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O comunicador e a sua formação cultural

A formação cultural do comunicador foi discutida nessa quarta-feira, na segunda noite do Fórum de Comunicação Social. Orlando Fonseca, professor da UFSM há 25 anos, cronista do Diário de Santa Maria e autor de vários livros de poesias, crônicas e contos, esteve na Unifra para o bate-papo com os acadêmicos.


“A academia tem uma parcela de responsabilidade na formação profissional. Podemos equilibrar: 50% de responsabilidade da universidade e 50% do acadêmico”, começa. Professor de Letras formado pela UFSM, Orlando credita a formação cultural principalmente pela linguagem: para ter essa formação, é preciso de conteúdo, que por sua vez, necessita da língua portuguesa, e esta, demonstra o saber comunicar.

Orlando explicitou sua opinião com relação à falta de leitura na vida dos jovens e trouxe dados interessantes: o índice de livros lidos ao ano por brasileiros  é de apenas 3,6, enquanto nos Estados Unidos esse número aumenta para oito livros por ano. “A leitura possibilita ampliar os horizontes para além da nossa percepção do mundo cotidiano, permite entrar em contato com o vocabulário ativo”, ressalta o professor. Ele ainda enfatiza a importância da leitura tanto na formação do estudante, como na do cidadão.

Entre as diversas posições tomadas pelo professor, ele é firme em completar, com relação à falta da exigência do diploma jornalístico: “A escola de comunicação tem a obrigação de fazer com que a comunidade saiba o risco de eliminar a formação acadêmica, uma vez que o ensino superior permite reflexões sobre o ato de formar um profissional”.

Ainda a respeito da formação do comunicador, Orlando afirma que a diferença entre o bom e o grande profissional é a formação cultural, antropológica e filosófica. E acrescenta que um jornalista não pode ser impassível em relação ao que vê ou lê. “O comunicador não pode assistir a um filme sem se perguntar porque gostou e porque não gostou”, explica.

Uma das perguntas feitas pelos acadêmicos de Jornalismo ao palestrante foi: quanto a internet influencia na leitura dos jovens? Orlando comenta que a internet é uma ferramenta, que não traz prejuízos, mas possui conteúdos excessivos. “Os jovens que utilizam esse mecanismo podem aprender a reter e guardar esses conteúdos. Mas não têm como fugir do contato efetivo com o livro”.

E o espaço para o jornalismo cultural no mercado de trabalho? “Se não há espaço, o jornalista pode inventar o espaço”, complementa Orlando.

Orlando se despediu da última palestra da noite com o conselho final aos acadêmicos: “Dediquem o máximo de tempo que vocês puderem à leitura”. A apresentação foi mediada pelo prof. Gilson Piber.

 

Fotos: Gabriela Perufo (Laboratório de Fotografia e Memória)

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A formação cultural do comunicador foi discutida nessa quarta-feira, na segunda noite do Fórum de Comunicação Social. Orlando Fonseca, professor da UFSM há 25 anos, cronista do Diário de Santa Maria e autor de vários livros de poesias, crônicas e contos, esteve na Unifra para o bate-papo com os acadêmicos.


“A academia tem uma parcela de responsabilidade na formação profissional. Podemos equilibrar: 50% de responsabilidade da universidade e 50% do acadêmico”, começa. Professor de Letras formado pela UFSM, Orlando credita a formação cultural principalmente pela linguagem: para ter essa formação, é preciso de conteúdo, que por sua vez, necessita da língua portuguesa, e esta, demonstra o saber comunicar.

Orlando explicitou sua opinião com relação à falta de leitura na vida dos jovens e trouxe dados interessantes: o índice de livros lidos ao ano por brasileiros  é de apenas 3,6, enquanto nos Estados Unidos esse número aumenta para oito livros por ano. “A leitura possibilita ampliar os horizontes para além da nossa percepção do mundo cotidiano, permite entrar em contato com o vocabulário ativo”, ressalta o professor. Ele ainda enfatiza a importância da leitura tanto na formação do estudante, como na do cidadão.

Entre as diversas posições tomadas pelo professor, ele é firme em completar, com relação à falta da exigência do diploma jornalístico: “A escola de comunicação tem a obrigação de fazer com que a comunidade saiba o risco de eliminar a formação acadêmica, uma vez que o ensino superior permite reflexões sobre o ato de formar um profissional”.

Ainda a respeito da formação do comunicador, Orlando afirma que a diferença entre o bom e o grande profissional é a formação cultural, antropológica e filosófica. E acrescenta que um jornalista não pode ser impassível em relação ao que vê ou lê. “O comunicador não pode assistir a um filme sem se perguntar porque gostou e porque não gostou”, explica.

Uma das perguntas feitas pelos acadêmicos de Jornalismo ao palestrante foi: quanto a internet influencia na leitura dos jovens? Orlando comenta que a internet é uma ferramenta, que não traz prejuízos, mas possui conteúdos excessivos. “Os jovens que utilizam esse mecanismo podem aprender a reter e guardar esses conteúdos. Mas não têm como fugir do contato efetivo com o livro”.

E o espaço para o jornalismo cultural no mercado de trabalho? “Se não há espaço, o jornalista pode inventar o espaço”, complementa Orlando.

Orlando se despediu da última palestra da noite com o conselho final aos acadêmicos: “Dediquem o máximo de tempo que vocês puderem à leitura”. A apresentação foi mediada pelo prof. Gilson Piber.

 

Fotos: Gabriela Perufo (Laboratório de Fotografia e Memória)