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Santa Maria, RS, Brazil

Era uma vez uma poetisa…

A menina tímida, que estudava no colégio Centenário, mostrava-se aplicada principalmente nos trabalhos de português e latim, disciplinas que disputava notas com sua colega de ginásio – Aristilda. Na verdade a “filhinha da professora”* ganhava o encanto de todos os professores por seu capricho e meiguice.

     Terminado o ginásio, a menina optou por ser professora e ingressou no Curso Normal, então se separou das amigas.

     Mais tarde, buscando o aperfeiçoamento de suas aulas, voltou pra a sala de aula, desta vez na Faculdade Imaculada Conceição (atual Unifra), onde teve a grata surpresa de ver sua amiga Aristilda, agora como sua professora no Curso de Letras.
    

     Em 1986, a jovem professora é convidada por sua amiga Aristilda a fazer parte de um grupo de escritores santa-marienses, tratava-se da fundação da Associação Santamariense de Letras. A partir daí, ela passa a tornar públicas as poesias que escrevia. Um dom que talvez tenha herdado do pai, Teófilo Vargas, que era trovador.
    

     A professora poetisa casou e tornou-se mãe de Paulo Fernando e Renam. Querida pelos colegas, amiga de seus alunos, a escritora fez de seus livros verdadeiros presentes para as crianças e adultos que acompanham até hoje sua obra. 
    

     Na trajetória fez uma nova amiga, a professora Maria da Graça Pi, companheira por 18 anos de trabalho. Maria viu diversas obras nascerem e lamenta que nem todos tenham tido acesso a elas. Acompanhou os muitos anos de hemodiálise da nossa menina e viu que o tempo era cruel com sua saúde, mas não feria sua sensibilidade para escrever.
 

     Depois de receber premiações em concursos literários locais e nacionais, a doença a levou a escrever para a Revista Nefrâmea, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, mostrando-se sensibilizada com a luta de outros que sofriam como ela. Escreveu até seus últimos dias e faleceu em novembro de 2000, em decorrência de insuficiência renal.
 

     Aristilda Rechia e Maria da Graça Pi lembram da amiga como alguém resignado, firme, que via na doença um aprendizado e na morte o renascer da alma. Lamentam que somente a família possa hoje se emocionar com a homenagem prestada e lembram o quão bom seria se ela pudesse ter recebido esse reconhecimento em vida.
 

     A Academia Santamariense de Letras e a equipe organizadora da Feira do livro de Santa Maria, deram à nossa poetisa, Professora Ignez Sofia Vargas Peixoto a homenagem e a dedicatória da edição de 2007 do evento.

     Para quem tiver interesse, parte da obra da criadora do Concurso Felippe de Oliveira e do Expoesia, está exposta na Casa da Cultura na Praça Saldanha Marinho.


 * filhinha da professora: apelido dado pelos colegas por ela ser a favorita entre os demais da classe.

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A menina tímida, que estudava no colégio Centenário, mostrava-se aplicada principalmente nos trabalhos de português e latim, disciplinas que disputava notas com sua colega de ginásio – Aristilda. Na verdade a “filhinha da professora”* ganhava o encanto de todos os professores por seu capricho e meiguice.

     Terminado o ginásio, a menina optou por ser professora e ingressou no Curso Normal, então se separou das amigas.

     Mais tarde, buscando o aperfeiçoamento de suas aulas, voltou pra a sala de aula, desta vez na Faculdade Imaculada Conceição (atual Unifra), onde teve a grata surpresa de ver sua amiga Aristilda, agora como sua professora no Curso de Letras.
    

     Em 1986, a jovem professora é convidada por sua amiga Aristilda a fazer parte de um grupo de escritores santa-marienses, tratava-se da fundação da Associação Santamariense de Letras. A partir daí, ela passa a tornar públicas as poesias que escrevia. Um dom que talvez tenha herdado do pai, Teófilo Vargas, que era trovador.
    

     A professora poetisa casou e tornou-se mãe de Paulo Fernando e Renam. Querida pelos colegas, amiga de seus alunos, a escritora fez de seus livros verdadeiros presentes para as crianças e adultos que acompanham até hoje sua obra. 
    

     Na trajetória fez uma nova amiga, a professora Maria da Graça Pi, companheira por 18 anos de trabalho. Maria viu diversas obras nascerem e lamenta que nem todos tenham tido acesso a elas. Acompanhou os muitos anos de hemodiálise da nossa menina e viu que o tempo era cruel com sua saúde, mas não feria sua sensibilidade para escrever.
 

     Depois de receber premiações em concursos literários locais e nacionais, a doença a levou a escrever para a Revista Nefrâmea, da Associação Portuguesa de Insuficientes Renais, mostrando-se sensibilizada com a luta de outros que sofriam como ela. Escreveu até seus últimos dias e faleceu em novembro de 2000, em decorrência de insuficiência renal.
 

     Aristilda Rechia e Maria da Graça Pi lembram da amiga como alguém resignado, firme, que via na doença um aprendizado e na morte o renascer da alma. Lamentam que somente a família possa hoje se emocionar com a homenagem prestada e lembram o quão bom seria se ela pudesse ter recebido esse reconhecimento em vida.
 

     A Academia Santamariense de Letras e a equipe organizadora da Feira do livro de Santa Maria, deram à nossa poetisa, Professora Ignez Sofia Vargas Peixoto a homenagem e a dedicatória da edição de 2007 do evento.

     Para quem tiver interesse, parte da obra da criadora do Concurso Felippe de Oliveira e do Expoesia, está exposta na Casa da Cultura na Praça Saldanha Marinho.


 * filhinha da professora: apelido dado pelos colegas por ela ser a favorita entre os demais da classe.