Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Carnes suspeitas

 Você sabe de onde vem a carne que está à sua mesa? Para muitas pessoas isso pode não fazer diferença, mas as consequências de consumir carne provinda de um animal abatido sem fiscalização podem ser graves. Santa Maria já esteve no topo do ranking das cidades onde acontece essa ilegalidade. Confira os riscos de comprar carne ilegal, onde isso pode estar ocorrendo e como se orientar sobre esse assunto.

Entre os meses de abril e junho, a equipe de reportagem percorreu mais de 30 açougues da cidade para buscar dados sobre a origem e condições das carnes comercializadas nestes estabelecimentos. Em alguns, o cenário era de precariedade: carnes escuras e expostas sem a mínima refrigeração, moscas, balcão sujo, atendentes sem vestimentas apropriadas. Em outros, o aspecto era de boa higiene e os açougueiros sempre destacavam a origem de seu principal produto.

Em Santa Maria, segundo o veterinário Alexandre Caetano, responsável pela fiscalização de abates, existem oito abatedouros legais em atividade e que funcionam sempre com a supervisão de funcionários da Secretária Municipal de Desenvolvimento Rural. Água Boa, Laranjeiras, Santa Flora e Santo Antônio são os principais do município. Os açougues compram dos frigoríficos a carne do animal abatido e revendem. A costela minga, por exemplo, é vendida em açougues e casas de carne por uma média de R$ 8,00 o quilo.

 Durante as visitas, alguns pontos de venda apresentaram mais indícios de práticas ilícitas, como a venda de cortes muito abaixo do valor praticado no mercado, como o caso desse estabelecimento, localizado na avenida Borges de Medeiros, que anuncia costela minga a R$ 5,78 (foto).

 

Para ficar atento

Em um açougue visitado também na rua Borges de Medeiros, foi possível ver o  corpo inteiro de um porco, sem as vísceras, pendurado em um gancho sem a mínima proteção. A carne estava totalmente exposta a poucos metros da rua, podendo facilmente ser atingida pela poeira dos carros.

O artigo 452, do Decreto nº 23.430 , de 24 de outubro de 1974, que dispõe sobre a promoção, proteção e recuperação da Saúde Pública, diz o seguinte:

Os açougues devem ser dotados de instalações frigoríficas, de funcionamento e controle automático, destinadas exclusivamente à conservação e exposição de carnes e vísceras, as quais não devem permanecer fora de refrigeração ou expostas sem proteção contra poeiras, insetos e outros animais, manuseio por parte do comprador e outras contaminações.

Tolera-se a permanência de carnes fora de refrigerador, dependuradas nas barras ou sobre as mesas de trabalho, o tempo estritamente necessário, ao seu recebimento e à sua divisão em meias carcaças, quartos, frações comerciais e desossa, devendo ser, imediatamente após, colocadas nos dispositivos refrigeradores.

 Segundo o  Serviço de Informação da Carne (SIC) é importante também que os estabelecimentos exibam, de forma clara, precisa e ostensiva, informações referentes à identificação da origem da carne. É obrigatória a existência de carimbo roxo do SIF (foto), do SIE ou do SIM (Serviço de Inspeção Federal, Estadual ou Municipal).

 

Sem saber a origem da carne, você pode estar colocando para dentro do seu corpo essas doenças:

 

Tuberculose, causando sérios problemas respiratórios;

Teníase/Cisticercose: a conhecida solitária, vermes que passam a viver dentro de você, prejudicando seu organismo, inclusive o cérebro

Hidatidose: doenças no fígado e nos pulmões

Salmonelose: bactérias que provocam diarréias e vômitos no seu intestino

 

Confira no quadro abaixo algumas dicas do para comprar uma carne saudável. As informações são do site do Serviço de Informação da Carne (http://www.sic.org.br/inspecao.asp). Clique na imagem para aumentá-la.

Box

 

Santa Maria no combate ao abigeato

Em Santa Maria uma equipe que conta com integrantes da Polícia Civil, Secretaria de Agricultura do estado Patrulha Rural da Brigada Militar, Vigilância Sanitária Municipal, Secretaria de Desenvolvimento Rural do Município, Secretaria da Fazenda do Estado e Fepam atuam no combate e fiscalização das práticas ilegais no segmento como abigeato e comercializações sem regulamentação.

