
A FIFA e o limite da neutralidade: as contradições da Copa de 2026
O artigo analisa as contradições entre o discurso de inclusão da FIFA e as polêmicas envolvendo imigração e segurança que marcaram o início da Copa do Mundo de 2026.

O artigo analisa as contradições entre o discurso de inclusão da FIFA e as polêmicas envolvendo imigração e segurança que marcaram o início da Copa do Mundo de 2026.

Lewis Hamilton garantiu sua 106ª vitória na Fórmula 1 e conquistou sua 7ª vitória no circuito de Barcelona.

Uma reflexão sobre a relação entre Neymar e o futebol brasileiro após sua convocação para a Copa de 2026. Entre esperança, desgaste e memória coletiva, o camisa 10 segue sendo um personagem impossível de ignorar.

A chegada de Marie-Louise Eta ao comando do Union Berlin marcou um momento histórico no futebol europeu e reacendeu debates sobre desigualdade de gênero em um esporte ainda dominado por homens.

O Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul voltou a ser palco de grandes disputas no automobilismo nacional.

De 1909 pra cá, foi o amor que nos fez acompanhar cada jogo. Foi com a força do eterno Fernandão, o amor de D’Alessandro, a fidelidade de Abel Braga e, claro, o apoio da torcida.

Ser homem no futebol é fácil. Eles são maioria nas arquibancadas, nos bastidores, na imprensa e, principalmente, nas posições de poder. Mas o esporte não é exclusivo para eles.

A jornalista esportiva da RBS TV teve como tema de sua fala “Ressignifique-se: histórias para sua vida”

A viagem teve o objetivo de aproximar os estudantes do contexto de atuação do jornalista em uma empresa de grande porte no cenário comunicacional do Rio Grande do Sul, bem como proporcionar vivências na área esportiva.

O Fórum de Comunicação é uma iniciativa que ocorre a cada dois anos
A Agência CentralSul de Notícias faz parte do Laboratório de Jornalismo Impresso e Online do curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) em Santa Maria/RS (Brasil).
Quando a FIFA anunciou que a Copa do Mundo de 2026 seria disputada em Estados Unidos, México e Canadá, a escolha foi apresentada como um símbolo de integração. A primeira edição com 48 seleções prometia ampliar a diversidade do torneio e aproximar ainda mais diferentes culturas por meio do futebol. Em discursos oficiais, o presidente da entidade, Gianni Infantino, reforçou repetidamente a ideia de que todos seriam bem-vindos. A Copa seria uma celebração global.

No entanto, poucos dias após o início da competição, a realidade parece desafiar essa narrativa.
As manchetes que marcaram a abertura do Mundial não foram apenas sobre gols, estádios lotados ou favoritos ao título. Antes mesmo de a bola rolar, a Copa passou a ser associada a revistas em aeroportos, problemas migratórios, vistos negados, delegações submetidas a procedimentos rigorosos de segurança e profissionais impedidos de entrar no país-sede. Mais do que episódios isolados, esses acontecimentos revelam uma questão maior: até que ponto a FIFA consegue sustentar seu discurso de neutralidade e inclusão quando o torneio está inserido em um contexto político marcado por conflitos, desigualdades e disputas internacionais?
A situação mais emblemática envolve o árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Escolhido pela FIFA para integrar o quadro de arbitragem da Copa, Artan faria história ao se tornar o primeiro árbitro da Somália a participar de um Mundial. Apesar de possuir visto válido e credenciamento oficial, foi impedido de entrar nos Estados Unidos ao desembarcar em Miami. O árbitro relatou ter passado horas sob interrogatório antes de ser deportado. Dias depois, a UEFA anunciou sua escalação para a Supercopa da Europa, um dos principais eventos do calendário continental.

O episódio levanta uma pergunta difícil de ignorar, se Artan era qualificado o suficiente para ser selecionado pela FIFA e, posteriormente pela UEFA, por que não pode entrar no país que sediava a Copa do Mundo? A resposta oficial permanece vaga, mas o caso tornou-se símbolo de um problema mais amplo. A nacionalidade do árbitro pareceu pesar mais do que sua trajetória profissional.
O mesmo sentimento apareceu em outros episódios. A seleção de Senegal foi submetida a uma revista detalhada ainda na pista do aeroporto ao chegar aos Estados Unidos. A delegação do Uzbequistão passou por procedimentos de segurança envolvendo cães farejadores e inspeções rigorosas. Integrantes da seleção iraniana enfrentaram dificuldades relacionadas à emissão de vistos, obrigando a equipe a alterar parte de sua preparação. A jornalista Karine Alves, da Globo, relatou ter sido submetida a uma abordagem constrangedora durante sua entrada no país.


