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Livro Livre: Casa do poeta homenageia Prado Veppo

Cansei de amor de brinquedo/ Eu quero amor de verdade/ Quero sentir que a saudade/Está judiando de mim/Não quero dizer amor com o coração sossegado/Quero pecar sem pecado/E andar sorrindo sozinho/Até que falem de mim/Talvez me chamem de louco/Esta loucura eu desejo/Eu quero amor de verdade/Cansei de amor de brinquedo. (A decisão)

Na noite de quarta-feira, 29 de abril, a Feira do Livro de Santa Maria fez uma homenagem a Prado Veppo, com leitura de alguns de seus poemas, por integrantes da Casa do Poeta de Santa Maria.

Com versos que tocam a alma e o coração. Assim Prado Veppo é descrito por aqueles que hoje estiveram na Praça Saldanha Marinho para recitar seus poemas.

Ubirajara Anchieta, aposentado, recitou o poema Morro do Deus Menino, o que e para ele foi uma grande honra, pois "Veppo é um dos maiores poetas do Brasil. Ele põe os versos de uma forma própria”.

Já Denise Reis, corretora de seguros, fez a leitura de Os Bonecos. Denise está sempre lendo e escrevendo poemas e se diz compulsiva por este tipo de literatura. Para ela é um prazer poder participar de uma homenagem como essa. “Veppo é um exemplo de aprendizado”.

A coordenadora da Biblioteca Pública de Santa Maria, Rosângela Réchia: “As suas poesias são emocionantes, elas brotam do coração”. Veppo foi uma figura de grande destaque na literatura, destaca Rosângela.

Integrantes do Instituto Luiz Guilherme do Prado Veppo também estiveram na Praça Saldanha Marinho para prestigiar o recital de poesias. A professora de literatura Maria Regina Caetano, responsável pelo grupo, contou que teve o privilégio de conhecer Prado Veppo em uma palestra. Encontrava-se emocionada porque o considerava uma pessoa muito sensível que escrevia com o coração e que vivia a poesia.

Entre frases e versos, o grupo da Casa do Poeta retirou muitos aplausos do público.

Prado Veppo

Nasceu em Uruguaiana em 3 de julho de 1932 e veio a falecer, depois de uma vida extremamente rica na Medicina e na Literatura, no dia 13 de agosto de 1999. No início de sua vida, duras perdas foram as mortes, da mãe quando o poeta tinha dois anos de idade, e do pai, quando era um adolescente de quatorze. Com esta idade começou a trabalhar na Previdência do Sul, de Porto Alegre. Formou-se na Universidade Federal de Santa Maria em 1960, tendo sido o orador da primeira turma médica dessa Universidade. No tempo de estudante trabalhou na Brigada Militar e como jornalista. Especializou-se em Endocrinologia na Escola Paulista de Medicina em 1971. Fez sua formação em Psiquiatria na UFRJ em 1983. Foi professor adjunto da UFSM DE 1962 a 1989. Exerceu a clínica, em seu consultório, até adoecer, em junho de 1999.

Na literatura publicou sete livros de poesia. Alba Tempo e Rosa, O Andarilho, Espada de Flor. Passos do Vislumbre, Os Breves, O Girassol Azul, Cavaleiros da Vida e da Morte.

A vida jornalística teve grande influência na formação de Prado Veppo, tendo sido colaborador assíduo dos jornais A Cidade e A Razão. É realmente tocante o relato da feitura de seu primeiro livro, em Cavaleiros da Vida e da Morte, feito com o carinho dos jornalistas e gráficos, seus amigos, nas redações e oficinas desses jornais. Os gráficos mereceram um belo poema social, mostrado na pequena mostra de sua poesia.

Prado Veppo foi muito querido de seus concidadãos. Prova disso são os inúmeros prêmios e homenagens que recebeu ao longo da vida, sendo os últimos muito expressivos, como o título de Cidadão Honorário, conferido pela Câmara de Vereadores de Santa Maria, em 1985, e o título da medalha Mérito Cultural Prado Veppo, conferida anualmente pela Câmara de Vereadores de Santa Maria. Posso também dar meu testemunho pessoal, pois conheci o poeta quando morei em Santa Maria de 1955 a 1964, pois meu pai foi professor das primeiras turmas da Faculdade de Medicina, tendo sido professor de Prado Veppo. Lembro de sua fama de poeta ainda nos tempos de estudante, vindo daí minha admiração por seu trabalho e por sua personalidade. Passados mais de 20 anos, voltamos a nos encontrar em Santa Maria algumas vezes. E, depois em Porto Alegre, nas vésperas de sua internação no Instituto de Cardiologia para uma cirurgia de ponte de safena. Encontrei-o em casa de sua irmã e fomos tomar um cafezinho na Casa de Cultura Mário Quintana. Essa foi uma das últimas imagens que tenho do poeta, caloroso, amigo, confiante no seu destino, mas sabendo dos perigos que dali para frente estaria passando.

