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Atenção para saúde mental

Na 6ª Semana Acadêmica do Curso de Psicologia, a palestra da professora doutora Helena Scarparo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Puc-RS) foi destaque nesta quarta-feira. Helena abordou o tema “Os fazeres das psicologias: histórias de práticas sociais em contexto” e falou sobre o modo como a psicologia vem se adequando na área de saúde mental.

A palestrante lembrou como o papel da psicologia mudou. Quando a profissão foi oficializada, em 27 de agosto de 1962 pela Lei 4119, o olhar do psicólogo era baseado na objetividade, racionalidade e rigor científico, sem demonstração de afeto e proximidade com o paciente.

Nesse contexto, a influência do militarismo no projeto político-ideológico da sociedade, em 1964 durante o Golpe Militar, impôs um modelo cultural repressivo. Esse momento histórico teve reflexo na psicologia. “O ideal da época era projetar-se como profissional autônomo bem sucedido, onde as teorias e práticas foram dissociadas”, explica Helena. No período político, ocorriam muitos movimentos estudantis, manifestações e reformas de ensino, fatos que levaram ao uso excessivo de psicofármacos (medicamentos usados para depressão), aumentando também o número de consultas.

Segundo a pesquisadora, a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) começou a se pensar na elaboração de políticas públicas de atenção, promoção, vigilância sanitária, prevenção e integralidade por meio de reflexões sobre as práticas do psicólogo no cotidiano e na produção de espaços dialógicos.

“Agora, há preocupação com a responsabilidade social e não apenas com a obtenção de conhecimento”, diz. A professora ainda complementa que a psicologia comunitária tem sido um grande campo de trabalho em função dos programas de assistência que são desenvolvidos cada vez mais. Em função disso, o profissional terá de entender o lugar do paciente, onde ele vive, a subjetividade que se processa e as relações e vínculos que são estabelecidos.

Segundo Helena, os processos na área das práticas em psicologia estão em constante mudança. Com as “ondas globalizantes” e desenvolvimento tecnológico se forma o que intitula como uma cultura de urgência.

“Cada Semana Acadêmica que participo serve para conhecimento, experiência que se adquire, para a escolha de um caminho certo”, revela a estudante do 8° semestre, Rosane Silva, 32. Ela ainda indaga que apesar da correria dos dias de hoje, o psicólogo deve ter a preocupação de olhar, escutar e interpretar, já que a saúde mental do paciente não pode estar em risco.

O coordenador Marcos Adegas de Azambuja sintetiza o eixo temático III – Atenção em Saúde Mental – da seguinte forma: “Não se deve pensar em saúde mental, mas ter atenção à saúde mental”.

Amanhã, é o encerramento de “Saúdes: A Psicologia em Movimento” com a palestra “Saúde Pública e Privada”, às 8h, no Salão de Atos, conjunto I, na rua Andradas.

Fotos: Rodrigo Simões (Núcleo de Fotografia e Memória)

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Na 6ª Semana Acadêmica do Curso de Psicologia, a palestra da professora doutora Helena Scarparo, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Puc-RS) foi destaque nesta quarta-feira. Helena abordou o tema “Os fazeres das psicologias: histórias de práticas sociais em contexto” e falou sobre o modo como a psicologia vem se adequando na área de saúde mental.

A palestrante lembrou como o papel da psicologia mudou. Quando a profissão foi oficializada, em 27 de agosto de 1962 pela Lei 4119, o olhar do psicólogo era baseado na objetividade, racionalidade e rigor científico, sem demonstração de afeto e proximidade com o paciente.

Nesse contexto, a influência do militarismo no projeto político-ideológico da sociedade, em 1964 durante o Golpe Militar, impôs um modelo cultural repressivo. Esse momento histórico teve reflexo na psicologia. “O ideal da época era projetar-se como profissional autônomo bem sucedido, onde as teorias e práticas foram dissociadas”, explica Helena. No período político, ocorriam muitos movimentos estudantis, manifestações e reformas de ensino, fatos que levaram ao uso excessivo de psicofármacos (medicamentos usados para depressão), aumentando também o número de consultas.

Segundo a pesquisadora, a partir da criação do Sistema Único de Saúde (SUS) começou a se pensar na elaboração de políticas públicas de atenção, promoção, vigilância sanitária, prevenção e integralidade por meio de reflexões sobre as práticas do psicólogo no cotidiano e na produção de espaços dialógicos.

“Agora, há preocupação com a responsabilidade social e não apenas com a obtenção de conhecimento”, diz. A professora ainda complementa que a psicologia comunitária tem sido um grande campo de trabalho em função dos programas de assistência que são desenvolvidos cada vez mais. Em função disso, o profissional terá de entender o lugar do paciente, onde ele vive, a subjetividade que se processa e as relações e vínculos que são estabelecidos.

Segundo Helena, os processos na área das práticas em psicologia estão em constante mudança. Com as “ondas globalizantes” e desenvolvimento tecnológico se forma o que intitula como uma cultura de urgência.

“Cada Semana Acadêmica que participo serve para conhecimento, experiência que se adquire, para a escolha de um caminho certo”, revela a estudante do 8° semestre, Rosane Silva, 32. Ela ainda indaga que apesar da correria dos dias de hoje, o psicólogo deve ter a preocupação de olhar, escutar e interpretar, já que a saúde mental do paciente não pode estar em risco.

O coordenador Marcos Adegas de Azambuja sintetiza o eixo temático III – Atenção em Saúde Mental – da seguinte forma: “Não se deve pensar em saúde mental, mas ter atenção à saúde mental”.

Amanhã, é o encerramento de “Saúdes: A Psicologia em Movimento” com a palestra “Saúde Pública e Privada”, às 8h, no Salão de Atos, conjunto I, na rua Andradas.

Fotos: Rodrigo Simões (Núcleo de Fotografia e Memória)