Separadamente, cada situação pode ser explicada como consequência de protocolos migratórios ou medidas de segurança. Juntas, entretanto, elas formam um padrão difícil de ignorar. Os casos mais repercutidos envolvem justamente representantes de países africanos, asiáticos ou nações que mantêm relações políticas tensas com os Estados Unidos.
É nesse ponto que a discussão ultrapassa o esporte.
O historiador Eric Hobsbawm afirmava que poucas atividades conseguem representar tão bem as identidades nacionais quanto o esporte. A Copa do Mundo, em especial, sempre foi mais do que uma competição de futebol. Ela funciona como uma vitrine política, econômica e cultural dos países envolvidos. Os governos sabem disso. A FIFA sabe disso. Os torcedores sabem disso.
Por essa razão, a ideia de que o futebol está completamente separado da política nunca passou de uma ideia conveniente.
A própria história da Copa confirma essa percepção. O Mundial de 1978 foi disputado sob a ditadura militar argentina. A edição de 2018 ocorreu na Rússia em meio a críticas internacionais ao governo de Vladimir Putin. A Copa de 2022 foi marcada pelos debates sobre direitos humanos no Catar. Em todas essas ocasiões, a FIFA insistiu em defender a neutralidade do esporte. No entanto, os acontecimentos recentes mostram que essa neutralidade tem limites bastante definidos.
A comparação com a Rússia ajuda a entender essa contradição.
Após a invasão da Ucrânia, FIFA e UEFA suspenderam rapidamente seleções e clubes russos das competições internacionais. A decisão foi apresentada como uma resposta necessária diante de um conflito militar de grandes proporções. Independentemente da avaliação sobre a medida, ela demonstrou que as entidades esportivas estão dispostas a tomar decisões políticas quando consideram apropriado.
O problema surge quando observamos que esse princípio não parece ser aplicado de maneira uniforme.
Enquanto a Rússia permanece afastada do futebol internacional, os Estados Unidos seguem ocupando o centro do maior evento esportivo do planeta, mesmo estando envolvidos em operações militares recentes e em conflitos diplomáticos que afetam diretamente algumas das seleções participantes do torneio. O caso do Irã é o exemplo mais evidente. A equipe chegou à Copa enfrentando dificuldades burocráticas justamente em um momento de agravamento das tensões entre os dois países.
A questão não é defender que os Estados Unidos sejam excluídos da competição ou propor uma equivalência entre situações históricas diferentes. O ponto central é outro, se a FIFA afirma que determinados comportamentos justificam sanções esportivas, quais são exatamente os critérios utilizados? E por que eles parecem variar de acordo com o peso político e econômico dos envolvidos?
Essas perguntas tornam-se ainda mais relevantes quando observamos a relação cada vez mais próxima entre a FIFA e o governo norte-americano. Nos últimos meses, Gianni Infantino intensificou sua presença em eventos oficiais relacionados à Copa ao lado de autoridades dos Estados Unidos. Em dezembro de 2025, Donald Trump recebeu o primeiro FIFA Peace Prize, criado pela entidade para reconhecer iniciativas ligadas à promoção da paz.

O episódio chamou atenção porque ocorreu justamente em um período marcado por guerras, crises diplomáticas e questionamentos sobre a atuação internacional dos próprios Estados Unidos. Mais uma vez, a FIFA demonstrou que sua relação com a política é menos distante do que costuma admitir.
Talvez seja justamente essa a principal lição dos primeiros dias da Copa de 2026.
Eduardo Galeano escreveu, em Futebol ao Sol e à Sombra, que o futebol é capaz de revelar as grandezas e as misérias do mundo que o cerca. A frase ajuda a compreender o que estamos vendo. A Copa não criou as desigualdades, as fronteiras seletivas ou as tensões geopolíticas que marcam o cenário internacional. Mas ela as tornou visíveis.
Enquanto a FIFA promove um discurso de integração global, a experiência de diferentes participantes mostra que nem todos atravessam as mesmas portas. Alguns chegam recebidos por torcedores e festas populares. Outros enfrentam interrogatórios, dificuldades burocráticas e suspeitas antes mesmo de entrar em campo.
A Copa do Mundo continua sendo um dos maiores encontros culturais do planeta. Mas os acontecimentos das últimas semanas demonstram que esse encontro não ocorre em condições iguais para todos. E talvez seja justamente aí que esteja o maior desafio da FIFA.
Mais do que organizar jogos, estádios e transmissões, a entidade precisa responder a uma pergunta que os episódios recentes tornaram inevitável, até que ponto é possível defender uma Copa para todos quando as barreiras que separam os participantes continuam sendo tão diferentes?
Porque, no fim das contas, o problema não está apenas nas fronteiras dos Estados Unidos.
Está nos limites da própria neutralidade que a FIFA insiste em defender.

No último Grande Prêmio da Fórmula 1, dia 14 de junho, a velocidade e adrenalina tomaram conta da pista de Barcelona-Catalunha, marcando o final de semana com ultrapassagens, disputa entre companheiros de equipe, safety car virtual, e é claro, Lewis Hamilton brilhando no topo novamente.
O circuito é famoso por ser utilizado para realizar os testes dos carros e motores, justamente por sua estrutura linear comparada a outras pistas. Por isso, os carros mais estáveis do grid costumam ter maior vantagem, fazendo com que esse circuito seja marcado por corridas mais cansativas e com pouca adrenalina. Mas dessa vez não foi assim.
George Russel, piloto da Mercedes, largou em primeiro lugar, na esperança de manter a posição, seguido por Lewis Hamilton (Ferrari) e Kimi Antonelli (Mercedes). No entanto, durante a corrida, os pits stop, as ultrapassagens e o safety car virtual (acionado por Alonso ter saído da pista) alteraram esta ordem. Hamilton assumiu a liderança, deixando as duas Mercedes para trás.
Ambos os pilotos, Russel e Antonelli, disputavam incessantemente entre si, lutando pela segunda posição. Faltando apenas duas voltas para encerrar a corrida, Antonelli teve problemas com o carro e precisou abandonar a competição. O pódio ficou constituído por:
1º – Lewis Hamilton (Ferrari)
2º – George Russel (Mercedes)
3º – Lando Norris (McLaren- atual campeão mundial)

Quanto ao nosso brasileiro presente no grid, Gabriel Bortoleto, correndo pela Audi, largou em 12º lugar e chegou em 11º, mesmo com pequenos problemas técnicos não precisou abandonar a corrida, e quase conseguiu pontuar.
Enquanto isso, Lewis Hamilton garantiu sua 106ª vitória na Fórmula 1, após 2 anos sem vencer. O piloto também conquistou sua 7ª vitória no circuito de Barcelona, batendo o recorde de Michael Schumacher, pois ambos estavam empatados com 6 triunfos.
Após períodos críticos com o desempenho de sua Ferrari, Lewis nunca havia ficado em primeiro lugar no pódio pela escuderia. Agora, tanto a Ferrari quanto Hamilton estão de volta ao pódio e aos holofotes do esporte, reerguendo a equipe e fazendo história.
Infelizmente, durante esta corrida, Charles Leclerc, companheiro de equipe do 7 vezes campeão mundial, abandonou o carro nas voltas finais do GP, por um problema técnico na direção e não conseguiu pontuar.
Mesmo assim, a equipe demonstrou estar forte este ano, se fazendo presente no pódio em 5 das 6 corridas de 2026. Presenciamos mais uma vez Hamilton brilhando, dessa vez com uniforme vermelho e emoção nos olhos. Será que Lewis entra com tudo na disputa por seu oitavo título mundial esse ano?