Prado Veppo foi casado com Zélia Maria e deixou os filhos Luiz Guilherme do Prado Veppo, advogado, e Alba Tereza do Prado Veppo Prolla, médica.

 
A obra

Prado Veppo foi poeta por destino e vocação. Tendo s
ua formação intelectual nos anos 50 e 60, foi um neo-romântico no caminho de Cecília Meirelles e Mário Quintana. Sua produção principal é lírica e amorosa. No entanto, os anos 60 trouxeram uma nova geração, que procurou na síntese formal e no engajamento político, novas formas de retratar a realidade gaúcha e brasileira. Nomes como Paulo Roberto do Carmo, Armindo Trevisan, Carlos Nejar e Luiz de Miranda criaram uma nova sensibilidade ligada à geração de 60 e, como eles, e já antes deles, Prado Veppo praticara poesia de cunho social, pela situação brasileira dos idos de 64, revolucionária de início, contestatória no momento seguinte. Mas a poesia social de Prado Veppo não é uma poesia épica, no sentido de representar a História e seus movimentos; é, antes de tudo, uma poesia que vê o sofrimento personalizado em cada situação, sendo uma extensão de sua lírica amorosa. Na abertura de seu livro Espada de Flor já nos diz: “Fazer poesia/No mundo prático/É entrar na guerra/Esgrimindo uma flor”. O poeta sabe que a poesia pode pouco no mundo mas ao mesmo tempo assume a espada que corta a vida em duas, separando-se da maldade: “Num golpe certeiro/Dividi a vida/Que se tornou duas/depois da partida/. Numa fiquei ruim,/pérfido e mordaz./Ainda bem que essa/Já deixei pra trás./ Na outra, fiquei puro/ Como as andorinhas,/ Como se as maldades/Já não fossem minhas”. O poeta almeja a harmonia nunca alcançada: “Um dia, serei simples/Como uma folha que cai,/Ou onda que o rio esquece/Na calmaria do mar./Terei um gesto de santo/E a palidez dos famintos./Não ouvirei mais meu nome,/Nem chamarei por ninguém./ Terei descanso de mim,/Numa quietude sem fim./ Um dia, serei saudade/No coração dos amigos.”

A poesia participativa de Prado Veppo é forte e contestatória, sem perder o lirismo, que é sua característica. Acredito, no entanto, que alguns desses poemas são os mais fortes e humanos escritos nos anos 60 e 70, na vigência do regime militar. O poeta entristece diante da pobreza e da falta de opções, mas eleva seu canto para, mesmo sabendo que assim não muda o mundo, pode ao menos deixar uma mensagem para os deserdados e famintos de pão, liberdade e poesia.

O último livro publicado, Cavaleiros da Vida e da Morte, uma pequena autobiografia poética, é um documento de seu amor à Medicina e à Poesia. No poema que dá título ao livro, em versos de sete sílabas, encontramos a citação de vários médicos professores, como Mariano da Rocha, Schelp, Sylvio Lindemberg, Clóvis Bopp e outros.

 

A estrutura dos poemas
 

Prado Veppo é um poeta ligado à tradição. Com sensibilidade moderna mas optando pelos ritmos já consagrados, sente-se bem usando as redondilhas maior e menor nas canções e o decassílabo nos sonetos. Usa muita vez o verso livre, mas sempre curto e musical. São poucos os poemas longos, optando, quase sempre, pela canção de três ou quatro estrofes.

Do poeta diz o Professor Pedro Brum Santos, na apresentação do livro O Girassol Azul, já citado: “(…) distante do apelo regionalista e das tendências dissonantes, recupera o sabor do ritmo e da harmonia (…).” Mas é interessante notar que, no mesmo livro, encontramos três poemas de inspiração concreta, raridade na obra do autor.

(biografia: José Eduardo Degrazia)

 

A TERAPIA

 

Se não fizesse versos

Enlouqueceria.

Minha saúde mental

Depende da poesia.

 

Se não fizesse versos

Me suicidaria.

Só na estrofe retorna

A perdida alegria.

 

Só no poema ultrapasso

O limite do tédio.

Para o poeta, a metáfora

É o único remédio. 

