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Santa Maria, RS, Brazil

Um Cisne cinqüentenário

 

Em meio a onda de pirataria, um cinema no interior do estado persiste. O Cinema Cisne de Santo Ângelo completou, em março, seus 50 anos. Com a maior tela do Rio Grande do Sul, o cinema sofreu com inúmeras crises, esteve por fechar várias vezes, mas se manteve firme. Na cidade houve tempos em que existiram três cinemas.

 

Receita de sucesso? “Vontade, sonho, determinação e prazer” são definições do empresário Flavio Panzenhagen (na foto), 41 anos, para continuar com as portas abertas. Ele é a terceira geração no comando do cinema, que hoje conta com mais alguns sócios. A sala de exibição tem capacidade para 612 pessoas. É um cinema antigo, existem poucos desse tamanho no Brasil. Por isso, foi transformado em ponto turístico da cidade e, segundo Panzenhagen, recebe turistas com freqüência.

Mas nem tudo são flores, são muitas as dificuldades para manter o cinema. Hoje, o maior inimigo é a pirataria: “Ela faz com que as coisas aconteçam antes do tempo” lamenta Panzenhagen. Há 20 anos à frente do cinema, ele conta que é preciso encontrar soluções e gostar do que faz: “As coisas apertam, apareceu até uma igreja querendo alugar o espaço. Ofereceram um dinheiro que não sei em quanto tempo juntaria, mas não se pode jogar tudo para o alto”.

Com o auxílio do governo foi possível estabilizar os ânimos. No ano passado o Governo Federal, através da lei de incentivo à cultura, junto com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), enviou recursos que já foram investidos. No início desse ano, o Cine Cisne manteve-se com auxílio da Prefeitura. Foi feita uma parceria, na qual é cedida a sala de exibição para oficinas de teatro e dança. O governo local paga um “aluguel” ao cinema para utilizar o espaço. Além disso, existe o programa Mídia na tela, no qual empresas apóiam financeiramente em troca de propaganda e ingressos.

Panzenhagen tenta usufruir como pode das tecnologias: “A internet é um canal que facilita a interação com o público, são as críticas que fortalecem e os elogios que motivam”.  O cinema santo-angelense possui uma página de relacionamentos, e-mail e site próprio.

As conversas com o pai incentivaram sua paixão pelo cinema. Tendo na família uma trajetória “cinemófila” é explicável estar no ramo. Mas desconhece o desinteresse das pessoas pelo cinema: “As pessoas gostam de falar de cinema. Diz-se que uma cidade sem cinema é atrasada, isso é sinal de cultura”, explica Panzenhagen.

Para o empresário, o cinema tem que ser renovado. Assim, em 2005 no hall de entrada foi feita uma cafeteria. Como dentro do cinema tem outro bar, a cafeteria fica aberta o dia todo, até o final das sessões. A novidade do ano, por enquanto, é um cartão vip, o Cine Movie Card. O custo é de R$130 reais com acesso liberado por 13 meses, a forma de pagamento ainda pode ser negociada.

O sonho de fazer um mini-cisne é antigo. São 30 anos idealizando o projeto, que Panzenhagen não garante quando será finalizado: “As coisas tem que acontecer”. A idéia é fazer uma outra sala de exibição com capacidade menor e mais aconchegante. “Nela, que o dinheiro é investido. O andamento da obra da nova sala será divulgado na hora certa, isso evita comentários e até se não der certo no tempo programado, evita cobranças”.

Panzenhagen ressalta que: “Empreendedor, corre atrás das soluções e tem que ter persistência.” O público varia conforme o filme, mas os recordes foram com “Titanic” e “Paixão de Cristo”. Em média os filmes ficam em cartaz por uma semana. Há pouco tempo outro cinema do interior foi reativado pela família Panzenhagen. Depois de anos sem cinema, São Luiz Gonzaga pode novamente assistir a filmes recém lançados, o responsável é o irmão de Flavio.