Fotos: Foto: XPB Images
Durante quatro minutos, parecia que tudo finalmente tinha dado certo.
Neymar chorava no gramado após o gol contra a Croácia. O Brasil estava classificado. A semifinal estava perto. E, por alguns instantes, parecia que aquela seria a imagem definitiva da relação entre Neymar e a Seleção: o craque decisivo, carregando o país mais uma vez.
Mas o futebol é imprevisível, tudo muda rápido demais.
Quatro minutos depois, a Croácia empatou. Vieram os pênaltis. Vieram as lágrimas de novo. E junto delas apareceu uma sensação estranha de fim. Como se aquela eliminação também encerrasse um ciclo entre Neymar e o Brasil.

Só que despedidas nunca foram simples quando se trata dele.
A convocação para a Copa de 2026 não ocorre porque Neymar ainda seja o jogador mais rápido, mais físico ou mais decisivo do mundo. Ela acontece porque o futebol brasileiro ainda olha pra ele como alguém capaz de fazer o impossível acontecer por alguns segundos. E talvez isso diga mais sobre o povo brasileiro do que sobre o próprio Neymar.
Porque, no fundo, o torcedor brasileiro ainda procura aquele menino de cabelo diferente que jogava sorrindo. Aquele que fazia parecer fácil. Aquele que carregava a sensação de que qualquer jogo podia virar espetáculo a qualquer momento.
Em 2010, ele era futuro. Em 2014, virou símbolo de um país inteiro que sonhava com o hexa dentro de casa até a joelhada que interrompeu tudo. Em 2018, jogou cercado pela obrigação de provar que ainda era o melhor. Em 2022, parecia cansado. O Brasil parecia cansado dele também.
Mas mesmo assim, quando o nome apareceu na convocação para 2026, o país parou pra olhar.
Porque Neymar nunca foi só futebol. Neymar virou memória de geração. Virou discussão de almoço em família, virou esperança exagerada, virou frustração nacional, virou obsessão coletiva. Todo mundo tem uma opinião sobre ele. E talvez seja exatamente isso que faz dele tão impossível de ignorar.
Só que agora é diferente.
O corpo já não responde igual. As lesões deixaram marcas. O sorriso parece menos leve. Pela primeira vez, Neymar não chega como unanimidade absoluta. Não chega como o herói inevitável. Chega quase como alguém tentando sobreviver ao próprio personagem.
E talvez seja justamente isso que torne tudo mais humano.
O menino virou veterano diante dos olhos de um país inteiro. O jogador que antes parecia representar o futuro agora carrega o peso do passado nas costas. Ainda assim, existe algo quase irracional no fato de que o Brasil continua esperando alguma coisa dele.
Talvez porque o futebol brasileiro também tenha dificuldade em seguir em frente.
Talvez porque seja difícil aceitar que o tempo passou.
Ou talvez porque, no fundo, a gente ainda queira acreditar que existe um último capítulo reservado pra ele.
Um último drible.
Um último gol.
Um último milagre.
Porque algumas relações no futebol não acabam quando deveriam.
E talvez o Brasil ainda não tenha aprendido a se despedir de Neymar.

Marie-Louise Eta assumiu interinamente o comando do Union Berlin, da Alemanha, e entrou para a história como a primeira mulher a treinar uma equipe masculina nas cinco principais ligas da Europa. A notícia rapidamente repercutiu na imprensa esportiva internacional e transformou a treinadora alemã em símbolo de uma discussão que vai muito além do futebol: o espaço das mulheres em posições de liderança dentro de um ambiente historicamente dominado por homens.
O anúncio ocorreu após a saída do técnico Steffen Baumgart, em um momento delicado da temporada para o Union Berlin, que lutava contra o rebaixamento na Bundesliga. Apesar da repercussão causada pela escolha do clube, a chegada de Eta ao comando da equipe não foi algo improvisado. Aos 34 anos, ela já possuía uma trajetória consolidada dentro do futebol alemão.
Antes de iniciar a carreira como treinadora, Eta foi jogadora profissional. Atuando pelo Turbine Potsdam, conquistou títulos relevantes do futebol europeu, entre eles a Champions League feminina, campeonatos alemães e a Copa da Alemanha. Depois de encerrar a carreira dentro de campo, passou a trabalhar na formação de atletas e construiu espaço dentro do próprio Union Berlin, onde atuou nas categorias de base e comandou a equipe sub-19 antes de integrar a comissão técnica principal.
Sua ascensão no clube aconteceu gradualmente. Em 2023, ela já havia se tornado a primeira mulher a integrar oficialmente a comissão técnica de um clube da Bundesliga e também a primeira a participar de uma comissão técnica masculina na Champions League. Ainda assim, sua presença no futebol masculino continuava sendo tratada como algo excepcional e, em muitos momentos, alvo de questionamentos que raramente seriam direcionados a treinadores homens.
A repercussão da sua contratação evidenciou justamente isso. Logo após o anúncio do time, comentários sexistas começaram a circular nas redes sociais. Parte das críticas questionava sua capacidade de liderar um elenco masculino, enquanto outras insinuavam que uma mulher não teria autoridade suficiente para comandar jogadores homens. Algumas publicações chegaram a afirmar que seria “humilhante” perder para um time treinado por uma mulher.