 

 

 

                                                                      

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Uma resposta

  1. Bom dia Poetas Seresteiros namoradas POESIA URGENTE PARA TEMPO PRESENTE ARTE SOLIDÁRIA
    Conheci Prado Veppo março 1962, dizendo Poema Brasileiro, no restaurante. Gostei, ficamos amigos e incorporei alguns de seus poemas em meu repertório.
    A feliz coincidência de termos como amigo comum, Décio Bittencourt, poeta de São José do Rio Pardo,SP, onde Euclides da Cunha escreveu Os Sertões, colega de editora. Nós encontramos várias vezes, lá e em Santa Maria.
    Em junho daquele ano, nos encontramos em Caxias do Sul, na estreia do Cavalinho Azul, pelo Atelier de Teatro, e ganhei Alba, Tempo e Rosa.
    Junto em Varais do Burgo – uma viagem aos 50 para maiores ou menores de 50, e gostaria de ir a Santa Maria apresentar.
    Fazer a ponte . GRATO PELA ATENÇÃO. O54996705556.

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Cansei de amor de brinquedo/ Eu quero amor de verdade/ Quero sentir que a saudade/Está judiando de mim/Não quero dizer amor com o coração sossegado/Quero pecar sem pecado/E andar sorrindo sozinho/Até que falem de mim/Talvez me chamem de louco/Esta loucura eu desejo/Eu quero amor de verdade/Cansei de amor de brinquedo. (A decisão)

Na noite de quarta-feira, 29 de abril, a Feira do Livro de Santa Maria fez uma homenagem a Prado Veppo, com leitura de alguns de seus poemas, por integrantes da Casa do Poeta de Santa Maria.

Com versos que tocam a alma e o coração. Assim Prado Veppo é descrito por aqueles que hoje estiveram na Praça Saldanha Marinho para recitar seus poemas.

Ubirajara Anchieta, aposentado, recitou o poema Morro do Deus Menino, o que e para ele foi uma grande honra, pois "Veppo é um dos maiores poetas do Brasil. Ele põe os versos de uma forma própria”.

Já Denise Reis, corretora de seguros, fez a leitura de Os Bonecos. Denise está sempre lendo e escrevendo poemas e se diz compulsiva por este tipo de literatura. Para ela é um prazer poder participar de uma homenagem como essa. “Veppo é um exemplo de aprendizado”.

A coordenadora da Biblioteca Pública de Santa Maria, Rosângela Réchia: “As suas poesias são emocionantes, elas brotam do coração”. Veppo foi uma figura de grande destaque na literatura, destaca Rosângela.

Integrantes do Instituto Luiz Guilherme do Prado Veppo também estiveram na Praça Saldanha Marinho para prestigiar o recital de poesias. A professora de literatura Maria Regina Caetano, responsável pelo grupo, contou que teve o privilégio de conhecer Prado Veppo em uma palestra. Encontrava-se emocionada porque o considerava uma pessoa muito sensível que escrevia com o coração e que vivia a poesia.

Entre frases e versos, o grupo da Casa do Poeta retirou muitos aplausos do público.

Prado Veppo

Nasceu em Uruguaiana em 3 de julho de 1932 e veio a falecer, depois de uma vida extremamente rica na Medicina e na Literatura, no dia 13 de agosto de 1999. No início de sua vida, duras perdas foram as mortes, da mãe quando o poeta tinha dois anos de idade, e do pai, quando era um adolescente de quatorze. Com esta idade começou a trabalhar na Previdência do Sul, de Porto Alegre. Formou-se na Universidade Federal de Santa Maria em 1960, tendo sido o orador da primeira turma médica dessa Universidade. No tempo de estudante trabalhou na Brigada Militar e como jornalista. Especializou-se em Endocrinologia na Escola Paulista de Medicina em 1971. Fez sua formação em Psiquiatria na UFRJ em 1983. Foi professor adjunto da UFSM DE 1962 a 1989. Exerceu a clínica, em seu consultório, até adoecer, em junho de 1999.

Na literatura publicou sete livros de poesia. Alba Tempo e Rosa, O Andarilho, Espada de Flor. Passos do Vislumbre, Os Breves, O Girassol Azul, Cavaleiros da Vida e da Morte.

A vida jornalística teve grande influência na formação de Prado Veppo, tendo sido colaborador assíduo dos jornais A Cidade e A Razão. É realmente tocante o relato da feitura de seu primeiro livro, em Cavaleiros da Vida e da Morte, feito com o carinho dos jornalistas e gráficos, seus amigos, nas redações e oficinas desses jornais. Os gráficos mereceram um belo poema social, mostrado na pequena mostra de sua poesia.

