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Santa Maria, RS, Brazil

Relação: charge-poder-mídia

 Iniciou na terça-feira, 3 de junho, o ciclo de palestras da segunda edição do Fórum de Artes Visuais Eu Coletivo, da UFSM. O cartunista e chargista Eugênio Neves abriu a edição com o tema: “A charge em tempos de ditadura militar”.

Cerca de trinta estudantes do curso de Artes Visuais da UFSM estavam presentes no teatro Caixa Preta no Centro de Artes e Letras (CAL) para ouvir Eugênio Neves falar sobre a charge numa época conturbada para artistas. Há mais de trinta anos atuando na área de artes gráficas, o palestrante autodidata conversou como foi trabalhar com charges e cartuns numa fase em que a censura fazia parte dos jornais e veículos de informação. Neves fugiu um pouco do tema e falou mais sobre a atual fase da charge no Brasil e sobre os lugares em que é veiculada.

Eugênio Neves se diz radical, pois parte do pressuposto de que o poder é a mídia e esta, por sua vez, tem o controle da informação, o controle do que é dito e veiculado: “existe uma relação direta da mídia com o poder, e principalmente com o poder econômico e político”. O cartunista e chargista sentiu na pele o que foi a censura após a ditadura e explica: “mais horrível do que foi a época da ditadura militar no Brasil foi o fim dela, porque a censura, que era externa, transferiu-se para dentro das redações, para dentro dos jornais”.

Durante os oito meses em que trabalhou no Jornal Zero Hora com ilustração, o palestrante não agüentou a repressão que sofria do editor-chefe, até que um dia desenhou para a coluna política as duas versões de um caso. Um dos desenhos era o policial atirando em um garoto. “Meu desenho não foi aceito pelo editor, eu expliquei que estava mostrando as duas versões, como tem de ser feito em um jornal, mas ele rebateu dizendo que eu não podia condenar um policial. Eu pedi demissão na mesma hora”.

Hoje, ele publica seu trabalho apenas em blogs e na internet, suas charges criticam o governo, mas não apenas a esquerda política, como fazem os atuais chargistas, ele crítica a oposição, a direita, e mostra uma preferência pela governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius.“Tenho gosto em falar sobre ela porque a mídia, principalmente os veículos ligados à RBS a protegem”, indigna-se Neves.

As críticas não foram apenas para os meios de comunicação, ele criticou também os chargistas que ficam no mesmo assunto sempre e a falta de informação visível e clara em trabalhos visuais. “Alguns chargistas tomam conhecimentos de algum assunto em escuta de conversa de botequim, são informações, muitas vezes, equivocadas”.

Eugênio Neves relaciona a charge com a mídia e o poder: “Não tem como pensar charge sem pensar em mídia, e não tem como pensar em mídia sem pensar em poder”.

 

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 Iniciou na terça-feira, 3 de junho, o ciclo de palestras da segunda edição do Fórum de Artes Visuais Eu Coletivo, da UFSM. O cartunista e chargista Eugênio Neves abriu a edição com o tema: “A charge em tempos de ditadura militar”.

Cerca de trinta estudantes do curso de Artes Visuais da UFSM estavam presentes no teatro Caixa Preta no Centro de Artes e Letras (CAL) para ouvir Eugênio Neves falar sobre a charge numa época conturbada para artistas. Há mais de trinta anos atuando na área de artes gráficas, o palestrante autodidata conversou como foi trabalhar com charges e cartuns numa fase em que a censura fazia parte dos jornais e veículos de informação. Neves fugiu um pouco do tema e falou mais sobre a atual fase da charge no Brasil e sobre os lugares em que é veiculada.

Eugênio Neves se diz radical, pois parte do pressuposto de que o poder é a mídia e esta, por sua vez, tem o controle da informação, o controle do que é dito e veiculado: “existe uma relação direta da mídia com o poder, e principalmente com o poder econômico e político”. O cartunista e chargista sentiu na pele o que foi a censura após a ditadura e explica: “mais horrível do que foi a época da ditadura militar no Brasil foi o fim dela, porque a censura, que era externa, transferiu-se para dentro das redações, para dentro dos jornais”.

Durante os oito meses em que trabalhou no Jornal Zero Hora com ilustração, o palestrante não agüentou a repressão que sofria do editor-chefe, até que um dia desenhou para a coluna política as duas versões de um caso. Um dos desenhos era o policial atirando em um garoto. “Meu desenho não foi aceito pelo editor, eu expliquei que estava mostrando as duas versões, como tem de ser feito em um jornal, mas ele rebateu dizendo que eu não podia condenar um policial. Eu pedi demissão na mesma hora”.

Hoje, ele publica seu trabalho apenas em blogs e na internet, suas charges criticam o governo, mas não apenas a esquerda política, como fazem os atuais chargistas, ele crítica a oposição, a direita, e mostra uma preferência pela governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius.“Tenho gosto em falar sobre ela porque a mídia, principalmente os veículos ligados à RBS a protegem”, indigna-se Neves.

As críticas não foram apenas para os meios de comunicação, ele criticou também os chargistas que ficam no mesmo assunto sempre e a falta de informação visível e clara em trabalhos visuais. “Alguns chargistas tomam conhecimentos de algum assunto em escuta de conversa de botequim, são informações, muitas vezes, equivocadas”.

Eugênio Neves relaciona a charge com a mídia e o poder: “Não tem como pensar charge sem pensar em mídia, e não tem como pensar em mídia sem pensar em poder”.