Entre os meses de abril e junho, 19 operações na região apreenderam uma tonelada de carne e derivados. Segundo o Capitão Rogério Glanzel Alves, 25 estabelecimentos e 17 propriedades rurais foram vistoriados, que resultaram num total de 15 autuações.

O trabalho em conjunto desses órgãos vem contribuindo para melhorar a posição da cidade no ranking estadual de abigeato divulgado a cada ano pela Farsul (Federação da Agricultura do estado do Rio Grande do Sul). Santa Maria já esteve no topo da lista, mas na última relação apareceu como a quarta cidade que mais registra casos de roubo de animais.

Como saber se a carne é inspecionada?

No varejo, vários aspectos podem ajudar o consumidor a saber se o produto que ele está comprando vem de estabelecimento inspecionado. Quando a carne se apresenta em cortes e embalada, a rotulagem deve conter todas as informações necessárias para que se saiba
que estabelecimento processou aquele produto, como a logomarca do serviço de inspeção, que contém um número que identifica o estabelecimento, a data do processamento, a data de validade, a temperatura de conservação etc. Quando está em grandes peças, é possível observar os carimbos de inspeção (de cor azul/roxa, feitos com tinta atóxica) em cujo interior existe um número que identifica o estabelecimento produtor. e as peças estiverem em cortes e se não houver nenhuma identificação do estabelecimento produtor, o consumidor deverá exigir do estabelecimento varejista a nota fiscal de compra do produto, o que lhe permitirá constatar se a carne veio de estabelecimento registrado ou não.

Caso não se comprove a origem da carne, o consumidor deve denunciar o estabelecimento às autoridades de saúde pública para que seja feita a verificação da qualidade do produto oferecido.

A denúncia pode ser encaminhada à Secretaria da Saúde, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou à Secretaria de Agricultura ou ainda a organizações não-governamentais, que as levarão ao conhecimento das autoridades competentes.

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 Você sabe de onde vem a carne que está à sua mesa? Para muitas pessoas isso pode não fazer diferença, mas as consequências de consumir carne provinda de um animal abatido sem fiscalização podem ser graves. Santa Maria já esteve no topo do ranking das cidades onde acontece essa ilegalidade. Confira os riscos de comprar carne ilegal, onde isso pode estar ocorrendo e como se orientar sobre esse assunto.

Entre os meses de abril e junho, a equipe de reportagem percorreu mais de 30 açougues da cidade para buscar dados sobre a origem e condições das carnes comercializadas nestes estabelecimentos. Em alguns, o cenário era de precariedade: carnes escuras e expostas sem a mínima refrigeração, moscas, balcão sujo, atendentes sem vestimentas apropriadas. Em outros, o aspecto era de boa higiene e os açougueiros sempre destacavam a origem de seu principal produto.

Em Santa Maria, segundo o veterinário Alexandre Caetano, responsável pela fiscalização de abates, existem oito abatedouros legais em atividade e que funcionam sempre com a supervisão de funcionários da Secretária Municipal de Desenvolvimento Rural. Água Boa, Laranjeiras, Santa Flora e Santo Antônio são os principais do município. Os açougues compram dos frigoríficos a carne do animal abatido e revendem. A costela minga, por exemplo, é vendida em açougues e casas de carne por uma média de R$ 8,00 o quilo.

 Durante as visitas, alguns pontos de venda apresentaram mais indícios de práticas ilícitas, como a venda de cortes muito abaixo do valor praticado no mercado, como o caso desse estabelecimento, localizado na avenida Borges de Medeiros, que anuncia costela minga a R$ 5,78 (foto).

 

Para ficar atento

Em um açougue visitado também na rua Borges de Medeiros, foi possível ver o  corpo inteiro de um porco, sem as vísceras, pendurado em um gancho sem a mínima proteção. A carne estava totalmente exposta a poucos metros da rua, podendo facilmente ser atingida pela poeira dos carros.

