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Vida de Circo

A magia do circo vem ultrapassando gerações e encantando a todos desde o momento em que surgiu na Roma antiga. No passado, o público ia presenciar atrações como engolidores de fogo e animais exóticos. Hoje, se possui uma infinidade de apresentações, desde os números feitos no chão até os do ar.

Mas, quem são e como vivem esses artistas que levam alegria a tanta gente?

 São pessoas comuns, com seus sonhos, alegrias e tristezas como qualquer outro ser humano. Entretanto, o diferencial dos circenses está no modo como levam a vida, um tanto quanto diferente para alguns.

       O fato das pessoas que trabalham no circo estarem sempre viajando e não possuírem um lugar fixo, muitas vezes, pode parecer loucura para as pessoas que não estão acostumadas com esse estilo de vida. O que não é o caso de Sérgio Cabral Zanquettin, 50 anos, palhaço do circo Blue Star. Sérgio já nasceu em um circo e desde os seis anos faz apresentações. “Meus pais já trabalhavam em circo, então comecei como palhacinho, depois aprendi a tocar violão e acompanhava meus irmãos que cantavam”, diz.

        Sérgio afirma gostar da vida que leva. “É uma vida muito boa, viajamos bastante, conhecemos pessoas diferentes e cidades novas. É a experiência de uma vida inteira dedicada ao circo, com momentos bons, emocionantes, outros mais tristes. Acredito que tudo o que eu tenho hoje eu devo ao circo”, diz.

        Sobre seu trabalho como palhaço ele diz que o melhor de tudo é passar a alegria para o público. “Quando o povo sorri, ficamos contentes, o coração parece que fica bem alegre. O palhaço tem o dever de fazer as pessoas que estão ali assistindo esquecer os problemas de sua vida lá fora. É preciso quebrar a barreira que existe entre o artista e o público. Ali no picadeiro, a tua missão é essa. Não só o palhaço, às vezes, o trapezista tem que fazer o público sentir que aquilo que ele está fazendo é algo legal, difícil”, destaca.

         Para Franciele Souza dos Santos, 21 anos, que acumula as variadas funções de trapezista, palhaço e mulher vulcão do circo Blue Star, foi seu marido quem teve principal influência em sua decisão para seguir a carreira. “Meu marido já era de circo. Quando conheci ele, me apaixonei e resolvi ir embora com o circo. Foi ele quem me ensinou tudo o que sei hoje, devo tudo a ele”, conta.

         Normalmente, o circo fica uma semana em cada cidade, e para isso é preciso que tudo seja organizado com antecedência. “Nós vamos antecipadamente para a cidade em que o circo vai ficar e vamos falar com o dono do terreno e na prefeitura para acertar tudo. Pagamos alvará, arrumamos água e luz, para que quando a gente chegue ao local, já esteja tudo pronto. Aí é só chegar e trabalhar”, explica Franciele.

         Marcos Antônio Moreira, 20 anos, trapezista, conta: “O circo passou pela minha cidade, e eu gostei muito e decidi ir junto com ele. Eu entrei no circo e fui aprendendo só de olhar os outros. É uma vida boa, pelo menos pra mim, já que sempre gostei de viajar e conhecer lugares e pessoas novas”.

      Já Graziela Medianeira Xavier, 23 anos, que é partner e participa de vários números, como o de facas, diz não ter aprendido tudo o que sabe só de olhar. “Foi meu marido quem me ensinou tudo, nós fazemos juntos o número em que ele atira facas”, lembra. A respeito de como foi trabalhar no circo, ela diz que foi através de um amigo de seu marido. “Ele montou o circo em nossa cidade e nos convidou e a gente resolveu ir com o circo”, afirma Graziela.

        Nos circos é comum ter crianças, filhos de artistas do circo, que desde cedo aprendem algum ofício, mas nem por isso elas deixam de estudar. É o que explica Airtom Ricardo Emílio Padilha, 29 anos, que é palhaço e faz números como atirador de facas: “Já existe uma lei para o circo em que nas cidades que vamos, as crianças podem entrar nos colégios e eles são obrigados a aceitar. Eles ficam estudando na escola durante a semana em que ficamos na cidade, depois vão para outra escola de outra cidade por mais uma semana”. Ele acredita que a mudança constante de uma escola para outra não interfira no aprendizado dos pequenos circenses. “Não prejudica. Os meus filhos ainda não estudam, mas já trabalhei com crianças que estudavam e elas sempre passaram de ano”, ressalta.

        Airtom Ricardo acredita que a televisão vem ocupando o lugar do circo. “Hoje em dia, o circo não é mais valorizado. A televisão tomou o nosso espaço, pois hoje se pode ver qualquer número de circo através dela” finaliza.

