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Santa Maria, RS, Brazil

Entrevista: Reinaldo Vizcarra

Reinaldo Vizcarra aceitou dar entrevista, sem citar nomes:

ACN – Como você resolveu desenvolver esse trabalho?

Reinaldo Vizcarra- A gente vive numa sociedade em que a comunicação é muito eletronizada. O acesso à informação pela mídia eletrônica reduz bastante a capacidade de redigir. As pessoas adquirem conhecimentos, mas sem capacidade de traduzí-lo de forma escrita. Então, decidi atuar nesse mercado, atendendo a essa necessidade das pessoas: pegar o conhecimento com o qual trabalharam e passar para a palavra escrita. Ou seja, eu hoje exerço o papel do escriba da antiga sociedade egípcia.

ACN- Você não considera essa prática antiética, uma vez que pode estar enganando as universidades, a pedido de seus clientes?

Vizcarra- Não considero, não. Dentro da relação de ensino existem diversas coisas que precisam ser melhoradas. Se as pessoas não precisassem do meu trabalho e eu o exercesse, seria antiético. Se precisam de mim é porque a estrutura da educação leva-as aos cursos de pós-graduação precisando de um escriba. Então, se existe alguma coisa antiética no meio desse caminho, vem lá de trás, não começa em mim.

ACN – E de onde vem a origem dessa falta de ética?

Vizcarra- Atribuo essa origem ao que eu chamaria de "idiotização" do ensino fundamental e médio. Acredito que ao invés de ensinar o principal, que torna as pessoas boas cidadãs e capazes de se comunicar, a escola idiotiza-as para serem operárias de práticas que não existem mais.

ACN – Essa atividade já trouxe algum problema para o senhor?

Vizcarra- Não tem porque.

ACN – Há quanto tempo você trabalha fazendo monografias?

Vizcarra- Há cerca de um ano.

ACN – Qual o valor das monografias?

Vizcarra- Isso eu não divulgo. É entre eu e os clientes. É necessário frisar que eu trabalho com o conhecimento deles.

ACN – Esse valor não seria de R$ 650?

Vizcarra- Isso varia. Se eu disser que cobro R$ 650 por uma monografia, e chegar alguém pedindo monografia de Física Quântica, vai me criar um problema. Eu cobraria outro valor. Primeiro, não entendo nada do assunto. Segundo, se eu entendesse, não ia cobrar R$ 650 por isso.

ACN- Como você avalia a atividade que desempenha?

Vizcarra- As atividades nascem a partir das necessidades do público. Não fui quem criou essa necessidade. Se você parar para analisar, um estudante de pós-graduação que está se formando num país de divisão de renda mais equalitária, não precisa trabalhar entre oito e dez horas por dia para pagar sua faculdade. Num país em que a renda é melhor distribuída, o estudante pode se dedicar ao seu estudo. No Brasil, é preciso fazer a pós-graduação, mas também trabalhar, cuidar de filho e desempenhar outras atividades.

ACN- Seu trabalho não podería prejudicar seus clientes futuramente?

Vizcarra- Não. Acredito que o futuro dos meus clientes pertence a eles. O fato de eu ajudar a fazer uma monografia não significa que ele não tenha a obrigação de estudar o tema. O estudante tem que estudar o tema, e se não estudar é problema dele. Se não estudar, é porque não foi competente para isso e não teve interesse. Eu parto da premissa que a dificuldade do cliente é redigir, mas tem conhecimento do tema que me chama a exteriorizar.

ACN- O senhor não acredita que seu trabalho pode prejudicar sua trajetória de estudos e concursos?

Vizcarra- Eu acho que não. Acho até que uma coisa é boa para a outra. O fato de eu ter ganho duas vezes o Concurso Felipe D’Oliveira ajuda as pessoas a terem segurança de que o escriba que elas vão contratar é competente. Também acho que meu hábito de escrever sempre, e muito, me ajuda a exercitar o que eu preciso saber para participar de concursos como o Felipe D’Oliveira.

ACN – Em quanto tempo é feita uma monografia?

Vizcarra- Em geral, eu levo entre um mês e um mês e meio para fazer uma monografia. Eu não faço pesquisa de campo, geralmente quem faz é o próprio cliente. Isso me tranqüiliza no aspecto ético, pois se o estudante faz a pesquisa de campo, ele está por dentro do seu trabalho, apurando e participando. Tentar pegar o cara pelo braço e sentar com ele pra estudar eu não vou fazer, porque não sou babá de ninguém. Eu só exerço a função de escriba. A questão do conhecimento parte do cliente. Se chegar no mercado de trabalho e não conhecer o campo em que atua, é problema dele. A sociedade deve se questionar como ele chegou lá. Foi por culpa do escriba? Certamente que não.

ACN- Como é a procura por seus serviços?

Vizcarra- Não é tão grande. O número de procura varia muito.

ACN- Como é feita a divulgação do seu trabalho?

Vizcarra- Eu divulgo eventualmente.

ACN – Algum mestrando em educação da UFSM ajuda a fazer as monografias?

Vizcarra- Não.

ACN – O senhor confirma a informação de que os valores de seu trabalho seriam: R$ 650 para monografias, R$ 250 para artigos e projetos custariam R$ 200?

Vizcarra- Não confirmo nenhuma informação em relação a gente que me ajude nem divulgo preços. Se uma pessoa informar algum valor e não puder provar, o problema é dela comigo. Eu vou processar essa pessoa.

