira década dos anos 2000, e foi veiculada até 2012. A produção é sobre um nerd chamado Chuck Bartowski (Zachary Levi). Ele é um “gênio da informática”, que tem um emprego monótono na fictícia rede Buy More. Sua rotina vira de ponta à cabeça quando um amigo, que trabalha na CIA, envia para Chuck um misterioso e-mail e, agora, as informações mais secretas do mundo estão em seu cérebro.

Frame da abertura da Série Chuck. Foto: Divulgação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sem querer, ele se tornou a maior arma do governo, e o destino dos Estados Unidos e do mundo estão em suas mãos. Para que ele fique seguro, a CIA e a NSA enviam dois agentes secretos que precisam ficar o tempo todo junto a Chuck para mantê-lo vivo, Sarah Walker (Yvonne Strahovski) e John Casey (Adam Baldwin) assumem esse papel. Apesar de possuir um ótimo enredo, a série Chuck não chegou ao auge da fama.

Um questionário compartilhado via Facebook – que contou com 73 respondentes, sendo a maioria pessoas de 20 a 35 anos, a grande parte mulheres e estudantes – perimitiu descobrirmos se elas conhecem ou já ouviram falar da série.

Fonte: Pesquisa criada pela autora e processada por Formulários Google

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Com esse questionário, conseguimos perceber que existem muitas outras séries que são excelentes, mas pouco conhecidas. Os participantes citaram séries como, Anne with an E; As Bruxas de East End; Glitch; Wilfred; The Sinner; Las Chicas del Cable; Skam; Undateable; Forensic files; Gilmore Girls; Rita; Jane the virgin; Eu, tu e ela; The good place; Orphan Black; The alienist; Stargate SG-1; Scrubs; Os Monstros (1964); Outlander; That 70’s show; Silicon Valley; Smash, entre outras.

Sobre essas séries pouco conhecidas, a jornalista e cinéfila Bianca De França Zasso acredita que existem fatores de mercado e também de acesso que definem quais séries serão populares. “Dezenas de bons roteiros acabam não conseguindo ser filmados por conta de sua temática”, acrescenta Bianca. Ela também ressaltou os casos de séries feitas por encomenda, buscando um público muito específico. Stranger Things, por exemplo, veio à tona porque havia grande procura por produções dos anos 80 na plataforma Netflix. “Acredito que o sucesso de uma série, ainda mais em tempos de streaming, está ligada à boa divulgação e temas que.dialogam com os acontecimentos da atualidade. O que não impede que sejamos surpreendidos por uma produção de baixo orçamento que acabe arrebatando o público”, destaca a cinéfila.

No questionário também perguntamos aos participantes sobre outras séries, se conheciam ou não, misturamos séries famosas e outras nem tanto. A partir disso, construímos um gráfico da representação dos resultados.

Fonte: Pesquisa criada pela autora e processada por Formulários Google

Ao analisar esses dados, notamos que tirando a série La Casa de Papel, as mais populares são as séries norte-americanas. Por exemplo, observamos que as séries Love sick (britânica) e Le chalet (francesa) são as menos conhecidas.

Segundo Bianca, a Netflix é a plataforma mais popular atualmente, mas há também a Amazon Prime, por exemplo. “Acredito que muitas pessoas se baseiam no que está no catálogo da Netflix para escolher o que assistir. O que tem o seu lado triste, já que existem muitas séries interessantes em outras plataformas que passam despercebidas por quem tem o Netflix como único guia”, conclui a cinéfila.

Em contrapartida, a professora e cineasta Maria Cristina Tonetto acredita que existem vários fatores que transformam uma série mais ou menos conhecida do grande público. O primeiro deles é a condução da narrativa (contar um fato, e como todo fato ocorre em determinado tempo). Os roteiristas precisam saber dosar os conflitos, o clímax e as tramas de cada episódio, e, logicamente cria uma expectativa para o público se manter interessado nos próximos episódios. Mas nada disso terá efeito se os atores forem ruins. Outro fator importantíssimo é a divulgação e o local onde a série será exibida.“Hoje, existem várias formas de conseguir chegar no público alvo. As redes sociais ampliaram de forma significativa esse alcance. Mas, não basta simplesmente divulgar para os amigos, é preciso pensar num plano de divulgação e estudar as comunidades e principais alvos das redes online”, finaliza Maria Cristina. 

Quanto à questão da popularidade das séries, Bianca finalizou dizendo que acredita que há uma geração muito preguiçosa atualmente. A curiosidade deveria mover os espectadores a não se contentarem com apenas uma possibilidade de ter acesso à conteúdo audiovisual. “É como querer ser cinéfilo e assistir apenas aos filmes da Netflix! Não basta! Acho que falta um pouco de força de vontade para ir além de apenas apertar um botão de ok no que é sugerido pela plataforma. É um tanto estranho que muitos achem impossível ver um filme de 3h, mas “maratonam” 10 episódios em uma madrugada sem reclamar”, acrescentou a cinéfila.

 

Elenco de Chuck. Foto: Divulgação.

 

Volto à Série que motivou-me a fazer essa pesquisa. Foram cinco temporadas acompanhando a série Chuck. Onde foram parar os atores de Chuck? O que eles estão fazendo hoje em dia?

Em fevereiro de 2015, o presidente da NBC, mesmo canal de Chuck, anunciou que Zachary Levi iria integrar o elenco da minissérie Heroes: Reborn, derivada da série original, Heroes. E em 27 de outubro de 2017, foi anunciado que Zachary dará vida ao super-herói Shazam no Universo Estendido DC.

Já Yvonne Strahovski (Sarah Walker) participou de inúmeras séries e filmes desde o encerramento de Chuck, como por exemplo, em 2012 estreou no filme Outback , Minha Mãe é uma Viagem, e na série Dexter. Em 2013 participou do filme Frankenstein, em 2014 entrou para a série 24 Horas – Live Another Day, em 2015 participou de Astronaut Wives Club, em 2016 fez Manhattan Night e por fim de 2017 até o momento a atriz está participando da série The Handmaid’s Tale.

E se a série voltasse a ser gravada? Será que os fãs gostariam que isso acontecesse? Guilherme Ataíde, 23 anos, acredita que não há espaço hoje para uma série com um elenco branco onde a minoria é mulher e não tem ninguém  LGBT. “Acho que ela é um reflexo do tempo dela e tá bom assim. Em termos de história, acho que também não precisa de continuação, teve uma conclusão, e eu gosto quando as histórias têm início meio e fim”, destaca o estudante.

 

Reportagem de Sarah Vianna, produzida para a disciplina de Jornalismo Especializado, do Curso de Jornalismo da UFN, durante o 2º semestre de 2018, sob orientação da professora Carla Torres.

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