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O trabalhador em foco

 O segundo dia da 6ª Semana Acadêmica do Curso de Psicologia foi repleto de debates, provocações e indagações sobre a saúde do trabalhador.  Alvaro Roberto Crespo Merlo, professor doutor em medicina pela UFRGS e mestre em sociologia do trabalho pela universidade de Paris, iniciou sua palestra com a chamada de duas notícias factuais. “Horas extras causam a morte de 600 mil chineses por ano” (Agência EFE, 30 de junho de 2006) e “Jovem manda matar colegas para ficar com emprego” (Jornal  Zero Hora, 19 de janeiro de 2006) fizeram os participantes da semana refletirem o quanto a saúde física e mental do trabalhador está em risco.

Outros dados ainda mais alarmantes foram apresentados. “No Brasil já existem casos de morte nas colheitas de cana-de-açúcar, o trabalhador ganha por tonelada e se submete ao esforço físico. A tendência é que ocorra a ‘japonização’ do trabalho, já que o crescimento econômico do Japão se traduz em estresse e contínuas horas extras para os trabalhadores”, afirma Merlo.

Por meio de questões instigantes Merlo prendeu a atenção do público. Quando perguntou sobre o que podia ser observado no mundo do trabalho, as respostas expostas não foram positivas. O que ocorre é uma ampliação do número de casos de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e expansão do sofrimento psíquico. Os perigos à saúde nas jornadas de trabalho são muitos. Ruídos de empresas metalúrgicas, acidentes mecânicos e exposição a agentes químicos são alguns exemplos que afetam diretamente o ser humano. “90% dos trabalhadores que trabalham nas grandes fábricas apresentam problemas depressivos crônicos e isto é fato. Já não bastasse à exposição do corpo e da mente, o empregado de hoje ainda deve cumprir as exigências de tempo, informação e aprendizagem”, aponta o palestrante.

A acadêmica de psicologia Gabriela Beltrame, 17, diz: “A Semana Acadêmica acrescenta muito para todos nós, o ruim é perceber o quanto será difícil mudar a situação da saúde do trabalhador, enquanto a organização do trabalho está muito vinculada à psicologia”

A professora do curso de Psicologia da Unifra e coordenadora do dia, Elizete Traesel, concorda que o quadro é complicado e intensifica: “A palestra do professor é bastante pertinente.Todos os atores da organização do trabalho, gestores e empreendedores precisam respeitar o trabalhador e não deixar para valorizá-lo apenas quando as possibilidades de saúde se esgotarem.”

Amanhã o Salão de Atos do Conjunto I da Unifra segue suas atividades e discussões sobre a saúde mental. Mais informações no site da Unifra.

               

               

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 O segundo dia da 6ª Semana Acadêmica do Curso de Psicologia foi repleto de debates, provocações e indagações sobre a saúde do trabalhador.  Alvaro Roberto Crespo Merlo, professor doutor em medicina pela UFRGS e mestre em sociologia do trabalho pela universidade de Paris, iniciou sua palestra com a chamada de duas notícias factuais. “Horas extras causam a morte de 600 mil chineses por ano” (Agência EFE, 30 de junho de 2006) e “Jovem manda matar colegas para ficar com emprego” (Jornal  Zero Hora, 19 de janeiro de 2006) fizeram os participantes da semana refletirem o quanto a saúde física e mental do trabalhador está em risco.

Outros dados ainda mais alarmantes foram apresentados. “No Brasil já existem casos de morte nas colheitas de cana-de-açúcar, o trabalhador ganha por tonelada e se submete ao esforço físico. A tendência é que ocorra a ‘japonização’ do trabalho, já que o crescimento econômico do Japão se traduz em estresse e contínuas horas extras para os trabalhadores”, afirma Merlo.

Por meio de questões instigantes Merlo prendeu a atenção do público. Quando perguntou sobre o que podia ser observado no mundo do trabalho, as respostas expostas não foram positivas. O que ocorre é uma ampliação do número de casos de Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e expansão do sofrimento psíquico. Os perigos à saúde nas jornadas de trabalho são muitos. Ruídos de empresas metalúrgicas, acidentes mecânicos e exposição a agentes químicos são alguns exemplos que afetam diretamente o ser humano. “90% dos trabalhadores que trabalham nas grandes fábricas apresentam problemas depressivos crônicos e isto é fato. Já não bastasse à exposição do corpo e da mente, o empregado de hoje ainda deve cumprir as exigências de tempo, informação e aprendizagem”, aponta o palestrante.

A acadêmica de psicologia Gabriela Beltrame, 17, diz: “A Semana Acadêmica acrescenta muito para todos nós, o ruim é perceber o quanto será difícil mudar a situação da saúde do trabalhador, enquanto a organização do trabalho está muito vinculada à psicologia”

A professora do curso de Psicologia da Unifra e coordenadora do dia, Elizete Traesel, concorda que o quadro é complicado e intensifica: “A palestra do professor é bastante pertinente.Todos os atores da organização do trabalho, gestores e empreendedores precisam respeitar o trabalhador e não deixar para valorizá-lo apenas quando as possibilidades de saúde se esgotarem.”

Amanhã o Salão de Atos do Conjunto I da Unifra segue suas atividades e discussões sobre a saúde mental. Mais informações no site da Unifra.