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Santa Maria, RS, Brazil

O cenário político segundo o eleitor

Há exatos doze meses era divulgada uma das maiores revelações de esquema de corrupção no país, pelo ex-deputado, cassado, Roberto Jéferson.  Em Maio de 2005, veio a tona o escândalo do “mensalão”, recentemente comprovado, no relatório final da CPI dos Bingos, mas não ganhando muito destaque sua confirmação no plenário em Brasília.

Depois de várias crises no governo, cassações, absolvições, o cenário político brasileiro nunca esteve em tanto descrédulo. Isto quem garante são os próprios eleitores.

 

O estudante de comunicação, Fernando Meneghetti, confirma a teoria. Para ele, além de Lula não se reeleger, não existe uma figura que se destaque no momento: “Eu acredito que o presidente será ‘sabatinado’, ou seja, vai ser derrubado em campanha. Mas, não existe neste momento, uma referência, um símbolo político, em que se possa se espelhar. Será mais uma vez, o discurso demagógico no horário eleitoral gratuito, com denúncias e críticas para derrubar o concorrente”.

 

Há aqueles que defendem o presidente Lula, mas reconhecem a dificuldade de uma reeleição do petista. O cantor e compositor João Chagas Leite diz ser uma interrogação a próxima eleição: “Existe a expectativa de que um candidato tome o rumo do país novamente. Mas, para isso, é preciso que a situação atual seja colocada em pratos limpos. Não existe hoje um candidato que inspire confiança. É preciso esperar as campanhas, contar com a consciência do eleitor, para mudar este cenário preocupante e muito crítico”.

 O cantor ainda acredita que é muito difícil, para quem for o próximo presidente, mesmo que seja o Lula, acalmar a situação. Ele diz ainda que a avalanche de denúncias, misturadas com as incertezas e desconfiança do povo, refletem a situação delicada.

 

Mais pessimista é o funcionário público, Élvio Antônio de Souza. Além de Lula não conseguir se reeleger, na sua visão, não existe, no momento, nenhuma figura que dê uma esperança de virada no quadro político do país. “O Lula não vence de novo, o povo não é tão ignorante assim. Mas, ao mesmo tempo, não há uma referência de candidato, a coisa está muito ruim. Não temos grandes perspectivas devido a atual conjuntura”, reflete o funcionário público.

 

Para Souza, o sistema facilita que os interesses pessoais se sobreponham aos do povo. O candidato que vencer, além de propostas concretas na saúde, segurança e os demais temas, sempre prometidos, terá que conquistar também a confiança dos eleitores, que será a tarefa mais difícil.

 

O país ainda sofre os traumas da ditadura militar, quando se implorou por uma democracia justa, com o direito de expressão e de locomoção a todos. Porém, 22 anos após as Diretas Já, movimento que acelerou o processo de aristocracia, rumo ao modelo da república democrática, acabou se tornando um problema de maior proporção. A democracia revelou grandes corrupções e falta de impunidade. Collor foi cassado, mas continua candidato no seu estado de Alagoas. Maluf teve sua liberação há pouco tempo, após um curto período na prisão, com direito a cela especial. Agora, o “mensalão” comprovado, a impunidade mais uma vez ganhou força. O resultado disso será visto nas urnas em outubro, mas a frase do estudante Meneghetti demonstra a frustração do eleitor no atual cenário político nacional: “Se formos aceitar o roubo na política, voto no Maluf, porque o bordão roubo, mas eu faço é dele. É inadmissível que aceitemos esse discurso e esta situação no país”.

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Há exatos doze meses era divulgada uma das maiores revelações de esquema de corrupção no país, pelo ex-deputado, cassado, Roberto Jéferson.  Em Maio de 2005, veio a tona o escândalo do “mensalão”, recentemente comprovado, no relatório final da CPI dos Bingos, mas não ganhando muito destaque sua confirmação no plenário em Brasília.

Depois de várias crises no governo, cassações, absolvições, o cenário político brasileiro nunca esteve em tanto descrédulo. Isto quem garante são os próprios eleitores.

 

O estudante de comunicação, Fernando Meneghetti, confirma a teoria. Para ele, além de Lula não se reeleger, não existe uma figura que se destaque no momento: “Eu acredito que o presidente será ‘sabatinado’, ou seja, vai ser derrubado em campanha. Mas, não existe neste momento, uma referência, um símbolo político, em que se possa se espelhar. Será mais uma vez, o discurso demagógico no horário eleitoral gratuito, com denúncias e críticas para derrubar o concorrente”.

 

Há aqueles que defendem o presidente Lula, mas reconhecem a dificuldade de uma reeleição do petista. O cantor e compositor João Chagas Leite diz ser uma interrogação a próxima eleição: “Existe a expectativa de que um candidato tome o rumo do país novamente. Mas, para isso, é preciso que a situação atual seja colocada em pratos limpos. Não existe hoje um candidato que inspire confiança. É preciso esperar as campanhas, contar com a consciência do eleitor, para mudar este cenário preocupante e muito crítico”.

 O cantor ainda acredita que é muito difícil, para quem for o próximo presidente, mesmo que seja o Lula, acalmar a situação. Ele diz ainda que a avalanche de denúncias, misturadas com as incertezas e desconfiança do povo, refletem a situação delicada.

 

Mais pessimista é o funcionário público, Élvio Antônio de Souza. Além de Lula não conseguir se reeleger, na sua visão, não existe, no momento, nenhuma figura que dê uma esperança de virada no quadro político do país. “O Lula não vence de novo, o povo não é tão ignorante assim. Mas, ao mesmo tempo, não há uma referência de candidato, a coisa está muito ruim. Não temos grandes perspectivas devido a atual conjuntura”, reflete o funcionário público.

 

Para Souza, o sistema facilita que os interesses pessoais se sobreponham aos do povo. O candidato que vencer, além de propostas concretas na saúde, segurança e os demais temas, sempre prometidos, terá que conquistar também a confiança dos eleitores, que será a tarefa mais difícil.

 

O país ainda sofre os traumas da ditadura militar, quando se implorou por uma democracia justa, com o direito de expressão e de locomoção a todos. Porém, 22 anos após as Diretas Já, movimento que acelerou o processo de aristocracia, rumo ao modelo da república democrática, acabou se tornando um problema de maior proporção. A democracia revelou grandes corrupções e falta de impunidade. Collor foi cassado, mas continua candidato no seu estado de Alagoas. Maluf teve sua liberação há pouco tempo, após um curto período na prisão, com direito a cela especial. Agora, o “mensalão” comprovado, a impunidade mais uma vez ganhou força. O resultado disso será visto nas urnas em outubro, mas a frase do estudante Meneghetti demonstra a frustração do eleitor no atual cenário político nacional: “Se formos aceitar o roubo na política, voto no Maluf, porque o bordão roubo, mas eu faço é dele. É inadmissível que aceitemos esse discurso e esta situação no país”.