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Gerbase discute diferentes linguagens do cinema

Carlos Gerbase, jornalista, diretor, escritor e professor da PUCRS ministrou nesta quinta-feira de manhã palestra para os participantes do IV Fórum de Comunicação Social as Unifra  

 

O atraso de meia hora para o início da palestra, prevista para as 8h, não foi motivo para espantar os acadêmicos de jornalismo e de publicidade e propaganda.

Gerbase falou sobre a substituição do termo linguagem cinematográfica pela linguagem audiovisual. O novo conceito é amplo, mais “abrangente e democrático”.

As linguagens são várias, da televisão, do vídeo, super 8, documentário, entre outras. O jornalista disse que essas linguagens nascem com cada nova tecnologia, como por exemplo, a internet. Ele questionou se “são linguagens autônomas” e citou a célebre frase de Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”.

 A digitalização do cinema e o crescente abandono do modo analógico também foi tema para discussão. Afinal, “existe linguagem do cinema digital?”. Gerbase concluiu, em 2003, o doutorado em Comunicação Social com a tese que debate os impactos das tecnologias sobre a narrativa audiovisual. Ele disse que quem produz com uma câmera digital e não entende muito sobre a história da sétima arte não deixa de fazer cinema. O diretor disse que a curiosidade de aprender como era feito antes chega um dia. 
Outro fator abordado na palestra foi a disputa para classificar o cinema na área das Ciências Sociais Aplicáveis, na Comunicação, ou na área da Linguagens e Artes (Artes Visuais).

Antes, fazer cinema era mais um negócio de paixão. Agora, é mais fácil e virou até moda: com qualquer câmera na mão se produz algo? “No tempo do super 8 que tinha essa dificuldade de tempo da câmera rodando, a gente era tremendamente econômico e planejava muito, ensaiava muito, pensava bastante antes de apertar o botão. Isso, eu acho que é uma diferença. É interessante ter essa noção da película, porque tu pensa muito bem no que tu tá fazendo”.

O diretor ainda disse que a certa facilidade existente com o modo digital não é sinônimo de qualidade: “ No vídeo, às vezes, pelo fato de tu tá fazendo uma tomada de quinze segundos ou uma tomada de cinco minutos não faz a menor diferença em termos de custo, tu tende a ser muito prolixo e tende a filmar demais. Tende a achar que filme bom é um filme que tem uma hora de duração. Aí tu fez cinema porque é grande. Claro que não. O negócio difícil é fazer três minutos muito bem feitos. Uma hora chata qualquer um faz”, enfatizou.

Carlos Gerbase retorna à cidade no próximo dia 15, quando lança na Feira do Livro de Santa Maria seu primeiro romance intitulado “Professores”. 

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória – UNIFRA

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Carlos Gerbase, jornalista, diretor, escritor e professor da PUCRS ministrou nesta quinta-feira de manhã palestra para os participantes do IV Fórum de Comunicação Social as Unifra  

 

O atraso de meia hora para o início da palestra, prevista para as 8h, não foi motivo para espantar os acadêmicos de jornalismo e de publicidade e propaganda.

Gerbase falou sobre a substituição do termo linguagem cinematográfica pela linguagem audiovisual. O novo conceito é amplo, mais “abrangente e democrático”.

As linguagens são várias, da televisão, do vídeo, super 8, documentário, entre outras. O jornalista disse que essas linguagens nascem com cada nova tecnologia, como por exemplo, a internet. Ele questionou se “são linguagens autônomas” e citou a célebre frase de Marshall McLuhan: “O meio é a mensagem”.

 A digitalização do cinema e o crescente abandono do modo analógico também foi tema para discussão. Afinal, “existe linguagem do cinema digital?”. Gerbase concluiu, em 2003, o doutorado em Comunicação Social com a tese que debate os impactos das tecnologias sobre a narrativa audiovisual. Ele disse que quem produz com uma câmera digital e não entende muito sobre a história da sétima arte não deixa de fazer cinema. O diretor disse que a curiosidade de aprender como era feito antes chega um dia. 
Outro fator abordado na palestra foi a disputa para classificar o cinema na área das Ciências Sociais Aplicáveis, na Comunicação, ou na área da Linguagens e Artes (Artes Visuais).

Antes, fazer cinema era mais um negócio de paixão. Agora, é mais fácil e virou até moda: com qualquer câmera na mão se produz algo? “No tempo do super 8 que tinha essa dificuldade de tempo da câmera rodando, a gente era tremendamente econômico e planejava muito, ensaiava muito, pensava bastante antes de apertar o botão. Isso, eu acho que é uma diferença. É interessante ter essa noção da película, porque tu pensa muito bem no que tu tá fazendo”.

O diretor ainda disse que a certa facilidade existente com o modo digital não é sinônimo de qualidade: “ No vídeo, às vezes, pelo fato de tu tá fazendo uma tomada de quinze segundos ou uma tomada de cinco minutos não faz a menor diferença em termos de custo, tu tende a ser muito prolixo e tende a filmar demais. Tende a achar que filme bom é um filme que tem uma hora de duração. Aí tu fez cinema porque é grande. Claro que não. O negócio difícil é fazer três minutos muito bem feitos. Uma hora chata qualquer um faz”, enfatizou.

Carlos Gerbase retorna à cidade no próximo dia 15, quando lança na Feira do Livro de Santa Maria seu primeiro romance intitulado “Professores”. 

Fotos: Núcleo de Fotografia e Memória – UNIFRA