Santa Maria, RS (ver mais >>)

Santa Maria, RS, Brazil

Recuperando a primavera do nosso planeta

O questionamento ficou no
ar, e as respostas só nós, seres humanos que desejam o melhor, não só para nós como para os outros, podemos dar.

Pense! Porque toda vez que não
refletimos sobre nossos atos e sobre as consequências deles para o mundo que nos
cerca, matamos a possibilidade de que alguém viva melhor e dignamente, porque se
o planeta está do modo como está, a culpa não é só de quem fez algo de errado,
a culpa é também de quem calou e consentiu de braços cruzados. 

A 34° Feira da Primavera ocorreu nos dias 3 e 4 de outubro. O movimento festivo, que além de
integração coloca sempre um assunto em pauta, trouxe como tema este ano o
aquecimento global. “Recuperando a primavera do nosso planeta” foi o título utilizado
para manifestar a preocupação com o meio ambiente.

No espaço, além de mostras artesanais, culinária e produtos agrícolas de pequenas cooperativas que
formam a feira, foram feitas também apresentações de grupos de música e dança.
Já para discutir sobre o nosso planeta e as mudanças climáticas, a feira contou com a solidariedade de três professores universitários
especialistas em clima. Isso, segundo Irmã Lourdes Dihl, coordenadora do evento, já
que eles foram convidados para palestrarem de última hora. "Eles foram nosso
plano b, e renderam muito", comenta ela.

 

 

 

A palestra contou com a
presença de vários prefeitos e secretários de municípios vizinhos, mas todos
visitantes que desejassem assistir a palestra eram bem vindos. "Falta comunicação
entre as pessoas e o espaço da palestra é justamente para isso", diz irmã
Lourdes. Cada palestrante teve a oportunidade de falar um pouco da área em que
atua, e as trocas entre eles e os ouvintes foram ricas, questões relacionadas a
desertos verdes, enchentes, furações foram bastante pautados, e a visão de que
a natureza está apenas respondendo aos "ataques" do homem foi unânime.


Nereu Streck, doutor em Meteorologia Agrícola, falou sobre mudanças climáticas e a agricultura, comentou
da influência da atmosfera na mesma, apontando dados estatísticos que comprovam
o quanto o clima afeta na produção, e o quanto tem diminuído o ciclo entre o
plantio e a colheita. Segundo ele, da mesma forma que ganhamos algumas coisas,
perdemos outras. Na sua apresentação foi possível perceber que alimentos que
não se produziam em determinadas regiões, hoje são produzidos e com a mesma
frequência que em determinadas épocas do ano se tinha a oportunidade de colher
alguns alimentos em abundância. Com a mudança do clima, isso tem se tornado raro.

Simone Erotildes, doutora
em Clima, deu ênfase às enchentes, tornados e furacões na América do Sul e foi
categórica ao dizer que com relação ao Catarina, "ninguém nunca tinha ouvido
falar e nunca tinha se formado, pelo menos aqui no nosso hemisfério". Segundo
ela, muitas pessoas têm estudado para saber o por quê, como se formou, se já é
algo relacionado a alguma mudança sofrida pelo nosso ambiente, "e é provável
que seja", comenta. A doutora diz que a população vai ter que se adaptar se
isso for frequente, e quando questionada sobre os desabamentos e problemas
sofridos pelo povo catarinense com os problemas causados pelas enchentes,
Simone diz que "a população aumentou, as pessoas têm ido morar onde não se
morava, e nesses lugares provavelmente já aconteciam fenômenos deste tipo, só
não se comentava por que a população não sofria tanto". Não precisamos ir longe,
diz ela, a chuva de granizo em Itaara, por exemplo, "as pedras caem do céu no
mesmo tamanho, só que lá como é uma região mais alta, as pedras não tiveram
tempo de derreter, causando maiores estragos".  "Boa parte de nossos problemas é
populacional".

Acrescendo ainda mais aos
problemas populacionais que vivemos, Marcelo Barcellos da Rosa, doutor em Química, diz que "precisamos quebrar um paradigma cultural, a gente só vai
reduzir certas consequências quando a população se conscientizar de que
precisa". Segundo Marcelo, a grande mudança de nossa cidade e do planeta num
contexto global se dará só quando cada um em seu subconsciente se der por conta
do que se precisa para viver, "postura, perspectiva, o que eu quero para mim, o
que eu quero para a sociedade que me rodeia", " o que é crescer?" e "o que é
desenvolver?". "O que vivemos é falta de se retro ambientar o sistema", diz ele.

Um exemplo de falta de adaptação, segundo Marcelo, são os catadores que servem
apenas para tapar um problema social. "A cidade de Santa Maria é um exemplo
claro dessa discussão, pois temos na cidade registrados hoje mais de dois mil
catadores, e não existe um programa organizado de coleta seletiva que os
apóie, eles se dependuram nos contêineres para se manter". "Isso é uma
sociedade bem organizada, que se adapta aos problemas?", questiona ele.