O futebol foi construído historicamente como um espaço associado à masculinidade. Durante décadas, mulheres não apenas foram afastadas das funções de liderança, mas também da prática esportiva em si. No Brasil, por exemplo, o futebol feminino foi proibido oficialmente entre 1941 e 1979. O decreto alegava que determinados esportes eram incompatíveis com o “corpo feminino”, reforçando uma lógica que limitava o papel das mulheres dentro do esporte e da sociedade.
Mesmo após o fim da proibição, o futebol feminino continuou enfrentando abandono estrutural, falta de investimento e pouca visibilidade. Enquanto isso, o futebol masculino consolidava-se como espaço de poder, influência cultural e grandes investimentos financeiros. Nesse cenário, mulheres passaram a enfrentar dificuldades não apenas para jogar, mas também para ocupar funções de comando, gestão e análise esportiva.
Nas últimas décadas, a presença feminina no futebol cresceu em diferentes áreas. Passando a ocupar espaços no jornalismo esportivo, na arbitragem, na narração e nos comentários esportivos. Ainda assim, os cargos técnicos seguem sendo majoritariamente masculinos, principalmente no futebol de elite europeu.
A própria trajetória de mulheres no jornalismo esportivo mostra como esses espaços ainda são constantemente atravessados pelo machismo. Jornalistas, comentaristas e narradoras frequentemente relatam episódios de descredibilização profissional, ataques nas redes sociais e questionamentos sobre conhecimento técnico simplesmente por serem mulheres falando sobre futebol. No comando técnico, essa lógica se torna ainda mais intensa, já que o cargo de treinador historicamente foi associado à liderança masculina e à autoridade dentro do vestiário.
Por isso, a presença de Marie-Louise Eta no banco de reservas do Union Berlin possui um peso simbólico tão grande. Sua chegada ao cargo rompe uma lógica construída ao longo de décadas dentro do futebol europeu. E talvez o principal ponto dessa discussão seja justamente o fato de que sua competência nunca deveria ter sido tratada como surpresa.
O Union Berlin se posicionou publicamente após os ataques sofridos pela treinadora. O diretor esportivo do clube, Horst Heldt, classificou os comentários como “vergonhosos” e afirmou que Eta possui total apoio da diretoria, dos jogadores e da torcida. Segundo ele, a treinadora chegou ao cargo por mérito e preparação profissional, não por uma ação de marketing ou representatividade simbólica.
A própria treinadora também falou sobre o impacto causado por sua trajetória. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, Eta afirmou que costuma receber mensagens de meninas e jovens mulheres que passaram a se sentir representadas ao vê-la ocupando um espaço historicamente masculino. “Quando recebo mensagens de meninas que se sentem encorajadas, isso me deixa muito feliz. Visibilidade é importante”, declarou.
Ao falar sobre a repercussão da própria trajetória, Eta também deixou claro que não deseja ser reduzida apenas ao fato de ser mulher dentro do futebol masculino. Em entrevistas, a treinadora reforçou que sua chegada ao comando do Union Berlin é resultado de anos de trabalho, estudo e experiência dentro do esporte. Ainda assim, o impacto simbólico de sua presença no banco de reservas acabou se tornando inevitável. Em um ambiente onde mulheres historicamente foram afastadas de posições de liderança, sua trajetória ultrapassa o aspecto individual e passa a representar também uma mudança, ainda que lenta, dentro da estrutura do futebol.
E talvez seja exatamente esse o ponto mais importante da discussão.
Marie-Louise Eta não surgiu como um fenômeno isolado dentro do futebol masculino. Antes dela, outras mulheres já haviam ocupado cargos semelhantes, ainda que em contextos diferentes. Um dos casos mais conhecidos aconteceu na França, quando Corinne Diacre assumiu o Clermont Foot, da segunda divisão francesa, em 2014. Na época, sua contratação também gerou forte repercussão e dúvidas sobre sua autoridade no futebol masculino. A portuguesa Helena Costa chegou a ser anunciada pelo mesmo clube pouco antes, mas deixou o cargo antes mesmo da estreia por divergências internas.

Apesar desses precedentes, o caso de Eta possui uma dimensão diferente justamente por acontecer dentro da Bundesliga, uma das ligas mais importantes do futebol mundial. As cinco principais ligas europeias Bundesliga, Premier League, La Liga, Serie A e Ligue 1, concentram os maiores investimentos, audiência e influência do esporte global. Por isso, sua chegada ao comando do Union Berlin ganhou repercussão mundial.
Pouco tempo depois de assumir a equipe, Marie-Louise Eta voltou a fazer história. Na vitória do Union Berlin por 3 a 1 sobre o Mainz, tornou-se a primeira mulher a vencer uma partida comandando uma equipe masculina em uma das cinco grandes ligas da Europa. O resultado ajudou o clube na luta contra o rebaixamento e transformou a treinadora novamente em destaque da imprensa internacional.
A repercussão da vitória de Eta mostrou que sua presença no comando do Union Berlin ainda é vista como algo fora do comum dentro do futebol masculino. E talvez seja justamente esse o ponto central da discussão. Enquanto treinadores homens costumam ser analisados principalmente pelos resultados dentro de campo, mulheres ainda precisam lidar com questionamentos sobre autoridade, competência e pertencimento antes mesmo de iniciarem seus trabalhos.
A trajetória da treinadora alemã evidencia como o futebol continua sendo um espaço atravessado por desigualdades de gênero, mesmo após os avanços conquistados pelas mulheres nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, sua chegada ao banco de reservas do Union Berlin também mostra que essas estruturas começam, ainda que lentamente, a ser transformadas.
Mais do que uma vitória e a permanência do Union Berlin na Bundesliga, Marie-Louise Eta representa um momento simbólico dentro do futebol europeu. Não porque seja a única mulher capaz de ocupar esse espaço, mas porque foi uma das primeiras a conseguir atravessar barreiras que, durante muito tempo, impediram mulheres de chegar até ali.

No último final de semana, dias 11 e 12 de abril, o Autódromo Internacional de Santa Cruz do Sul voltou a ser palco de grandes disputas no automobilismo nacional. A cidade recebeu a abertura da temporada da NASCAR Brasil 2026, além das etapas da Copa Truck e Copa Hyundai HB20. Após um período sem receber grandes competições nacionais, o circuito voltou a ganhar protagonismo ao sediar uma etapa de abertura de campeonato, incluindo ações como visitação aos boxes e o tradicional grid walk (caminhada no grid).
A estrutura, aliada ao formato técnico da pista, favoreceu corridas dinâmicas e disputas constantes, reforçando o potencial do autódromo para seguir no calendário das principais categorias do automobilismo brasileiro, proporcionando ao público um espetáculo completo dentro e fora das pistas. A NASCAR Brasil abriu sua temporada com três momentos decisivos: a Sprint Race no sábado e duas corridas no domingo.
Sábado de Sprint Race
A corrida classificatória definiu o grid para a segunda prova do domingo e já indicou o rumo do campeonato. Os pilotos estavam animados em retornar à pista do Rio Grande do Sul e cheios de expectativa para o início da temporada. É tempo de pensar em estratégia e desempenho. Por isso a Sprint Race contou com disputas intensas principalmente entre os pilotos que se destacaram no final de semana, Vitor Genz, Arthur Gama e Thiago Camilo, resultando na liderança da equipe Full Time.
O Pódio da Sprint ficou composto por:

Domingo de definições
A primeira corrida do domingo foi marcada por uma leve chuva, que causou incidentes e intervenções do Safety Car na pista, o que misturou o grid e abriu espaço para rápidas mudanças na liderança. A largada foi agitada, com toques e rodadas do pelotão intermediário e, mesmo com chuva e arquibancada aberta, o público não desanimou.
O piloto da Full Time, Thiago Camilo, aproveitou os momentos de instabilidade para assumir a liderança e garantir a vitória.
O pódio ficou constituído por:
A corrida principal foi a mais acirrada do fim de semana, com ritmo intenso do início ao fim. Brigas diretas pela liderança agitaram as arquibancadas, além da alternância constante entre os principais nomes da categoria pelas primeiras posições, entre Vitor Genz e Gabriel Casagrande (Vogel Motorsport). Pela parte da tarde a chuva não voltou e o sol estava ameno, o que ocasionou um clima perfeito para os pilotos e torcedores.
Casagrande se destacou na fase final da prova, assumindo a ponta e garantindo a vitória na corrida principal do fim de semana. Porém, logo depois foi penalizado por seu carro não atingir o peso mínimo conforme o regulamento técnico da categoria. Com a desclassificação, a vitória ficou com Vitor Genz.
O pódio geral da corrida contou com:
1- Vitor Genz — Full Time
2-Nicolas Costa — AMattheis Vogel
3- Thiago Camilo — Full Time

O grid walk de domingo aproximou o público das pistas. Imagem: divulgação.
A divisão Challenge da NASCAR Brasil teve participação ativa no grid, com disputas internas relevantes ao longo das corridas. O destaque da etapa foi Witold Ramasauskas, da equipe Team RCque garantiu a liderança geral com desempenho consistente ao longo das corridas. O pódio da etapa foi completo por Alfredinho Ibiapina, pela Full Time Sports, e Dudu Castroneves, da Pole Motorsport. Ao longo do fim de semana, Ibiapina chegou a se destacar na pista, mas acabou perdendo posições após punição, evidenciando o papel fundamental das decisões dos comissários na definição final dos resultados.
Copa Truck e Super Truck Pro também movimentaram o fim de semana
A Copa Truck também integrou o cronograma do fim de semana, com duas corridas no domingo e forte presença de público. As provas, realizadas no domingo, foram marcadas pelo equilíbrio entre as classes Pro e Elite, com caminhões lado a lado em diversos momentos e disputas físicas ao longo de todo o pelotão.
Na categoria principal, a Super Truck Pro, o formato com duas corridas na etapa resultou em vencedores diferentes. Beto Monteiro, da equipe R9 Competições, venceu uma das provas, após se destacar em meio a disputas intensas nas primeiras posições, mantendo ritmo consistente e aproveitando as oportunidades ao longo da corrida. Já André Marques, da equipe AM Motorsport, garantiu a vitória na outra corrida do dia, em uma prova marcada por trocas de posição e pressão constante entre os líderes.
As corridas da Pro foram caracterizadas por disputas físicas, com aproximações frequentes e tentativas de ultrapassagem em pontos estratégicos do circuito, exigindo controle dos pilotos para evitar contatos mais fortes, característica da categoria.
Na categoria Elite, o destaque foi Diogo Moscato, da Scuderia Chiarelli, que conquistou a vitória após uma corrida consistente e bem administrada. O piloto se manteve entre os primeiros colocados desde o início e assumiu a liderança em momento decisivo, segurando a pressão dos adversários nas voltas finais.
O pódio da Elite foi completo por adversários diretos que protagonizaram disputas ao longo da prova, com trocas de posição e aproximações constantes, evidenciando o equilíbrio da categoria. Assim como na NASCAR, o fim de semana da Copa Truck foi marcado por corridas movimentadas, poucos momentos de respiro e um alto nível de competitividade entre os pilotos.

Já a Copa Hyundai HB20 completou a programação com duas corridas marcadas por intervenções do safety car. No sábado, com grid invertido, a Corrida 1 teve mudanças na liderança após incidentes e óleo na pista, o que encurtou a prova e definiu a vitória geral de Lucas Bornemann, seguido por Victor Guerin e André Bragantini Jr. No domingo, diante de um grid cheio, Bernardo Cardoso venceu na PRO após ultrapassagem decisiva, enquanto Bê Tambasco liderou na Elite. As corridas mantiveram alto nível de competitividade entre as categorias ao longo do fim de semana.
Com isso, a expectativa do público é que no próximo ano possamos receber novamente em nossas pistas do Sul a NASCAR Brasil, contando também com a Copa Truck e Copa Hyundai HB20.
De 1909 pra cá, foi o amor que nos fez acompanhar cada jogo. Foi com a força do eterno Fernandão, o amor de D’Alessandro, a fidelidade de Abel Braga e, claro, o apoio da torcida.