Prado Veppo foi muito querido de seus concidadãos. Prova disso são os inúmeros prêmios e homenagens que recebeu ao longo da vida, sendo os últimos muito expressivos, como o título de Cidadão Honorário, conferido pela Câmara de Vereadores de Santa Maria, em 1985, e o título da medalha Mérito Cultural Prado Veppo, conferida anualmente pela Câmara de Vereadores de Santa Maria. Posso também dar meu testemunho pessoal, pois conheci o poeta quando morei em Santa Maria de 1955 a 1964, pois meu pai foi professor das primeiras turmas da Faculdade de Medicina, tendo sido professor de Prado Veppo. Lembro de sua fama de poeta ainda nos tempos de estudante, vindo daí minha admiração por seu trabalho e por sua personalidade. Passados mais de 20 anos, voltamos a nos encontrar em Santa Maria algumas vezes. E, depois em Porto Alegre, nas vésperas de sua internação no Instituto de Cardiologia para uma cirurgia de ponte de safena. Encontrei-o em casa de sua irmã e fomos tomar um cafezinho na Casa de Cultura Mário Quintana. Essa foi uma das últimas imagens que tenho do poeta, caloroso, amigo, confiante no seu destino, mas sabendo dos perigos que dali para frente estaria passando.

Prado Veppo foi casado com Zélia Maria e deixou os filhos Luiz Guilherme do Prado Veppo, advogado, e Alba Tereza do Prado Veppo Prolla, médica.

 
A obra

Prado Veppo foi poeta por destino e vocação. Tendo s
ua formação intelectual nos anos 50 e 60, foi um neo-romântico no caminho de Cecília Meirelles e Mário Quintana. Sua produção principal é lírica e amorosa. No entanto, os anos 60 trouxeram uma nova geração, que procurou na síntese formal e no engajamento político, novas formas de retratar a realidade gaúcha e brasileira. Nomes como Paulo Roberto do Carmo, Armindo Trevisan, Carlos Nejar e Luiz de Miranda criaram uma nova sensibilidade ligada à geração de 60 e, como eles, e já antes deles, Prado Veppo praticara poesia de cunho social, pela situação brasileira dos idos de 64, revolucionária de início, contestatória no momento seguinte. Mas a poesia social de Prado Veppo não é uma poesia épica, no sentido de representar a História e seus movimentos; é, antes de tudo, uma poesia que vê o sofrimento personalizado em cada situação, sendo uma extensão de sua lírica amorosa. Na abertura de seu livro Espada de Flor já nos diz: “Fazer poesia/No mundo prático/É entrar na guerra/Esgrimindo uma flor”. O poeta sabe que a poesia pode pouco no mundo mas ao mesmo tempo assume a espada que corta a vida em duas, separando-se da maldade: “Num golpe certeiro/Dividi a vida/Que se tornou duas/depois da partida/. Numa fiquei ruim,/pérfido e mordaz./Ainda bem que essa/Já deixei pra trás./ Na outra, fiquei puro/ Como as andorinhas,/ Como se as maldades/Já não fossem minhas”. O poeta almeja a harmonia nunca alcançada: “Um dia, serei simples/Como uma folha que cai,/Ou onda que o rio esquece/Na calmaria do mar./Terei um gesto de santo/E a palidez dos famintos./Não ouvirei mais meu nome,/Nem chamarei por ninguém./ Terei descanso de mim,/Numa quietude sem fim./ Um dia, serei saudade/No coração dos amigos.”

A poesia participativa de Prado Veppo é forte e contestatória, sem perder o lirismo, que é sua característica. Acredito, no entanto, que alguns desses poemas são os mais fortes e humanos escritos nos anos 60 e 70, na vigência do regime militar. O poeta entristece diante da pobreza e da falta de opções, mas eleva seu canto para, mesmo sabendo que assim não muda o mundo, pode ao menos deixar uma mensagem para os deserdados e famintos de pão, liberdade e poesia.

O último livro publicado, Cavaleiros da Vida e da Morte, uma pequena autobiografia poética, é um documento de seu amor à Medicina e à Poesia. No poema que dá título ao livro, em versos de sete sílabas, encontramos a citação de vários médicos professores, como Mariano da Rocha, Schelp, Sylvio Lindemberg, Clóvis Bopp e outros.

 

A estrutura dos poemas
 

Prado Veppo é um poeta ligado à tradição. Com sensibilidade moderna mas optando pelos ritmos já consagrados, sente-se bem usando as redondilhas maior e menor nas canções e o decassílabo nos sonetos. Usa muita vez o verso livre, mas sempre curto e musical. São poucos os poemas longos, optando, quase sempre, pela canção de três ou quatro estrofes.

Do poeta diz o Professor Pedro Brum Santos, na apresentação do livro O Girassol Azul, já citado: “(…) distante do apelo regionalista e das tendências dissonantes, recupera o sabor do ritmo e da harmonia (…).” Mas é interessante notar que, no mesmo livro, encontramos três poemas de inspiração concreta, raridade na obra do autor.

(biografia: José Eduardo Degrazia)

 

A TERAPIA

 

Se não fizesse versos

Enlouqueceria.

Minha saúde mental

Depende da poesia.

 

Se não fizesse versos

Me suicidaria.

Só na estrofe retorna

A perdida alegria.

 

Só no poema ultrapasso

O limite do tédio.

Para o poeta, a metáfora

É o único remédio.