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Mães dependentes, filhos doentes

O uso de entorpecentes no período da gestação prejudica as mães e causa danos irreversíveis para os bebês. As crianças sofrem conseqüências que deixam marcas para o resto de suas vidas.

São muitos os tipos de doenças desencadeadas pelo uso de entorpecentes, conseqüência das substâncias tóxicas que compõem os mesmos. Um fator preocupante em relação a esse assunto é no que se refere à questão da dependência. “A criança que nasce de uma mãe dependente tem uma grande possibilidade de também se tornar dependente”, explica a farmacêutica, Geisi Melo.

 

A farmacêutica enfatiza que substâncias como cocaína, maconha, inalantes, álcool e cigarro criam dependência, destroem o organismo e podem levar à morte. A cocaína pode fazer com que as crianças nasçam pequenas, com peso muito abaixo do normal, com o tamanho da caixa craniana menor e com retardamento mental.

 

Entre os inalantes estão os solventes derivados de petróleo: o tolueno e o tricloroetano. O óxido nitroso, utilizado em esterilizações hospitalares, também pertencem a essa categoria. Se consumidos no período de gestação, causam efeitos como: aborto espontâneo, defeitos no sistema central do feto e má formação.

 

Já a maconha traz para os bebês problemas no desenvolvimento psíquico-infantil, agindo sobre a atenção, memória e raciocínio. Nos três primeiros meses de gestação, o uso da droga pode gerar dificuldades de desenvolvimento fetal, e o nascimento de bebês com menor peso, pois a maconha estimula partos prematuros.

 

Quanto à fertilidade, a maconha é capaz de reduzir a produção e a mobilidade dos espermatozóides, o que poderia levar o homem à infertilidade. Outros problemas constatados envolvem alterações no fluxo menstrual e diminuição do desejo e da satisfação sexual.

O cigarro gera complicações como baixo peso do recém-nascido, redução da circunferência craniana, síndrome da morte súbita infantil, asma, infecções respiratórias, redução do QI, distúrbios de comportamento e provoca problemas no coração dos bebês.

 

O álcool provoca a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), caracterizada por retardo de crescimento e alterações dos traços faciais, modificações no funcionamento intelectual, como dificuldade de aprendizado, memória e atenção. Há crianças com braços que vão até a altura de seus joelhos.

A farmacêutica explica que as mães que tomam calmantes, como benzodiazepínicos, que podem ser comprados nas farmácias com apresentação de receita médica, têm filhos dependentes deles. Além disso, os remédios podem provocar alterações em órgãos dos bebês, como o fígado.

O café não é droga, mas também causa complicações para os bebês. A cafeína ingerida pela mãe chega à corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, passando quantidades substanciais para o líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, e um acúmulo dessa substância pode representar um potencial risco para o feto e para a placenta, que é a responsável pela transferência de nutrientes.

 

A cafeína pode também interferir no crescimento e desenvolvimento das células fetais e influenciar o desenvolvimento placentário, diminuindo o suprimento fetal de oxigênio. “A cafeína não é encontrada apenas no café", salienta Geisi. Suas maiores fontes são café, chá, chocolate e refrigerantes do tipo cola. A cafeína pode ainda ser encontrada em comprimidos para resfriados e alergias, em analgésicos, moderadores de apetite e estimulantes. Mas algumas dessas drogas podem ser usadas na gravidez desde que seja autorizada por um médico.

 

Não existem possibilidades de tratamentos para fetos, mas é possível avaliar, por meio de exames como a ecografia, se a criança está bem ou não. “Existem recursos que podem ser utilizados para sabermos como o nenê está se portando dentro da barriga”, afirma o obstetra Luiz Bortolotti.

 

O médico diz que já realizou alguns partos de filhos de mães dependentes e, na maioria das vezes, essa informação é omitida durante o pré-natal. Esse parecer só vem à tona quando a criança nasce portando características típicas como: uma redução no tamanho e diminuição do tamanho da placenta.

 

A exposição à fumaça do cigarro da mãe, mesmo depois do nascimento do bebê, pode interferir biologicamente no seu crescimento, causando baixa estatura. Além disso, crianças expostas à fumaça do cigarro têm mais chance de ter pneumonia, asma e bronquite.

 

Uma questão levantada pelo obstetra é o uso de drogas durante a amamentação. “Através do leite, os recém-nascidos recebem cocaína, álcool, inalantes, nicotina, entre outros. É a mesma coisa que dar tóxico direto para a criança", salienta. O médico conclui dizendo que a única diferença entre um remédio e um entorpecente está na quantidade, pois as substâncias utilizadas na fabricação, tanto de um como de outro, são as mesmas.