O Inter se perdeu no meio da temporada. Depois de anos duros sem títulos, 2025 trouxe um Gauchão importante para o clube. Depois de tanto tempo sofrendo com derrotas, vice-campeonatos e eliminações frustrantes, conquistar o Estadual trouxe um pequeno alívio, e junto dele, a expectativa de um ano tranquilo e vitorioso.
Mas o futebol é imprevisível. E o ano que poderia ser calmo foi afundando, pouco a pouco. Uma direção bagunçada e cheia de problemas deixou o externo contaminar o interno. Fofocas, brigas, confusões…o vestiário virou uma bagunça. Jogadores entraram e saíram… Mas será que eles sabem o que é ser Inter? Os culpados foram apontados durante todo o ano: Roger Machado? Alessandro Barcellos? Ramón Díaz?
A principal mudança para a reta final do campeonato foi a volta do treinador Abel Braga, ídolo do clube. Ele abriu mão de salário, puxou a responsabilidade e fez um trabalho heroico nas duas últimas rodadas. Torcedor colorado, chegou a hora de respirar aliviado: o Internacional permanece na primeira divisão do futebol brasileiro!
E falando em torcedor, eles fizeram toda a diferença. Mesmo no pior momento, não deixaram de cantar, torcer e acreditar. O Inter chegou na última rodada dependendo da sua vitória e de outros resultados para permanecer na série A. Os resultados vieram, e o Inter fez o seu papel superando o Red Bull Bragantino no Beira-Rio.
Mais de 20 mil pessoas estavam presentes no estádio, apoiando o time durante os 90 minutos. A torcida merecia a permanência na série A. Esse clube é gigante e merece ser respeitado!
Ser homem no futebol é fácil. Eles são maioria nas arquibancadas, nos bastidores, na imprensa e, principalmente, nas posições de poder. Mas o esporte não é exclusivo para eles.

Recentemente, uma fala machista vinda de uma figura de liderança dentro do Sport Club Internacional escancarou uma realidade que muitos insistem em ignorar: o futebol brasileiro ainda é um ambiente profundamente desigual e resistente à presença feminina. E o mais doloroso é ver esse tipo de postura partindo de um clube que trabalha com um time feminino potente.
O problema não é pontual. Ele reflete uma cultura que atravessa décadas e se mostra tanto na forma como jogadoras são tratadas, nas oportunidades oferecidas dentro das redações esportivas ou nas falas em que tentam nos colocar “no nosso lugar”.
A fala recente de Ramón Díaz não é um caso isolado. Durante sua passagem pelo Vasco da Gama, em 2024, o técnico já havia se envolvido em uma polêmica semelhante ao questionar a presença de uma mulher no comando do VAR, afirmando que “me parece complicado que no VAR quem tenha que decidir seja uma mulher”.
Agora, no Internacional, ele volta a reproduzir o mesmo tipo de discurso machista ao dizer que “o futebol é para homens, não para meninas”. As duas declarações, separadas por pouco mais de um ano, reforçam que o problema não está apenas nas palavras, mas na mentalidade enraizada em grande parte do meio esportivo, um ambiente que ainda insiste em tratar a presença feminina como exceção.
E não, não se trata de “criar crise”. O próprio clube já se encarrega disso, enquanto luta contra o segundo rebaixamento. O que está em debate é algo muito mais essencial: o direito das mulheres de pertencerem a esse espaço, seja como torcedoras, jornalistas, atletas ou dirigentes.
Quando o técnico de um clube do tamanho do Internacional reproduz discursos machistas, ele não fala só por si, ele reafirma estruturas de poder que afastam e silenciam mulheres há gerações. O Inter, que carrega em sua história o lema de “Clube do Povo”, precisa entender que o povo também é feminino.
O futebol é paixão, é cultura, é identidade. Mas enquanto continuar sendo um território hostil para as mulheres, seguirá sendo também um espelho das desigualdades que ainda marcam a nossa sociedade. E o maior erro é fingir que isso é normal.
A luta das mulheres por espaço no futebol não é recente, mas cada novo episódio de machismo expõe o quanto temos que avançar. Mesmo com o crescimento das competições femininas, da presença de jornalistas mulheres nas coberturas e das torcidas organizadas por elas, existe resistência em reconhecer o papel feminino como essencial ao esporte.
Ramón Díaz não mancha apenas a própria imagem, mas também a do clube que representa. Quando um técnico assume um cargo de liderança, ele se torna uma voz institucional, e suas palavras refletem diretamente nos valores e na reputação da equipe. A fala de Díaz retrocede séculos de exclusão, tempo esse que já proibiu mulheres de jogar, de narrar, de apitar e até de torcer livremente. Mas o futebol como espaço de paixão e representatividade, não pode ser palco para retrocessos.

Ocorreu dos dias 22 a 26 de setembro de 2025, o Santa Maria Summit, na Gare da Estação Férrea em Santa Maria. O evento reuniu profissionais, acadêmicos, empresários e estudiosos dos principais setores da economia para imaginar o futuro da região através do desenvolvimento local, negócios e inovação.
Na quinta-feira, 25, o Santa Summit recebeu a jornalista esportiva da RBS TV, Alice Bastos Neves, para a palestra “Ressignifique-se: histórias para sua vida”. Durante o encontro, a comunicadora compartilhou sua trajetória profissional à frente do programa Globo Esporte e destacou os desafios enfrentados em sua vida pessoal. A comunicadora conta que, inicialmente, sonhava em ser bailarina, mas acabou redirecionando seus planos e se formou em Jornalismo pela PUCRS.
Natural de Pelotas, Alice destacou o papel fundamental da família em sua trajetória, carinhosamente chamada por ela de “os meus”. Mais do que a jornalista que aparece na televisão, ela se define como alguém que enfrenta e supera desafios ao lado das pessoas que ama. A apresentadora relata que uma das suas primeiras dificuldades surgiu ao descobrir a gravidez de seu filho Martin durante a cobertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil. Anos depois, ela refletiu sobre o quanto valeu a pena conciliar a gravidez com o trabalho. “Eu estava preparando o jantar para o Martin, um dia antes de viajar para Paris no ano passado, quando ele se aproximou do balcão e me disse para nunca parar de fazer o meu trabalho, porque ele amava o que eu fazia”, contou.
Apesar de ter participado de grandes eventos esportivos como a Copa do Mundo no Brasil (2014), Olimpíadas no Rio de Janeiro (2016), Mundial de Clubes (2017), Copa da Rússia (2018), Olimpíadas de Tóquio (2020), Copa do Mundo no Catar (2022) e Olimpíadas de Paris (2024), Alice destacou que a vida não é uma competição olímpica, mas sim uma jornada marcada por desafios e desequilíbrios. Ao receber o diagnóstico de câncer de mama enquanto se dedicava ao trabalho, ela revelou ter exercitado a resiliência. “Eu estava gravando uma paródia para o Globo Esporte, e apenas 30 segundos após receber a notícia, não pensei em nada, nem chorei, me mantive firme”, contou: “Só permiti a mim mesma chorar pela primeira vez durante uma ligação com toda a minha família, quando eles me disseram que iríamos enfrentar isso juntos.”. A jornalista relatou que enfrentou e superou o desafio com muita leveza: “Minha mãe raspou meu cabelo enquanto meu pai varria o chão e meu filho assistia. Depois, Martin me disse que queria dar um beijo na minha careca.”
A jornalista esportiva também contou sobre a quebra de barreiras como mulher em um ambiente majoritariamente masculino: “Quando entrei na área esportiva do Grupo RBS, eu era a única mulher. Hoje, somos várias, porque uma puxa a outra e sempre nos apoiamos.” A palestrante também reforçou sobre a importância de conhecer bem o público com quem se comunica diariamente: “Eu me reinvento a cada dia. Gosto de inovar, para manter a audiência viva. Às vezes, senhoras me param na rua para falar que não gostam de esporte, na verdade elas gostam de mim.” Alice ressaltou que a autenticidade, determinação e coragem são as chaves para qualquer vitória: “Estar no mesmo lugar não significa fazer sempre as mesmas coisas, precisamos transformar oportunidades em resultados.”
Ao final da palestra, a jornalista compartilhou um trecho de uma música que acompanha ela nos dias difíceis: “Eu ouvi muito durante meu tratamento. Ela diz que a coragem é o que mantém a mente sã, quando estamos a um passo de enlouquecer. É preciso coragem. A vida é muito boa e tem muita graça.”