O artigo 452, do Decreto nº 23.430 , de 24 de outubro de 1974, que dispõe sobre a promoção, proteção e recuperação da Saúde Pública, diz o seguinte:

Os açougues devem ser dotados de instalações frigoríficas, de funcionamento e controle automático, destinadas exclusivamente à conservação e exposição de carnes e vísceras, as quais não devem permanecer fora de refrigeração ou expostas sem proteção contra poeiras, insetos e outros animais, manuseio por parte do comprador e outras contaminações.

Tolera-se a permanência de carnes fora de refrigerador, dependuradas nas barras ou sobre as mesas de trabalho, o tempo estritamente necessário, ao seu recebimento e à sua divisão em meias carcaças, quartos, frações comerciais e desossa, devendo ser, imediatamente após, colocadas nos dispositivos refrigeradores.

 Segundo o  Serviço de Informação da Carne (SIC) é importante também que os estabelecimentos exibam, de forma clara, precisa e ostensiva, informações referentes à identificação da origem da carne. É obrigatória a existência de carimbo roxo do SIF (foto), do SIE ou do SIM (Serviço de Inspeção Federal, Estadual ou Municipal).

 

Sem saber a origem da carne, você pode estar colocando para dentro do seu corpo essas doenças:

 

Tuberculose, causando sérios problemas respiratórios;

Teníase/Cisticercose: a conhecida solitária, vermes que passam a viver dentro de você, prejudicando seu organismo, inclusive o cérebro

Hidatidose: doenças no fígado e nos pulmões

Salmonelose: bactérias que provocam diarréias e vômitos no seu intestino

 

Confira no quadro abaixo algumas dicas do para comprar uma carne saudável. As informações são do site do Serviço de Informação da Carne (http://www.sic.org.br/inspecao.asp). Clique na imagem para aumentá-la.

Box

 

Santa Maria no combate ao abigeato

Em Santa Maria uma equipe que conta com integrantes da Polícia Civil, Secretaria de Agricultura do estado Patrulha Rural da Brigada Militar, Vigilância Sanitária Municipal, Secretaria de Desenvolvimento Rural do Município, Secretaria da Fazenda do Estado e Fepam atuam no combate e fiscalização das práticas ilegais no segmento como abigeato e comercializações sem regulamentação.

Entre os meses de abril e junho, 19 operações na região apreenderam uma tonelada de carne e derivados. Segundo o Capitão Rogério Glanzel Alves, 25 estabelecimentos e 17 propriedades rurais foram vistoriados, que resultaram num total de 15 autuações.

O trabalho em conjunto desses órgãos vem contribuindo para melhorar a posição da cidade no ranking estadual de abigeato divulgado a cada ano pela Farsul (Federação da Agricultura do estado do Rio Grande do Sul). Santa Maria já esteve no topo da lista, mas na última relação apareceu como a quarta cidade que mais registra casos de roubo de animais.

Como saber se a carne é inspecionada?

No varejo, vários aspectos podem ajudar o consumidor a saber se o produto que ele está comprando vem de estabelecimento inspecionado. Quando a carne se apresenta em cortes e embalada, a rotulagem deve conter todas as informações necessárias para que se saiba
que estabelecimento processou aquele produto, como a logomarca do serviço de inspeção, que contém um número que identifica o estabelecimento, a data do processamento, a data de validade, a temperatura de conservação etc. Quando está em grandes peças, é possível observar os carimbos de inspeção (de cor azul/roxa, feitos com tinta atóxica) em cujo interior existe um número que identifica o estabelecimento produtor. e as peças estiverem em cortes e se não houver nenhuma identificação do estabelecimento produtor, o consumidor deverá exigir do estabelecimento varejista a nota fiscal de compra do produto, o que lhe permitirá constatar se a carne veio de estabelecimento registrado ou não.

Caso não se comprove a origem da carne, o consumidor deve denunciar o estabelecimento às autoridades de saúde pública para que seja feita a verificação da qualidade do produto oferecido.

A denúncia pode ser encaminhada à Secretaria da Saúde, ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou à Secretaria de Agricultura ou ainda a organizações não-governamentais, que as levarão ao conhecimento das autoridades competentes.