Fotos: Alice Dutra Balbé

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Em meio a onda de pirataria, um cinema no interior do estado persiste. O Cinema Cisne de Santo Ângelo completou, em março, seus 50 anos. Com a maior tela do Rio Grande do Sul, o cinema sofreu com inúmeras crises, esteve por fechar várias vezes, mas se manteve firme. Na cidade houve tempos em que existiram três cinemas.

 

Receita de sucesso? “Vontade, sonho, determinação e prazer” são definições do empresário Flavio Panzenhagen (na foto), 41 anos, para continuar com as portas abertas. Ele é a terceira geração no comando do cinema, que hoje conta com mais alguns sócios. A sala de exibição tem capacidade para 612 pessoas. É um cinema antigo, existem poucos desse tamanho no Brasil. Por isso, foi transformado em ponto turístico da cidade e, segundo Panzenhagen, recebe turistas com freqüência.

Mas nem tudo são flores, são muitas as dificuldades para manter o cinema. Hoje, o maior inimigo é a pirataria: “Ela faz com que as coisas aconteçam antes do tempo” lamenta Panzenhagen. Há 20 anos à frente do cinema, ele conta que é preciso encontrar soluções e gostar do que faz: “As coisas apertam, apareceu até uma igreja querendo alugar o espaço. Ofereceram um dinheiro que não sei em quanto tempo juntaria, mas não se pode jogar tudo para o alto”.

Com o auxílio do governo foi possível estabilizar os ânimos. No ano passado o Governo Federal, através da lei de incentivo à cultura, junto com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), enviou recursos que já foram investidos. No início desse ano, o Cine Cisne manteve-se com auxílio da Prefeitura. Foi feita uma parceria, na qual é cedida a sala de exibição para oficinas de teatro e dança. O governo local paga um “aluguel” ao cinema para utilizar o espaço. Além disso, existe o programa Mídia na tela, no qual empresas apóiam financeiramente em troca de propaganda e ingressos.

Panzenhagen tenta usufruir como pode das tecnologias: “A internet é um canal que facilita a interação com o público, são as críticas que fortalecem e os elogios que motivam”.  O cinema santo-angelense possui uma página de relacionamentos, e-mail e site próprio.

As conversas com o pai incentivaram sua paixão pelo cinema. Tendo na família uma trajetória “cinemófila” é explicável estar no ramo. Mas desconhece o desinteresse das pessoas pelo cinema: “As pessoas gostam de falar de cinema. Diz-se que uma cidade sem cinema é atrasada, isso é sinal de cultura”, explica Panzenhagen.

Para o empresário, o cinema tem que ser renovado. Assim, em 2005 no hall de entrada foi feita uma cafeteria. Como dentro do cinema tem outro bar, a cafeteria fica aberta o dia todo, até o final das sessões. A novidade do ano, por enquanto, é um cartão vip, o Cine Movie Card. O custo é de R$130 reais com acesso liberado por 13 meses, a forma de pagamento ainda pode ser negociada.

O sonho de fazer um mini-cisne é antigo. São 30 anos idealizando o projeto, que Panzenhagen não garante quando será finalizado: “As coisas tem que acontecer”. A idéia é fazer uma outra sala de exibição com capacidade menor e mais aconchegante. “Nela, que o dinheiro é investido. O andamento da obra da nova sala será divulgado na hora certa, isso evita comentários e até se não der certo no tempo programado, evita cobranças”.

Panzenhagen ressalta que: “Empreendedor, corre atrás das soluções e tem que ter persistência.” O público varia conforme o filme, mas os recordes foram com “Titanic” e “Paixão de Cristo”. Em média os filmes ficam em cartaz por uma semana. Há pouco tempo outro cinema do interior foi reativado pela família Panzenhagen. Depois de anos sem cinema, São Luiz Gonzaga pode novamente assistir a filmes recém lançados, o responsável é o irmão de Flavio.

Fotos: Alice Dutra Balbé