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Santa Maria, RS, Brazil

Marcha estadual a favor do jornalismo regulamentado

A luta pelo diploma continua. Jornalistas e acadêmicos de
diversas instituições do Estado saíram às ruas de Porto Alegre na manhã dessa terça-feira, dia 31, para, mais uma vez, defender a categoria. O protesto integra uma série de manifestações programadas em todo o país, um dia antes de entrar na pauta de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) o Recurso Extraordinário que prevê o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.

 

A mobilização contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Federação Nacional dos Jornalistas e dos integrantes do Núcleo de Estudantes do Sindicato e do Movimento Jornalistas por Formação RS. Estavam presentes estudantes de diversas faculdades gaúchas: Unifra, UFSM, PUC, Ulbra e Ufrgs.

 O vice-presidente da Fenaj, Celso Schröder, condena a desregulamentação do diploma: “A informação é bem público, não pertence à empresa, seria privatização. Autorização para ‘ter a informação’ foi conquistada por acordos com MEC e o registro é o diploma”.  

Schröder cita Nilson Lage para explicar que o Jornalismo tende a voltar à mercantilização, onde picaretas usavam as informações, se a empresa tiver o controle: “A informação fica à mercê de interesses econômicos”. 

A liberdade de expressão é direito constitucional. Mas para Schröder, é obrigação dos jornalistas. “Aprendemos técnicas jornalísticas e a discernir o que é de interesse público. A profissão é digna e precisa ser melhor possível. O jornalismo pauta a sociedade”. Sociedade que também perde em qualidade com a desqualificação das informações recebidas.

Os jornalistas são formados pela academia para trabalhar no mercado de trabalho. O que não significa que produzirão apenas o que o mercado espera. Ao terminarem a faculdade, com o diploma nas mãos, têm autonomia: “É inversão completa anular o papel da universidade que no mundo todo é lugar de instrumentação, experiência, pesquisa e novidade”, critica Schröder.

Na passeata, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues Nunes, também comentou que nesta quarta-feira podemos presenciar um novo golpe para a democracia. O sindicalista fez uma alusão ao golpe de 1º de abril de 1964, responsável por instaurar a ditadura no Brasil e restringir a liberdade de expressão.

 

 A força estudantil

  A campanha a favor do diploma deu origem a uma relação que até pouco tempo não existia entre Sindicato e estudantes. Os grupos consolidaram uma grande parceria a partir da criação da Comissão do Núcleo Estudantil, um espaço dedicado aos futuros profissionais.  O Núcleo tem em torno de 40 membros que discutem sobre questões pertinentes à categoria. Os encontros são nos sábados à tarde, no Sindicato, e estão abertos a estudantes.

 

 

 Nessa manhã, o representante da Comissão, Laion Espindula, esperava que, com o protesto, o STF ouvisse os manifestantes e votasse a favor do jornalista. “Retirar a obrigatoriedade do diploma é um retrocesso. Devemos discutir a qualidade da formação”, afirma. O mobilizador complementou: “Se a lei que regulamenta a profissão de jornalista for extinta, não haverá como defender os direitos da categoria”.

A acadêmica da Ufrgs, Victória Jurkfitz, 20 anos, protestava pela sociedade: “Defendo a causa não só pelo meu futuro, mas acho que sem faculdade as pessoas não vão conseguir fazer um bom jornalismo.”

 

 Santa-marienses em defesa do jornalismo diplomado

 Durante a caminhada, que iniciou na Praça da Matriz, uma jovem prendia a atenção, não só dos pedestres, como dos demais manifestantes. O que atraía tantos olhares era o papel que exibia com orgulho: uma cópia do diploma de jornalista.  Acompanhada por um grupo de estudantes da Unifra e da UFSM, Ana Bitencourt, 34 anos, partiu de Santa Maria rumo à capital gaúcha para continuar defendo a obrigatoriedade do certificado. “O meu diploma é uma conquista recente e é um direito. A classe tem que se unir”, relata a recém-formada.