Na última terça-feira, dia 12 de agosto, o curso de Jornalismo da Universidade Franciscana (UFN) realizou uma viagem de estudos para Porto Alegre. A viagem contou com a supervisão do coordenador e professor do curso de Jornalismo da UFN, Iuri Lammel. Acadêmicos de diferentes semestres participaram da viagem à capital gaúcha.
A viagem teve o objetivo de aproximar os estudantes do contexto de atuação do jornalista em uma empresa de grande porte no cenário comunicacional do Rio Grande do Sul, bem como proporcionar vivências na área esportiva, que desperta interesse em grande parte acadêmicos, nas sedes de Grêmio e Internacional, consideradas as principais equipes de futebol do estado e que possuem relevância a nível nacional.
Durante a manhã, os estudantes visitaram os estúdios e redações do Grupo RBS, dentre eles, a RBS TV, Gaúcha, Zero Hora, Diário Gaúcho, Rádio Gaúcha e Rádio Atlântida. Nesses locais, eles puderam ter contato com profissionais da área e entender a dinâmica de comunicação da empresa. Além disso, os alunos observaram a rotina de trabalho dos comunicadores, como a preparação para participação nos programas, o manejo do aparato tecnológico que dá o suporte na execução das práticas, detalhes que envolvem o processo de produção de conteúdos multiplataforma, além do trabalho em equipe de maneira integrada que ocorre na empresa.
Para Nathaly Penna, acadêmica do 4° semestre do curso de Jornalismo, o momento mais marcante foi a visita ao estúdio da RBS TV. Nathaly ressalta que ter a oportunidade de interagir com jornalistas como Cristina Ranzolin e Marco Matos, que são grandes inspirações para ela, foi uma sensação inexplicável.
Já no período da tarde, os acadêmicos seguiram para Arena do Grêmio e o Estádio Beira-Rio, onde fizeram um tour a fim de conhecer os museus, os vestiários e as salas de imprensa dos clubes. “Gostei muito de conhecer a área de comunicação do Grêmio. Eu sou gremista e adoro jornalismo esportivo. Ver os bastidores e entender como tudo funciona foi muito bom. A viagem para Porto Alegre só reforçou o quanto eu amo o jornalismo e a comunicação. Com certeza vai ficar pra sempre na minha memória”, conclui Nathaly.
O Diretório Acadêmico (DAJOR) do curso de Jornalismo da UFN atuou no processo de organização da viagem, junto ao coordenador do curso e demais professores.






Imagens: Divulgação

O 17° Fórum de Comunicação dos cursos de Jornalismo e Publicidade e Propaganda ocorreu nos dias 10 e 11 de junho, últimas terça e quarta-feira. O tema deste ano foi “Conexões em jogo, quando a comunicação encontra o esporte” e uniu os universitários através de palestras e oficinas.
Iniciando a programação do Fórum, na quarta- feira pela manhã, o CEO da Prohub, Vitor de Souza, falou sobre o tema “O case ProHub na produção de podcast e videocast para o segmento esportivo,” onde destacou sobre a importância de podcasts após o período da pandemia. Ele salientou que o produto é uma ferramenta de monetização tanto para jornalistas quanto para publicitários. Vitor ressaltou as mudanças que novas plataformas de mídias sociais trouxeram para o telespectador. “O Youtube se tornou, em muitos aspectos, relevante nisto, o que fez com que os podcasts, que são essa fórmula mais próxima de comunicação, tivesse um crescimento constante. O podcast conecta pessoas de maneira democrática e verdadeira onde você cria uma comunidade de valor”, frisou o empresário.

A segunda palestra da manhã foi realizada pela publicitária egressa da UFN, Amanda Cassenote Ribeiro, com o tema ” A experiência NBA no Brasil: o único parque temático da liga no mundo”. A palestrante falou sobre o NBA Park, primeiro parque temático da NBA (National Basketball Association) no mundo, localizado na cidade de Gramado. Segundo ela ” O parque foi uma forma de estender a experiência NBA no Brasil, pois não há possibilidade de ter jogos da liga no país”. Além disso, Amanda conta sobre as transmissões ao vivo das finais da liga de basquete e salienta o desafio de fazer algo deste modelo em Gramado.