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O uso de entorpecentes no período da gestação prejudica as mães e causa danos irreversíveis para os bebês. As crianças sofrem conseqüências que deixam marcas para o resto de suas vidas.

São muitos os tipos de doenças desencadeadas pelo uso de entorpecentes, conseqüência das substâncias tóxicas que compõem os mesmos. Um fator preocupante em relação a esse assunto é no que se refere à questão da dependência. “A criança que nasce de uma mãe dependente tem uma grande possibilidade de também se tornar dependente”, explica a farmacêutica, Geisi Melo.

 

A farmacêutica enfatiza que substâncias como cocaína, maconha, inalantes, álcool e cigarro criam dependência, destroem o organismo e podem levar à morte. A cocaína pode fazer com que as crianças nasçam pequenas, com peso muito abaixo do normal, com o tamanho da caixa craniana menor e com retardamento mental.

 

Entre os inalantes estão os solventes derivados de petróleo: o tolueno e o tricloroetano. O óxido nitroso, utilizado em esterilizações hospitalares, também pertencem a essa categoria. Se consumidos no período de gestação, causam efeitos como: aborto espontâneo, defeitos no sistema central do feto e má formação.

 

Já a maconha traz para os bebês problemas no desenvolvimento psíquico-infantil, agindo sobre a atenção, memória e raciocínio. Nos três primeiros meses de gestação, o uso da droga pode gerar dificuldades de desenvolvimento fetal, e o nascimento de bebês com menor peso, pois a maconha estimula partos prematuros.

 

Quanto à fertilidade, a maconha é capaz de reduzir a produção e a mobilidade dos espermatozóides, o que poderia levar o homem à infertilidade. Outros problemas constatados envolvem alterações no fluxo menstrual e diminuição do desejo e da satisfação sexual.

O cigarro gera complicações como baixo peso do recém-nascido, redução da circunferência craniana, síndrome da morte súbita infantil, asma, infecções respiratórias, redução do QI, distúrbios de comportamento e provoca problemas no coração dos bebês.

 

O álcool provoca a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF), caracterizada por retardo de crescimento e alterações dos traços faciais, modificações no funcionamento intelectual, como dificuldade de aprendizado, memória e atenção. Há crianças com braços que vão até a altura de seus joelhos.

A farmacêutica explica que as mães que tomam calmantes, como benzodiazepínicos, que podem ser comprados nas farmácias com apresentação de receita médica, têm filhos dependentes deles. Além disso, os remédios podem provocar alterações em órgãos dos bebês, como o fígado.

O café não é droga, mas também causa complicações para os bebês. A cafeína ingerida pela mãe chega à corrente sanguínea e atravessa a barreira placentária, passando quantidades substanciais para o líquido amniótico, sangue do cordão umbilical, e um acúmulo dessa substância pode representar um potencial risco para o feto e para a placenta, que é a responsável pela transferência de nutrientes.

 

A cafeína pode também interferir no crescimento e desenvolvimento das células fetais e influenciar o desenvolvimento placentário, diminuindo o suprimento fetal de oxigênio. “A cafeína não é encontrada apenas no café", salienta Geisi. Suas maiores fontes são café, chá, chocolate e refrigerantes do tipo cola. A cafeína pode ainda ser encontrada em comprimidos para resfriados e alergias, em analgésicos, moderadores de apetite e estimulantes. Mas algumas dessas drogas podem ser usadas na gravidez desde que seja autorizada por um médico.

 

Não existem possibilidades de tratamentos para fetos, mas é possível avaliar, por meio de exames como a ecografia, se a criança está bem ou não. “Existem recursos que podem ser utilizados para sabermos como o nenê está se portando dentro da barriga”, afirma o obstetra Luiz Bortolotti.

 

O médico diz que já realizou alguns partos de filhos de mães dependentes e, na maioria das vezes, essa informação é omitida durante o pré-natal. Esse parecer só vem à tona quando a criança nasce portando características típicas como: uma redução no tamanho e diminuição do tamanho da placenta.

 

A exposição à fumaça do cigarro da mãe, mesmo depois do nascimento do bebê, pode interferir biologicamente no seu crescimento, causando baixa estatura. Além disso, crianças expostas à fumaça do cigarro têm mais chance de ter pneumonia, asma e bronquite.

 

Uma questão levantada pelo obstetra é o uso de drogas durante a amamentação. “Através do leite, os recém-nascidos recebem cocaína, álcool, inalantes, nicotina, entre outros. É a mesma coisa que dar tóxico direto para a criança", salienta. O médico conclui dizendo que a única diferença entre um remédio e um entorpecente está na quantidade, pois as substâncias utilizadas na fabricação, tanto de um como de outro, são as mesmas.