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Depressão também atinge crianças

Atualmente, com o crescente número de casos de pessoas com depressão, é comum conhecer ou ter ouvido falar de alguém que possui transtornos depressivos. Entretanto, o que não é tão comum assim e vem ocorrendo nos últimos anos, são os casos de depressão na infância.

Até pouco tempo, pensava-se que a depressão infantil não existia. Foi nos últimos 20 anos que passou a se reconhecer que a depressão, até então comum em adultos, poderia ocorrer também na infância. Apesar de já ser reconhecida, a depressão na infância ainda não é bem estabelecida e diferenciada e muitos autores continuam a duvidar de sua existência.

         De acordo com a psicóloga, Mônica Cielo Vedoin, a depressão nas crianças difere da que acontece nos adultos, podendo aparecer de uma forma mascarada, sendo então de difícil diagnóstico. No entanto, alguns sintomas podem servir de alerta aos pais. “A hiperatividade, a agressividade, tristeza e a anedonia (a incapacidade em sentir prazer por todas as coisas) são alguns dos sinais da depressão. Nem sempre vai ocorrer o quadro comum nos adultos que é a tristeza, mas pode ocorrer a somatização (alguma dor ou doença que não tem causa orgânica e sim psicológica), como dor de estômago, de barriga ou dor de cabeça. Sempre vai ser um caso específico, mas é importante saber que na criança os sinais podem estar de uma forma mascarada e que podem fazer pensar que é outra coisa e é depressão”, alerta.

           A psicóloga lembra ainda que outro aspecto que ajuda no aparecimento da depressão é a perda. “É importante verificar se essa depressão não é parte de um luto, pois após a perda de alguém, é normal esperar a tristeza”, salienta.

           Nas crianças tímidas, o diagnóstico torna-se mais difícil, já que a criança não consegue expressar seus sentimentos. “É complicado, tanto com crianças como em adolescentes tímidos e é importante sabermos através de entrevistas e acompanhamento até que ponto vai a timidez, pois os sintomas da depressão e da timidez são diferentes. A depressão, muitas vezes, vem com pensamentos suicidas e baixa auto-estima, ao contrário da timidez. Então, são através dessas diferenças e de um acompanhamento de umas três ou quatro entrevistas, em um processo de diagnóstico que vamos perceber a depressão”, ressalta Mônica.

           Também existem fatores que podem aumentar o risco de quadros depressivos nos pequenos. “É bastante comum casos de depressão quando existe um meio social que não favorece a criança, como nas famílias de baixa renda, pais ou mães alcoólatras e familiares com depressão”, diz a psicóloga. Ela ressalta ainda que é muito comum filhos de mães depressivas virem a sofrer do transtorno. “É bem comum até porque quando essa mãe tem depressão, ela não consegue dar sustentação, base e segurança para a criança. Geralmente, a mãe, de uma visão mais psicanalítica, não consegue compreender o choro da criança, não tem aquele olhar para com o filho”, acrescenta.

           Segundo Mônica, não existe idade específica para o início da depressão na infância, não descartando, assim, a possibilidade de bebês e crianças de dois a três anos sofrerem do problema.

          O tratamento para os pequenos é feito a partir de uma avaliação não só com a criança, mas também com toda a família. “Primeiramente, é feita uma anaminésia (toda a história de vida da criança, desde a vida intra-uterina) com os pais, em umas três seções, a partir disto, ficamos sabendo porque eles procuram ajuda e quem os encaminhou. Depois dessa parte com os pais, é feito então com a criança”, diz a psicóloga. Ela diz que dependendo da idade da criança, faz-se o tratamento com a parte lúdica, com desenhos, brincadeiras e através da conversa, sendo esta a parte mais complicada. “Se é encaminhado pela escola, é preciso falar com o professor, com o coordenador pedagógico para entender bem o caso e não dar um diagnóstico errado”, diz.

       Além de buscar um tratamento psicológico, há outros cuidados que os pais precisam ter com os filhos vítimas da depressão. A hipótese de suicídio não deve ser descartada, já que, como os adultos, a criança deprimida pode ter idéias suicidas. “Já se teve vários casos de crianças que sobem no teto e os pais acham que é para brincar ou fazer birra, e na verdade é uma tentativa de suicídio, então se tiver risco de suicídio, é preciso atenção 24 horas”, alerta Mônica. “É importante buscar um profissional o mais rápido possível, ir à escola da criança frequentemente se informar como ela está através do acompanhamento do pediatra. Se notar alguma diferença, procurar um psicólogo ou um psiquiatra infantil, tudo vai depender do caso”, finaliza.

