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Na rota de Caco Barcellos

 Ninguém melhor para falar sobre o tema responsabilidade social do que o jornalista conhecido pelo profissionalismo ético, Caco Barcellos. Prova disso foi a recepção que teve dos participantes do VI Fórum de Comunicação Social da Unifra. Ao entrar no Salão de Atos da instituição, o idealizador do programa Profissão Repórter, da TV Globo, foi ovacionado pelo público. Com vasta experiência na área de investigação jornalística, ele encerrou a semana acadêmica com a palestra Comunicação, Cultura da Violência e Direitos Humanos.

 A violência no Brasil, de acordo com o comunicador, é sustentada pelo tripé imprensa, justiça e política. Para provocar reflexão, apresentou estatísticas sobre a criminalidade. “O Brasil não declara guerra, mas mata 50 mil pessoas por ano. Só no Rio de Janeiro, em 2007, foram mortos pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), 1350 pessoas”, afirma Barcellos.

 

A polícia, que deveria dar segurança, contribui para a disseminação da cultura da violência.  Na capital carioca, 25% das mortes é atribuída a policiais. Os criminosos aprendem com a brutalidade a qual são submetidos.

 

Segundo Barcellos, no país em que não é admitida a pena de morte, pequenos grupos a praticam todo dia. Nos 74 países que aceitam tal prática no mundo, foram mortas menos pessoas que no estado carioca. Um dos fatores que contribui para que isso ocorra é a posição de um meio social que se abstêm: “A sociedade é intolerante, violenta e preconceituosa diante das diferenças sociais”, critica.

 

Essa realidade é retratada nos livros de Caco. Abusado: o dono do Morro Dona Marta, Rota 66, Rota 66: a história da polícia que mata são resultado de um minucioso trabalho investigativo. Campo de trabalho, que ele considera, hoje, em crise: “Para praticar o bom jornalismo investigativo, precisamos ser menos arrogantes e radicais com os fracos e mais corajosos com os poderosos”.

 

Há uma banalização no sentido do jornalismo investigativo, pois matérias baseadas em denúncias e entrevistas são interpretadas de maneira errônea. O profissional lamenta a existência de jornalistas interessados apenas na notoriedade gerada pela televisão e no salário, mas que detestam cumprir a caminhada de um trabalho responsável.

 

 Na palestra, foram exibidos dois vídeos de reportagens que ilustram a temática de cunho social. Também houve troca de idéias entre o jornalista e os acadêmicos, que puderam fotografar ao lado do ícone. Ao final de quatro dias dedicados as debate em torno da responsabilidade social, fica a mensagem de Caco Barcellos: “Nunca vou me calar. Sempre que puder, continuarei denunciando a hipocrisia nacional”.

 

 

Fotos: Laura Fabrício (Laboratório de Fotografia e Memória) 

 

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 Ninguém melhor para falar sobre o tema responsabilidade social do que o jornalista conhecido pelo profissionalismo ético, Caco Barcellos. Prova disso foi a recepção que teve dos participantes do VI Fórum de Comunicação Social da Unifra. Ao entrar no Salão de Atos da instituição, o idealizador do programa Profissão Repórter, da TV Globo, foi ovacionado pelo público. Com vasta experiência na área de investigação jornalística, ele encerrou a semana acadêmica com a palestra Comunicação, Cultura da Violência e Direitos Humanos.

 A violência no Brasil, de acordo com o comunicador, é sustentada pelo tripé imprensa, justiça e política. Para provocar reflexão, apresentou estatísticas sobre a criminalidade. “O Brasil não declara guerra, mas mata 50 mil pessoas por ano. Só no Rio de Janeiro, em 2007, foram mortos pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), 1350 pessoas”, afirma Barcellos.

 

A polícia, que deveria dar segurança, contribui para a disseminação da cultura da violência.  Na capital carioca, 25% das mortes é atribuída a policiais. Os criminosos aprendem com a brutalidade a qual são submetidos.

 

Segundo Barcellos, no país em que não é admitida a pena de morte, pequenos grupos a praticam todo dia. Nos 74 países que aceitam tal prática no mundo, foram mortas menos pessoas que no estado carioca. Um dos fatores que contribui para que isso ocorra é a posição de um meio social que se abstêm: “A sociedade é intolerante, violenta e preconceituosa diante das diferenças sociais”, critica.

 

Essa realidade é retratada nos livros de Caco. Abusado: o dono do Morro Dona Marta, Rota 66, Rota 66: a história da polícia que mata são resultado de um minucioso trabalho investigativo. Campo de trabalho, que ele considera, hoje, em crise: “Para praticar o bom jornalismo investigativo, precisamos ser menos arrogantes e radicais com os fracos e mais corajosos com os poderosos”.

 

Há uma banalização no sentido do jornalismo investigativo, pois matérias baseadas em denúncias e entrevistas são interpretadas de maneira errônea. O profissional lamenta a existência de jornalistas interessados apenas na notoriedade gerada pela televisão e no salário, mas que detestam cumprir a caminhada de um trabalho responsável.

 

 Na palestra, foram exibidos dois vídeos de reportagens que ilustram a temática de cunho social. Também houve troca de idéias entre o jornalista e os acadêmicos, que puderam fotografar ao lado do ícone. Ao final de quatro dias dedicados as debate em torno da responsabilidade social, fica a mensagem de Caco Barcellos: “Nunca vou me calar. Sempre que puder, continuarei denunciando a hipocrisia nacional”.

 

 

Fotos: Laura Fabrício (Laboratório de Fotografia e Memória)