 

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O questionamento ficou no
ar, e as respostas só nós, seres humanos que desejam o melhor, não só para nós como para os outros, podemos dar.

Pense! Porque toda vez que não
refletimos sobre nossos atos e sobre as consequências deles para o mundo que nos
cerca, matamos a possibilidade de que alguém viva melhor e dignamente, porque se
o planeta está do modo como está, a culpa não é só de quem fez algo de errado,
a culpa é também de quem calou e consentiu de braços cruzados. 

A 34° Feira da Primavera ocorreu nos dias 3 e 4 de outubro. O movimento festivo, que além de
integração coloca sempre um assunto em pauta, trouxe como tema este ano o
aquecimento global. “Recuperando a primavera do nosso planeta” foi o título utilizado
para manifestar a preocupação com o meio ambiente.

No espaço, além de mostras artesanais, culinária e produtos agrícolas de pequenas cooperativas que
formam a feira, foram feitas também apresentações de grupos de música e dança.
Já para discutir sobre o nosso planeta e as mudanças climáticas, a feira contou com a solidariedade de três professores universitários
especialistas em clima. Isso, segundo Irmã Lourdes Dihl, coordenadora do evento, já
que eles foram convidados para palestrarem de última hora. "Eles foram nosso
plano b, e renderam muito", comenta ela.

 

 

 

A palestra contou com a
presença de vários prefeitos e secretários de municípios vizinhos, mas todos
visitantes que desejassem assistir a palestra eram bem vindos. "Falta comunicação
entre as pessoas e o espaço da palestra é justamente para isso", diz irmã
Lourdes. Cada palestrante teve a oportunidade de falar um pouco da área em que
atua, e as trocas entre eles e os ouvintes foram ricas, questões relacionadas a
desertos verdes, enchentes, furações foram bastante pautados, e a visão de que
a natureza está apenas respondendo aos "ataques" do homem foi unânime.


Nereu Streck, doutor em Meteorologia Agrícola, falou sobre mudanças climáticas e a agricultura, comentou
da influência da atmosfera na mesma, apontando dados estatísticos que comprovam
o quanto o clima afeta na produção, e o quanto tem diminuído o ciclo entre o
plantio e a colheita. Segundo ele, da mesma forma que ganhamos algumas coisas,
perdemos outras. Na sua apresentação foi possível perceber que alimentos que
não se produziam em determinadas regiões, hoje são produzidos e com a mesma
frequência que em determinadas épocas do ano se tinha a oportunidade de colher
alguns alimentos em abundância. Com a mudança do clima, isso tem se tornado raro.

Simone Erotildes, doutora
em Clima, deu ênfase às enchentes, tornados e furacões na América do Sul e foi
categórica ao dizer que com relação ao Catarina, "ninguém nunca tinha ouvido
falar e nunca tinha se formado, pelo menos aqui no nosso hemisfério". Segundo
ela, muitas pessoas têm estudado para saber o por quê, como se formou, se já é
algo relacionado a alguma mudança sofrida pelo nosso ambiente, "e é provável
que seja", comenta. A doutora diz que a população vai ter que se adaptar se
isso for frequente, e quando questionada sobre os desabamentos e problemas
sofridos pelo povo catarinense com os problemas causados pelas enchentes,
Simone diz que "a população aumentou, as pessoas têm ido morar onde não se
morava, e nesses lugares provavelmente já aconteciam fenômenos deste tipo, só
não se comentava por que a população não sofria tanto". Não precisamos ir longe,
diz ela, a chuva de granizo em Itaara, por exemplo, "as pedras caem do céu no
mesmo tamanho, só que lá como é uma região mais alta, as pedras não tiveram
tempo de derreter, causando maiores estragos".  "Boa parte de nossos problemas é
populacional".

Acrescendo ainda mais aos
problemas populacionais que vivemos, Marcelo Barcellos da Rosa, doutor em Química, diz que "precisamos quebrar um paradigma cultural, a gente só vai
reduzir certas consequências quando a população se conscientizar de que
precisa". Segundo Marcelo, a grande mudança de nossa cidade e do planeta num
contexto global se dará só quando cada um em seu subconsciente se der por conta
do que se precisa para viver, "postura, perspectiva, o que eu quero para mim, o
que eu quero para a sociedade que me rodeia", " o que é crescer?" e "o que é
desenvolver?". "O que vivemos é falta de se retro ambientar o sistema", diz ele.

Um exemplo de falta de adaptação, segundo Marcelo, são os catadores que servem
apenas para tapar um problema social. "A cidade de Santa Maria é um exemplo
claro dessa discussão, pois temos na cidade registrados hoje mais de dois mil
catadores, e não existe um programa organizado de coleta seletiva que os
apóie, eles se dependuram nos contêineres para se manter". "Isso é uma
sociedade bem organizada, que se adapta aos problemas?", questiona ele.