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Santa Maria, RS, Brazil

Shopping Popular: entre o medo e a esperança

 

 Desde a instalação do comelódromo na Avenida Rio Branco, no início dos anos 1990, a sua localização vem dividindo a opinião de políticos, dos próprios vendedores informais e, também, da população do município.

A polêmica teve seu ápice no governo do atual prefeito Valdeci Oliveira, que deu asas ao projeto de transferência do camelódromo para o prédio do antigo Cine Independência, localizado na Praça Saldanha Marinho.

A partir da compra do prédio do cinema, iniciou-se uma verdadeira batalha de opiniões controvérsias. À frente do projeto está o Secretário de Turismo e Eventos, Paulo Ceccim, que prevê o funcionamento do Shopping Popular para o segundo semestre de 2007, onde estarão acomodados todos que estiverem cadastrados junto ao município. O político explica que serão três andares divididos em 194 boxes, praça de alimentação, sanitários e possibilidade de serviços, como bancos, farmácia, entre outros.

“Uma vez em funcionamento, nenhum ambulante ou artesão poderá continuar na via pública. Esta garantia se dará, se necessário, através do poder da polícia local, apoio da Brigada Militar e através da Justiça”, ressalta Ceccim, em entrevista à Agência Central Sul por e-mail. Indagado sobre o tema, o proprietário de camelô, Juarez Conrado Santana de Souza, que falou em nome da maioria dos comerciantes, diz: “A intenção é válida, só que ele nunca vai conseguir fazer isso. Quando fizeram este camelódromo da Rio Branco, falaram que não ia ter ninguém na rua, mas já inventaram outro camelódromo do outro lado e ainda tem gente na rua, então não adianta”.

Oposições

A resistência por parte dos donos das bancas está no fato de que, saindo de onde estão, perderão o contato direto com a população. Para Juarez,  a mudança implicaria alterações no sistema de trabalho. “Lá, vamos ficar mais controlados”, diz o baiano, morador de Santa Maria há 13 anos, referindo-se à questão da nota fiscal.

Daniela Cassol, que trabalha há cinco anos no comércio, fala que os comerciantes são obrigados a vender seus artigos com preços mais elevados devido aos altos impostos que pagam: “Os comerciantes informais vendem mais barato porque não dão nota fiscal”, reclama a funcionária de loja.

 Para o ambulante, há outras prioridades para debate na cidade, como educação, saúde e emprego. Ele diz que tal assunto deveria ser esquecido. Já a advogada Vera Lucia Andrade afirma que concorda com a retirada dos camelôs das ruas, melhorando inclusive a paisagem da cidade, mas com a condição de que a infra-estrutura para recebê-los seja boa. “Eles devem, sim, dar nota fiscal e pagar seus impostos, assim como todos os outros comerciantes”, ressalta Vera Lucia.  <

Juarez ainda lembra que há algum tempo, saiu uma verba de 27 mil reais e outra, mais tarde, de 100 mil reais, destinada para arrumações do teto e do piso do atual camelódromo, mas que nada foi feito. “Aqui eles iriam gastar 100 mil numa cobertura. Lá eles estão gastando dois milhões e não se sabe quando vai ficar pronto”. O secretário Ceccim rebate dizendo que não tem conhecimento sobre nenhuma verba destinada, até agora, aos camelódromos, mas segue dando ênfase que o Shopping Popular proporcionará dignidade aos vendedores informais, formalizando este setor. “O município estará junto na administração do Shopping onde, através de parcerias com o SEBRAC, SENAC, CACISM e outras entidades, estará oferecendo cursos de aperfeiçoamento aos mesmos”, argumenta o secretário. Através de reuniões que acontecerão até o funcionamento do Shopping Popular, a prefeitura mostrará vantagens de se trabalhar em um local que tenha as condições necessárias de trabalho e atendimento.

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 Desde a instalação do comelódromo na Avenida Rio Branco, no início dos anos 1990, a sua localização vem dividindo a opinião de políticos, dos próprios vendedores informais e, também, da população do município.

A polêmica teve seu ápice no governo do atual prefeito Valdeci Oliveira, que deu asas ao projeto de transferência do camelódromo para o prédio do antigo Cine Independência, localizado na Praça Saldanha Marinho.

A partir da compra do prédio do cinema, iniciou-se uma verdadeira batalha de opiniões controvérsias. À frente do projeto está o Secretário de Turismo e Eventos, Paulo Ceccim, que prevê o funcionamento do Shopping Popular para o segundo semestre de 2007, onde estarão acomodados todos que estiverem cadastrados junto ao município. O político explica que serão três andares divididos em 194 boxes, praça de alimentação, sanitários e possibilidade de serviços, como bancos, farmácia, entre outros.

“Uma vez em funcionamento, nenhum ambulante ou artesão poderá continuar na via pública. Esta garantia se dará, se necessário, através do poder da polícia local, apoio da Brigada Militar e através da Justiça”, ressalta Ceccim, em entrevista à Agência Central Sul por e-mail. Indagado sobre o tema, o proprietário de camelô, Juarez Conrado Santana de Souza, que falou em nome da maioria dos comerciantes, diz: “A intenção é válida, só que ele nunca vai conseguir fazer isso. Quando fizeram este camelódromo da Rio Branco, falaram que não ia ter ninguém na rua, mas já inventaram outro camelódromo do outro lado e ainda tem gente na rua, então não adianta”.

Oposições

A resistência por parte dos donos das bancas está no fato de que, saindo de onde estão, perderão o contato direto com a população. Para Juarez,  a mudança implicaria alterações no sistema de trabalho. “Lá, vamos ficar mais controlados”, diz o baiano, morador de Santa Maria há 13 anos, referindo-se à questão da nota fiscal.

Daniela Cassol, que trabalha há cinco anos no comércio, fala que os comerciantes são obrigados a vender seus artigos com preços mais elevados devido aos altos impostos que pagam: “Os comerciantes informais vendem mais barato porque não dão nota fiscal”, reclama a funcionária de loja.

 Para o ambulante, há outras prioridades para debate na cidade, como educação, saúde e emprego. Ele diz que tal assunto deveria ser esquecido. Já a advogada Vera Lucia Andrade afirma que concorda com a retirada dos camelôs das ruas, melhorando inclusive a paisagem da cidade, mas com a condição de que a infra-estrutura para recebê-los seja boa. “Eles devem, sim, dar nota fiscal e pagar seus impostos, assim como todos os outros comerciantes”, ressalta Vera Lucia.  <

Juarez ainda lembra que há algum tempo, saiu uma verba de 27 mil reais e outra, mais tarde, de 100 mil reais, destinada para arrumações do teto e do piso do atual camelódromo, mas que nada foi feito. “Aqui eles iriam gastar 100 mil numa cobertura. Lá eles estão gastando dois milhões e não se sabe quando vai ficar pronto”. O secretário Ceccim rebate dizendo que não tem conhecimento sobre nenhuma verba destinada, até agora, aos camelódromos, mas segue dando ênfase que o Shopping Popular proporcionará dignidade aos vendedores informais, formalizando este setor. “O município estará junto na administração do Shopping onde, através de parcerias com o SEBRAC, SENAC, CACISM e outras entidades, estará oferecendo cursos de aperfeiçoamento aos mesmos”, argumenta o secretário. Através de reuniões que acontecerão até o funcionamento do Shopping Popular, a prefeitura mostrará vantagens de se trabalhar em um local que tenha as condições necessárias de trabalho e atendimento.