Skincare: a tendência na pandemia


Por Vitória Gonçalves

 

 

Foto: Reprodução Instagram (@pensandonarotina)

Nesse período de instabilidade, muitos brasileiros passaram por um processo de autoconhecimento. E muitos identificaram que esse momento de reflexão trouxe uma necessidade de autocuidado. Viver durante uma pandemia, obviamente, requer muita atenção à saúde, e muitas pessoas optaram por cuidar do maior órgão do corpo humano: a pele. 

A skincare – a tradução literal de “cuidados com a pele” – se encontra como um mercado em ascensão na pandemia. A rotina não é novidade, mas foi adotada por muitos atualmente, de acordo com os dados da Associação Brasileira da Indústria e da Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Segundo a pesquisa do órgão, “os produtos voltados aos cuidados com a pele registraram crescimento de 161,7% nas vendas durante os dez primeiros meses de 2020, em comparação com o mesmo período de 2019”. 

A ABIHPEC afirmou que as máscaras de tratamento facial foram as segundas mais vendidas (91%), ficando atrás apenas dos esfoliantes corporais (153,2%), considerando todo o ano passado. O órgão relatou que, além da estética, o novo coronavírus influenciou muito nesse crescimento, devido ao álcool em gel nas mãos e a quantidade elevada de lavagens, provocando o ressecamento da pele, exigindo uma maior atenção à hidratação

. As máscaras se tornaram uma das razões para o surgimento de espinhas na região do rosto, dessa maneira, explicando o aumento nas vendas de máscaras para tratamento facial. 

Apesar de não ser mencionada nos sintomas mais comuns, a Associação destacou as manifestações que a própria Covid-19 pode causar na pele – “em alguns casos foram observadas erupções e manchas ligadas à inflamação provocada pela doença. A vermelhidão e a irritação também podem estar ligadas à reação do organismo quando contrai o vírus”. 

Médica Dermatologista Ana Cristina Porto Alegrete. Reprodução Instagram (@bellevitta_alegrete)

 

A tendência da skincare está associada ao home office e devido ao estresse causado durante o isolamento, muitas doenças emocionais foram desenvolvidas. De acordo com a dermatologista Ana Cristina Porto Alegre, “foi uma mudança radical em nossas vidas e a incidência de dermatoses aumenta muito com o estresse, mas não observei aumento em nenhuma doença específica”. A médica destaca, “tenho 30 anos de formada, trabalho com dermatologia há 33 anos desde que passei pela disciplina no curso de graduação e nunca vi as pessoas tão estressadas”. Ela aponta algumas doenças que se destacaram nesse período, “observamos muito o aparecimento de doenças relacionadas ao uso da máscara, como dermatite de contato, rosácea e dermatite perioral”.

A dermatologista comenta que, quando o decreto ordenou o fechamento dos estabelecimentos, o número de atendimentos despencou. “As pessoas estavam com muito medo de sair de casa, aos poucos pela necessidade os pacientes foram retornando às consultas”, menciona ela. Além disso, ela acredita que as pessoas começaram a olhar mais a sua pele nesse período e pelo modismo da época começaram a falar muito sobre skincare e afirma que as consultas aumentaram para estes cuidados. 

Atualmente, com a facilidade de consultar dicas de cuidados com a pele na internet, muitas pessoas recorreram a esse meio. A Dra. Ana Cristina alerta que hoje com a internet e as redes sociais existe muita informação, mas nem todas confiáveis, “sugiro que as pessoas sempre saibam do currículo de quem está dando estas informações, chequem a fonte e vejam se tem embasamento científico”. Além disso, observou que essa facilidade de encontrar informações resultou em um paciente bem informado, “ele vem geralmente com uma lista de perguntas, sobre o que é mito e sobre o que é verdade no tratamento dermatológico”. 

Compartilhando as experiências

Psicóloga Alessandra Vasconcellos. Reprodução Facebook.

A psicóloga Andressa Vasconcellos explica, “acredito que a pandemia prejudicou tudo, os cuidados consigo mesma são importantes durante a vida. Na pandemia acredito que esses cuidados tenham aumentado, para trazer conforto, envolvimento, preencher o dia, olhar para si com mais carinho”. 

Algumas pessoas relatam sua experiência e compartilham com seus seguidores. Foi o caso de Leonardo Barreto, 42 anos, advogado e, atualmente, influenciador que possui quase 3 mil seguidores no seu instagram (@pensandonarotina). “Eu tenho interesse há muito tempo por cuidados pessoais, com rosto e corpo, muito por ver minha mãe se cuidando. Ela sempre gostou dos creminhos dela”, conta ele. “Desde bem novo eu já procurava ter pelo menos um hidratante que fosse pro rosto e outro pro corpo, mas na realidade eu não aderi 100%, não tinha muita disciplina sabe?”, acrescentou. 