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A magia do circo vem ultrapassando gerações e encantando a todos desde o momento em que surgiu na Roma antiga. No passado, o público ia presenciar atrações como engolidores de fogo e animais exóticos. Hoje, se possui uma infinidade de apresentações, desde os números feitos no chão até os do ar.

Mas, quem são e como vivem esses artistas que levam alegria a tanta gente?

 São pessoas comuns, com seus sonhos, alegrias e tristezas como qualquer outro ser humano. Entretanto, o diferencial dos circenses está no modo como levam a vida, um tanto quanto diferente para alguns.

       O fato das pessoas que trabalham no circo estarem sempre viajando e não possuírem um lugar fixo, muitas vezes, pode parecer loucura para as pessoas que não estão acostumadas com esse estilo de vida. O que não é o caso de Sérgio Cabral Zanquettin, 50 anos, palhaço do circo Blue Star. Sérgio já nasceu em um circo e desde os seis anos faz apresentações. “Meus pais já trabalhavam em circo, então comecei como palhacinho, depois aprendi a tocar violão e acompanhava meus irmãos que cantavam”, diz.

        Sérgio afirma gostar da vida que leva. “É uma vida muito boa, viajamos bastante, conhecemos pessoas diferentes e cidades novas. É a experiência de uma vida inteira dedicada ao circo, com momentos bons, emocionantes, outros mais tristes. Acredito que tudo o que eu tenho hoje eu devo ao circo”, diz.

        Sobre seu trabalho como palhaço ele diz que o melhor de tudo é passar a alegria para o público. “Quando o povo sorri, ficamos contentes, o coração parece que fica bem alegre. O palhaço tem o dever de fazer as pessoas que estão ali assistindo esquecer os problemas de sua vida lá fora. É preciso quebrar a barreira que existe entre o artista e o público. Ali no picadeiro, a tua missão é essa. Não só o palhaço, às vezes, o trapezista tem que fazer o público sentir que aquilo que ele está fazendo é algo legal, difícil”, destaca.

         Para Franciele Souza dos Santos, 21 anos, que acumula as variadas funções de trapezista, palhaço e mulher vulcão do circo Blue Star, foi seu marido quem teve principal influência em sua decisão para seguir a carreira. “Meu marido já era de circo. Quando conheci ele, me apaixonei e resolvi ir embora com o circo. Foi ele quem me ensinou tudo o que sei hoje, devo tudo a ele”, conta.

         Normalmente, o circo fica uma semana em cada cidade, e para isso é preciso que tudo seja organizado com antecedência. “Nós vamos antecipadamente para a cidade em que o circo vai ficar e vamos falar com o dono do terreno e na prefeitura para acertar tudo. Pagamos alvará, arrumamos água e luz, para que quando a gente chegue ao local, já esteja tudo pronto. Aí é só chegar e trabalhar”, explica Franciele.

         Marcos Antônio Moreira, 20 anos, trapezista, conta: “O circo passou pela minha cidade, e eu gostei muito e decidi ir junto com ele. Eu entrei no circo e fui aprendendo só de olhar os outros. É uma vida boa, pelo menos pra mim, já que sempre gostei de viajar e conhecer lugares e pessoas novas”.

      Já Graziela Medianeira Xavier, 23 anos, que é partner e participa de vários números, como o de facas, diz não ter aprendido tudo o que sabe só de olhar. “Foi meu marido quem me ensinou tudo, nós fazemos juntos o número em que ele atira facas”, lembra. A respeito de como foi trabalhar no circo, ela diz que foi através de um amigo de seu marido. “Ele montou o circo em nossa cidade e nos convidou e a gente resolveu ir com o circo”, afirma Graziela.

        Nos circos é comum ter crianças, filhos de artistas do circo, que desde cedo aprendem algum ofício, mas nem por isso elas deixam de estudar. É o que explica Airtom Ricardo Emílio Padilha, 29 anos, que é palhaço e faz números como atirador de facas: “Já existe uma lei para o circo em que nas cidades que vamos, as crianças podem entrar nos colégios e eles são obrigados a aceitar. Eles ficam estudando na escola durante a semana em que ficamos na cidade, depois vão para outra escola de outra cidade por mais uma semana”. Ele acredita que a mudança constante de uma escola para outra não interfira no aprendizado dos pequenos circenses. “Não prejudica. Os meus filhos ainda não estudam, mas já trabalhei com crianças que estudavam e elas sempre passaram de ano”, ressalta.

        Airtom Ricardo acredita que a televisão vem ocupando o lugar do circo. “Hoje em dia, o circo não é mais valorizado. A televisão tomou o nosso espaço, pois hoje se pode ver qualquer número de circo através dela” finaliza.