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Reinaldo Vizcarra aceitou dar entrevista, sem citar nomes:

ACN – Como você resolveu desenvolver esse trabalho?

Reinaldo Vizcarra- A gente vive numa sociedade em que a comunicação é muito eletronizada. O acesso à informação pela mídia eletrônica reduz bastante a capacidade de redigir. As pessoas adquirem conhecimentos, mas sem capacidade de traduzí-lo de forma escrita. Então, decidi atuar nesse mercado, atendendo a essa necessidade das pessoas: pegar o conhecimento com o qual trabalharam e passar para a palavra escrita. Ou seja, eu hoje exerço o papel do escriba da antiga sociedade egípcia.

ACN- Você não considera essa prática antiética, uma vez que pode estar enganando as universidades, a pedido de seus clientes?

Vizcarra- Não considero, não. Dentro da relação de ensino existem diversas coisas que precisam ser melhoradas. Se as pessoas não precisassem do meu trabalho e eu o exercesse, seria antiético. Se precisam de mim é porque a estrutura da educação leva-as aos cursos de pós-graduação precisando de um escriba. Então, se existe alguma coisa antiética no meio desse caminho, vem lá de trás, não começa em mim.

ACN – E de onde vem a origem dessa falta de ética?

Vizcarra- Atribuo essa origem ao que eu chamaria de "idiotização" do ensino fundamental e médio. Acredito que ao invés de ensinar o principal, que torna as pessoas boas cidadãs e capazes de se comunicar, a escola idiotiza-as para serem operárias de práticas que não existem mais.

ACN – Essa atividade já trouxe algum problema para o senhor?

Vizcarra- Não tem porque.

ACN – Há quanto tempo você trabalha fazendo monografias?

Vizcarra- Há cerca de um ano.

ACN – Qual o valor das monografias?

Vizcarra- Isso eu não divulgo. É entre eu e os clientes. É necessário frisar que eu trabalho com o conhecimento deles.

ACN – Esse valor não seria de R$ 650?

Vizcarra- Isso varia. Se eu disser que cobro R$ 650 por uma monografia, e chegar alguém pedindo monografia de Física Quântica, vai me criar um problema. Eu cobraria outro valor. Primeiro, não entendo nada do assunto. Segundo, se eu entendesse, não ia cobrar R$ 650 por isso.

ACN- Como você avalia a atividade que desempenha?

Vizcarra- As atividades nascem a partir das necessidades do público. Não fui quem criou essa necessidade. Se você parar para analisar, um estudante de pós-graduação que está se formando num país de divisão de renda mais equalitária, não precisa trabalhar entre oito e dez horas por dia para pagar sua faculdade. Num país em que a renda é melhor distribuída, o estudante pode se dedicar ao seu estudo. No Brasil, é preciso fazer a pós-graduação, mas também trabalhar, cuidar de filho e desempenhar outras atividades.

ACN- Seu trabalho não podería prejudicar seus clientes futuramente?

Vizcarra- Não. Acredito que o futuro dos meus clientes pertence a eles. O fato de eu ajudar a fazer uma monografia não significa que ele não tenha a obrigação de estudar o tema. O estudante tem que estudar o tema, e se não estudar é problema dele. Se não estudar, é porque não foi competente para isso e não teve interesse. Eu parto da premissa que a dificuldade do cliente é redigir, mas tem conhecimento do tema que me chama a exteriorizar.

ACN- O senhor não acredita que seu trabalho pode prejudicar sua trajetória de estudos e concursos?

Vizcarra- Eu acho que não. Acho até que uma coisa é boa para a outra. O fato de eu ter ganho duas vezes o Concurso Felipe D’Oliveira ajuda as pessoas a terem segurança de que o escriba que elas vão contratar é competente. Também acho que meu hábito de escrever sempre, e muito, me ajuda a exercitar o que eu preciso saber para participar de concursos como o Felipe D’Oliveira.

ACN – Em quanto tempo é feita uma monografia?

Vizcarra- Em geral, eu levo entre um mês e um mês e meio para fazer uma monografia. Eu não faço pesquisa de campo, geralmente quem faz é o próprio cliente. Isso me tranqüiliza no aspecto ético, pois se o estudante faz a pesquisa de campo, ele está por dentro do seu trabalho, apurando e participando. Tentar pegar o cara pelo braço e sentar com ele pra estudar eu não vou fazer, porque não sou babá de ninguém. Eu só exerço a função de escriba. A questão do conhecimento parte do cliente. Se chegar no mercado de trabalho e não conhecer o campo em que atua, é problema dele. A sociedade deve se questionar como ele chegou lá. Foi por culpa do escriba? Certamente que não.

ACN- Como é a procura por seus serviços?

Vizcarra- Não é tão grande. O número de procura varia muito.

ACN- Como é feita a divulgação do seu trabalho?

Vizcarra- Eu divulgo eventualmente.

ACN – Algum mestrando em educação da UFSM ajuda a fazer as monografias?

Vizcarra- Não.

ACN – O senhor confirma a informação de que os valores de seu trabalho seriam: R$ 650 para monografias, R$ 250 para artigos e projetos custariam R$ 200?

Vizcarra- Não confirmo nenhuma informação em relação a gente que me ajude nem divulgo preços. Se uma pessoa informar algum valor e não puder provar, o problema é dela comigo. Eu vou processar essa pessoa.