“Comigo o divisor de águas foi exatamente a pandemia. Pouco antes de parar tudo aqui no Brasil, no início de 2020, eu trouxe alguns produtos de uma viagem. O interesse sempre esteve aqui e nesse período, já com 40 anos, eu estava sentindo mais necessidade mesmo”, relatou. “De repente, me vi trancado em casa, naquela incerteza e insegurança toda e cheio de produtinhos. Pronto, foi aí que a coisa

Leonardo Barreto. Reprodução Instagram.

aconteceu mesmo. Passei a ter uma rotina muito organizada de skincare e muito disciplinada. Foi meio que fundamental para mim ter esse momento de auto-observação, autocuidado”, declarou. 

Barreto menciona que paralelamente foi consumindo conteúdo sobre o assunto, para aprofundar seus conhecimentos, logo, além de consumir, começou a compartilhar as experiências. “Imagino que por isso o crescimento nos mercados de decoração e de skincare. O olhar sobre a nossa própria casa ficou mais forte, até por algumas novas necessidades, como um cantinho de Home Office; e o sobre si também se identificou. Se perceber, se cuidar, dar um carinho a si mesmo, tudo isso imagino que ajudou a fortalecer a cabeça das pessoas”, retratou o influencer. 

O influencer analisa que, inegavelmente, a maioria do público é feminino. Ele acredita que o movimento tenha crescido, até das próprias marcas de cosméticos para desvincular cuidados e produtos do gênero, mas a inclusão dos homens nos cuidados com a pele se encontra enraizada demais. 

Como esse cenário reflete na pele

Vitor Bitencourt. Reprodução Instagram (@jvitorbitencourt).

Mesmo não substituindo os procedimentos clínicos, as pessoas adaptaram sua rotina a produtos acessíveis que contribuíssem com seu novo costume. O mestrando em Comunicação, Vitor Bitencourt, comenta como iniciou com os hábitos de cuidado no seu dia, “acho que esse crescimento no interesse por cuidados da pele foi tanto por necessidade quanto por estética, já que ainda tinha algumas espinhas, um pouco menos, mas agora um problema maior com as consequências das espinhas que já passaram, como manchas e cicatrizes”. Ele menciona que durante a pandemiaacabou pesquisando ainda mais sobre o tema, principalmente, por ter tido um crescimento no poder aquisitivo teve a possibilidade de investir mais em produtos. 

Vitor analisa o cenário masculino nesse meio, “acredito que existe ainda um grande estigma de relação desses produtos com o público feminino por uma questão de preconceito, já que homens também tem muitos problemas de pele e muitas vezes por não procurar tratamentos acabam tendo problemas maiores, que penso muitas vezes afetar a confiança e autoestima deles”. O comunicólogo comenta alguns influencers brasileiros que ele costuma acompanhar, além de perfis de  instagram de dermatologistas e biomédicas. 

Mikael Queiroz. Reprodução Instagram (@mkaqueirozf)

Além de Vitor, seu namorado, Mikael Queiroz, coordenador de Marketing no 7 Night Bar, compartilham juntos a rotina de skincare. Mikael conta que por influência do namorado iniciou com os hábitos de cuidados com a pele, “eu iniciei as minhas rotinas de skincare durante a pandemia, muito por conta de necessidade e estética, depois do início da pandemia acredito que eu e outras pessoas ficaram muito expostas a estresse e problemas psicológicos, o que de alguma forma piorou minha pele drasticamente”. 

Maria Luiza Anacleto. Reprodução (@imluizaa).

A acadêmica de enfermagem, Maria Luiza Anacleto, menciona que começou sua rotina de skincare antes da pandemia, mesmo não possuindo um hábito contínuo. “Foi por necessidade, devido as espinhas que começaram a surgir após a pausa de anticoncepcional oral”, comentou. Ela ainda afirma que pretende continuar com a rotina pós-pandemia e que acredita que cuidar da pele tem ligação com seu psicológico, “a minha pele demonstra quando não estou bem”. 

Segundo o evento apresentado pela ABIHPEC em live, com a participação da Quintiles, empresa multinacional americana que atende os setores combinados de tecnologia da informação em saúde e pesquisa clínica, informa que os produtos que não podem faltar nas gôndolas no período pós-pandemia, são os itens para depilação, cremes de tratamento para cabelos e pele.

 

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