A terceira e última palestra da manhã ficou por conta do cofundador da agência O Clube Footbal, Rodrigo Russomanno, que palestrou sobre o tema “O Clube que enxerga o esporte como oportunidade”. Rodrigo frisou que o esporte é uma força permanente na cidade de Santa Maria e que sua função na agência é transformar histórias em narrativas. Russomanno realçou que “Não importa onde a gente esteja, o mundo digital não tem fronteiras e o que limita as pessoas não é o lugar físico onde estão, mas sim o pensamento”.

Pela parte da tarde, iniciaram as primeiras oficinas do evento, a primeira delas foi com o jornalista formado pela UFRGS e com especialização em Jornalismo Esportivo, Rodrigo Oliveira, que falou sobre a “Redação jornalística esportiva para multiplataformas”. Rodrigo contou a história de como se apaixonou pelo jornalismo esportivo, visto que com apenas 8 anos de idade já distribuía jornais feitos por ele mesmo para os moradores de seu condomínio. O jornalista reforçou o seu estudo durante todas as fases da vida e principalmente das suas coberturas esportivas ao redor do mundo, entre elas estão as Copas do Mundo de 2010, na África do Sul, 2014, no Brasil, 2018, na Rússia, e 2022, no Catar, além da Copa do Mundo Feminina 2023, na Austrália, e os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, e Paris, em 2024. Sua próxima viagem será nos Estados Unidos para cobrir a primeira edição da Copa do Mundo de Clubes da Fifa.
O CEO do Studio ProHub, Victor Abs da Cruz retornou para a segunda oficina do Fórum de Comunicação, desta vez com o titulo “Esporte e publicidade: o algoritmo que conecta todo mundo”. Victor contou sobre seu estúdio de podcast e videocast em Porto Alegre, com mais de 700 videocasts desenvolvidos, milhares de episódios produzidos e mais de 1 bilhão de visualizações nas principais plataformas ao longo de três anos. Ele atua desde a concepção e planejamento até a distribuição e promoção, o ProHub cuida de todas as etapas, criação de identidade visual, gravação, direção, edição, cortes, elaboração de mídia kit para captação de patrocinadores, divulgação e monitoramento de resultados.
Durante a noite, quem retornou foi o jornalista do Grupo RBS, Rodrigo Oliveira, para ministrar uma palestra sobre “A construção de uma carreira jornalística”. Durante a conversa, Rodrigo contou que teve muita persistência em todas as suas coberturas esportivas e ressaltou que os universitários não devem ter a preocupação de errar “É bom sentir pressão e medo, significa que algo grandioso está acontecendo com você”.

Pela manhã de quarta-feira, seguindo o segundo dia do fórum, Yuri Laurindo, fotógrafo esportivo mineiro freelancer, formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), falou sobre “Apontando para o movimento: a fotografia esportiva”, onde comentou sobre a sua foto reconhecida mundialmente, que retrata uma torcedora do Racing pendurada no alambrado com arames farpados, com as pernas machucadas e os olhos cheios de lágrimas. Yuri também contou sobre sua trajetória como fotografo esportivo e como essa paixão entrou em sua vida.

Seguindo com as programações pela manhã, foi apresentado o painel “O segmento esportivo como oportunidade de negócios em Santa Maria” que contou com a participação de Alexandre Tavares da Silva e Mateus Prestes. Alexandre é sócio proprietário da Gofit Assessoria Esportiva, treinador e atleta amador de corrida com mais de 30 maratonas concluídas. Ele lidera a maior assessoria esportiva do interior do Rio Grande do Sul, atendendo mais de 1000 alunos especializados em corrida e ciclismo.

Mateus Prestes é um dos sócios do Pelea Deportes y Bar, espaço que une esporte e entretenimento em Santa Maria, oferecendo atividades como vôlei, futsal, handebol, beach tennis e futvôlei, além de um bar completo para confraternizações. Durante o painel, os participantes abordaram as potencialidades do mercado esportivo local, destacando inovação, saúde e a crescente integração entre esporte e lazer como motores para novos negócios.

Anis Gloss, encerrou a manhã com a palestra “Comunicação estratégica de marca, a onda perfeita!”. Especialista em branding, marketing e gestão de projetos, Anis acumula mais de 20 anos de experiência profissional. Atualmente, é Head do departamento de Marketing da Mormaii, onde lidera ações de posicionamento da marca, desenvolvimento de parcerias estratégicas e a gestão do projeto de collab com o Comitê Olímpico do Brasil (COB) e a Confederação Brasileira de Surf (CBSURF). Durante a palestra, Anis ressaltou a importância de uma comunicação autêntica e alinhada com os valores da marca para alcançar a “onda perfeita” no mercado competitivo, As pessoas que querem uma peça da marca, de alguma forma, querem se identificar com um estilo de vida”, comentou. Também respondeu perguntas sobre sua carreira multifacetada e os desafios de liderar projetos que unem esporte, cultura e negócios.

Pela tarde ocorreram as oficinas com a fundadora e diretora da agência Praevia Estúdio Criativo, Miriã Teixeira sobre “Performance de conteúdo com espírito esportivo: a comunicação audiovisual do Pelea Deportes y Bar” e com o coordenador do marketing e docente da Faculdade Integrada de Santa Maria (FISMA ), Mateus de Brito Nagel, que falou sobre o tema “O case Gaúcha Sports Bar: esporte + entretenimento”.


Carlos Etchichury encerrou o Fórum com uma palestra intitulada “Do repórter ao gestor, mas sempre jornalista”. Atualmente, Carlos é Gerente Executivo de Esportes da Rádio Gaúcha, GZH, Zero Hora e Diário Gaúcho, veículos do Grupo RBS. É também coautor dos livros “Os Infiltrados – Eles eram os olhos e os ouvidos da ditadura” e “GDI: Bastidores e Prática do Jornalismo Investigativo”. Ao longo da carreira, produziu investigações jornalísticas com foco em direitos humanos e segurança, além de colaborar em importantes coberturas locais e nacionais. Durante a palestra, Etchichury destacou a importância dos fundamentos do jornalismo, como a apuração, a criatividade, a empatia e o hábito da leitura. Também respondeu as perguntas sobre sua trajetória como jornalista e gestor, além de compartilhar bastidores das histórias por trás dos livros que escreveu.

Colaboração: Maria Valenthine Feistauer