 

Fotos: Letícia Sarturi e Rodrigo Ricordi (acadêmicos de Jornalismo)

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A luta pelo diploma continua. Jornalistas e acadêmicos de
diversas instituições do Estado saíram às ruas de Porto Alegre na manhã dessa terça-feira, dia 31, para, mais uma vez, defender a categoria. O protesto integra uma série de manifestações programadas em todo o país, um dia antes de entrar na pauta de julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) o Recurso Extraordinário que prevê o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalista para o exercício da profissão.

 

A mobilização contou com o apoio do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, Federação Nacional dos Jornalistas e dos integrantes do Núcleo de Estudantes do Sindicato e do Movimento Jornalistas por Formação RS. Estavam presentes estudantes de diversas faculdades gaúchas: Unifra, UFSM, PUC, Ulbra e Ufrgs.

 O vice-presidente da Fenaj, Celso Schröder, condena a desregulamentação do diploma: “A informação é bem público, não pertence à empresa, seria privatização. Autorização para ‘ter a informação’ foi conquistada por acordos com MEC e o registro é o diploma”.  

Schröder cita Nilson Lage para explicar que o Jornalismo tende a voltar à mercantilização, onde picaretas usavam as informações, se a empresa tiver o controle: “A informação fica à mercê de interesses econômicos”. 

A liberdade de expressão é direito constitucional. Mas para Schröder, é obrigação dos jornalistas. “Aprendemos técnicas jornalísticas e a discernir o que é de interesse público. A profissão é digna e precisa ser melhor possível. O jornalismo pauta a sociedade”. Sociedade que também perde em qualidade com a desqualificação das informações recebidas.

Os jornalistas são formados pela academia para trabalhar no mercado de trabalho. O que não significa que produzirão apenas o que o mercado espera. Ao terminarem a faculdade, com o diploma nas mãos, têm autonomia: “É inversão completa anular o papel da universidade que no mundo todo é lugar de instrumentação, experiência, pesquisa e novidade”, critica Schröder.

Na passeata, o presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul, José Maria Rodrigues Nunes, também comentou que nesta quarta-feira podemos presenciar um novo golpe para a democracia. O sindicalista fez uma alusão ao golpe de 1º de abril de 1964, responsável por instaurar a ditadura no Brasil e restringir a liberdade de expressão.

 

 A força estudantil

  A campanha a favor do diploma deu origem a uma relação que até pouco tempo não existia entre Sindicato e estudantes. Os grupos consolidaram uma grande parceria a partir da criação da Comissão do Núcleo Estudantil, um espaço dedicado aos futuros profissionais.  O Núcleo tem em torno de 40 membros que discutem sobre questões pertinentes à categoria. Os encontros são nos sábados à tarde, no Sindicato, e estão abertos a estudantes.

 

 

 Nessa manhã, o representante da Comissão, Laion Espindula, esperava que, com o protesto, o STF ouvisse os manifestantes e votasse a favor do jornalista. “Retirar a obrigatoriedade do diploma é um retrocesso. Devemos discutir a qualidade da formação”, afirma. O mobilizador complementou: “Se a lei que regulamenta a profissão de jornalista for extinta, não haverá como defender os direitos da categoria”.

A acadêmica da Ufrgs, Victória Jurkfitz, 20 anos, protestava pela sociedade: “Defendo a causa não só pelo meu futuro, mas acho que sem faculdade as pessoas não vão conseguir fazer um bom jornalismo.”

 

 Santa-marienses em defesa do jornalismo diplomado

 Durante a caminhada, que iniciou na Praça da Matriz, uma jovem prendia a atenção, não só dos pedestres, como dos demais manifestantes. O que atraía tantos olhares era o papel que exibia com orgulho: uma cópia do diploma de jornalista.  Acompanhada por um grupo de estudantes da Unifra e da UFSM, Ana Bitencourt, 34 anos, partiu de Santa Maria rumo à capital gaúcha para continuar defendo a obrigatoriedade do certificado. “O meu diploma é uma conquista recente e é um direito. A classe tem que se unir”, relata a recém-formada.

 

Fotos: Letícia Sarturi e Rodrigo Ricordi (acadêmicos de Jornalismo)