Arte que revela amor e sabedoria


Por Gabriele Bordin

 

Desenho de Leonardo. Foto: arquivo pessoal

Desenhos: Leonardo Couto

O desenho é uma das formas de arte mais ensinadas nas escolas, estimuladas nos lares… e há quem, embora siga outros caminhos, sempre tenha lápis e papel como alento.

Artista plástico pode ser considerado aquele que expressa e materializa visões e sentimentos a fim de expressar o  intangível. Mais do que um ramo profissional, desenhar significa algo que só quem o faz pode definir.

O santa-mariense Leonardo da Silva Couto, 22 anos, é estudante de Filosofia, mas o amor pelo desenho vem desde a infância e se integra ao conhecimento adquirido a cada etapa do jovem, como um elo entre ele e o mundo.

Para Leonardo, o desenho é…

Arte

Desenhar é um tipo de terapia, pois demanda tempo, paciência e calma. Confesso que nunca fiz cursos ou estudei “técnicas especiais” e também nunca me considerei bom nisso, mas sempre ansiei por expressar a realidade de forma mais autêntica possível (ainda que não consiga). Por isso, compreendo o desenho como sinônimo de arte que, assim como os velhos filósofos gregos entendiam, é uma espécie de técnica que tem por finalidade fabricar algo, ou ainda, produzir algum efeito visível. Esta finalidade ou efeito, para mim, é demonstrar, ou melhor, apontar a beleza que há nas pessoas e na vida em geral.

Beleza

Disse anteriormente que procuro com os desenhos ressaltar a beleza que há na vida, como um tipo de convite para apreciá-la sabendo que, para além do que possa haver de ruim, a vida continua sendo boa. Os noticiários, todos os dias, divulgam o quanto o ser humano pode ser mau, no entanto, a minha tentativa é divulgar de maneira simplória e particular o que existe de bom no mundo; uma pequena alegria que às vezes pode melhorar o dia de alguém.

Imaginação

O desenho nos permite brincar com a natureza. Diferentemente da História, que só lida com fatos, o desenho (e toda forma artística) nos permite peregrinar pelas possibilidades do que poderia ter sido ou do que poderá ser. Na atividade imaginativa é que se dá o primeiro passo para a educação, pois é neste momento que criamos ou nos identificamos com modelos de heróis, sábios, homens e mulheres valentes e virtuosos. Esse é o lado mais fantástico de desenhar, pois ele permite voltar à infância, dando asas à imaginação.

Catarse

Aristóteles dizia que o teatro tinha um duplo fim: incutir compaixão e terror, mediante a Kátharsis, que se refere à purificação da alma por meio de uma descarga emocional que, uma vez purificada, permite a inteligência propender ao Bem e ao Verdadeiro e afastar-se do mal e do falso. Na maioria das vezes, desenhei e retratei mulheres, não só pela beleza feminina (Afrodite) ou pela sabedoria (Atena), mas por ser o principal sustentáculo da vida, sendo os seus atributos essa Kátharsis que nos convida a contemplarmos a existência, a verdade e o bem.

Contemplação

Todo tipo de arte nos leva a uma contemplação, na medida em que estamos como espectadores de algo. Do mesmo modo é que se iniciou a Filosofia, como disse Aristóteles na Metafísica “É por força de seu maravilhamento que os seres humanos começam agora a filosofar (…)”. O desenho me leva a um sentimento de admiração, espanto, perplexidade, não por ele mesmo, mas por ser uma cópia imperfeita de algo belíssimo que está na realidade à disposição de todos que, atentamente, também observam.


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Entre em contato pelo WhatsApp da acadêmica de Jornalismo Gabriele Bordin. Ela está desenvolvendo o Projeto Experimental em Jornalismo, no curso de Jornalismo da UFN, durante o primeiro semestre de 2020. O projeto é orientado pela professora Glaíse Palma e tem uma história por semana publicada neste espaço.

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