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Santa Maria, RS, Brazil

Monet-Arte-Shopping

Cubismo. Van Gogh e Renoir. Guernica e Abaporu. Essas são apenas algumas das referências básicas no campo das artes plásticas. Porém, em cidades do interior, ainda que de médio porte como Santa Maria, essas são expressões familiares para poucos.

A observação e a convivência dispensam dados estatísticos para nos mostrar que a cidade não tem cultura artística voltada para essa vertente. Aqui todos já ouviram falar de Monet, nome de um shopping da cidade, e alguns de Eduardo Trevisan, título de uma escola de artes que funciona há décadas. Mas saber quem é Monet e conhecer a obra de Trevisan, um ícone santa-mariense, já é outra história.

Partindo da premissa de que sabemos mais sobre o que gostamos e buscamos mais conhecimentos daquilo que nos interessa, subentende-se que os santa-marienses não gostam de artes plásticas. Certo? Errado. Os preconceitos e a enorme barreira erguida entre a população e a arte ocorrem porque não se tem acesso e nem divulgação eficiente do assunto.

Muito dessa culpa é equivocadamente atribuída à mídia. Quem defende o argumento diz que tevê e rádio deveriam abordar mais o assunto, noticiar mais as exposições e artistas. Que os cadernos de variedades dos jornais poderiam ser mais elaborados e aprofundados tais quais os da capital. Mas como aprofundar o assunto para um público sem embasamento? E quais exposições rendem uma matéria?

As respostas estão na própria produção artística. A maioria das mostras se baseia em trabalhos de membros da Associação dos Artistas Plásticos e de acadêmicos de Artes Plásticas da Universidade Federal. Muitas são de qualidade discutível, com temáticas pobres e técnicas mal acabadas, com cara de curso de artesanato. E o pior é que a maior parte dessas mostras é comercial, não visando apenas o compartilhamento da arte.

Para os artistas, a falta de estrutura e descaso é o alvo principal de represálias. Voltando à Eduardo Trevisan, as relíquias por ele produzidas estão espalhadas em salas da Universidade Federal, coleções particulares e estocadas à espera de um Museu. Eis o último obstáculo a ser ultrapassado: os espaços. Além de galerias particulares e comerciais, o município só dispõe de salas em dois shoppings e na Casa de Cultura. E agoniza com obras embaladas em processo de espera pelo Museu de Artes (Masm), que funcionava na Secretaria de Cultura e foi desativado.

É a “Cidade Cultura” com um dos seus pilares quebrados. No mínimo, os artistas devem começar a colar os cacos, a fim de receber o incentivo da administração municipal e meios de difusão locais. E só então Santa Maria terá um público pronto para criticar e apreciar um dos mais belos dons do ser humano.

* Jornalista (1ª turma de Jornalismo da Unifra)

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Cubismo. Van Gogh e Renoir. Guernica e Abaporu. Essas são apenas algumas das referências básicas no campo das artes plásticas. Porém, em cidades do interior, ainda que de médio porte como Santa Maria, essas são expressões familiares para poucos.

A observação e a convivência dispensam dados estatísticos para nos mostrar que a cidade não tem cultura artística voltada para essa vertente. Aqui todos já ouviram falar de Monet, nome de um shopping da cidade, e alguns de Eduardo Trevisan, título de uma escola de artes que funciona há décadas. Mas saber quem é Monet e conhecer a obra de Trevisan, um ícone santa-mariense, já é outra história.

Partindo da premissa de que sabemos mais sobre o que gostamos e buscamos mais conhecimentos daquilo que nos interessa, subentende-se que os santa-marienses não gostam de artes plásticas. Certo? Errado. Os preconceitos e a enorme barreira erguida entre a população e a arte ocorrem porque não se tem acesso e nem divulgação eficiente do assunto.

Muito dessa culpa é equivocadamente atribuída à mídia. Quem defende o argumento diz que tevê e rádio deveriam abordar mais o assunto, noticiar mais as exposições e artistas. Que os cadernos de variedades dos jornais poderiam ser mais elaborados e aprofundados tais quais os da capital. Mas como aprofundar o assunto para um público sem embasamento? E quais exposições rendem uma matéria?

As respostas estão na própria produção artística. A maioria das mostras se baseia em trabalhos de membros da Associação dos Artistas Plásticos e de acadêmicos de Artes Plásticas da Universidade Federal. Muitas são de qualidade discutível, com temáticas pobres e técnicas mal acabadas, com cara de curso de artesanato. E o pior é que a maior parte dessas mostras é comercial, não visando apenas o compartilhamento da arte.

Para os artistas, a falta de estrutura e descaso é o alvo principal de represálias. Voltando à Eduardo Trevisan, as relíquias por ele produzidas estão espalhadas em salas da Universidade Federal, coleções particulares e estocadas à espera de um Museu. Eis o último obstáculo a ser ultrapassado: os espaços. Além de galerias particulares e comerciais, o município só dispõe de salas em dois shoppings e na Casa de Cultura. E agoniza com obras embaladas em processo de espera pelo Museu de Artes (Masm), que funcionava na Secretaria de Cultura e foi desativado.

É a “Cidade Cultura” com um dos seus pilares quebrados. No mínimo, os artistas devem começar a colar os cacos, a fim de receber o incentivo da administração municipal e meios de difusão locais. E só então Santa Maria terá um público pronto para criticar e apreciar um dos mais belos dons do ser humano.

* Jornalista (1ª turma de Jornalismo da Unifra)