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Santa Maria, RS, Brazil

Revendo a imprensa

A história de nossa imprensa remonta ao século XIX. Foi somente em 1808 que ocorreram as primeiras tentativas de instalar imprensa no Brasil, devido a chegada da corte portuguesa ao país. Conforme José Marques de Melo, os motivos de tal atraso decorreram de fatores socioculturais tais como analfabetismo, ausência de urbanização, atraso das populações indígenas, entre outros.

Até 1822 a imprensa era artesanal. A partir dessa data, com a proclamação da Independência surgiu um novo ciclo, integrado pelos pasquins, que marcavam um forte confronto com a chamada imprensa áulica, ou seja, a coroa portuguesa. A luta pela liberdade de expressão continuava, e ela se tornou mais intensa no período do Império, em que os pasquins se proliferaram e se tornaram mais virulentos, causando a reação do Estado.

Com a proclamação da República em 1889 e a partir do século XX, a imprensa brasileira começa a se modificar. Os jornais e revistas passam a se transformar em empresas e propagar, mais do que nunca, ideais políticos. Em 1930, Getúlio Vargas assume o poder e aos poucos vai instituindo a censura. Na década de 60, ocorre uma modernização nos jornais, tanto nos equipamentos utilizados como na diagramação dos mesmos. Mas é também nessa década que acontece o golpe militar, em que as amarras da censura tornam-se ainda mais rígidas, durando cerca 20 anos.

E, em pleno século XXI, tempos em que acredita-se poder desfrutar da liberdade de imprensa, a sensação é de que ela ainda sofre algum tipo de censura. Como os meios de comunicação transformaram-se em grandes empresas, também ficaram nas mãos de poucos donos, que se utilizam deles para propagar suas ideologias. E assim, volta o questionamento: realmente existe liberdade ou acreditamos, fantasiamos que ela existe? Os jornalistas estão fadados a escrever conforme seu patrão quer? O artigo 1° do Código de Ética dos jornalistas diz que “o acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse”. Um bom jornalista não se prende aos mandos da empresa em que trabalha. Ele possui o dom de escrever, e isso o possibilita de informar seu leitor da melhor maneira, assim como utilizar-se de artimanhas da escrita para transmitir tais informações.

Mas aí, surge outra questão. Até que ponto esse profissional consegue ser imparcial. De uma coisa se pode ter certeza: relatar os fatos de uma maneira clara, que se aproxime da veracidade, sempre é possível. Já a imparcialidade, infelizmente, é uma utopia. Ao selecionar as fontes, escolher o ângulo da reportagem e os trechos das entrevistas que serão publicados, o jornalista está deixando de ser imparcial. Assim, ao redigir uma matéria, ele está retratando um fato ocorrido, pois estará contando-o a partir do seu ponto de vista, ou seja, ele é, sim, parcial. Contudo, isso não significa que a informação não seja verdadeira ou que está distorcida, mas que se trata da sua representação.

É papel do jornalista oferecer à seus leitores a oportunidade de refletir sobre a realidade.  Para isso, como disse o diretor de redação da revista CartaCapital, Mino Carta, ele deve ter constante espírito crítico, fidelidade à verdade factual e fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste. Muitas vezes não é isso o que acontece. Mas é preciso acreditar. A imprensa brasileira possui uma história conturbada. Faz pouco tempo que ela se livrou da censura declarada e ainda está se habituando a essa nova liberdade vigente. É preciso acreditar nos jornalistas, atuais e futuros. Afinal, eles não possuem o dom de solucionar problemas, porém podem trazer elementos que propiciem a mudança.

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A história de nossa imprensa remonta ao século XIX. Foi somente em 1808 que ocorreram as primeiras tentativas de instalar imprensa no Brasil, devido a chegada da corte portuguesa ao país. Conforme José Marques de Melo, os motivos de tal atraso decorreram de fatores socioculturais tais como analfabetismo, ausência de urbanização, atraso das populações indígenas, entre outros.

Até 1822 a imprensa era artesanal. A partir dessa data, com a proclamação da Independência surgiu um novo ciclo, integrado pelos pasquins, que marcavam um forte confronto com a chamada imprensa áulica, ou seja, a coroa portuguesa. A luta pela liberdade de expressão continuava, e ela se tornou mais intensa no período do Império, em que os pasquins se proliferaram e se tornaram mais virulentos, causando a reação do Estado.

Com a proclamação da República em 1889 e a partir do século XX, a imprensa brasileira começa a se modificar. Os jornais e revistas passam a se transformar em empresas e propagar, mais do que nunca, ideais políticos. Em 1930, Getúlio Vargas assume o poder e aos poucos vai instituindo a censura. Na década de 60, ocorre uma modernização nos jornais, tanto nos equipamentos utilizados como na diagramação dos mesmos. Mas é também nessa década que acontece o golpe militar, em que as amarras da censura tornam-se ainda mais rígidas, durando cerca 20 anos.

E, em pleno século XXI, tempos em que acredita-se poder desfrutar da liberdade de imprensa, a sensação é de que ela ainda sofre algum tipo de censura. Como os meios de comunicação transformaram-se em grandes empresas, também ficaram nas mãos de poucos donos, que se utilizam deles para propagar suas ideologias. E assim, volta o questionamento: realmente existe liberdade ou acreditamos, fantasiamos que ela existe? Os jornalistas estão fadados a escrever conforme seu patrão quer? O artigo 1° do Código de Ética dos jornalistas diz que “o acesso à informação pública é um direito inerente à condição de vida em sociedade, que não pode ser impedido por nenhum tipo de interesse”. Um bom jornalista não se prende aos mandos da empresa em que trabalha. Ele possui o dom de escrever, e isso o possibilita de informar seu leitor da melhor maneira, assim como utilizar-se de artimanhas da escrita para transmitir tais informações.

Mas aí, surge outra questão. Até que ponto esse profissional consegue ser imparcial. De uma coisa se pode ter certeza: relatar os fatos de uma maneira clara, que se aproxime da veracidade, sempre é possível. Já a imparcialidade, infelizmente, é uma utopia. Ao selecionar as fontes, escolher o ângulo da reportagem e os trechos das entrevistas que serão publicados, o jornalista está deixando de ser imparcial. Assim, ao redigir uma matéria, ele está retratando um fato ocorrido, pois estará contando-o a partir do seu ponto de vista, ou seja, ele é, sim, parcial. Contudo, isso não significa que a informação não seja verdadeira ou que está distorcida, mas que se trata da sua representação.

É papel do jornalista oferecer à seus leitores a oportunidade de refletir sobre a realidade.  Para isso, como disse o diretor de redação da revista CartaCapital, Mino Carta, ele deve ter constante espírito crítico, fidelidade à verdade factual e fiscalizar o poder onde quer que ele se manifeste. Muitas vezes não é isso o que acontece. Mas é preciso acreditar. A imprensa brasileira possui uma história conturbada. Faz pouco tempo que ela se livrou da censura declarada e ainda está se habituando a essa nova liberdade vigente. É preciso acreditar nos jornalistas, atuais e futuros. Afinal, eles não possuem o dom de solucionar problemas, porém podem trazer elementos que propiciem a mudança.