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Atualmente, com o crescente número de casos de pessoas com depressão, é comum conhecer ou ter ouvido falar de alguém que possui transtornos depressivos. Entretanto, o que não é tão comum assim e vem ocorrendo nos últimos anos, são os casos de depressão na infância.

Até pouco tempo, pensava-se que a depressão infantil não existia. Foi nos últimos 20 anos que passou a se reconhecer que a depressão, até então comum em adultos, poderia ocorrer também na infância. Apesar de já ser reconhecida, a depressão na infância ainda não é bem estabelecida e diferenciada e muitos autores continuam a duvidar de sua existência.

         De acordo com a psicóloga, Mônica Cielo Vedoin, a depressão nas crianças difere da que acontece nos adultos, podendo aparecer de uma forma mascarada, sendo então de difícil diagnóstico. No entanto, alguns sintomas podem servir de alerta aos pais. “A hiperatividade, a agressividade, tristeza e a anedonia (a incapacidade em sentir prazer por todas as coisas) são alguns dos sinais da depressão. Nem sempre vai ocorrer o quadro comum nos adultos que é a tristeza, mas pode ocorrer a somatização (alguma dor ou doença que não tem causa orgânica e sim psicológica), como dor de estômago, de barriga ou dor de cabeça. Sempre vai ser um caso específico, mas é importante saber que na criança os sinais podem estar de uma forma mascarada e que podem fazer pensar que é outra coisa e é depressão”, alerta.

           A psicóloga lembra ainda que outro aspecto que ajuda no aparecimento da depressão é a perda. “É importante verificar se essa depressão não é parte de um luto, pois após a perda de alguém, é normal esperar a tristeza”, salienta.

           Nas crianças tímidas, o diagnóstico torna-se mais difícil, já que a criança não consegue expressar seus sentimentos. “É complicado, tanto com crianças como em adolescentes tímidos e é importante sabermos através de entrevistas e acompanhamento até que ponto vai a timidez, pois os sintomas da depressão e da timidez são diferentes. A depressão, muitas vezes, vem com pensamentos suicidas e baixa auto-estima, ao contrário da timidez. Então, são através dessas diferenças e de um acompanhamento de umas três ou quatro entrevistas, em um processo de diagnóstico que vamos perceber a depressão”, ressalta Mônica.

           Também existem fatores que podem aumentar o risco de quadros depressivos nos pequenos. “É bastante comum casos de depressão quando existe um meio social que não favorece a criança, como nas famílias de baixa renda, pais ou mães alcoólatras e familiares com depressão”, diz a psicóloga. Ela ressalta ainda que é muito comum filhos de mães depressivas virem a sofrer do transtorno. “É bem comum até porque quando essa mãe tem depressão, ela não consegue dar sustentação, base e segurança para a criança. Geralmente, a mãe, de uma visão mais psicanalítica, não consegue compreender o choro da criança, não tem aquele olhar para com o filho”, acrescenta.

           Segundo Mônica, não existe idade específica para o início da depressão na infância, não descartando, assim, a possibilidade de bebês e crianças de dois a três anos sofrerem do problema.

          O tratamento para os pequenos é feito a partir de uma avaliação não só com a criança, mas também com toda a família. “Primeiramente, é feita uma anaminésia (toda a história de vida da criança, desde a vida intra-uterina) com os pais, em umas três seções, a partir disto, ficamos sabendo porque eles procuram ajuda e quem os encaminhou. Depois dessa parte com os pais, é feito então com a criança”, diz a psicóloga. Ela diz que dependendo da idade da criança, faz-se o tratamento com a parte lúdica, com desenhos, brincadeiras e através da conversa, sendo esta a parte mais complicada. “Se é encaminhado pela escola, é preciso falar com o professor, com o coordenador pedagógico para entender bem o caso e não dar um diagnóstico errado”, diz.

       Além de buscar um tratamento psicológico, há outros cuidados que os pais precisam ter com os filhos vítimas da depressão. A hipótese de suicídio não deve ser descartada, já que, como os adultos, a criança deprimida pode ter idéias suicidas. “Já se teve vários casos de crianças que sobem no teto e os pais acham que é para brincar ou fazer birra, e na verdade é uma tentativa de suicídio, então se tiver risco de suicídio, é preciso atenção 24 horas”, alerta Mônica. “É importante buscar um profissional o mais rápido possível, ir à escola da criança frequentemente se informar como ela está através do acompanhamento do pediatra. Se notar alguma diferença, procurar um psicólogo ou um psiquiatra infantil, tudo vai depender do caso”, finaliza.